Relatório de atividades práticas - Praia e Costão Rochoso
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Relatório de atividades práticas - Praia e Costão Rochoso


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Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UNIRIO
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde \u2013 CCBS
Instituto de Biociências \u2013 IBIO
Departamento de Ciências Naturais \u2013 DCN
 
Disciplina: Elementos de Ecologia
Professor: Betina Suzuki e Tatiana Maria
Curso: Biomedicina
Grupo: Turma toda
Prática realizada no dia:
Introdução
	Para realização da atividade, três grupos foram criados e direcionados a um dos ambientes onde seriam desenvolvidas as observações práticas. Posteriormente, estes grupos foram reunidos para discussão dos fenômenos observados em cada núcleo temático (i.e. praia, costão e teia trófica). Neste relatório serão discutidos principalmente os aspectos da atividade desenvolvida no ambiente da praia, analisando as características físicas e funcionais do local e também as considerações teóricas fornecidas sobre este. Também serão brevemente destacadas as informações discutidas acerca dos outros dois ambientes (i.e. costão e teia trófica).
I. PRAIA
i. Características ambientais da praia
	Segundo Correia e Sovierzoski (2005), a praia é um ecossistema costeiro dependente do acúmulo de areia, pedras, seixos ou conchas, que são depositados em uma interface terra-água, as comunidades animais estão presentes em baixa densidade nestes ecossistemas, sendo considerados desertos marinhos até meados de 1920, panorama modificado principalmente por pesquisas desenvolvidas na década de 1940, quando foram detectadas comunidades escassas e com a presença de espécies estruturalmente simples em relação à outros hábitats de regiões entremarés. As espécies encontradas nestes locais se acomodam principalmente em orifícios característicos, montículos de areia ou dejeções, consequentes das atividades subterrâneas. Um importante aspecto deste ambiente é a zonação típica, onde os organismos são distribuídos em faixas ou zonas, que se organizam paralelamente à linha de praia e se dispõe de acordo com as peculiaridades de cada espécie em relação aos diferentes fatores ecológicos, fortemente influenciados pela maré (Correia e Sovierzoski, 2005). O regime de marés varia de acordo com a posição do sol e da lua devido à força gravitacional por esses astros. Durante a fase da lua nova e lua cheia, as forças gravitacionais do sol e da lua interagem determinando o período da sizígia, em que as maiores amplitudes entre maré alta e baixa. No período da quadratura as marés oscilam pouco como resultado de diferentes interações da gravitação dos astros. 
É evidente que o ambiente vivo se molda a partir das condições impostas pela natureza e seus fenômenos. Nas praias, observa-se que fatores como mudança das marés, temperatura, disponibilidade de nutrientes e salinidade são determinantes para a realização do zoneamento de espécies, que por si minimiza a competição entre os indivíduos, já que cada faixa possui sua própria organização estrutural e não depende de competição intensa para que o ambiente seja sustentado. 
O ambiente da praia é dividido em supralitoral, litoral e infralitoral. A zona supralitoral é aquela em que só é molhada por borrifos de água e por marés muito altas durante a sizígia, a zona infralitoral é a região que fica constantemente submersa, com exceção dos períodos de marés muito baixas na sizígia, e a zona litoral que corresponde à região entre a maré alta e a baixa. Ainda nessa zona, há a subdivisão: retenção, ressurgência e saturada. A região saturada se localiza próxima ao infralitoral, sempre molhada, a ressurgência, onde o lençol freático aflora depois da passagem das ondas e a retenção retém a água que é escoada para o lençol freático. 
	Ainda, as praias podem ser divididas, segundo o critério das ondas e das características da areia. As praias dissipativas são aquelas em que as ondas quebram longe do litoral, perdem força, gerando uma areia fina. Já nas praias classificadas como refletivas, as ondas quebram perto da praia, formando uma areia mais grossa devido ao maior impacto.
ii. Organismos no ambiente da praia
	Como dito anteriormente, a distribuição da fauna neste ambiente ocorre de acordo com a capacidade adaptativa de cada espécie, este padrão de zonação é determinado principalmente pelo tempo de exposição ao ar, temperaturas elevadas do período diurno, redução na disponibilidade de nutrientes e baixas taxas de dissolução de oxigênio. Alguns organismos presentes nas regiões do infra e médio litoral podem ser destacadas, são estes: marisco, tatuí, tatuzinho e pulga-da-areia, camarão fantasma (Correia e Sovierzoski, 2005; Odum, 1976).
	Eugene P. Odum (1976) destaca que, no ambiente da praia, a maioria dos animais de maior tamanho são escavadores especializados, como o exemplo do caranguejo toupeira Emerita, que é capaz de enterrar-se na areia em poucos segundos. A alimentação destes animais é realizada através principalmente do plâncton deixado pelas marés altas, coletados por antenas plumosas, características destes seres. Outros organismos, como os vermes, ingerem a areia e detritos que invadem suas galerias, extraindo nutrientes essenciais para sua sobrevivência (Odum, 1976).
Na biota do ambiente da praia, os bentos, seres que vivem sobre o fundo, podendo ser móveis ou sésseis, dependendo da zona em que se encontram são predominantes. Diante disso, a fauna que melhor tiver adaptações para esse meio acaba em vantagem.
Em relação ao corpo dos animais presentes neste ambiente, especialmente aqueles observados na atividade prática, observa-se forte influência de mecanismos adaptativos que levaram à formação de estruturas capazes de, por exemplo, de resistir às variações nas marés, permitir a obtenção de alimentos, sobreviver a choques mecânicos e reduzir o impacto da movimentação das águas devido à estrutura corporal hidrodinâmica apresentada.
Entre as relações interespecíficas, notamos que a competição é quase inexistente nesse ecossistema, já que não há falta de espaço e as zonas delimitam a distribuição da fauna de acordo com as adaptações de cada ser vivo, ou seja, não há sobreposição de nichos ecológicos
iii. Considerações sobre a atividade na praia
	A atividade prática permite a aproximação dos discentes ao ambiente ecológico, evidenciando as relações complexas e processos adaptativos pelos quais passam os organismos daqueles locais. O panorama das relações ecológicas nos permite compreender a maneira como os seres vivos se relacionam com a natureza e consequentemente sobrevivem às adversidades impostas por ela, o que promove processos evolutivos e, portanto permite a aquisição seletiva de complexidade estrutural nos indivíduos pertencentes a determinado táxon.
A atividade foi realizada com uma pá e uma malha com poros de 1 mm para capturar e observar os animais localizados na região de ressurgência da zona litoral. Foi colocada uma porção de areia de uma região mais funda sobre a malha, esta foi levada para a água a fim de lavá-la do substrato, deixando apenas os organismos encontrados. Entre eles, estava o Tatuí, que foi posto em uma bacia com água e areia e foi possível observar as características físicas. O tatuí (Emerita brasilienseis) é um filtrador e também um bioindicador de poluição, uma vez que em ambientes poluídos não se é possível encontrá-los. Foi observado que esse ser vivo, como os demais dessa região, possui o corpo liso para facilitar a penetração na areia, membros inferiores especializados em escavação, sua cor clara ajuda a não reter o calor, além de contribuir para que ele se camufle no ambiente.
II. COSTÃO ROCHOSO
i. Ambiente do costão rochoso
No ambiente do costão rochoso, o fator determinante para a criação de zonação é o impacto constante das ondas sobre a superfície da rocha, pois delimita as faixas onde seres com maior capacidade de aderência ao substrato são capazes de se sustentar frente ao desafio hidrodinâmico imposto. Em regiões mais inferiores do costão, já na zona litoral média, inicia-se uma faixa caracteristicamente composta por (1) mexilhões e algas diversas, seguida acima por (2)