Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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relações internacionais. 
Atende ao Objetivo 1
Leia atentamente o texto a seguir:
À primeira vista, afi gura-se paradoxal que Portugal e Espanha tenham conseguido preservar 
seus extensos domínios ultramarinos depois da perda da hegemonia ibérica e ascensão das 
novas potências preponderantes no quadro europeu e do desenvolvimento da competição 
colonial (...) A pouco e pouco, e na medida, sobretudo em que as potências em ascensão 
(Holanda, França e Inglaterra) competiam também uma com as outras, ia se caracterizando 
o sistema que consolidou no término da guerra de Sucessão espanhola (1713): Portugal 
cada vez mais se prende à aliança inglesa, a Espanha se apóia na proteção da França, 
selada com a instalação da dinastia burbônica no trono espanhol. É este sistema da alianças 
que permite a Portugal e Espanha resguardar os respectivos domínios no Ultramar, marcos 
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Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
da antiga hegemonia, durante todo o século XVIII: apoiando-se nas duas maiores potências 
em permanente rivalidade e confl ito ao longo do Setecentos, sobreviveram os impérios 
coloniais ibéricos ( NOVAIS, 1979, pp.17-19).
A partir da leitura e refl exão sobre esse extrato, e com base na aula, discuta, em um texto 
objetivo, os desdobramentos, na América ibérica, dos confl itos europeus.
Comentário
Você deverá relacionar a ascensão das novas potências no quadro do Antigo Sistema 
Colonial, destacando a importância dos mercados ultramarinos que, no século XVIII, tornam-
se fundamentais para a confi guração de alianças e a consequente quebra do monopólio 
comercial espanhol na América através da participação das novas potências. Também deverá 
destacar a forma como as monarquias ibéricas mantiveram o domínio político da região, 
apesar da quebra do monopólio comercial.
CONFLITOS ENTRE EUROPEUS E 
AMERICANOS: INDEPENDÊNCIA DA 
AMÉRICA INGLESA
O advento da Inglaterra, enquanto potência comercial 
e marítima no século XVIII, proveniente de um reordenamento 
político continental \u2013 em virtude dos refl exos da guerra de sucessão 
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História da América I
espanhola e da Guerra dos Sete Anos \u2013, desdobrou-se em uma 
política de aproximação e controle das atividades comerciais das 
áreas coloniais, reforçando o sistema imperial que se afundava em 
dívidas contraídas durante o período dos confl itos militares contra 
a França. 
O período que se estende dos acordos de Utrecht até meados 
do século XVIII foi de relativa paz, em especial entre França e 
Inglaterra. Contudo, após a virada da segunda metade do século, 
as questões referentes à sucessão do trono austríaco, as rivalidades 
políticas entre as principais potências europeias (Inglaterra e Portugal 
de um lado, França e Áustria de outro) e a concorrência colonial 
favoreceram à explosão de mais um confl ito armado, confl ito este 
iniciado na Europa no ano de 1756 e que se desdobraria até 1763, 
atingindo assim proporções mundiais. (NOVAIS, 1983, p. 44).
Julgando que as colônias americanas devessem contribuir com 
o pagamento das dívidas supracitadas, o governo inglês confi rmou 
a decretação dos atos de comércio como também estabeleceu um 
conjunto de novas leis aprovadas pelo Parlamento. Dentre elas, 
podemos destacar, entre os anos de 1764 e 1765, a lei do açúcar, 
voltada a lançar direitos ou tarifas de importação sobre o comércio 
colonial, a lei da moeda, que proibia a emissão de moedas em 
território colonial e a lei de aquartelamento, que exigia aos colonos 
americanos o fornecimento de abrigo e suprimentos às tropas 
britânicas.
Embora a lei do açúcar se aplicasse também ao vinho e ao café, 
a tarifação sobre o melado de cana tornou-se a mais onerosa para 
os colonos. O cumprimento rigoroso de tais determinações por parte 
das autoridades inglesas contribuiu para o declínio das atividades 
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Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
comerciais da região da Nova Inglaterra, gerando assim protestos 
enfurecidos contra as taxações aplicadas (especialmente depois da 
criação da lei do selo) e estimulando certo tipo de questionamento 
acerca das limitações políticas do sistema de representação 
parlamentar que se encontrava sediado em território europeu.
Apesar de certo recuo do governo inglês em 1766, quando 
revogou a lei do selo a partir das pressões provenientes do congresso 
intercolonial realizado em Nova York (com exceção da Geórgia) 
em outubro de 1765, o governo metropolitano não renunciou ao 
seu direito de tributar os colonos, uma vez que a revogação foi 
acompanhada pelo decreto da lei declaratória, afi rmando o direito 
de legislar para as colônias em todos os aspectos. 
Tal direito materializou-se mais uma vez quando da aprovação 
no Parlamento inglês da lei do chá, em 1773. À companhia das 
Índias Orientais era cedido o privilégio exclusivo de vender chá 
diretamente aos consumidores americanos, com isenção do imposto 
de exportação, elevando assim o lucro da companhia (eliminando a 
concorrência a partir dos baixos preços estabelecidos) em detrimento 
de qualquer participação dos importadores (comerciantes norte-
americanos) no comércio de tal produto. O refl exo desta medida 
em território colonial desdobrou-se em um conjunto de manifestações 
(Nova York, Filadélfi a) que entendiam a tática britânica de reduzir os 
preços do chá como uma forma de induzir os colonos (em especial, 
os produtores e os comerciantes) a renunciar às suas liberdades 
(comerciais).
Em 1773, em meio aos protestos contra as imposições fi scais 
metropolitanas e recusando-se a receber o chá da companhia, 
alguns colonos de Boston atacaram os navios mercantes ingleses, 
despejando ao mar boa parte do carregamento do chá antilhano que 
deveria ser comercializado na região. Tal incidente contribuiu para 
um aprofundamento das pressões metropolitanas, desdobrando-se na 
aplicação de ações punitivas que contivessem os colonos rebeldes.
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História da América I
As medidas repressivas materializaram-se no estabelecimento 
das leis de coação (conhecida pelos colonos americanos como leis 
intoleráveis), pelas quais o porto de Boston foi fechado até que os 
moradores das cidades pagassem pelo carregamento de chá que 
havia sido destruído. Além desta punição, o governo inglês reduziu 
os canais de representação e de autogoverno dos domínios coloniais 
(em especial, os da província de Massachusetts), determinando 
que administradores régios fossem julgados na Inglaterra, mesmo 
quando acusados de crimes cometidos em território americano e 
autorizando o exército a requisitar prédios \u201cpúblicos\u201d para fi ns de 
aquartelamento.
Tais medidas colaboraram para a radicalização das 
propagandas opositoras ao governo metropolitano, favorecendo 
a expansão (mediante as infl uências do movimento iluminista 
europeu) das ideias de secessão da Inglaterra. Em 1774, realizou-se 
o congresso da Filadélfi a, composto por representantes das áreas 
coloniais, exceto mais uma vez pela Geórgia, para discutir os 
limites de atuação do Parlamento britânico nos assuntos coloniais e 
referendar o direito de representatividade que havia sido diretamente 
atingido com a imposição dos tributos e dos monopólios comerciais 
já apresentados ao longo do texto.
Como medida de enfrentamento aos interesses metropolitanos, 
o congresso da Filadélfi a deliberou a favor da criação de um 
detalhado plano voltado a limitar ao máximo as relações comerciais 
com a Inglaterra (redução das importações e exportações). Com 
o intuito de garantir a aplicabilidade de tal plano, os delegados 
do congresso autorizaram todas as cidades a eleger comissões 
de segurança que tinham como objetivo