Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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não 
signifi ca que não houvesse qualquer diferença entre as diversas 
colônias escravistas. Pelo contrário, 
Havia padrões variados de assentamento das populações 
livres e escravas, tendências demográfi cas diversifi cadas, 
graus diferentes do impacto do tráfi co africano, relações 
sociais que variavam segundo diversos fatores: proporção 
entre brancos, por um lado, e negros e mulatos, por outro, 
na população, natureza urbana ou rural do contexto em que 
examinamos a escravidão, etc. (CARDOSO, 1995, p. 43).
Atende ao Objetivo 2
Leia atentamente a seguinte passagem:
Somos obrigados a comprar escravos negros a preço alto
O ouro encontra-se nas torrentes, nas areias, nos filões. Há grandes pepitas. 
A quantidade de ouro que retiramos desta província (Popayan) é muito grande sendo 
ela toda recoberta de ouro. Não há outro meio para se apossar de um tesouro tão 
grande, como o que há neste lugar, senão tentar povoá-lo de negros. O ouro extraído 
servirá para a manutenção e vestimenta dos índios e para o lucro do dono. Eu digo que 
os habitantes destas terras falaram comigo várias vezes, a fi m de que Vossa Majestade 
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
traga negros para cá, considerando que os índios estão desaparecendo. Francisco de 
Anuncibay. Informe de 1592. (ROMANO, 1995, p. 75-76).
Considerando a colonização da América como um desdobramento da expansão política 2. 
e econômica da Europa, refl ita sobre os impactos demográfi cos do uso do trabalho 
compulsório para as sociedades nativas. Após refl etir, formule um texto conciso que 
relacione a questão demográfi ca apresentada com os investimentos na compra de mão 
de obra escrava africana para dar continuidade ao movimento de exploração das 
minas de ouro e prata na América.
Resposta Comentada
As variadas formas de trabalho compulsório utilizadas na América pelos colonos europeus 
contribuíram para uma considerável redução da população ameríndia a partir, principalmente, 
dos deslocamentos de aldeias inteiras de uma região para outra, das péssimas condições de 
trabalho e dos castigos físicos que então eram aplicados. 
A valorização do trabalho escravo africano atendeu às exigências criadas pela subsequente 
carestia de mão de obra e pela avidez dos colonizadores em dar continuidade ao processo 
de exploração do território, em especial das áreas mineradoras.
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História da América I
O exclusivo metropolitano e as relações 
de comércio 
Ao longo do século XVI, o comércio em larga escala nas 
áreas coloniais, em especial nos domínios espanhóis, passou a 
consistir essencialmente na troca de mercadorias europeias por prata 
americana. Já nas décadas de 1540 e 1550, havia um conjunto 
de companhias comerciais transatlânticas ou grupos de mercadores 
sediados em Sevilha, com feitorias nos principais portos da América 
hispânica (Panamá) e representantes de vendas nas sedes dos vice-
reinados (Lima, Cidade do México). 
O grande aumento da produção de prata nas décadas de 1540 
e 1550 e a expectativa de produção maior e constante provocaram 
alguns ajustes. Os negócios das companhias comerciais cresceram 
em investimentos e tamanho, incluíram um número maior de pessoas 
e passaram a estender-se por prazos mais longos. Segundo Stuart 
Schwartz:
O comércio americano tornou-se o principal negócio de 
Sevilha, e com as frotas e comunicações cada vez mais 
regulares, as redes comerciais passaram a tratar o mundo 
transatlântico como um espaço unifi cado. O curso normal de 
progresso de um mercador deste ramo era de um porto ou 
uma mina na América para uma capital americana e daí para 
Sevilha. Os comerciantes que se dedicavam a importação 
e exportação estavam apenas semi-sediados na América 
e eram mais intermediários entre a Europa e a América 
do que colonos. A grande riqueza líquida da América 
apressou o processo de migração de volta para a Europa, 
permitindo que os representantes locais de fi rmas sevilhanas 
acumulassem fundos próprios em curto prazo, e também que 
alguns comerciantes fora da rede fundassem novas e grandes 
companhias, que imediatamente adotaram Sevilha como sede 
(LOCKHART; SCHWARTZ, 2002, p. 128).
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Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
Em 1503, o Estado Espanhol estabelece a Casa de 
Contratação, com sede em Sevilha (transferida para Cádis 
no século XVIII), que tinha por função controlar o comércio 
e a navegação entre a metrópole e a América. Aplicou o 
regime de portos únicos (Sevilha, Vera Cruz, Havana, Cartagena, 
Porto Belo), de onde poderiam sair e entrar mercadorias na 
América. Estabeleceram ainda o sistema de frotas, que consistia na 
reunião bianual de 40 galeões em Havana, para o transporte de 
mercadorias para a Europa, tentando prevenir-se contra os corsários 
ingleses e franceses (LOCKHART; SCHWARTZ, 2002, p. 85).
Contudo, a força da prata americana provocou redefi nições 
no sistema comercial transatlântico, com a tendência de dividi-lo 
em dois grandes setores. Os representantes de vendas locais das 
grandes companhias fi cavam tentados à investir nas crescentes 
economias coloniais, mesmo este não sendo de interesse dos sócios 
majoritários sediados em Sevilha. Os próprios sócios sevilhanos 
tornaram-se cada vez mais dispostos a vender para comerciantes 
locais na costa americana em vez de assumir a despesa com as 
instalações na América e a preocupação de controlar distantes 
sócios minoritários.
As companhias locais, gerenciadas por mercadores profi ssio-
nais sem conexão direta com as redes de Sevilha, eram baseadas 
nos mesmos princípios, embora o sócio majoritário estivesse nos 
principais centros urbanos, e o minoritário, nas áreas portuárias 
ou mineradoras. Os mercadores dessa segunda linha tendiam a 
fi ncar raízes em território colonial, casando-se, constituindo família, 
adquirindo propriedades. Eram os primeiros a envolver-se ativamente 
no suprimento dos mineiros e a tornarem-se financiadores da 
exploração das minas.
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História da América I
No nível inferior das relações comerciais entre a Espanha e suas 
colônias americanas estavam os pequenos comerciantes, chamados 
em geral de tratantes. Indivíduos com parca instrução, geralmente 
de origem estrangeira, não faziam parte de nenhuma rede maior 
e atuavam com mercadorias produzidas no local. A especialidade 
desse grupo era comercializar produtos indígenas a uma clientela de 
maioria índia, mas com algum poder de compra em prata, em virtude 
do trabalho e da moradia em cidades ou minas espanholas.
Para a Espanha, a demanda colonial provocou algumas 
distorções. Em primeiro lugar, alterou a unidade produtiva rural, 
transferindo os campos dedicados à produção de cereais para a 
cultura da vinha e da oliveira (como sabemos, as matérias-primas 
para o vinho e o azeite). Soma-se a isso o estímulo à produção de 
lã, que era extremamente destrutiva ao solo. O resultado dessas 
alterações foi a Espanha ter-se tornado um grande importador de 
cereais na década de 1570. O outro efeito foi a transformação 
na estrutura da sociedade. Diferentemente do conjunto da Europa 
ocidental, a população rural espanhola passou a ser constituída 
majoritariamente por trabalhadores agrícolas ou jornaleiros; 
apenas uma minoria era formada por arrendatários dependentes e 
pequenos proprietários. Além disso, houve um surpreendente surto 
de urbanização, com dois terços da população masculina vivendo 
nas cidades e um prematuro inchaço do que podemos chamar de 
setor terciário, ou seja, serviços e comércio. 
Por fi m, o refl exo máximo causado pelo fl uxo de metais foi uma 
súbita paralisia na produção de