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Resenha CERISARA, Ana Beatriz. O referencial curricular nacional para a Educação Infantil no contexto das reformas.

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EDUCAÇÃO INFANTIL
RESENHA SOBRE O TEXTO:
CERISARA, Ana Beatriz. O referencial curricular nacional para a Educação Infantil no contexto das reformas.
O texto procura abordar o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Em primeiro momento busca esclarecer as reformas educacionais que tornaram a educação infantil como um direito da criança. Na constituição de 1988, a criança além do direito obrigatório a educação passou a ser vista como um sujeito de direitos e educação infantil passa a ser considerada como parte da educação básica. 
	A educação infantil, em primeiro momento, era vista como um local com a função de cuidar e educar as crianças de forma indissociável e complementar das crianças de 0 a 6 anos, as professoras da educação infantil não possuíam uma formação especifica. Com as reformas educacionais, houve o inicio de uma profissionalização da área, sendo necessário todas as professoras terem uma formação em nível superior, buscando um trabalho com caráter educativo pedagógico adequado as necessidades da educação infantil.
	A escola se coloca como espaço privilegiado para o domínio dos conhecimentos básicos e as instituições de educação infantil se põem, sobretudo com fins de complementação à educação familiar. Portanto, a escola tem como sujeito o aluno e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas através da aula; a creche e a pré-escola têm como objeto as relações educativas travadas no espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de 0 a 6 anos de idade. 
	Em relação ao financiamento, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) é omissa, pode-se notar que a educação infantil foi marginalizada, não há nenhuma indicação a respeito do financiamento necessário para a concretização dos objetivos proclamados em relação às instituições de educação infantil. Apesar de a LDB proclamar a educação infantil como parte da educação básica, os recursos necessários a ela, são provenientes da assistência social, sendo que não há articulação alguma entre as ações da assistência social com a educação. 
	Sobre a formação dos professores houve um embate político entre dois projetos distintos, por um lado havia o projeto defendido pelo movimento organizado por educadores, que entendia a formação como parte da luta pela valorização e profissionalização e o projeto defendido pelo Conselho Nacional de Educação que propõe uma formação técnico-profissionalizante com amplas possibilidades de aligeriamento do curso de formação de professores. O princípio do aligeiramento da formação no seu sentido mais perverso, pois ao invés de capitalizar a experiência pratica da aluna, desafiando-a a aprofundar a reflexão, entende que esta seja substituível pela vivência, desarticulando a teoria da prática sob o falacioso argumento de que quem faz não precisa pensar o fazer.
A leitura nos permite uma reflexão sobre a política educacional brasileira. Primeiramente, o que está sendo realmente cumprido? De acordo com as leis as crianças de 0 a 6 anos deveriam ter direito à educação infantil, porém sabemos que as creches existentes comportam uma parcela muito pequena das crianças que tem necessidade de uma vaga. 
Outra contradição que pudemos perceber é em relação à formação de professores. De acordo com a LDB qualquer auxiliar de classe deve ser considerado professor, portanto, deve ser formado. Em primeiro lugar, vale ressaltar que isso não ocorre na prática, pois diversas escolas usam suas estagiárias para substituir professoras tanto em caso de falta, como permanentemente em algumas situações, independentemente da formação das mesmas. Ou seja, estudantes sem formação assumem classes de 30 alunos (tanto em escolas públicas, como particulares). 
Vale refletir também sobre a importância dos cursos de ensino superior na formação de professores. A partir do momento que alunos não formadas conseguem reger uma classe, melhor que muitas professoras formadas, estariam os cursos de pedagogia cumprindo seu papel de preparar seus alunos para a prática? O excesso de teoria nas faculdades estaria realmente sendo essencial na formação do repertório dos educadores e na influência para a formação de metodologias usadas em sala de aula? Já foi comprovado através de estudos que os professores não selecionam apenas um método para basear sua aula, e sim, vão vendo o que se aplica a cada criança, a cada classe, em cada momento. 
A autora defende a construção de uma “pedagogia da educação infantil”, que contemple estudos sobre as diversidades culturais das crianças brasileiras e dos direitos das crianças à educação infantil. Talvez coubesse às políticas compreender projetos que contemplassem o que realmente acontece na prática, projetos que realmente ajudassem os professores em sala de aula e que estes professores estivessem realmente formados e preparados para a prática, para saber atuar em sala de aula, e para formar cidadãos bem orientados.