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Apostila de Introdução ao Estudo do Direito - Prof. Damião

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA 
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UBM Cicuta 
 
 1 
Sumário 
 
Texto de Apoio 01 - Homem, Sociedade e Direito ........................................................... 2 
Texto de Apoio 02 - O Mundo do Direito ........................................................................ 12 
Texto de Apoio 03 - Leis Físicas, Culturais e Éticas ...................................................... 21 
Texto de Apoio 04 - Notas Distintivas do Direito ............................................................ 28 
Texto de Apoio 05 - Formação e Manifestação do Direito ............................................. 38 
Texto de Apoio 06 - Fontes do Direito - Norma Jurídica Legal ....................................... 45 
Texto de Apoio 07 - Fontes do Direito - Jurisprudência ................................................. 55 
Texto de Apoio 08 - Fontes do Direito - Costume Jurídico ............................................. 61 
Texto de Apoio 09 - Fontes do Direito - Norma Negocial ............................................... 67 
Texto de Apoio 10 - Ramos do Direito ........................................................................... 76 
Texto de Apoio 11 - A Relação Jurídica ......................................................................... 81 
Texto de Apoio 12 - Relação Jurídica - Direito Subjetivo ............................................... 87 
Texto de Apoio 13 - Relação Jurídica - Dever Jurídico .................................................. 95 
 
 
 
 
 
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Texto de Apoio 01 - Homem, Sociedade e Direito 
O estudo sobre o fenômeno jurídico consiste em descobrir os elos que vinculam: 
O “Homem”, a “Sociedade” e o “Direito”. 
 
1- Sociabilidade humana 
O Homem, Ser Social e Político. 
1.1 - O homem é um ser gregário 
Onde quer que se observe o homem, seja qual for à época e por mais rude e selvagem 
que possa ser na sua origem, ele sempre é encontrado em estado de convivência com 
os outros. 
O HOMEM desde o seu primeiro aparecimento sobre a terra surge em grupos sociais, 
inicialmente pequenos (a família, o clã, a tribo) e depois maiores (a aldeia, a cidade, o 
estado). 
Assim, podemos dizer que o homem apresenta duas dimensões fundamentais: a 
“sociabilidade” e a “politicidade”. 
A “SOCIABILIDADE”- vem a ser “a propensão do homem para viver junto com os outros 
e comunicar-se com eles, torná-los participantes das próprias experiências e dos 
próprios desejos, conviver com eles as mesmas emoções e os mesmos bens”; 
A “POLITICIDADE” - é “o conjunto de relações que o indivíduo mantém com os outros, 
enquanto faz parte de um grupo social” (Battista Mondin). 
Na realidade, são dois aspectos correlatos de um único fenômeno: 
O homem é “sociável” e por isso tende a entrar em contato com os seus semelhantes e 
a formar com eles certas associações estáveis; porém, começando a fazer parte de 
grupos organizados, ele torna-se um ser “políticos”, ou seja, membro de uma “polis”, de 
 
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uma cidade, de um estado e, como membro de tal organismo, ele adquire certos 
direitos e assume certos deveres. 
O fato indiscutível é que o elemento humano é dado à associação, não há para o 
homem outro ambiente para sua existência, senão o social; 
“O homem “existe” e “coexiste” para ele, “viver” é conviver”, “ser com”. 
Donde a afirmação do brocardo latino: 
“UBI HOMO, IBI SOCIETAS” (onde o homem, aí a sociedade). 
 
1.2 - Interpretações da Dimensão Social do Homem. Como explicar esse impulso 
associativo do ser humano? 
Para Platão (428- 348 a C.) a sociabilidade humana é um fenômeno contingente. Para 
ele, o homem é essencialmente alma e alcança sua felicidade na contemplação das 
ideias, nessa atividade não necessita de ninguém, cada alma existe e se realiza por sua 
própria conta, independente das outras. 
Mas devido uma grande culpa, as almas perderam sua condição original de absoluta 
espiritualidade e caíram na terra, onde teriam sido obrigadas a assumir um corpo para 
pagar as próprias culpas e purificar-se. Agora o corpo comporta toda uma série de 
necessidades que podem ser satisfeitas apenas com a ajuda dos outros. A 
sociabilidade é, portanto, uma consequência da corporeidade, e dura apenas até que as 
almas estejam ligadas ao corpo. 
Aristóteles (384-322 a C.) vê o homem como essencialmente constituído de corpo e 
alma e, movido por tal constituição, é necessariamente ligado aos vínculos sociais. 
Sozinho ele não pode satisfazer suas próprias aspirações. É, portanto, a própria 
natureza que induz o indivíduo a associar-se. Por isso considera o homem fora da 
natureza um bruto ou um Deus, significando inferior ou superior a condição humana. (A 
Política). 
 
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São Tomás de Aquino (1225-1274) considerava que o homem é naturalmente sociável. 
Para ele a sociedade deriva a sua origem diretamente das exigências naturais da 
pessoa humana. Afirma que a vida solitária e fora da sociedade é exceção, que pode 
ser enquadrada numa das três hipóteses: 
“Mala fortuna”- quando por um infortúnio qualquer o indivíduo acidentalmente passa a 
viver em isolamento; 
“Corruptio naturae”- quando o homem, em casos de anomalias ou alienação mental, 
desprovido de razão, vai viver distanciado de seus semelhantes; 
“Execellentia naturae”- é a hipótese de um indivíduo notadamente virtuoso, possuindo 
uma grande espiritualidade, isola-se para viver em comunhão com a própria divindade. 
Os CONTRATUALISTAS, durante a época moderna, sustentaram que a sociedade é, 
tão-só, o produto de um acordo de vontades, ou seja, de um contrato hipotético 
celebrado entre os homens. Colocaram uma clara distinção entre estado natural da 
humanidade e o estado civil. No primeiro cada homem era plenamente auto-suficiente 
não precisava de auxílio dos outros. Porém a partir de um determinado momento, a 
humanidade, para evitar o completo suicídio, decidiu organizar-se em sociedade, 
oferecendo a uma pessoa, ou grupo restrito, a autoridade de legislar em nome de todos 
e de exercer o governo sobre o grupo inteiro. Desse modo vale dizer que mediante um 
contrato social, originou-se o estado civil. Há uma diversidade de contratualismos, com 
diferentes explicações para a decisão de o homem viver em sociedade, porém, existe 
um ponto comum entre elas, à negativa do impulso associativo natural, ou seja, a 
sociabilidade é um fenômeno secundário, derivado, com a afirmação de que só a 
vontade humana justifica a existência da sociedade. 
Entendemos que a sociedade é fruto da própria natureza humana, quer dizer, é 
resultado de uma necessidade natural do homem, sem excluir a participação da 
consciência e da vontade humana. 
Há, portanto: 
 
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Um impulso associativo natural - Que se evidencia pela necessidade, tanto de ordem 
material como espiritual, de convivência. 
Fora da sociedade, o homem não poderia jamais realizar os fins de sua existência, 
desenvolver suas faculdades e potencialidades. Mesmo provido de todos os bens 
materiais suficientes à sua sobrevivência, o ser humano continua necessitando do 
convívio com seus semelhantes. 
Como lembra PAULO NADER, a sua própria constituição física revela que o homem foi 
programado para conviver e se completar com outro ser de sua espécie. 
O homem, assim, radicalmente insuficiente, se abre à vida comunitária. 
Consequentemente, a raiz do fenômeno da convivência está na própria natureza 
humana. 
A participação da vontade humana