Eficacia da lei no tempo
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Eficacia da lei no tempo


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UNIDADE II: EFICÁCIA DA LEI NO TEMPO
 
17. EFICÁCIA DA LEI NO TEMPO
Conceito: A lei se torna eficaz, produzindo seus efeitos, a partir da sua publicação, durando até a sua revogação. Publicada a Lei no DO, ninguém se escusa de cumpri-la, alegando que não a conhece (art. 3o da LINDB). Sua força obrigatória, todavia, está condicionada à sua vigência, ou seja, ao dia em que começa a vigorar.
 
REVOGAÇÃO DA LEI:
Conceito: Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue (art. 2o da LINDB).
Obs 1: Não há revogação pelo simples desuso da lei.
Obs 2: Revogação Expressa: a lei nova diz quais os textos revogados.
Obs 3: Revogação tácita: quando a lei nova é incompatível com a lei anterior ou regula inteiramente a matéria da lei anterior.
Obs 4: Repristinação: (Ressurreição da lei) salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência (art. 2o par. 3o da LINDB), ou seja: não há, portanto, ressurreição da lei abolida, pela revogação da lei que a revogou.
Esquema:
Uma lei só se revoga por outra lei de nível igual ou superior;
Não há revogação pelo desuso;
A revogação pode ser expressa ou tácita;
Não há repristinação tácita. É possível a expressa;
A revogação total chama-se ab-rogação;
A revogação parcial chama-se derrogação
OBS: a norma geral não revoga a especial e vice-versa
Normas Jurídicas que não podem ser revogadas - são as inseridas na Constituição Federal como "cláusulas pétreas", isto é, que são definitivas (parágrafo 4º do art. 60).
 
IRRETROATIVIDADE DA LEI
Conceito: Em princípio, a lei não deve ser retroativa. Não deve alcançar fatos do passado, mas regular situações presentes e futuras, a partir de sua vigência. Mas se, por exceção, uma lei nova pretender regular fatos passados, terá de respeitar sempre o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
 Obs 1: Direito Adquirido: Situação jurídica definitivamente constituída no regime da lei anterior.
Obs 2: Ato Jurídico Perfeito: Aquele já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
Obs 3: Coisa Julgada: Decisão judicial de que já não caiba recurso
-CF art XXXVI e art. 6o da LINDB
 
Ressalva: O art. 5o XL reza que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.
 
Histórico: Antigüidade Oriental :  no Direito Chinês e no Direito Hindu, as leis retroagiam. Antigüidade Clássica: na Grécia e em Roma , as leis retroagiam de acordo com o interesse público.
 
AS TEORIAS
Unilaterais ou Ortodoxas ( Savigny e Lassale) - a lei retroage, respeitando o direito adquirido e o fato consumado.
Plurilaterais ou Heterodoxas (Ruggiero) - as leis públicas podem retroagir, as privadas nunca retroagem.
 ULTRATIVIDADE DA LEI ANTERIOR
Conceito: Em certos casos, a lei revogada sobrevive, continuando a ser aplicada às situações ocorridas ao tempo de sua vigência. Assim, o ato jurídico perfeito será avaliado e julgado de acordo com a lei existente à época de sua conclusão (o contrato, os atos unilaterais de vontade como o testamento, a promessa). Exemplo: quem casou antes de 1977 o fez em regime de comunhão universal de bens.
 
RETROATIVIDADE EM MATÉRIA PENAL
Em princípio, a lei penal rege os fatos ocorridos na sua vigência. Todavia, se a lei penal for modificada durante o processo penal ou durante a execução da pena, prevalecerá a norma mais favorável ao réu, não importa se a anterior ou a posterior (ultratividade ou retroatividade da norma mais benéfica).
Da mesma forma, se a lei nova deixar de considerar o fato como crime (abolitio criminis), se aplicará esta última, por ser mais favorável ao réu.
Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória (art. 2o, caput, do CP).
As leis posteriores, que, de qualquer modo, favorecerem o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
 
RECEPÇÃO DA LEI
Ocorre quando a nova Constituição recebe como válida a normatividade infraconstitucional anterior se essas normas anteriores não forem incompatíveis com a nova Constituição.
Assim, não há que se falar que as leis incompatíveis com a nova Constituição foram revogadas, pois a revogação só ocorre no mesmo plano hierárquico. As normas incompatíveis apenas não são recepcionadas.