Historia da America I Vol1
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Historia da America I Vol1


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união em suas experiências de assentamento na América: a 
imigração de base familiar com forte autoridade paterna, a pequena 
presença de trabalhadores por contrato e a expressiva maioria de 
puritanos entre os primeiros colonos.
Movidos seguramente pela busca de um refúgio religioso 
distante das perseguições na terra natal, os puritanos vindos para 
a América no século XVII imaginavam-se como um grupo escolhido 
por Deus. Viam-se investidos da missão sagrada de estabelecer uma 
comunidade cristã purifi cada, uma espécie de modelo para o resto 
da cristandade. A peculiaridade dos puritanos que formaram a Nova 
Inglaterra residiu na criação de comunidades onde a igreja e o clero 
mantinham extensos poderes civis. Era íntima, portanto, a relação 
entre os líderes seculares e clericais, que, em princípio, se apoiavam 
mutuamente na condução dos negócios públicos e comunitários.
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História da América I
A expressão puritanismo é entendida aqui no sentido que tinha 
na linguagem popular da época. Era usada, no século XVII, para 
indicar os movimentos religiosos marcados por práticas austeras e 
comportamentos disciplinados na busca de realizações sagradas. 
Nesse sentido, eram indistintamente chamados de puritanos os 
membros de diferentes Igrejas \u2013 congregacionistas, menonitas, qua-
kers, etc. \u2013, não importando as diferenças dogmáticas e organiza-
cionais existentes entre elas. Para Max Weber, o puritanismo inglês 
tinha na doutrina da predestinação um de seus dogmas mais 
característicos: Deus havia predestinado alguns homens à vida eterna 
e outros à morte eterna por manifestação de sua livre graça e amor. 
Eliminando a ideia de salvação por meio da Igreja e dos sacramentos 
presentes no catolicismo (o que Weber chamou de eliminação da 
\u201cmagia do mundo\u201d), a ética puritana conduziria seus seguidores a 
um constante questionamento sobre ser eleito. Afi nal, essa seria 
a condição única para a salvação. Essa preocupação cotidiana 
conduzia os fi éis a criarem a própria convicção da salvação por 
meio de um sistemático autocontrole de suas condutas pessoais e 
comunitárias. Pode-se dizer mesmo que houve uma organização 
comunitária de compromisso entre gerações de colonos puritanos na 
Nova Inglaterra. Tratava-se, então, de uma organização comunitária 
na qual o senso de responsabilidade comunal, a ordem, a hierarquia 
e a subordinação dos interesses individuais ao bem comum eram 
perseguidos sob rígido controle moral e disciplinar.
 Para ter uma ideia do cotidiano dos puritanos na 
Nova Inglaterra, procure ver o fi lme A letra escarlate, estrelado 
por Demi Moore em 1995. A história trata da prática (real) 
de colocar a letra A, bordada em vermelho, nas roupas das 
mulheres acusadas de traírem seus maridos. 
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Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
Um exemplo de Igreja com extensos poderes civis no século 
XVII pode ser observado entre os puritanos de Massachusetts, 
conforme ressalta Leandro Karnal. Decidiu-se, nessa colônia, que 
apenas os membros das igrejas puritanas poderiam votar e ter cargos 
públicos, devendo a Igreja e o Estado atuarem juntos no controle e na 
punição das práticas desviantes às normas por eles estabelecidas. De 
maneira mais expressiva do que em outras áreas, os colonos da Nova 
Inglaterra trouxeram da Europa suas primeiras lideranças sociais e 
religiosas. Mais uma vez, o contraste com as áreas do Chesapeake 
é visível, já que nesta região as autoridades políticas emergiam do 
disputado cenário dos plantadores de tabaco, competindo por postos 
na esteira do sucesso de suas empresas coloniais e da quantidade 
de dependentes e aliados nelas mobilizados. Na Nova Inglaterra, os 
líderes locais e regionais dos primeiros tempos coloniais trouxeram 
sua autoridade desde a Inglaterra, formando espaços sociopolíticos 
inicialmente mais tradicionais, pois estavam mais apegados ao 
passado europeu. 
Sob o ponto de vista econômico, vale registrar que a Nova 
Inglaterra jamais foi uma sociedade puramente voltada para a 
subsistência. Apesar dos escrúpulos religiosos quanto ao lucro 
excessivo, os primeiros colonos envolvidos em atividades agrícolas 
já produziam excedentes para serem trocados por mercadorias 
inglesas. Por volta de 1640, alguns portos da região já atuavam 
em atividades comerciais mais vigorosas, vendendo peles, peixes e 
artigos de madeira, entre outros, em mercados da própria América 
do Norte e do Caribe. Cidades como Boston e Salem assistiram a 
um progressivo processo de estratifi cação social e econômica, melhor 
dizendo, houve a formação de uma elite comercial e proprietária 
de lotes de terra mais vastos, contrastando com o ideal das vilas 
igualitárias imaginado pelos primeiros colonos. 
Enfi m, a imagem dos puritanos chegando à América no navio 
Mayfl ower é aquela que mais retemos na memória. É importante 
ressaltar, no entanto, que um quadro mais dinâmico e diverso 
caracterizava as treze colônias. Observadas em sua complexidade, 
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História da América I
percebe-se que combinaram motivações mercantis, religiosas e políticas 
em seus assentamentos iniciais. Construíram, portanto, realidades 
regionais condicionadas por padrões demográfi cos, relações de 
trabalho e formas produtivas que se modifi caram no tempo.
O Mayfl ower foi um navio repleto de ingleses 
comprometidos com os ideais puritanos que aportou na 
Nova Inglaterra, em 1620. Por um erro de navegação, o 
navio, que devia seguir para a Virgínia, não ultrapassou 
a região da Nova Inglaterra. Sem autorização anterior para 
formar ali uma comunidade, os colonos estabeleceram o Pacto do 
Mayfl ower, que deu origem à colônia de Plytmouth. Por meio desse 
pacto, comprometeram-se a combinar esforços na formação de um 
corpo civil e político para a condução dos assuntos da colônia. 
Por ser pouco populosa, Plymouth foi absorvida em 1691 pela 
colônia de Massachusetts, sua vizinha maior e mais rica.
Atende ao Objetivo 2
3. Se você já é professor, está acostumado à tarefa de sintetizar conteúdos no quadro 
para seus alunos, facilitando a visualização e explicação de certos temas em sala de aula. 
A proposta desta atividade é que você elabore um breve quadro-síntese que permita 
explicitar, por meio de palavras-chave, alguns contrastes entre as experiências de 
assentamento colonial na América inglesa. O objetivo do quadro-síntese, pensado sob o 
ponto de vista de um professor e de sua turma, é mostrar que a experiência de assenta-
mento europeu nas treze colônias foi diversifi cada e complexa. 
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Aula 11 \u2013 A formação das treze colônias inglesas na América
Nova Inglaterra Região do Chesapeake
Impulsos para a colonização
Perfi l dos imigrantes
Perfi l produtivo/econômico
Comentário
Nesta questão, é interessante que você treine sua capacidade de síntese e comparação, 
transformando o conteúdo lido em palavras-chave adequadas. No espaço relativo aos impulsos 
para a colonização, deve-se registrar o contraste entre a imigração majoritariamente impulsionada 
pelas questões religiosas, na Nova Inglaterra, e o caráter mais comercial dos empreendimentos 
de Maryland e Virgínia; quanto ao perfi l dos imigrantes, é relevante perceber as diferenças entre 
a imigração familiar (Nova Inglaterra) e a imigração de trabalhadores por contrato, na região 
do Chesapeake; já o perfi l produtivo destas regiões, no período aqui estudado, variava entre 
as atividades de subsistência e aquelas destinadas aos mercados regionais (no caso da Nova 
Inglaterra), e a produção para o mercado internacional, no caso da área do Chesapeake. 
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História da América I
CONCLUSÃO
Os ingleses não foram os primeiros