Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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Havia também uma inegável 
superioridade bélica favorecendo os espanhóis, na medida em 
que seus arcabuzes e canhões eram mais efi cientes que as armas 
utilizadas pelos adversários nativos. 
É preciso ressaltar também, ao avaliar as tais razões da 
vitória, a presença de rivalidades próprias do mundo dos índios. 
Na qualidade de estados em expansão, os incas e os mexicas estavam 
envolvidos em rivalidades com os povos subjugados, provocadas 
pelas guerras que dividiam o mundo dos nativos antes da conquista. 
Para alguns desses povos que consideravam os mexicas e os incas 
como usurpadores, os europeus foram encarados como aliados. 
Nos casos analisados, dos mexicas e incas, notou-se serem 
estados que exerciam uma supremacia recente nos vales do México 
e na região andina, respectivamente. Desejando imporem-se como 
Estados tributadores sobre amplas e diversas comunidades, instalaram 
mecanismos de alianças e de dominação que estavam em plena 
expansão na época da chegada dos espanhóis ao Novo Mundo. 
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, você irá saber um pouco mais sobre a 
sociedade ibérica na época da conquista.
Não perca!
Exposição de 
descobrimento 
e as primeiras 
etapas da 
conquista
Aula 3
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História da América I
Meta da aula
Apresentar as principais questões relativas ao processo de 
descobrimento da América, demarcando as suas etapas. 
Objetivos
Ao fi nal desta aula, você deverá ser capaz de:
compreender a historicidade do processo de expansão marítima e o caráter 1. 
do descobrimento da América, procurando identifi car os marcos temporais do 
processo de conquista da América;
compreender as especifi cidades do processo de descobrimento e conquista da 2. 
América pelos espanhóis;
analisar aspectos da resistência indígena à dominação espanhola.3. 
PRÉ-REQUISITO
Para melhor compreensão desta aula, ajudará uma revisão da aula de História 
Moderna que trata do processo de Expansão Marítima e Comercial.
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Aula 3 \u2013 Expedições de descobrimento e as primeiras etapas da conquista
INTRODUÇÃO
Algumas notas sobre a historiografi a
A história da história dos descobrimentos em geral e 
da conquista da América em particular se inicia quase que 
concomitantemente ao próprio processo histórico em si. Após os 
primeiros relatos feitos pelos europeus no fi nal do século XV, cujas 
cartas e o diário de Cristóvão Colombo, as cartas de Américo 
Vespúcio e as cartas de Hernan Cortes, dentre diversos outros 
documentos escritos pelos homens que viveram a realidade das 
grandes navegações durante o século XVI, ocorreram as primeiras 
tentativas de sistematização histórica daquele processo que se 
encontrava em curso. Neste sentido, História General y Natural 
de las Índias (1535), de Gonzalo Fernandes de Oviedo y Valdes, 
foi a primeira grande obra a cumprir esse propósito, seguida por 
Francisco Lopes de Gomarra e sua Historia General de las Índias 
(1552), pelo Padre José de Acosta, com a História Natural y Moral 
de las Indias: em que se tratan las cosas notable del Cielo, elementos, 
metales, plantas y animales de ellas; y los ritos, ceremonias, leyes, 
gobierno y guerras de los Índios, de 1592, e Antonio de Herrera y 
Tordesillas, talvez o mais importante cronista real das Índias, com 
a obra Historia General de lsos hechos de lsos catellanos en las 
islãs y terra fi rme del mar oceano, obra impressa pela primeira vez 
em 1601. E, obviamente, não poderíamos deixar de mencionar 
nessas referências a Historia de las Índias (1527), do dominicano 
Fray Bartolomé de las Casas, notável por sua defesa dos índios 
americanos e da denúncia e condenação dos crimes cometidos 
pelos conquistadores, destacadamente na conhecidíssima Brevíssima 
Relación de la destruicion de las Índias (1542). Em sua Historia, 
Las Casas realizou um relato pormenorizado dos acontecimentos 
ocorridos no período de 1492 até 1521 e, conforme declarou ele 
próprio, cuja intenção fora celebrar a glória de Deus e da sua Igreja, 
honrar a Espanha e seus reis e defender o bom nome dos índios 
contra a injustiça dos conquistadores (LAS CASAS, p. 19-24).
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História da América I
Durante o período colonial, ao lado de autores que buscaram 
destacar, do ponto de vista da memória, o papel dos conquistadores 
e o direito legítimo de conquista e colonização dos Reis de Espanha, 
como foi o caso da obra Politica Indiana (1648), do importante jurista 
Juan de Solòrzano Pereira, surgiram iniciativas criollas e mestiças 
de se procurar exaltar o passado indígena e criticar a atuação dos 
conquistadores. Neste aspecto, temos os Comentarios Reales de los 
Incas (1609) e a Historia del Peru (1613 ), do Inca Garcilaso de la 
Veja; a Nueva corónica y buen gobierno (1615), de Felipe Guaman 
Poma de Ayala, dentre outras inúmeras obras. 
Não obstante, durante o século passado, foram inúmeras 
as tentativas historiográfi cas de se compreender os processos de 
expansão marítima, descobrimentos e conquista do Novo Mundo. 
Podemos mesmo acreditar que existe uma quantidade volumosa 
de referências bibliográfi cas sobre os temas pertinentes a esses 
fenômenos. No campo da história econômica, durante muitos anos, 
Earl J. Hamilton e seu Treasure and Price Revolution in Spain, 1501-
1650 (1934) foi e é ainda hoje uma referência importante. Nesse 
mesmo caminho, Seville et L´Atlantique, 1504-1650, monumental 
obra de Pierre e Huguette Chaunu, de 1955-59, expandiu de forma 
notável os problemas relativos à analise econômica em torno do eixo 
atlântico do comércio espanhol. La España Imperial, 1492-1716, 
obra que John Elliott publicou em 1970, é, no campo mais geral da 
história social e política, a melhor introdução ao tema. Todavia, a 
obra de Tzvetan Todorov, A Conquista da América (1982), tornou-se 
um clássico sobre o tema dos descobrimentos da conquista do Novo 
Mundo. Não obstante, a História da América Latina, coordenada 
por Leslie Bethell, que vem sendo publicada em português nos últimos 
anos, no entanto, ao lado da História da América Latina na época 
Colonial, de S. Schuartz J. Lockoot, são as melhores sínteses com 
as quais contamos para uma abordagem mais segura dos temas 
em questão. Neste mesmo sentido, outra referência que hoje em dia 
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Aula 3 \u2013 Expedições de descobrimento e as primeiras etapas da conquista
tornou-se indispensável é a História do Novo Mundo, escrita por 
Carmen Benard e Serge Gruzinski. É uma obra inovadora devido 
à quantidade de fontes com as quais opera e pela maneira como 
apresenta o processo de conquista. 
Com base nos relatos que escutara de seus parentes indígenas 
em sua juventude, nas passagens vividas por estes e nas 
notícias recolhidas por testemunhas da conquista do Peru, o 
letrado mestiço inca Garcilaso de la Vega escreve, em 1609, a 
primeira parte de sua obra Comentarios Reales de los incas. Nesta, 
o autor se refere aos feitos dos incas, assim como à sua civilização, 
aproximando-se de seu passado indígena vivido na cidade de Cusco, 
junto à sua mãe. Contudo, apesar de carregada de valores cristãos e 
europeus, esta obra foi considerada pela Inquisição como inadequada 
para a época, por valorizar a cultura incaica. Somente em 1609, o 
Comentarios Reales foi publicado em Lisboa e reimpresso em Madri em 
1723. A segunda parte desta obra, terminada em 1613, foi denominada 
Historia General del Peru e narra conquistas e guerras civis entre os 
conquistadores espanhóis e os conquistados, celebra as grandezas dos 
heróis hispânicos que, segundo o próprio autor, conquistaram o mais 
importante império americano colonial, tão imenso que jamais será 
esquecido pelos estudiosos. É um relato de fato sobre