A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
Negocio jurídico

Pré-visualização | Página 1 de 2

UNIDADE VI: NEGÓCIO JURÍDICO E ATOS JURÍDICOS
Conceitos:
-Ato Jurídico: é o fato decorrente de ação humana, voluntária e lícita (e ilícita). Todo ato lícito que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos.
-Fato Jurídico: é o acontecimento que produz conseqüências jurídicas, ou seja gera direitos. Pode ocorrer por ação da natureza ou por ação humana. Exemplos: Concepção; nascimento; morte; inundação(aluvião); queda de objeto de edifício.
Negócio Jurídico: consiste na comunhão de vontades em que os interessados anuem expressa ou tacitamente a formação de uma relação jurídica sobre um determinado objeto, tendo em vista a composição de interesses, como ocorre na celebração de um contrato.
 a) PLANO DE EXISTÊNCIA – para que o negócio jurídico seja existente faz imprescindível a presença dos seguintes pressupostos, independente da licitude, pois ainda estamos no plano da existência e não da validade:
 1) manifestação de vontade;
 2) agente emissor de vontade;
 3) objeto;
 4) forma.
b) PLANO DE VALIDADE - para que este negócio jurídico firmado entre as partes tenha validade no mundo jurídico, necessário se faz que estejam presentes os seguintes elementos (essenciais):
1) agente capaz: Todo ato negocial pressupõe uma declaração de vontade, a capacidade do agente é indispensável à sua participação válida na seara jurídica.
2) objeto lícito, possível, determinado ou determinável: Deverá ser lícito, conforme a lei, não sendo contrário aos bons costumes, à ordem pública e à moral (art 166, novo CCB); Possível, física ou juridicamente; Deverá ser determinável, ou pelo menos suscetível de determinação, pelo gênero e quantidade, sob pena de nulidade absoluta (art. 166, II, do novo CCB).
3) forma prescrita ou não defesa em lei: Excepcionalmente a norma vem a exigir determinada forma, cuja inobservância invalidará o negócio. Via de regra a declaração de vontade independe de forma especial.
4)Consentimento dos interessados: sem a presença de quaisquer vícios do consentimento.
 
c) PLANO DE EFICÁCIA
1. condição
2. termo
3. encargo
 
Atos jurídicos ilícitos são indenizáveis: O art. 186, do novo CCB dispõe que “Àquele por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda  que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. E, ainda o art. 187, do novo CCB,  complementa com a seguinte redação “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. Implicam em demonstração de culpa, para sua responsabilização, a chamada culpa subjetiva.
 
Defeitos dos negócios jurídicos, vícios que trazem sua anulação (também chamado vícios da vontade): erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores. (Art. 138 a 165 do novo CCB) e, ainda (art. 147, II, também do novo CCB).
 
 
Erro: Falsa noção sobre alguma coisa. Só anula o ato jurídico o erro substancial ou essencial (comprar um quadro de um pintor, pensando que é de outro). Não acarreta nulidade o erro acidental ou secundário (comprar uma casa com seis janelas, pensando que tinha sete).
Dolo: É o artifício usado para enganar alguém. (Aumento de área de imóvel em escritura para permitir elevação do seu valor).
Coação: É a violência física ou moral que impede alguém de proceder livremente. Também deve ser de certa gravidade (art. 151do novo CCB).
Obs: Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. (Art 188, do novo CCB).
Estado de Perigo: “Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade da salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigações excessivamente onerosas” (art. 156, caput, do novo CCB). É a aplicação do estado de necessidade no direito civil. Ex.: caução exigida nas emergências dos hospitais.  
Lesão: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta”. (art. 157, caput, do novo CCB). É a manifestação do abuso do poder econômico. Ex.: contrato de adesão.
Fraude contra credores: Pratica fraude contra credores o devedor insolvente, ou na iminência de o ser, que desfalca seu patrimônio, onerando ou alienando bens, subtraindo-os à garantia comum dos credores.
Simulação: ocorre quando um negócio jurídico tem a aparência normal, mas não pretende atingir o efeito que deveria produzir.
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.
§ 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
 
Observação1: a simulação é o único dos defeitos do negócio jurídico que é causa de nulidade absoluta. Os demais são causas de anulabilidade.
 
Observação2: embora a simulação tenha sido deslocada para o capítulo referente à invalidade do negócio jurídico, Pablo Stolze entende que ainda constitui um defeito do negócio jurídico.
 
 
Atos Nulos, Anuláveis e Inexistentes.
A falta de algum elemento substancial do ato jurídico torna-o nulo (nulidade absoluta) ou anulável (nulidade relativa). A diferença entre o nulo e o anulável é uma diferença de grau ou de gravidade, a critério da lei (Art. 1521, I a IV, do novo CCB, Impedimentos dirimentes-Absolutos).
 
A nulidade absoluta pode ser argüida a qualquer tempo, por qualquer pessoa, pelo MP e pelo juiz inclusive, não se admitindo convalidação nem ratificação.
A nulidade relativa, ao contrário, só pode ser arguida pelos interessados diretos, dentro de prazos previstos em lei (quatro anos, em regra), admitindo convalidação e ratificação, (art. 171, do novo CCB).
Obs: Pela convalidação o ato anulável passa a ser plenamente válido. Dá-se a convalidação pela prescrição, pela correção do vício, pela revogação da exigência legal preterida, pela ratificação. A ratificação, por sua vez, é a aprovação ou confirmação de ato jurídico praticado por outrem, ou de ato irregular praticado pela própria parte.
 
Ato jurídico inexistente: é o que contém um grau de nulidade tão grande e visível, que dispensa ação judicial para ser declarado sem efeito. Exemplos: casamento entre pessoas do mesmo sexo; testamento verbal.
 
Ato Jurídico Ineficaz: É o que vale plenamente entre as partes, mas não produz efeitos em relação a certa pessoa ou em relação a todas as outras pessoas. Exemplos: alienação fiduciária não registrada; venda não registrada de automóvel; bens alienados pelo falido após a falência.
OBS: Não se deve confundir nulidade com ineficácia: a nulidade é um vício intrínseco ou interno do ato jurídico. Na ineficácia o ato é perfeito entre as partes, mas fatores externos impedem que produza efeito em relação a terceiros.
 
Atos Jurídicos e Negócios Jurídicos
Negócio Jurídico é aquela espécie de ato jurídico que, além de se originar de um ato de vontade, implica a declaração expressa da vontade, instauradora de uma relação entre dois ou mais sujeitos tendo em vista um objetivo protegido pelo ordenamento jurídico.
Atos jurídicos: ocupação de uma casa ou terreno, ou a edificação de uma casa no terreno apossado (não há acordo de vontades)
Negócio Jurídico: contrato de compra e venda.
 
Questão de fato e questão de direito
A questão de fato é atinente ao fato na sua existência, e se o mesmo apresenta, à luz da prova produzida pelas partes. No fundo a questão de fato “equivale à questão atinente à prova do fato que se deu”.
A questão de direito, ou “direito em tese”, surge, propriamente, quando juízes diferentes, para resolver a mesma questão de fato, invocam normas jurídicas sobre cujo significado e alcance dão