Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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divulgar as decisões 
encaminhadas pelo encontro na Filadélfi a e identifi car os violadores 
do acordo acerca do boicote aos produtos ingleses na América.
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Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
Os mais radicais entre os delegados convocados para o congresso 
da Filadélfi a defendiam a doutrina dos direitos naturais, repelindo 
a jurisdição do Parlamento inglês sobre as colônias e argumentando 
que seus habitantes estavam sujeitos apenas às leis aprovadas por suas 
respectivas assembléias. (MAY; MCMILLEN; SELLERS, 1985, p. 62).
Como forma de conter o espírito de insubordinação colonial, 
o governo inglês enviou para a América um contingente militar 
expressivo ainda no ano de 1775. Após o primeiro choque entre o 
exército metropolitano e os colonos da região de Boston, disseminou-
se a radicalização do movimento de secessão, materializado 
pela convocação do 2º congresso continental. Ao reunirem-se 
apressadamente em Filadélfi a, os colonos revoltosos, liderados pela 
ala radical do movimento (republicanos e intelectuais), enviaram 
ao parlamento inglês um apelo fi nal voltado a resolver os litígios 
apresentados anteriormente de forma negociada e pacífi ca. 
Contudo, indeferida a petição pelo governo britânico, 
os colonos dissolveram os últimos traços de lealdade e vínculo 
político para com a Inglaterra, preparando-se, assim, a partir das 
designações estabelecidas pelo segundo congresso continental, 
para o confl ito aberto. 
A partir da declaração de independência, votada e aprovada 
em congresso no dia quatro (4) de julho de 1776, George Washington 
(Virgínia) foi designado chefe militar das tropas coloniais e Benjamim 
Franklin assumiu a responsabilidade diplomática de garantir o apoio 
do governo francês ao movimento separatista, sendo favorecido 
posteriormente com a adesão do governo espanhol e holandês à 
aliança militar contra a Inglaterra de George III.
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História da América I
Em resposta à declaração formal de separação, o governo 
inglês mobilizou a maior força militar já utilizada até aquele momento 
para empreender a reconquista de seus rebeldes domínios. A 
invasão iniciada pelo porto de Nova York desdobrou-se em direção 
à região da Pensilvânia e Nova Jersey, forçando um recuo das 
tropas separatistas lideradas por George Washington, no fi nal do 
ano de 1776. Contudo, mesmo em um contexto marcado por falta 
de recursos materiais e humanos, as tropas separatistas conseguiram 
contra-atacar as posições inglesas e, no início de 1777, repeliram 
a ofensiva proveniente das fronteiras com o Canadá.
George Washington era um líder de presença e autoridade 
imponentes, mas pouca experiência possuía de combate e 
provavelmente não era nenhum gênio militar. Na verdade, perdeu 
mais batalhas do que ganhou. Ainda assim, corajoso e tenaz, manteve 
intacto o exército e viva a causa norte-americana. (MAY; MCMILLEN; 
SELLERS, 1985, p. 74).
Em busca de alianças diplomáticas e militares, os colonos 
americanos recorreram ao auxílio do governo francês, que se 
mostrou disposto a ajudar, porém com a exigência de que os 
colonos americanos garantissem a existência da possibilidade de 
vitória sobre as forças inglesas. Tendo sido garantida tal possibilidade 
pelas lideranças separatistas, a França assina um tratado de aliança, 
envolvendo automaticamente no confl ito a Espanha bourbônica e a 
Holanda. (MAY; MCMILLEN; SELLERS, 1985, p. 76).
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Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
Ao fi nal do ano de 1782, depois de mais de cinco anos de 
guerra e diante de pesadas derrotas militares, a Inglaterra decide 
negociar a paz (Tratado de Paris, 1783). As despesas criadas pela 
participação nos principais confl itos militares europeus no século 
XVIII impossibilitaram a manutenção dos combates contra os colonos 
americanos, favorecendo assim o reconhecimento da independência 
política das treze colônias e a entrega de territórios até então sob 
jurisdição metropolitana (região próxima ao rio Mississipi).
Os refl exos da guerra de independência resultaram em um 
rearranjo do equilíbrio político mundial, favorecendo a restauração 
do prestígio militar e político da França no cenário diplomático 
europeu e estimulando, como um exemplo a ser seguido, os 
movimentos contestatórios que já fi guravam no mundo colonial 
americano. 
A declaração dos direitos e a declaração de independência, 
ao servirem como bases políticas para a construção de outros 
governos independentes na América, evidenciaram as infl uências 
teóricas acerca de temas como soberania popular, liberdade e 
igualdade provenientes da ilustração europeia e que fundamentaram 
os princípios norteadores da carta constitucional americana, 
aprovada em assembléia no ano de 1787.
Com o Tratado de Paris, em 1783, terminaram ofi cialmente as 
hostilidades entre americanos e ingleses. Durante a guerra, os 
estadistas americanos não buscaram implantar uma nova ordem 
social. Não se propuseram a fazer uma revolução total que incentivasse 
os grupos de condição social inferior ou sem expressão política sufi ciente 
para propor mudanças drásticas no caráter básico da sociedade. 
Mantiveram-se a escravidão, as limitações para o exercício livre da 
cidadania política e a defesa incondicional da propriedade privada, 
concentrada em sua maioria nas mãos de uma elite conservadora e 
aristocrática. (NARO, 1985, p. 10).
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História da América I
Atende ao Objetivo 2
Leia com atenção os fragmentos seguintes:
Constituição americana (1787)
Artigo I
Seção 1. Todos os poderes aqui conferidos serão confi ados ao Congresso dos Estados 
Unidos, composto de um Senado e de uma Câmara dos Deputados. (...)
Seção 8. O Congresso terá poder para fi xar e cobrar taxas, direitos, impostos e tributos 
para pagar as dívidas e prover a defesa comum e o bem estar geral dos Estados Unidos; 
mas todos os tributos, direitos e taxas deverão ser uniformes para todo o território dos Estados 
Unidos (...). Terá poder ainda para regular o comércio com as nações estrangeiras e entre 
os diversos estados e com as tribos indígenas (...).
Artigo II
Seção 1. O poder Executivo será investido em um presidente dos Estados Unidos da América; 
seu período será de quatro anos; juntamente com um vice-presidente, escolhido por igual prazo, 
será eleito da seguinte forma: cada estado nomeará, de acordo com as regras estabelecidas 
por sua legislatura, um número de eleitores igual ao número total de senadores e deputados 
a que tem direito no Congresso (...).\u201d (SYRETT, 1980, p. 138).
Considerando o que foi apresentado ao longo do material, produza um texto que apresente 
os principais fatores que contribuíram para o início da guerra de secessão americana em 
1776, indicando pelo menos uma característica política (institucional) do Estado americano 
recém-independente.
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Aula 09 \u2013 O século XVIII na Europa e nas América: confl itos
Resposta Comentada
Dentre os fatores que contribuíram para a explosão do movimento de independência norte 
americana no fi nal do século XVIII, podemos destacar as medidas restritivas ao comércio 
colonial e a eliminação gradativa dos espaços (órgãos) de representação política dos colonos 
perante o Parlamento inglês. Para o primeiro fator citado, ganha destaque as imposições das 
atas de comércio, da lei do açúcar e da lei do selo, em meados do século XVIII (em virtude das 
despesas fi nanceiras adquiridas pela Inglaterra ao longo do século), aos colonos americanos. 
O refl exo de tais ações materializou-se com a explosão de um conjunto de protestos e medidas 
restritivas ao consumo dos produtos ingleses, como já foi comentado anteriormente.