Principios de Adesão em Esmalte e Dentina
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Principios de Adesão em Esmalte e Dentina


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PRINCÍPIOS DE ADESÃO EM ESMALTE E DENTINA
HISTÓRICO
1951: Primeira tentativa de se produzir um adesivo dentinário \u2013 Cavity Seal que era aplicado em dentina sob a resina acrílica Sevriton. Apresentava baixa força de adesão, ocorria falha adesiva em um curto espaço de tempo2 .
1955 \u2013 Michael Buonocore \u2013 Observou a utilização de ácido fosfórico para melhorar a adesão de tintas e resinas às superfícies metálicas. Realizou um estudo prático onde observou que aplicação de ácido fosfórico a 85% durante 2 minutos sobre o esmalte aumentava em 100 vezes a força de união de um botão de metilmetacrilato à superfície vestibular de incisivos. Esta postulação de Buonocore marca o início da Odontologia adesiva1,2,3,4,5,6.
I - Conceitos
Adesão é o estado em que duas superfícies de natureza igual ou distinta mantêm-se unidas por forças interfaciais que podem ser físicas, químicas ou pela interação de ambas (American Society for testing materials, 1983)3.
Em odontologia, significa unir a um substrato sólido (estruturas dentais) o material a ser utilizado, manifestando-se o fenômeno da adesão na interface dente - material restaurador 2.
Adesivo é um material líquido solidificado entre estes dois substratos citados, capaz de transferir a carga de um para outro por meio de ligação química ou engrenagem micromecânica2. 
Em odontologia, o mecanismo de adesão é predominantemente o da retenção micromecânica, embora alguns autores tenham sugerido a possibilidade de união química de certos componentes do sistema adesivo às fibrilas colágenas da dentina5.
Sistemas adesivos são materiais resinosos que tem por finalidade promover a adesão do material restaurador à estrutura dentária. Esse processo de união entre estruturas com moléculas diferentes denomina-se adesão. O material ou a película adicionada para induzir a adesão é conhecido como adesivo, enquanto o material ao qual este é aplicado denomina-se aderente 5. 
Força de adesão É a medida da resistência de união entre as partes aderidas, e é medida em MPa (10,4 kgf/cm2)6.
Durabilidade é o tempo em que a união permanece efetiva3.
Formas de adesão:
Adesão química: É a que acontece pela reação química entre duas superfícies em contato, quando a distância entre as moléculas é inferior à distância de Wan der Walls2.
Adesão física: É o travamento mecânico que acontece entre partes a serem unidas, podendo ser macromecânicas e micromecânicas2.
Macromecânicas: São configurações cavitárias que apresentam retenções para restaurações diretas ou encaixes para restaurações indiretas; são as retenções mecânicas dos preparos clássicos (cauda de andorinha, canaletas, sulcos de retenção, caixas, degraus)2.
Micromecânicas: É a adesão propriamente dita, produzida por dois mecanismos nos quais estão envolvidas as superfícies dentárias, os adesivos e os materiais restauradores 2.
São irregularidades superficiais que podem ter duas superfícies em contato. Quando um adesivo líquido penetra nestas superfícies e se endurece entre elas, promove um travamento2.
II - Condições para haver adesão entre um sólido e um líquido 1,2,3 
1. Fatores dependentes das superfícies (que irão receber o adesivo).
a) Energia de superfície: Quanto mais alta for a energia de superfície das estruturas dentárias, maior será a potencialidade de atrair e ser penetrada pelos materiais adesivos, e maior será sua reatividade com os adesivos.
b) Superfícies limpas e secas
Esmalte: Fácil de limpar e secar, tem alta energia de superfície.
Dentina: Dificuldades: Líquido que exsuda dos túbulos dentinários após cortados; baixa energia de superfície.
c) Recepção às uniões químicas
Tanto o esmalte quanto a dentina são estruturas receptivas às uniões químicas.
Esmalte: Radicais de hidroxiapatita
Dentina: Radicais de hidroxiapatita e das fibras colágenas (radicais carboxílicos, aminas e cálcicos).
2. Fatores dependentes dos adesivos
a) Tensão superficial - Quanto menor for a tensão superficial, maior a possibilidade de o adesivo molhar a superfície e com isto aumentar o contato, o que favorece as uniões químicas.
b) Capacidade de molhamento - Quanto menor a viscosidade do adesivo, melhor será o contato, favorecendo com isto as uniões físicas e químicas. O molhamento da superfície do adesivo é eficiente quando o ângulo de contato entre o adesivo e o aderente é inferior a 15° 3.
c) Estabilidade dimensional - O adesivo deve mudar da fase sólida para a fase líquida com pequena contração, que deve ser mantida frente às variações térmicas e tensões.
Coesão3
É a união entre átomos e moléculas do mesmo corpo.
Fratura adesiva3
A união falha entre dois corpos (adesivo e aderente).
Fratura coesiva3
Ocorre falha de adesão no interior de um dos corpos.
Fratura mista3
Ocorrem simultaneamente fratura no interior de um dos corpos e na união entre eles.
III - CLASSIFICAÇÃO DOS ADESIVOS DENTÁRIOS 2,4,5,6
Os adesivos já foram classificados por gerações, classificação também chamada de cronologia de introdução2. Sempre que era lançado um novo material no mercado, criava-se a idéia de que um novo produto ofereceria qualidades superiores aos da geração anterior; sabe-se atualmente que isso não é a realidade, havendo uma relação inversa entre a evolução dos sistemas adesivos e a melhora real de suas características adesivas ; a camada híbrida dos adesivos antes denominados de 4ª geração (atual convencional de 03 passos) apresenta uma camada híbrida mais espessa que os de 5ª geração (convencional de 02 passos), que por sua vez apresenta camada híbrida mais espessa que a formada pelos autocondicionantes (6ª e 7ª gerações)1,5,6.
Atualmente, os adesivos são classificados de acordo com a estratétigia utilizada durante o procedimento adesivo, em classificação proposta por Van Meerbeek e colaboradores, que dividiram as estratégias em 3 grupos:
1. Adesivos do tipo condicione e lave ( também conhecidos como convencionais, porque requerem condicionamento ácido prévio)
2. Adesivos autocondicionantes (assim conhecidos porque dispensam o condicionamento ácido prévio)
3. Cimentos de ionômero de vidro (reagem quimicamente com a estrutura dental)
Dentro da classificação acima, há no mercado uma variedade na composição dos adesivos que permite que sejam classificados em relação à presença de flúor, ao tipo de solvente, à presença de carga, quanto ao sistema de ativação2. 
a) Quanto ao uso de ácido fosfórico2: (adesivos do tipo condicione e lave)7
aa) Sistemas Adesivos convencionais: Aqueles que requerem condicionamento ácido prévio2,5
 - De três passos (condicionamento ácido, primer e bond)
 - De dois passos (condicionamento ácido e primer + bond em frasco único)
ab)Sistemas Adesivos autocondicionantes2,5: Aqueles que não requerem condicionamento ácido prévio
- Dois passos (Primer autocondicionante + adesivo)
- Um passo (Adesivo autocondicionante)
b) Quanto à presença de flúor2
Alguns fabricantes acrescentam flúor na composição dos adesivos, pelas propriedades já conhecidas deste material.
c) Quanto ao sistema de ativação2
Adesivos fotopolimerizáveis, adesivos quimicamente ativados e adesivos tipo dual e sistemas de adesivos fotopolimerizáveis que com a aplicação de um agente catalisador se tornam quimicamente ativados.
d) Quanto ao solvente
Os adesivos encontram-se diluídos em um solvente que pode ser água, álcool ou acetona. Os que tem água como solvente são menos sensíveis à desidratação da dentina, os adesivos com álcool podem ser mais sensíveis à desidratação da dentina5 ou não2, e os adesivos com acetona são mais sensíveis2. Os adesivos com álcool ou acetona podem ser aplicados em cavidades mais úmidas5. Todos os solventes sofrem evaporação quando o frasco é aberto, o que causa perda de fluidez, diminuindo o potencial de penetração na dentina2.
e) Quanto à carga2
São adesivos que contêm carga para dar mais elasticidade à camada híbrida, para que esta resista melhor, para absorver melhor a tensão
Beatriz
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