Historia da America I Vol1
320 pág.

Historia da America I Vol1


DisciplinaHistória da América I1.169 materiais43.967 seguidores
Pré-visualização50 páginas
o que foi debatido 
nas linhas anteriores, faça um texto que apresente as principais características do 
comércio colonial (as rotas, os agentes envolvidos etc.), destacando as diferenças entre 
os modelos de Portugal e Espanha e as respectivas contradições que dão especifi cidade 
ao comércio colonial.
 145
Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
Resposta Comentada
Dentre as características do comércio colonial, podemos destacar a importância das 
companhias ou das sociedades comerciais no trato de tais relações, evidenciando uma 
organização dinâmica e empresarial, hierarquizada em divisões acionárias que iam desde 
os grandes comerciantes, passando pelos representantes de vendas no mundo ultramarino e 
pelos tratantes. 
Em teoria, tais relações atendiam ao impulso mercantilista de monopolização das atividades 
produtivas e comerciais dos domínios coloniais. Contudo, o sistema português aparentava 
ser mais fl exível às investidas privadas (provenientes de indivíduos estrangeiros detentores de 
volumosos capitais) do que o sistema espanhol, voltado a centralizar as atividades comerciais 
a partir da criação da Casa de Contratação, do estabelecimento do regime de portos únicos 
e do sistema de frotas.
Tais ações, contudo, não impediram o desenvolvimento de um próspero comercio ilícito 
entre os domínios coloniais e entre eles e outras potênciais comerciais da época (Inglaterra, 
Holanda). Apesar de estarem sob a tutela do regime do exclusivo metropolitano, o comércio 
ilícito no mundo colonial permitiu a formação de uma economia local autossufi ciente, não 
dependente totalmente da intervenção metropolitana.
146 
História da América I
RESUMO
Em sentido geral, o processo de conquista, ocupação e 
exploração do território americano pelos Estados europeus entre 
os séculos XV e XVI se dá como desdobramento de uma ampla 
empreitada comercial nos anos iniciais do século XV, onde reinos, 
como Portugal, começavam a despontar no comércio marítimo, 
na tentativa de superar os efeitos provenientes da crise produtiva, 
fi nanceira e demográfi ca do século XIV.
A conquista do novo mundo se deu a partir do uso de alguns 
mecanismos específi cos, que, como vimos, contribuíram para a 
cristianização (cruz), para a eliminação (guerra) e para o controle 
social (fome) dos povos ameríndios. As relações de trabalho, 
assentadas em vínculos compulsórios, provenientes muitas vezes 
das próprias estruturas locais, permitiram o avanço das ações 
exploratórias no mundo colonial. 
Seja pelo repartimiento, seja pela escravidão africana, a 
exploração do território americano se deu a partir da mineração e da 
formação de grandes extensões produtivas (haciendas nos domínios 
espanhóis, plantations nos domínios portugueses), voltadas para o 
comércio de exportação e para o acúmulo de recursos (capitais) 
nos centros políticos europeus.
Entretanto, o comércio colonial apresentava características 
dinâmicas e específi cas, muitas vezes desvinculadas da ideia 
mercantilista do exclusivo metropolitano. Tal ideia não impediu o 
desenvolvimento de um próspero comércio ilícito entre os domínios 
coloniais e entre eles e outras potênciais comerciais da época 
(Inglaterra, Holanda). Apesar de estarem sob a tutela do regime 
do exclusivo metropolitano, o comércio ilícito no mundo colonial 
permitiu a formação de uma economia local autossufi ciente, não 
dependente totalmente da intervenção metropolitana.
 147
Aula 8 \u2013 O sistema econômico colonial: terra, trabalho e comércio
Informação sobre a próxima aula
Na próxima aula, veremos os confl itos ocorridos na Europa e nas 
Américas ao longo do século XVIII.
Aula 09
O século XVIII 
na Europa e 
nas Américas: 
confl itos
64 
História da América I
Meta da aula
Caracterizar a confi guração do equilíbrio político europeu no século XVIII, 
evidenciando os desdobramentos dos confl itos europeus nos domínios
coloniais a partir da análise de alguns casos específi cos. 
Objetivos 
Ao fi nal desta aula, você deverá ser capaz de:
1. compreender o papel da América Colonial no equilíbrio político europeu no século 
XVIII;
2. relacionar o processo de independência dos Estados Unidos da América com os 
desdobramentos do rearranjo do equilíbrio político europeu no século XVIII;
3. diferenciar os confl itos sociais ocorridos na América espanhola do século XVIII a partir 
dos interesses sociais e suas características específi cas.
Pré-requisitos
Para melhor compreensão desta aula, torna-se necessária cuidadosa atenção acerca 
da confi guração de forças na Europa, que permitiram a manutenção do domínio 
metropolitano sobre suas colônias no século XVIII, objeto de nossa Introdução.
 
 65
Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
INTRODUÇÃO
O início do século XVIII é marcado por um rearranjo das forças 
políticas no Velho Continente. A guerra de sucessão espanhola (1702-
1714), a guerra de sucessão austríaca (1740-1748) e a Guerra dos Sete 
Anos (1756-1763) evidenciaram um momento de ascensão do prestígio 
diplomático inglês na Europa e o acirramento das rivalidades territoriais 
entre os principais Estados envolvidos diretamente nos confl itos.
De certa forma, o século XVIII também marca um recrudescimento 
da presença metropolitana sobre seus domínios coloniais. Podemos 
perceber isso na América portuguesa a partir da descoberta e do 
início das atividades de exploração aurífera, com a criação de um 
aparato administrativo voltado a captar os recursos advindos de tal 
empreitada. 
Da mesma forma, podemos perceber este movimento em 
relação à América inglesa, quando o governo inglês decide reaver 
seus direitos monopolistas sobre o comércio dos produtos coloniais. 
Em relação à América espanhola, ganham destaque as reformas 
bourbônicas aplicadas em meados do século (tema da próxima aula), 
voltadas a reorganizar as receitas da fazenda régia e a estrutura 
administrativa do reino, em especial nos domínios ultramarinos.
Como veremos, tais ações levarão a certo tensionamento das 
relações entre as metrópoles e as colônias, favorecendo a explosão 
de protestos, revoltas e motins que se caracterizaram de forma 
heterogênea ao longo de todo o século XVIII. De forma a compreender 
tais características, vamos dar destaque ao movimento comunero 
na América espanhola e à declaração da independência das treze 
colônias inglesas, evidenciando as semelhanças e diferenças de 
dois movimentos distintos no tempo e no espaço.
Em resumo, é de fundamental importância compreender as 
revoltas coloniais relacionadas aos acontecimentos políticos e militares 
europeus no século XVIII, percebendo que essa relação não só redefi ne 
o equilíbrio das forças políticas no Velho Mundo, assim como abre o 
66 
História da América I
precedente para o surgimento de movimentos de secessão, voltados 
a tornar autônomas algumas áreas coloniais na América, como foi o 
caso já citado da independência americana em 1776.
CONFLITOS NA EUROPA: 
DESDOBRAMENTOS NA AMÉRICA
O século XVIII abre-se com a recuperação comercial a 
partir da nova expansão ultramarina encabeçada desta vez 
pelos países do triângulo Inglaterra-Holanda-França, também 
os portos do Mediterrâneo assim como dos portos atlânticos 
franceses experimentam os efeitos positivos das transformações. 
Os confl itos que marcaram este período colocaram em evidência a 
importância dos territórios coloniais, permitindo ao mesmo tempo a 
preponderância inglesa e a sobrevivência de Portugal e Espanha, 
como de seus domínios ultramarinos. 
Frente ao renascimento comercial, o controle mercantil do mundo 
transformou-se em