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Apostila Linguagem

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Princípios Lingüísticos
Propriedades Gerais da Linguagem
Comunicabilidade- a possibilidade de nos comunicarmos com uma ou mais pessoas que compartilham a nossa língua;
Arbitrariamente simbólica – cria relações arbitrárias entre um símbolo e seu referente (uma idéia, um objeto, um processo, uma relação ou uma descrição);
Regularmente estruturada – existe uma estrutura onde apenas arranjos de símbolos especialmente padronizados têm significado e diferentes arranjos produzem diferentes significados (significações);
Estruturada em níveis múltiplos – pode ser analisada em mais de um nível (sons,morfemas, etc);
Generativa,produtiva - dentro dos limites da estrutura podemos produzir elocuções (maneira de exprimir-se) inéditas sendo também, praticamente ilimitadas as possibilidades de cria-las;
Dinâmica – está em evolução constante.
Características da linguagem:
( A linguagem é o principal modo de comunicarmos o nosso pensamento.
( É um meio universal - todas as culturas apresentam sua própria linguagem.
Todo ser humano, com capacidade de inteligência normal, é capaz de adquirir (assimilar) sua língua nativa e usa-la sem esforço.
A compreensão total do processo da linguagem ainda é um dos mistérios da psicologia humana (até onde se sabe, todas as pessoas podem dominar e usar um sistema lingüístico complexo). 
O uso da linguagem tem dois aspectos:
 Produção e Compreensão
Atividade complexa que envolve uma série de atividades diferentes.
Pensar o que se quer dizer
Selecionar as palavras apropriadas
Organizar as palavras gramaticalmente 
Transformar as frases em uma conversa real
 	Para tentarmos entender como ocorre o processo da produção da fala fluente, precisamos estudar as ocasiões onde existem os erros na língua falada. Estes podem ocorrer por diversos motivos e isso faz com que entendamos, que o mecanismo de produção da fala envolve diversos componentes combinados.
		Alguns destes erros refletem meramente uma falta de conhecimento de gramática ou de vocabulário, não sendo, portanto do nosso interesse. 
Abordagem Teórica de Garret (1984)
 
De forma geral sustenta que existe uma quantidade substancial de planejamento anterior à produção da fala. O falante executa um planejamento bem detalhado do que vai falar, antes de faze-lo.
	Segundo ele existiriam quatro níveis ou estágios envolvidos no planejamento da fala: 
Primeiro estágio – nível de mensagem; essência de todo o significado do que vai ser dito.
Segundo estágio – nível funcional; arruma-se a estrutura gramatical ou sintaxe. Neste nível decide-se onde o sujeito e o objeto vão aparecer na frase, quais os substantivos , se terão adjetivos associados a eles e assim por diante.
Terceiro estágio – nível posicional; as representações anteriores tomam forma de uma maneira mais concreta, para produzir a seqüência de sons (fonemas).O primeiro passo envolve a seleção das formas básicas ou morfemas-raiz (unidades básicas do significado) das palavras a serem faladas.
Ex: ama, amável e amado, são todas representadas por amor; 
O segundo passo envolve a adição das inflexões apropriadas ao morfema –raiz (”a”, “ado”, “avel”).
Quarto estágio- nível fonético/articulatório; estágio final na produção da fala. Aquilo que o falante quer dizer é transformado em uma forma pronta para a fala aberta, exposta.
Obs: este passo- a - passo pode desviar desta progressão sistemática, como Garret menciona, pois na medida em que ouvimos o que estamos falando, percebemos que não estamos nos expressando adequadamente, paramos no meio da frase e a reformulamos. Garret não discute esta questão em seu modelo. 
 Abordagem Teórica de Dell (1986)
Assemelha sua estrutura teórica à de Garret. 
Concordando que o desenvolvimento ocorre em diferentes níveis.
Nível semântico é o nível mais alto e diz respeito ao significado do que vai ser dito;
Nível sintático é o segundo nível mais alto – diz respeito à estrutura gramatical das palavras;
Nível morfológico é o terceiro nível - diz respeito aos morfemas ou unidades mínimas de significação da frase que esta sendo planejada;
O nível fonológico é o nível mais baixo e diz respeito aos fonemas ou unidades mínimas de som na frase planejada;
Uma representação é formada em cada um destes quatro níveis;
Durante o planejamento da fala, o processamento ocorre simultaneamente nos quatro níveis, ainda que o processamento esteja sempre mais avançado nos níveis mais altos do que nos mais baixos.
Para Dell, existe um léxico que possui a forma de uma rede, esta rede contém modos (“compartimentos”) para conceitos, palavras, morfemas e fonemas. Os modos são ativados e ativam outros modos ligados a ele. Em sua visão os erros ocorrem porque um item incorreto tem maior ativação que um item correto. 
Dell propôs uma teoria de ativação – propagação, na formulação da fala. Segundo ele, esta visão possibilita identificar onde houve o erro na formulação da frase. Através dos erros de troca de palavras (“ponta de língua”, erros de trocas de palavras) é possível fazer uma analise e explicar a produção de novas frases. 
 
Conclusão:
 
A produção tem início com um pensamento proponente (proposta), é traduzida em sentenças e posteriormente recebe os sons e ou formas da(s) palavra(s) que queremos expressar.
Na compreensão temos primeiro os sons ou formas das palavras, que vinculamos aos seus significados. Combinamos as palavras para formarmos as sentenças e tiramos uma proposição. 
A língua com isso nos “mostra ser mais complexa, se mostra como um sistema múltiplo e não podemos querer relacionar pensamento à linguagem por unidades de palavras ou de sentenças” (Chomsky, 1965).
 	Produção de uma sentença
			
Pensamento proposicional- morfemas (forma)- fonemas (sons)
								
 		Entendimento da sentença
Fazemos a análise das sentenças sem esforço e de forma inconsciente, muitas vezes consideramos mais de uma análise em uma sentença. 
Não podemos esquecer que a linguagem ocorre dentro de um contexto que nos permite o sentido da mensagem e o conseqüente entendimento da(s) pessoa(s) com a(s) qual (is) estamos tendo contato. A mensagem tem um objetivo, uma intenção que é o que queremos comunicar. 
LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: ESTUDOS COM ANIMAIS
 	Alguns autores interpretam os resultados de estudos em animais em seu habitat natural como indicativos de que nenhuma outra espécie apresenta nada similar linguagem humana.Segundo estes autores, a maioria dos sistemas de comunicação de primatas compreende um número fixo relativamente restrito de sinais que consistem de manifestações vocais e gestuais. Tipicamente cada sinal tem uma função própria. Gritos de alarme, apresentações de corte, gestos de submissão, e gritos relacionados a alimentação estão dentre os mais comuns. Há pouca discordância de que esses sistemas de comunicação não possuem as propriedades geralmente associadas com a linguagem humana, tais como arbitrariedade e dualidade de estrutura.
 	Outros animais, inclusive nossos vizinhos mais próximos, chimpanzés e outros primatas não-humanos, não parecem capazes de desenvolver uma linguagem falada como a humana. Uma das limitações que têm se imposto áqueles que tentaram ensinar nossa linguagem a esses animais é a própria estrutura do aparelho vocal. Viki, a chamada de Hayes e Hayes (Hayes e Hayes, 1952), por exemplo, só conseguiu aprender a dizer duas palavras após dois anos de tratamento!
 	No entanto, não ser capaz de produzir os sons da fala humana, não significa incapacidade para aprender e usar linguagem . A linguagem, é certamente, muito mais do que vocalização. O aspecto da linguagem que mais tem sido discutido nos últimos anos pela psicolingüística, é a produtividade. Será que outros animais são capazes de utilizar um sistema de regras para gerar sentenças, ou seja, será

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