Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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ofícios com a ajuda dos franciscanos. Com 
curiosidade e espírito de iniciativa, observavam atentamente os 
artesãos europeus, sobretudo os leigos, que, ao contrário dos 
religiosos, não desejavam transmitir suas técnicas aos nativos. 
Espionando e roubando segredos, os índios aprenderam as artes 
de trabalhar com o ouro e com os couros, entre outros materiais. 
Assim, a mestiçagem das cidades e dos saberes atestava que o ideal 
de isolar o mundo dos índios seria impossível na prática. 
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História da América I
Atende aos Objetivos 1 e 2
2. Bernardo de Balbuena era poeta, natural da cidade espanhola de Valdepeñas. Viajou 
para a Nova Espanha, aos 22 anos de idade, e ali viveu por bastante tempo. Após residir 
na cidade do México, escreveu um longo poema, intitulado "Grandeza Mexicana". O 
poema foi publicado em 1604, embora tenha sido redigido um pouco antes, em 1593. 
A seguir está a transcrição de alguns versos desse poema. Propomos que você analise 
esses versos, considerando as relações entre a colonização da América espanhola e a 
urbanização.
\u201c...se deseja viver e não ser mudo
trate com sábios que é tratar com pessoas
fora do campo torpe e do povo rude\u201d
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Aula 7 \u2013 Poder e cidade na América espanhola colonial
Resposta Comentada
É preciso notar que o apego ao meio urbano foi um traço característico da vida espanhola 
que migrou para as Américas. Como vimos, as cidades espanholas estavam fortemente 
integradas às áreas que as circundavam, formando os territórios onde muitos habitantes 
da região tinham suas propriedades. Assim, os moradores das aldeias vizinhas eram tão 
cidadãos da cidade-província quanto os verdadeiros habitantes urbanos. Na realidade, a 
cidade murada e principal tinha poucos habitantes, mas as pessoas que viviam ao redor 
dela eram também seus cidadãos.
As cidades principais eram os locais geralmente habitados pelas pessoas mais cultas \u2013 
os letrados \u2013, por membros da nobreza, ou mesmo pelos artesãos mais habilidosos. Na 
Espanha, e mais tarde na América espanhola, eram justamente os letrados e os membros 
da elite que exerciam cargos na administração da cidade e de seus arredores. Bernardo 
de Balbuena, espanhol e residente na Nova Espanha, registrou exatamente este aspecto 
em seu poema. No contexto em que ele escrevia, ao fi nal do século XVI, a Nova Espanha 
já era um vice-reino na maturidade, com áreas urbanas bastante desenvolvidas. O poeta 
sugere, então, que para ter contato com as pessoas mais letradas e também para ter voz \u2013 o 
que pode ser traduzido como direito de participar da vida política, dos negócios públicos 
\u2013 era preciso estar na cidade. O campo, em contraponto, aparece no poema como o 
lugar habitado principalmente pelas pessoas rudes e torpes, ou seja, consideradas sem 
valor. Deve-se lembrar, a propósito, que o campo na Nova Espanha era o lugar habitado 
sobretudo pelos índios. Não seria incorreto supor, assim, que o poeta relacionava o campo 
e seu caráter supostamente rude à população indígena.
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História da América I
CONCLUSÃO
Algumas cidades da América espanhola possuíam uma 
característica singular se comparadas a outras regiões, conquistadas 
por portugueses, ingleses e franceses. A singularidade da América 
espanhola estava no fato de que a conquista realizou-se, nessa área, 
a partir da subjugação de áreas nativas altamente urbanizadas.
A complexa rede urbana de Tenochtitlán, a antiga capital do 
mundo mexicano, foi devastada pelos europeus, que ali ergueram, 
sobre as ruínas, uma nova cidade à moda espanhola. Cuzco, a 
cidade andina que era o centro político e religioso dos incas, também 
foi devastada para que se construíssem, sobre suas antigas estruturas, 
os novos prédios espanhóis.
Foi assim que as cidades, tão importantes para muitos nativos 
americanos, converteram-se em centros da administração espanhola 
no Novo Mundo. As cidades coloniais visavam ser símbolos do poder 
político hispânico e tornaram-se, também, símbolos da aniquilação 
provocada pelos espanhóis no mundo nativo. Além do impacto das 
guerras, da evangelização e da máxima exploração do trabalho, 
muitos índios viram-se deslocados de suas cidades ou vilas originais 
em nome dos imperativos da conquista. Poder e espaço urbano (e 
rural também) tornaram-se, assim, redes indissociáveis na América 
espanhola. Mas índios e europeus, embora idealmente separados 
nesses espaços, misturavam-se inevitavelmente na vida cotidiana. 
Assim, a mestiçagem tornou-se também um traço da vida urbana, 
em particular, na América espanhola.
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Aula 7 \u2013 Poder e cidade na América espanhola colonial
Atividade Final
Atende aos Objetivos 1 e 2
Figura 7.3: A imagem mostra, na parte frontal, o muro acinzentado do antigo 
templo inca Koricancha, localizado na cidade de Cuzco e dedicado ao culto do 
deus Sol, antes da invasão espanhola, em 1532. Apenas a base do antigo prédio 
inca foi preservada e sobre ela os espanhóis construíram a Igreja de Santo Domingo, 
dedicada ao culto desse santo desde 1633. 
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Coricancha
Com base na foto e nas informações fornecidas na legenda, discuta as relações entre as 
edifi cações urbanas e os símbolos do poder nas cidades da América espanhola. 
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História da América I
Resposta Comentada
Alguns temas tratados nesta aula podem ser observados através da imagem e das 
informações da legenda apresentadas acima. Como foi discutido, a construção de cidades 
e edifícios públicos na América espanhola era, antes de mais nada, um ato político. E, 
como tal, expressavam noções de dominação e subjugação do mundo dos índios. Na 
foto, observa-se que a igreja dos dominicanos foi construída sobre as bases do templo 
indígena, dedicado ao deus Sol cultuado pelos incas. A igreja cristã, religião trazida e 
imposta pelos conquistadores, foi fi ncada sobre as ruínas do templo e da religião que os 
espanhóis combatiam e desejavam exterminar. Assim, no centro da cidade de Cuzco, 
antiga sede do mundo inca, os espanhóis \u201cplantaram\u201d um símbolo do cristianismo, da igreja 
missionária. Através desse símbolo urbano, demonstravam o desejo de