Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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convertesse às Suas leis... Francisco Lopes de Gomarra, Historia General de las Índias (1552)
Deus todopoderoso escolheu, entre todas as noções, a Espanha para levar o dom da fé 
cristã às Nações do Novo Mundo. (SOLORZANO PEREIRA, 1972) 
A partir do que você estudou, considerando os trechos anteriores e, principalmente, o 
ideário de Cristóvão Colombo, FORMULE UMA CRÍTICA à ideia de que as Grandes 
Navegações e o Descobrimento da América foram fenômenos essencialmente \u201cmodernos\u201d, 
que inauguraram o sistema capitalista. 
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História da América I
Comentário
Em primeiro lugar, você deve buscar analisar os textos indicados, apontando para o argumento 
central, que é vincular a conquista espanhola à obra divina e à expansão da fé católica em 
uma época de muitas disputas decorrentes das reformas religiosas. Em seguida, deverá discutir 
aspectos relacionados à própria visão de mundo de homens como Colombo, marcada por 
elementos tanto modernos quanto medievalizantes, tal como sugere Todorov. Neste sentido, 
não é negar que um dos objetivos mais importantes do processo de expansão marítima foi 
a aquisição de riquezas, tal como entendemos atualmente por riqueza, pois isso seria algo 
falso, mas sim indicar que o objetivo que orientava o imaginário desses homens era algo 
inerente ao seu tempo, algo distante da noção de lucro e de acumulação capitalistas. Podemos 
afi rmar que se pensava em adquirir nobilitação (títulos), expandir a fé cristã, etc., bem como 
\u201cadquirir\u201d riquezas que permitissem formar um grande exército para retomar a Terra Santa, 
conforme sonhou o mesmo Colombo. 
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Aula 3 \u2013 Expedições de descobrimento e as primeiras etapas da conquista
Atende ao Objetivo II 
Leia a seguinte passagem de Serge Gruzinski.
Ao devastar os estatutos autóctones, os critérios, a natureza e a função da representação 
indígena, a nova ordem visual dos conquistadores induzia os índios a que se vissem e 
que descobrissem no que iria transformar-se seu Mundo sob a ótica que o Ocidente 
lhes impingia. Basta percorrer os olhos pelas gravuras, pelos numerosos afrescos onde 
aparecem os novos convertidos e seus ancestrais pagãos. A partir de meados do século 
XVI, tinha inicio portanto no México e em toda América Espanhola, uma relação de 
dependência que se acentuou cada vez mais à medida que o Ocidente refi nava suas 
técnicas de reprodução e suas estratégias de difusão. O fato é que, desde o início, 
o domínio da imagem constituiu-se em algo muito além de uma forma adicional, em 
mais um apêndice ideológico do domínio colonial. Repercutiu no modo em como uma 
determinada sociedade produziu e avaliou sua própria realidade, transformando 
o real que a circundava. Apoiado nas armas e no efeito de fascinação das novas 
imagens, domínio espanhol da imagem provocou, por toda parte, a conquista dos 
corpos e das almas. (GRUZINSKI, 1992, p. 203-204) 
Agora, responda quais são as críticas feitas pelo historiador francês Serge Gruzinski ao 
processo de colonização empreendido pela Espanha a partir do século XVI.
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História da América I
Comentário
O historiador Serge Gruzinski aponta para o processo de controle do imaginário conduzido 
pelos colonizadores europeus como uma das formas mais profundas e complexas de 
dominação colonial. A verdadeira guerra de imagens que se operou na América Espanhola 
foi um processo em que a arte indígena foi sendo transfi gurada pela arte sacra em um contexto 
marcado pelo renascimento e pelo barroco. Nesse processo, a lógica visual dos indígenas 
foi totalmente transformada pelos colonizadores. Todavia, tal processo foi realizado de 
forma confl ituosa, e o sincretismo cultural quase sempre permeou os resultados pictóricos que 
surgiram. Enfi m, o autor realiza uma crítica à chamada dominação do imaginário realizada 
pelos colonizadores através da imposição de uma nova lógica visual em substituição às 
\u201cantigas\u201d imagens indígenas. 
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Aula 3 \u2013 Expedições de descobrimento e as primeiras etapas da conquista
A fi lmografi a sobre a expansão marítima em geral e 
sobre o descobrimento e conquista da América, apesar 
da relevância do tema, de certo modo é ainda pouco 
numerosa. No entanto, existem bons filmes para que 
possamos trabalhar paralelamente às aulas. O primeiro fi lme que 
recomendaria é 1492, a Conquista do Paraíso. Trata-se de uma 
produção épica que busca retratar a trajetória de Cristóvão Colombo 
e o processo de descoberta da América. É interessante notar que 
o fi lme se propõe a discutir os diferentes interesses envolvidos na 
empresa espanhola e procura apresentar Colombo como humanista 
e defensor da utopia americana. (1492..., 1992) 
Atende ao Objetivo III
Leia atentamente a seguinte passagem: 
O estudo das idolatrias e dos milenarismo assume importância inegável para uma 
história cultural latino-americana. É por meio dessas atitudes e movimentos, enquanto 
manifestações de resistência, que se pode perceber, com alguma profundidade, o 
universo cultural dilacerado pelo colonialismo. (VAINFAS, 1992)
Agora, em primeiro lugar, busque defi nir os conceitos de idolatria e milenarismo; em 
seguida, relacione-os ao processo de resistência indígena à conquista. 
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História da América I
Comentário
A idolatria é usualmente defi nida como a prática de adoração a ídolos, valores e ideias 
em oposição à adoração a um deus único. É considerada um dos maiores pecados pelas 
religiões abraâmicas. De outro modo, em religiões em que essa atividade não é considerada 
como pecado, o termo idolatria é sem sentido. Quais imagens, ideias e objetos constituem 
idolatria e quais constituem uma adoração válida é assunto de discussões para autoridades 
e grupos religiosos. É notável o confl ito sobre o uso do termo no cristianismo, entre dois 
dos seus principais ramos, o catolicismo e o protestantismo. Sendo um termo originalmente 
de cunho religioso, foi duramente condenado por certas religiões cujos ritos não incluíam 
imagens de ídolos. A Bíblia, a Torah e o Alcorão são particularmente taxativos quanto à 
idolatria, comparando-a com alguns dos piores crimes e pecados concebíveis. Por conta 
dessa condenação, o termo "idolatria" foi adotado como forma pejorativa de referência 
a práticas religiosas não abraâmicas, desobedecendo às leis de Deus, segundo os seus 
mandamentos. Já o conceito de milenarismo (palavra que advém do latim millenium) designa 
a doutrina religiosa, retirada da Bíblia (Apocalipse 20, v. 1 a 10), que anuncia o regresso de 
Jesus Cristo para constituir um reino com duração de mil anos. É muito destacado, como, por 
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Aula 3 \u2013 Expedições de descobrimento e as primeiras etapas da conquista
exemplo, pelos adventistas. Pode-se dizer que é uma movimento atemporal, que ocorre em 
diversos tempos da história, de inspiração religiosa e mística, que decreta o fi nal do mundo 
por ordem divina. Nesse sentido, é interessante observar que os índios também possuíam 
sua forma específi ca de pensamento milenarista e que estes muitas vezes foram usados como 
elementos de resistência cultural, política e até mesmo militar contra a dominação europeia, 
algo que se relaciona muitas vezes com a persistência da questão das idolatrias no imaginário 
indígena enquanto forma, velada ou não, de resistência. 
RESUMO
Buscou-se aqui discutir algumas questões historiográfi cas 
relativas ao tema da expansão marítima e do processo de 
descobrimento e conquista da América pelos espanhóis. Procurou-
se traçar uma breve síntese desse processo, que compreendeu 
praticamente, no mínimo, os primeiros cinquenta anos de presença 
espanhola na América. Procurou-se ainda indicar como os indígenas 
resistiram ao longo do tempo à dominação e com que armas,