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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ
Expressão da questão Social: Origens, determinantes e propostas alternativas.
O desemprego e as consequências para a saúde mental
Manaus- AM
2017
FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ
Expressão da questão Social: Origens, determinantes e propostas alternativas.
O desemprego e as consequências para a saúde mental
Atividade Estruturada apresentada à Faculdade Estácio de Sá Unidade Djalma Batista, como parte dos requisitos da avaliação da disciplina de Introdução À Questão Social, sob a orientação da Prof ª Carla Rabelo Barrigio.
Manaus- AM
2017
O desemprego e as consequências para a saúde mental
Uma grande questão social que afeta o País é o desemprego, que atingiu níveis exorbitantes sendo considerado o recorde afetando mais de 13 milhões de brasileiros. Segundo o IBGE a taxa chegou a 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro de 2017, sendo o maior índice da série histórica iniciada em 2012. Entre as causas já conhecidas como a defasagem na educação, a falta de qualificação para atender às necessidades dos postos de trabalho, a migração da população de uma região para outra, podemos citar a causa mais evidente e no foco dos estudos que é a crise econômica e política que assola o país. Em 2015 o PIB caiu 3,8%, sendo considerado o pior índice da série histórica iniciada em 1996. Essa queda se justifica com a perda da confiança de investidores e pela instabilidade política. Em 2016 a queda foi de 3,4%, segundo dados do IBGE , queda essa ainda justificada pelo cenário político do país, de acordo com Juan Jensen, professor do INPER.
Com esse aumento no desemprego, o desequilíbrio na economia causa uma recessão cada vez pior e mesmo com todo o custo econômico que o desemprego traz para o país, o custo humano é muito pior para a sociedade, pois com o desemprego as pessoas passam a perder qualidade de vida, afetando não somente o bem estar físico, como o bem estar psicossocial. Entre os diversos problemas que são associados ao desemprego, podemos citar: a depressão, os transtornos mentais leves, baixa autoestima, além de casos de violência conjugal e familiar. Isso acontece por que ao trabalho são atribuídos diversos significados. Segundo Borges (1998) esta diversidade se deve em partes ao fato de que a tarefa de atribuir significados é carregada de subjetividade, portanto o trabalho humano comporta uma gama de sentidos que vão do individual ao social, referindo-se a subsistência, ao sentido existencial, à estruturação da personalidade e identidade do indivíduo, além de ocupar lugar de centralidade na organização societal.
Brief e Nord (1990) definem o trabalho como “o que se faz para ganhar a vida, ou se é pago para fazer”, autores como estes nos fazem notar o valor econômico do trabalho mas ao nos aprofundarmos podemos ver que em uma sociedade capitalista, ao falarmos das consequências do desemprego, falamos de perda de poder de aquisição, posição, status, ou ainda a perda dos meios de sustento de toda uma família. E assim surgem as consequências psicológicas do desemprego, as emoções negativas, como retração, isolamento social e compulsão por medicamentos ou alimentos, muitas vezes na tentativa de se afastar do problema. Como o desemprego normalmente está associado a incompetência, sentimento de culpa principalmente em homens que são o pilar de sustento de toda família, ou quando representam a maior parte da renda familiar. Para homens e mulheres adultos nessa situação, a redução na renda associada ao sentimento de culpa pode causar depressão e é tido como a causa de 1 a cada 3 suicídios. O medo da mudança é diretamente proporcional à idade, quanto mais velho, maior a dificuldade de adaptação, algumas pessoas auto sabotam de forma inconsciente a tentativa de encontrar um novo emprego. Pela postura na entrevista de emprego ou mesmo na interpretação das exigências do novo emprego, bem como suas condições e conhecimento para assumir um novo cargo.
Em jovens essa taxa de desocupação é igualmente grave, muitas vezes a falta de oportunidades de trabalho e o falta de atratividade nas escolas fazem com que os jovens se marginalizem buscando aquisições materiais para fazer parte de um grupo acabam se envolvendo em atos ilegais, como roubo, tráfico, prostituição, em busca de dinheiro de forma fácil. E isso gera uma nova questão social, as drogas, que deve ser analisada mais profundamente.
O serviço social, bem como as demais profissões voltadas ao atendimento psicossocial entra nessa questão com o objetivo de oferecer apoio, e voltar aos primórdios de quando surgiu a profissão, inicialmente para promover a caridade, e apoiar os trabalhadores que desde o surgimento do capitalismo passam por dificuldades seja com a desvalorização da mão de obra, seja com falta de emprego ou outras mazelas que atingem a população. Porém nos dias de hoje, as ações sociais não podem mais ter somente o caráter de caridade, isso desvia o assistido da condição de cidadão e de sujeito de direitos, (pois o cidadão já possui direitos adquiridos diferente de quando surgiu a profissão) e transforma-o num incapaz e necessitado da benevolência dos mais abastados, como observa José Paulo Netto em A construção do projeto ético-político do Serviço Social frente à crise contemporânea. A assistência social deve ser entendida como direito subjetivo do cidadão e dever jurídico do Estado. Apesar dos avanços legais e institucionais, permanecem excluídos das prestações assistenciais os aptos ao trabalho, atingidos pelas consequências do desemprego em nossa sociedade. Assistência social e trabalho devem estar conjugados para que o usuário seja, não apenas assistido, mas reintegrado ao mercado de trabalho e tenha garantido o acesso aos demais direitos sociais de políticas públicas. Esse seria o ideal para que a justiça e a igualdade social fossem alcançadas. O código de ética realça o compromisso do profissional com a liberdade, segundo Iamamoto compromete-se com “a defesa intransigente dos direitos humanos, a recusa do arbítrio e dos preconceitos”. E ainda garante a ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras. Ou seja, o assistente social deve atuar para garantir que os direitos fundamentais dos trabalhadores sejam garantidos, de forma a consolidar e ampliar a cidadania. Políticas públicas já existem para a reintegração do profissional ao mercado de trabalho, como qualificação profissional gratuita e ainda garantia de seguro proporcional ao tempo de serviço, bem como fundo de garantia como forma de poupança para garantir um mínimo de estabilidade, porém há muitas outras a serem conquistadas, e ate mantidas em tempos de crise econômica, para que cesse este círculo vicioso de crise econômica, crescimento de desemprego e diminuição da saúde e bem estar social dos cidadãos.
Referências 
ARGOLO, J. C. T.; ARAÚJO, M.A. D. O impacto do desemprego sobre o bem estar psicológico dos trabalhadores na cidade de Natal. Revista de administração contemporânea. Vol. 8, Curitiba. Out-Dez 2004.
BORGES, L. O. Sgnificado do trabalho e socialização organizacional: um estudo empírico entre trabalhadores da construção habitacional e de redes de supermercados. 1998,Tese ( Doutorado em psicologia social do trabalho)UNB, Brasília.
Brasil. Código de ética do/a assistente social. Lei 8.662/93 de regulamentação da profissão. - 10ª. ed. rev. e atual. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, (2012).
BRIEF, A. P., NORD, W.R. Meanings of occupationnal work. Lexington: Lexington Books, 1990.
ELÓI, J. Efeito psicológico do desemprego. 2012. Disponível em: www.psicologiafree.com
FÉLIX, C. O desemprego e as consequências sociais e psicológicas. Abril/2012. Disponível em: www.psicologia4u.com