Diferenças e semelhanças entre Weber e Durkheim
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Diferenças e semelhanças entre Weber e Durkheim


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EVA LORRANNY SANTOS MAGALHÃES
COMPARATIVO ENTRE CONCEITOS METODOLÓGICOS DOS AUTORES MAX WEBER E ÉMILE DURKHEIM 
João Pessoa, 2017
EVA LORRANNY SANTOS MAGALHÃES
COMPARATIVO ENTRE CONCEITOS METODOLÓGICOS DOS AUTORES MAX WEBER E ÉMILE DURKHEIM 
Trabalho realizado para a disciplina de Sociologia Geral
e Jurídica, no curso de Bacharelado em Direito, válido
 para o primeiro semestre de 2017, no Instituto
de Educação Superior da Paraíba (IESP).
João Pessoa, 2017
Sumário
Introdução
	Max Weber e Émile Durkheim contribuíram de forma significativa para a perspectiva sociológica, tendo escrito suas obras principalmente no final do século XIX. Embora contemporâneos, divergem em conceitos e ideias e atribuem diferentes significados a elementos iguais. Por esse motivo, torna-se enriquecedor estudar suas obras e compará-las, sobre tais comparações que irei tratar neste trabalho.
Desenvolvimento
Max Weber e Émile Durkheim estão entre os maiores pensadores da Sociologia moderna, e, ao longo de suas vidas, produziram trabalhos que objetivaram o entendimento e a explicação da máquina social. Em suas obras é possível verificar conceitos importantes como fato social, ação social, objetividade científica, sentido de modernidade e racionalização que serão elucidados a seguir.
Fato social: 
	Para Weber, o homem dá sentido à ação do fato social. Esta é a conexão entre o motivo e a ação propriamente dita. O homem não cumpre as regras impostas, mas é motivado e/ou pressionado pela sociedade para que as cumpra. Para o autor, o fato social gera situações que fogem do controle, as leis e regras que existem não podem prever tudo o que acontece na sociedade. 
	Na teoria sociológica de Durkheim, o fato social é objeto central, constituindo-se em qualquer forma de indução sobre os indivíduos. Ao final do século XIX, no período de formação da Sociologia enquanto ciência, Durkheim preocupava-se em criar regras para o método sociológico. As respostas para nossa organização social estariam nos fatos sociais e para isso seria necessária a aplicação de um método para os compreendermos melhor, devendo ser vistos como se fossem \u201ccoisas\u201d passíveis de análise. Contudo, tão importante quanto definir o método era definir o objeto de estudo. Assim, segundo Durkheim, à sociologia caberia estudar somente os \u201cfatos sociais\u201d, e estes consistiriam em maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo. Durkheim também defende três características do fato social: a coercitividade, que possui força imperativa sobre os indivíduos; a exterioridade, que afirma o fato dos padrões culturais serem externos aos indivíduos; e a generalidade, na qual os fatos sociais existem para a coletividade.
	Em termos gerais, Weber busca observar as ações dos indivíduos, visando captar o seu sentido. Ao contrário de Durkheim, que objetiva a explicação dos fenômenos propondo, através de fatos socais, buscar as verdadeiras leis naturais que regem o funcionamento e a existência dos indivíduos.
Ação social:
	
	Em Weber, o homem dá sentido a sua ação social, estabelece a conexão entre o motivo da ação e a ação propriamente dita. A ação social seria, portanto, qualquer ação que possuísse um sentido e uma finalidade determinados por seu autor. Entretanto, para ele, nem todo tipo de contato entre os homens é de caráter social, somente uma ação com sentido, dirigida para a ação do próximo. Nesse sentido, as normas sociais só se tornam concretas quando se manifestam em cada indivíduo como motivação. Weber ilustrou também quatro tipos de ação social, que são: 
Ação racional com relação a fins: é estritamente racional, definida em função dos conhecimentos do ator, não do observador. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim; 
Ação social com relação a valores: não é o fim que orienta a ação, mas o valor ético, religioso ou político, por exemplo. O ator permanece fiel à sua ideia de honra.
Ação afetiva-emocional: é ditada pelos sentimentos do ator orgulho, vingança, loucura, medo, entre outros.
Ação tradicional: pautada pelos hábitos, costumes e crenças do ator.
	Durkheim é mais sucinto e afirma que a ação social tem a sua origem no exterior do indivíduo, pois resulta das pressões externas que se lhe impõem. O caráter real e objetivo atribuído por ele aos fatos sociais, tratando-os como \u201ccoisas\u201d torna a ação social independente da subjetividade individual. Refere-se a qualquer ação que leva em conta ações e reações de outros indivíduos e é modificada baseando-se nesses eventos. Com isso, opõe-se a Weber, que leva em conta o sentido que cada indivíduo dá a sua ação.
Objetividade na ciência:
	Em \u201cA objetividade do conhecimento nas ciências e na política sociais\u201d (1979), Weber expõe claramente o sentido específico que a objetividade adquire nas ciências sociais, ou o que significa pensar uma ciência social enquanto ciência. Weber inicia seu ensaio reconhecendo a influência da subjetividade do cientista social, esclarecendo a necessidade de afastar os juízos de valor da análise da vida social, fazendo uma distinção clara entre juízos de fato e juízos de valor, entre aquilo que \u201cé\u201d e aquilo que \u201cdeveria ser\u201d.
Outro fator importante para a compreensão da objetividade é a critica aos modelos de leis nas ciências sociais. Weber afirma a impossibilidade da busca da verdade científica pelas leis que explicam os objetos, isso porque o cientista social trabalha com padrões mutáveis de probabilidades e não com leis, as leis são somente meios e não os fins da analise sociológica.
	Também segundo Weber, sempre há um elemento de parcialidade presente nas análises sociais, pois não há como exercer a prática cientifica livre de pressupostos. Para ele, o cientista é guiado por suas preocupações com problemas sociais, sendo-lhes impossível desconectar-se de suas pré-noções. Tem a função de conectar a ação com o pensamento do indivíduo. Ação essa que é considerada um fenômeno, consequência de pensamentos individuais de cada um. 
	Porém, com essa afirmação Weber não quer dizer que a objetividade é impossível nas ciências sociais ou mesmo que ela não é um valor a ser perseguido e alcançado. Weber acreditava na objetividade do conhecimento não como sendo o fator desencadeante de determinada reflexão acerca de um assunto, mas como o que deve guiar essa reflexão para que seu resultado seja objetivo a partir de um assunto "escolhido" subjetivamente.
	Durkheim, por sua vez, ao tratar os fatos sociais como coisas, queria mostrar que o cientista precisa romper com qualquer pré-noção, ou seja, é necessário, desde o começo da pesquisa sobre a sociedade, o abandono dos juízos de valores que são próprios ao sociólogo, uma total neutralidade e separação entre o sujeito que estuda e o objeto estudado, assim como pretendem as ciências naturais. No entanto, para Weber, na medida em que a realidade é infinita, e quem a estuda faz nela apenas um recorte a fim de explicá-la, este é prova de uma escolha de alguém por estudar determinado fato em um determinado momento. Nesse sentido, não há, como queria Durkheim, uma completa objetividade. Os juízos de valor aparecem no momento da definição do tema de estudo.
O sentido da modernidade e suas relações com a racionalização:
No que diz respeito à modernidade, Weber entende a sociedade moderna como estando caracterizada por várias dimensões que se cruzam simultaneamente, ressaltando a influencia de fatores como economia como religião, gostos, valores e desejos nas ações humanas modernas. A partir dessa constatação, Weber configura a modernidade tomando como ideia central a racionalização do mundo, compreendida como um processo de desencantamento, de profanação da consciência humana, de dissolução de formas de pensar e viver tradicionais, analisando também as características que definem a origem e o desenvolvimento da sociedade moderna.