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INT. AO DIREITO   8ª AULA

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AULA 8
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
1. A norma jurídica
A norma jurídica é o objeto do direito. Antes de falarmos sobre o direito objetivo que é composto pelo conjunto de normas jurídicas impostas à sociedade (Constituição, leis complementares, leis ordinárias, medidas provisórias, decretos, regulamentos, ordens de serviço, portarias, etc.), cabe fazer um breve resumo do que seja norma jurídica.
As normas de conduta que constituem o direito são chamadas de normas jurídicas. A norma jurídica é um enunciado que estabelece a forma em como deve ordenar-se uma determinada relação social, quer dizer, uma relação entre duas ou mais pessoas. Tal fim é alcançado estabelecendo-se as condutas a serem observadas pelas pessoas evolvidas na relação jurídica.
Existem duas classes de normas jurídicas. Uma primeira classe é composta por ordens (pagar impostos, ajudar os outros, etc.) ou proibições de proceder de determinada maneira (não matar, não furtar, etc.), apoiadas pela ameaça de uma sanção a quem não as infrinja. Nestes casos,cada norma jurídica se decompõe na realidade em duas: a que ordena ou proíbe e a que ameaça com a sanção o infrator (por ex. proíbe-se matar e ameaça-se quem mata com determinada pena de prisão. Às vezes a primeira das normas está subentendida, como ocorre com a proibição de matar). A segunda classe de normas jurídicas tem um conteúdo diferente, pois autorizam a fazer algo; conferem faculdades e poderes àqueles que se encontram em determinadas circunstâncias para que os utilizem, dentro de certos limites, segundo o seu critério (p. ex. cobrar do devedor inadimplente sob ameaça de lançar os eu nome no SPC). �
Nesta segunda classe o direito (norma jurídica) não aparece na sua forma imperativa e sancionadora, mas sob um aspecto instrumental, ao serviço dos cidadãos, como um conjunto de disposições ”que servem de garante, aluda e limite à satisfação dos nossos desejos, à nossa livre atividade e ao desenvolvimento da nossa personalidade (por ex. contratar, adquirir a propriedade e poder usufruir dela. fazer testamento, etc.), é o chamado direito subjetivo por oposição ao direito objetivo.
Passemos ao estudo do direito objetivo.
2. Características e elementos do direito objetivo (positivo)
2.1 O direito objetivo como norma de comportamento de estrutura bilateral.
Muitos doutrinadores definem como principal característica do direito objetivo a bilateralidade. Esta posição não é adequada, pois não se aplica a todos os tipos de direito, mas apenas às relações contratuais, de família, sucessões, etc. 
Realmente, se em determinada relação de compra e venda (contrato), o comprador adquiriu determinado “bem” e pagou o preço tem o “direito” de exigir do vendedor a entrega da “coisa” adquirida. Em função desse contrato o vendedor também tem a “obrigação” de entregar a “coisa” alienada. Ora, nesta situação a estrutura da relação entre vendedor e comprador é bilateral ou imperativo-normativa, “por atribuir direitos e prerrogativas a uns e impor obrigações a outros”�
Outro exemplo de estrutura bilateral do direito objetivo ocorre quando este dá ao Estado “competência” para criar impostos e ao contribuinte a “obrigação de pagá-los”.
Essa estrutura bilateral, como se disse, não é a definição mais completa para o direito objetivo porque nem sempre a norma legal (direito) disciplina comportamentos ou condutas (fazer ou deixar de fazer alguma coisa). 
De fato, existe direito objetivo que prescreve organização social, administrativa e política, econômica etc. estranho às normas de conduta. Por exemplo, quando a norma constitucional define a organização do Estado e as suas competências, não se pode defini-la como sendo de estrutura bilateral, pois nenhuma relação jurídica foi constituída com a criação de direitos e deveres recíprocos entre as partes. �
2.2 O direito objetivo como estrutura de organização.
Mas se não é de estrutura bilateral também não se pode afirmar seja o direito objetivo norma de organização por ser esta, também, uma definição incompleta. Com efeito, o direito não trata apenas de regras de organização.�
2.3 Definição do direito objetivo como norma geral.
Não é adequado atribuir essa característica ao direito objetivo. É verdade que, na modernidade, o direito objetivo é elaborado com base em normas gerais e abstratas, mas nem sempre isso ocorre. De fato, em algumas situações, a lei trata de casos particulares, como, por exemplo, a lei que concedeu anistia aos exilados políticos.
Diga-se, ainda, que no passado o direito arcaico era casuístico, tratava caso a caso, sem se preocupar com a generalidade. Por exemplo, a lei das XII Tábuas (Roma) não tinha ainda na plenitude a característica da generalidade. � 
2.4 O direito objetivo como expressão da vontade geral.
Definir o direito objetivo como sendo fruto da vontade da maioria do povo é também insuficiente, pois essa realidade só é encontrada nas democracias, estando ausente em situações de revolução em que o direito é imposto pelos dirigentes do grupo revolucionário até que se legitime pela ação de uma constituinte. No Brasil, por exemplo, o AI 5 foi imposto pelo regime militar e não votado pelos representantes do povo. No passado era comum que o direito não correspondesse à vontade popular, sendo, ao contrário, imposto pelo soberano, como no caso do denominado Código de Hamurábi.�
O direito objetivo como norma sancionada e aplicada pelo Estado.
Definir o direito objetivo como norma sancionada e aplicada pelo Estado também não satisfaz plenamente. De fato, o direito internacional não se enquadra nessa perspectiva. Em outra vertente, no passado, o direito comercial medieval, oriundo da jurisprudência criada pelas corporações de mercadores, era um direito alheio ao poder do Estado.�
Definição do direito objetivo como norma de acordo com os princípios da justiça.
Insatisfatória é, igualmente, a definição que aponta o direito objetivo como aquele direito que está de acordo com a justiça ou então que procura fazer justiça. Essa definição aponta para um direito objetivo justo ou que se pensa ser justo, e não para o direito geral e abstrato que deve comandar as relações em sociedade, sendo que este direito pode e é, inclusive, por vezes, injusto.�
Definição do direito objetivo como coercibilidade.
Paulo Dourado de Gusmão, � na senda de outros juristas, entende que a característica principal do direito é a coercibilidade que consiste na possibilidade de se recorrer ao judiciário para que force o ofensor da norma legal a cumpri-la. Podemos dizer, em outras palavras, que coerção (coercibilidade) é o “...meio pelo qual o Estado exerce seu poder, a fim de fazer cumprir as leis que promulgou. A força emanada da soberania que o Estado aplica, a fim de impor o respeito à norma legal...”�
A definição do direito como coercibilidade não é, no entanto, pacífica. De fato, os jusnaturalistas e os sociólogos entendem que existem outras formas de direito (direito natural e direito social p. ex.), tão válidas quanto o direito imposto pelo Estado e que são desprovidas de coercibilidade. Outros dizem que a coercibilidade é uma característica acessória e não principal do direito, pois, na maioria das situações, as normas legais são obedecidas de forma espontânea, sendo o emprego da coerção uma exceção. 
Em resposta aos que afirmam ser a coerção uma característica acessória do direito, afirma Bobbio que a obediência voluntária ao direito não pode ser considerada regra geral. Na verdade, a obediência espontânea só existe em função do receio da aplicação de coerção, fato que funciona como coercibilidade psicológica. Dessa forma, a coerção psicológica funcionaria em lugar da física, sendo a coerção sempre elemento essencial para o cumprimento do direito e não acessório.
Alguns juristas afirmam também que a coercibilidade não é característica definidora do direito pelo fato de haver normas legais desprovidas de sanção (p. ex. muitas normas de direito constitucional e administrativas são desse tipo). Apesar da existência