Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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teólogos, elaborou as Novas Leis, de 20 de novembro de 
1542, que aboliam todas as formas de serviço pessoal e transformava 
os índios das encomiendas em vassalos del-rei. Porém, a tentativa de 
promulgação das Novas Leis na América Espanhola levou a uma revolta 
no Peru, liderada por Gonzalo Pizarro, que resultou na deposição do 
vice-rei Blasco Núnez Vela e a própria abolição das referidas leis em 20 
de outubro de 1545, dado o caos gerado pelo grau de insatisfação dos 
encomenderos. Assim, o sistema de encomiendas foi reestabelecido. 
No entanto, em 1573, através das novas ordenações, Felipe 
II estabeleceu os regulamentos para as futuras conquistas visando a 
impedir novas atrocidades, que a \u201cpacifi cação\u201d aplicou aos indígenas. 
Avaliando o esforço legislativo da coroa espanhola, podemos dizer 
que ela se esforçou para proteger os indígenas, contudo, entre as 
intensões e as práticas, havia a realidade colonial. 
A defi nição da condição do indígena foi fundamental para o 
desdobramento das relações de produção e a formação social decorrente 
da conquista e ocupação espanhola. Como veremos no próximo item, 
as comunidades indígenas foram as principais fontes de mão de obra 
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
empregada na economia colonial espanhola. A escravidão africana, 
apesar de ter predominado em algumas regiões da América espanhola, 
contou apenas com 1/15 dos africanos enviados para as colônias. 
Atende ao Objetivo 1
Leia com atenção o texto seguinte:
Mata-se com a consciência limpa
O almirante Colombo encontrou, quando descobriu esta ilha Hispaniola, um milhão 
de índios e índias dos quais, e dos que nasceram desde então, não creio que estejam 
vivos, no presente ano de 1535, quinhentos, incluindo tanto crianças como adultos, que 
sejam naturais, legítimos e da raça dos primeiros índios. Alguns fi zeram esses índios 
trabalhar excessivamente. Outros não lhes deram nada para comer como bem lhes 
convinha. Além disso, as pessoas desta região são naturalmente tão inúteis, corruptas, 
de pouco trabalho, melancólicas, covardes, sujas, de má condição, mentirosas, sem 
constância e fi rmeza. Vários índios, por prazer e passatempo, deixaram-se morrer 
com veneno para não trabalhar. Outros se enforcaram pelas próprias mãos. E quanto 
aos outros, tais doenças os atingiram que em pouco tempo morreram. Quanto a mim, 
eu acreditaria antes que Nosso Senhor permitiu, devido aos grandes, enormes e 
abomináveis pecados dessas pessoas selvagens, rústicas e animalescas, que fossem 
eliminadas e banidas da superfície terrestre. G. F. de Oviedo. L´Histórie dês Indes, 
1555 (ROMANO, 1995, p. 76).
Considerando o processo de colonização da América, refl ita sobre as informações 1. 
expostas no documento acima. Após refl etir, produza um texto objetivo que relacione os 
principais mecanismos de conquista utilizados pelos europeus e as estratégias de resistência 
utilizadas pelos povos nativos.
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História da América I
Resposta Comentada
Dentre os mecanismos de conquista da América utilizados pelos europeus, podemos destacar 
a guerra, a evangelização e a fome como os principais. A superioridade bélica contribuiu 
para a eliminação dos povos que se opuseram à presença europeia, a evangelização para 
imposição de valores religiosos que eram desconhecidos pelos nativos americanos, e a 
fome, a partir do deslocamento de aldeias de uma região para outra e da utilização destas 
como mão de obra nas grandes lavouras e nas minas de ouro e prata, a partir da difusão 
dos vários tipos de trabalho compulsório, o que contribuiu para dizimar uma boa parcela da 
população autóctone. 
Dentre as formas de resistência utilizadas pelos nativos americanos, podemos destacar o 
suicídio; a automutilação, o alcoolismo, as fugas organizadas etc. Tais práticas, somadas aos 
mecanismos de conquista já expostos, contribuíram para uma considerável redução demográfi ca 
dos povos locais, infl uindo no processo produtivo colonial (carestia de mão de obra) e na 
valorização da mão de obra escrava africana como substituta da mão de obra local.
Os sistemas de trabalho na América 
colonial
As formas de trabalho instituídas no mundo colonial americano 
a partir dos desdobramentos da expansão comercial europeia 
atenderam, em sua maioria, os interesses mercantilistas dos Estados 
Modernos, como é o caso dos reinos de Portugal e Espanha. 
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
A mão de obra empregada na economia colonial hispano-americana 
baseou-se em variadas formas de trabalho compulsório, fi cando o 
trabalho livre e assalariado reduzido, salvo exceções, a certos ramos 
do artesanato urbano, aos trabalhadores especializados (técnicos 
do amálgama, mestres do açúcar etc.), ou às funções intermediárias 
de administrador ou feitor (mayordomo).
A criação das Leis Novas em 1542 e as disposições relativas 
ao repartimiento nos domínios hispânicos da América delinearam 
um sistema de exploração da mão de obra indígena que implicava 
um compromisso entre os interesses da Coroa, da Igreja e dos 
primeiros conquistadores. 
A Coroa conseguiu garantir para si receitas fiscais de 
importância e, através do controle da mão de obra indígena, 
impediu a formação de uma poderosa aristocracia na América. 
Os colonizadores, mesmo não conseguindo conservar a totalidade 
dos privilégios obtidos nas turbulentas fases iniciais da conquista, 
puderam dispor de consideráveis riquezas. A Igreja, com os índios 
reunidos em aldeias, pôde levar a cabo a missão evangelizadora 
e também gozar de importantes fortunas terrenas.
Na primeira fase da presença europeia na América \u2013 a da 
conquista, quando a população autóctone ainda não havia sido 
reduzida e a presença efetiva da administração metropolitana era 
frágil demais para um controle efi ciente dos interesses privados \u2013, 
predominaram como formas de utilização da força de trabalho 
dos nativos a escravidão indígena e a encomienda. Esta consistia 
em que, como forma de retribuição aos esforços de conquista, a 
alguns dos conquistadores fossem confi adas comunidades indígenas 
que estariam sob sua responsabilidade em matéria de catequese e 
defesa, tendo os encomenderos o direito a exigir aos povos locais 
o pagamento de tributos em forma de prestação de serviços ou 
gêneros alimentícios. 
No conjunto, tal sistema de exploração da mão de obra era, 
comparado com a escravidão africana, muito mais rentável e com 
menos riscos a curto e longo prazos. Não exigia desembolsos de 
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História da América I
capital inicial para a aquisição de mão de obra, a preocupação 
com os custos de subsistência dos indígenas era mínima e, mesmo 
sob os efeitos da redução demográfi ca, o sistema se reproduzia. 
Segundo Ciro Flamarion, o segredo da reprodução do sistema 
de exploração da mão de obra nativa residia em algo que \u201cnão 
conhecemos bem: o funcionamento das comunidades indígenas\u201d 
(CARDOSO, 1983, p. 81).
Segundo o referido autor:
O reordenamento institucional de meados do século XVI lhes 
outorgou terras (às comunidades indígenas), dotou-as de uma 
organização urbana e administrativa calcada nos hábitos e 
costumes espanhóis, exigiu-lhes tributos em espécie e moeda 
e prestações rotativas de trabalho. Estas últimas constituíam o 
já citado repartimiento, destinado a trabalhos de construção 
urbana e a lavra das terras e minas, remuneradas ao menos na 
lei, ainda que a taxas mais baixas que o salário livre. Tal sistema 
acarretou, muitas vezes, transferências maciças de populações 
a consideráveis distâncias (CARDOSO, 1983, p. 81).
Ao longo do século XVI, a Coroa e a Igreja se voltaram