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ERU 300 - ECONOMIA RURAL 
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PARTE I – INTRODUÇÃO 
 
01. O CONCEITO DE ECONOMIA 
 
Em um sistema econômico, o problema central gira em torno da escassez. As 
pessoas - e a sociedade como um todo - têm necessidades, mas como os recursos são 
escassos, é preciso desenvolver uma maneira de alocá-los convenientemente, sob pena 
de não haver disponibilidade dos mesmos para todos os indivíduos. Assim, pode-se 
dizer que os principais elementos da atividade econômica são as necessidades humanas, 
os fatores de produção e a tecnologia disponível. 
No que diz respeito às necessidades humanas, é importante salientar que estas 
possuem duas características principais: são diversificadas e insaciáveis. É claro que não 
se pretende com isso dizer que o desejo de um indivíduo em consumir um determinado 
tipo de bem é ilimitado, mas que, no agregado, suas necessidades não têm limitações. 
Isso decorre tanto do volume disponível de bens quanto da capacidade humana em 
desenvolver necessidades. 
Tal insaciabilidade torna-se ainda mais clara se tomarmos por base alguns outros 
fatores como cultura, status ou ambiente social. No que diz respeito às necessidades 
encontramos, em primeiro lugar, as relativas à satisfação de exigências orgânicas que, 
além de múltiplas, diferenciam-se de acordo com as preferências individuais. Em 
seguida às necessidades biológicas encontramos aquelas relacionadas às atividades 
desenvolvidas pelo indivíduo, suas exigências psíquicas etc. Além do exposto, é preciso 
ter em mente que a sociedade como um todo também possui necessidades, ditas 
coletivas, como as de transporte, educação, ordem pública, etc. 
Nesse sentido, um outro ponto importante refere-se à relação existente entre a 
capacidade de satisfação das necessidades e nível de vida, entendidos, no contexto 
social, como sinônimos. A interpretação de nível (ou padrão) de vida é bastante abstrata, 
e está estreitamente relacionada com o contexto histórico pelo qual passa uma 
sociedade. Assim, o que pode ser considerado um padrão de vida satisfatório em uma 
determinada época, pode não sê-lo em um período posterior. 
Da mesma forma, esta definição varia entre as comunidades, sendo que o que é 
considerado ‘bom’ para uma estrutura social, pode ser ‘ruim’ para uma mais 
desenvolvida. Deve-se lembrar, ainda, que na medida em que a capacidade produtiva da 
economia se amplia o padrão considerado satisfatório para uma sociedade se eleva, 
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deslocando-se para cima. Assim, segundo LEFTWITCH (1979) “a insaciabilidade das 
necessidades humanas, juntamente com os aumentos seculares da capacidade 
produtiva, conduz à contínua mudança no conceito do que constitui um nível de vida 
satisfatório. 
Contudo, ainda que sejam consideradas essas questões do ponto de vista da 
eficiência, o desempenho da economia não deve ser avaliado apenas em virtude de estar 
conseguindo, ou não, proporcionar um padrão de vida “satisfatório”. Tal julgamento 
deveria considerar se está sendo obtido o maior nível de vida possível, dadas as 
limitações de fatores e técnicas de produção, poupando-se uma parcela dos recursos 
para posterior aumento da capacidade produtiva, a fim de que sempre exista uma 
expectativa de aumento do nível de vida da sociedade. O Quadro 1.1 permite uma 
melhor visualização do que foi exposto até o momento: 
 
Necessidade Humana: é a sensação de carência de algo aliada ao desejo de satisfazê-la. 
 
Quadro 1.1 - Tipos de necessidades 
 (a) Segundo o requerente: 
 (a.1) Necessidades do indivíduo: 
 - natural: comer ou dormir. 
 - social: convívio social. 
 (a.2) Necessidades da sociedade: 
 - Coletivas: transporte, educação. 
 - Públicas: ordem pública ou defesa nacional. 
 (b) Segundo a natureza: 
 (b.1) Necessidades vitais ou primárias: conservação da vida. 
 (b.2) Necessidades civilizadas/secundárias: aumentam o bem-estar do 
 indivíduo. 
 
 A necessidade de satisfazer às exigências materiais (sobrevivência e bem-estar) 
faz com que a sociedade engendre seus membros de tal forma que seja possível a 
produção do que é necessário. Nesse processo são detectados dois segmentos básicos: 
produção e consumo. Na produção a empresa deve decidir quais insumos utilizar 
(recursos produtivos ou fatores de produção), quanto produzir (o que se sujeita à 
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disponibilidade) e o que produzir, bem como os mecanismos pelos quais se dará a 
alocação de tais recursos (padrão tecnológico vigente). Na órbita do consumo, 
empresas e famílias decidem como alocar os recursos de que dispõem a fim de 
satisfazer suas necessidades 
 
1.1. Economia - definição 
 Em síntese, pode-se dizer que “a economia estuda a maneira como se 
administram os recursos escassos com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-
los para seu consumo, entre os membros da sociedade.”. 
 
1.2. Economia: Macro e Micro 
Uma questão importante, que surge na esfera do estudo econômico, diz respeito 
às distinções entre as preocupações macro e microeconômicas. Contudo, vale salientar 
que, embora aparentemente díspares no fundo as duas tratam do mesmo objeto: o 
sistema econômico: a Microeconomia trata do comportamento das unidades 
econômicas, enquanto a Macroeconomia trata do conjunto da economia - para tanto 
sempre são feitas abstrações. 
 
1.3. Os Bens econômicos 
 Os bens econômicos caracterizam-se pela sua utilidade, sua escassez e por serem 
transferíveis. Basicamente podem ser tipificados como a seguir: 
Tipos de bens: 
 ( a ) Segundo seu caráter 
 (a.1) Livres 
(a.2) Econômicos 
 ( b ) Segundo sua natureza 
 (b.1) De capital 
 (b.2) De consumo * Durável 
 * Não durável 
 ( c ) Segundo sua função 
 (c.1) Intermediários 
 (c.2) Finais 
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 Segundo o caráter, os bens ditos livres são aqueles cujo consumo não possui 
restrições, ou seja, existem com tal abundância que não se submetem a um sistema de 
preços. Os bens classificados como econômicos, por sua vez, são de consumo restrito e 
têm preço, sendo esse, a princípio, estipulado pelas leis de mercado vigentes. 
 A classificação seguinte, de acordo com a natureza, distingue inicialmente os 
bens, como sendo de capital ou de consumo. Os bens de capital são os que permitem a 
ampliação da capacidade produtiva, ou seja, engendram o próprio funcionamento do 
sistema econômico, enquanto que os bens de consumo são aqueles que se destinam ao 
consumo final por parte dos indivíduos. 
Cabe destacar que um mesmo bem pode ser considerado de capital ou de 
consumo de acordo com a sua utilização; se for usado como insumo, é um bem de 
capital, do contrário, pode ser considerado um bem de consumo. Como exemplo, pode-
se citar um automóvel. No caso de ser utilizado estritamente como instrumento de 
prestação de serviços é um bem de capital, contudo, se o mesmo veículo presta-se 
exclusivamente ao uso doméstico, para lazer de uma família, é um bem de consumo – 
no caso, bem de consumo durável. 
 Os bens de consumo podem ser classificados como duráveis ou não duráveis. 
Como a própria denominação sugere, os bens de consumo duráveis têm maior tempo de 
utilização como é o caso de veículo de uso particular, eletrodomésticos etc. Já os não 
duráveis são os de curta vida útil, como os alimentos e vestuário, dentre outros. 
 A classificação posterior – segundo a função – distingue os bem como 
intermediários, caso estes devam ser submetidos a transformações antes de se 
converterem em bens de capital ou em produto final de consumo para os indivíduos; ou 
como finais, quando o bem já encontra-se nas condições necessárias de uso ou 
consumo social. 
Existe ainda, na economia, um tipo de atividade