A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
126 pág.
Ginastica Geral

Pré-visualização | Página 12 de 29

conhecimento esportivo, cultural 
e artístico, que redimensiona o ser e estar no mundo, seja como uma prática com suas especificidades, 
proporcionando experiências únicas ao indivíduo.
4.1.14 Aspectos históricos
A história da GR mantém uma relação estreita e especial com a dança, suas manifestações rítmicas 
expressivas, o balé e a ginástica natural, nascendo como outro esporte de uma forma não regular (LLOBET, 
1998). A GR não nasceu pronta, passou por muitas transformações, desde a sua criação até hoje.
Conforme Gaio (2007), a história da GR teve influência de quatro correntes: dança, música, teatro e 
pedagogia. Apesar de terem trajetórias próprias, de alguma maneira, acrescentaram à GR características 
que foram de suma importância para seu desenvolvimento. Segundo Peuker (1973), a GR nasceu a partir 
de um movimento renovador da ginástica – foi fruto de pensamentos de vários autores. Dentre eles:
46
Re
vi
sã
o:
 K
le
be
r 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: M
ár
ci
o 
- 
06
/0
7/
20
16
Unidade I
Em relação à corrente pedagógica, podemos citar Jean Jacques Rosseau (1712‑1778), filósofo e 
pedagogo francês. Contribuiu com a educação do corpo como parte da educação total.
Na corrente das artes cênicas, temos François Chéri Delsarte (1811‑1871), francês que atuou 
na ginástica expressionista. Ele desenvolveu os exercícios com conteúdos emocionais. Essa 
modalidade se tornou uma forma de ginástica feminina, porque contribuía para a graça, a beleza 
e a expressão dos movimentos.
Na corrente da dança, temos Jean‑Georges Noverre (1727‑1810), francês que se preocupou com o 
virtuosismo e a rigidez do balé clássico.
Isadora Duncan (1898‑1927), americana, consagrou‑se pela movimentação natural e libertação do 
formalismo da dança clássica, inspirada nos movimentos da natureza, liberação do corpo e emoção.
Rudolf Laban (1879‑1958), tcheco‑húngaro, usou as coreografias para expressões do corpo, espírito 
e alma, trabalhando na liberação do corpo.
Na área da música, citamos Émile Jaques‑Dalcroze (1865‑1950), professor e compositor austríaco. 
Cooperou com a relação entre ritmo ginástico, ritmo musical e suas possibilidades de alternância.
O alemão Rudolf Bode (1881‑1970) estabeleceu os princípios da GR, os trabalhos de expressão e 
o trabalho rítmico com a utilização de aparelhos (bola). Pai da ginástica moderna, em 1991 fundou a 
escola de “ginástica rítmica”.
Heinrich Medau (1890‑1974) introduziu os aparelhos manuais na GR para aprimorar o sentido 
rítmico – trabalho com bastão, arcos e cordas.
No início dos jogos olímpicos era vedada a participação da mulher. Tubino (1992) relata que a 
mulher não podia nem assistir às competições. Começou a participar na década de 1920 contrariando 
as ideias de seu restaurador, o barão de Coubertin. Causou reações de repúdio à ideia da impossibilidade 
de participação, levando ao surgimento de modalidades esportivas somente para prática feminina, com 
o nascimento das modalidades como nado sincronizado, GR e outras.
A ginástica desportiva já era praticada desde os finais da I Guerra Mundial, embora sem que regras 
específicas tivessem sido fixadas. Muitas escolas inovaram a forma pela qual se praticavam os exercícios 
tradicionais de ginástica por meio da junção da música que exige o ritmo nos movimentos das ginastas. 
Apenas em 1946 é feita uma primeira distinção na ginástica de competição, na Rússia, quando surge 
também a designação de rítmica.
Em 1961 vários países do Leste europeu organizam um campeonato internacional dessa disciplina 
e no ano seguinte a Federação Internacional de Ginástica reconhece a nova modalidade nas suas 
regras, e em 1963 se realiza o primeiro campeonato mundial. A maior parte dos equipamentos 
utilizados atualmente foi introduzida nessa competição, com exceção da fita e das maças.
47
Re
vi
sã
o:
 K
le
be
r 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: M
ár
ci
o 
- 
06
/0
7/
20
16
GINÁSTICA GERAL
Em 1984 a ginástica rítmica faz a sua primeira aparição olímpica, embora as melhores ginastas do 
mundo, provenientes dos países do Leste europeu, não tivessem concorrido nesse ano devido ao boicote 
realizado por esses países. Em 1996 os jogos olímpicos trazem ainda outra modificação na competição, 
tendo sido introduzida a prova de grupo.
Fazem parte as seguintes terminologias:
• ginástica moderna (1963);
• ginástica feminina moderna;
• ginástica rítmica moderna (1972);
• ginástica rítmica desportiva (1975);
• ginástica rítmica (1998).
4.1.15 A ginástica rítmica no Brasil
O nascimento da GR no Brasil está ligado fundamentalmente a três nomes: Margaret Froehlich, Erica 
Saur e Ilona Peuker.
A professora Margaret Froehlich, “austríaca”, ministrou aula no terceiro e quarto cursos de 
aperfeiçoamento técnico em Santos, de 1953 a 1954.
Erica Saur atuou como assistente nesse curso e tornou‑se estudiosa do assunto – professora da UFFRJ.
Ilona Peuker, húngara, radicou‑se definitivamente no Brasil – convidada a ministrar aulas na UFFRJ 
– e teve muitas discípulas, ex‑ginastas que deram continuidade ao seu trabalho no Brasil.
A história da ginástica rítmica no Brasil é bastante recente e teve seu início marcado pela chegada 
da professora Ilona Peuker, da Hungria, que introduziu a modalidade no país. Na década de 1950, a 
professora ministrou cursos no Rio de Janeiro e criou a primeira equipe de ginástica rítmica do Brasil, o 
Grupo Unido de Ginastas.
 Saiba mais
Para termos uma ideia concreta a respeito do trabalho de Illona Peuker, 
devemos consultar o livro: 
PEUKER, I. Ginástica moderna sem aparelhos. Botafogo: Forum, 1973.
48
Re
vi
sã
o:
 K
le
be
r 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: M
ár
ci
o 
- 
06
/0
7/
20
16
Unidade I
Em 1978 foi dado um passo fundamental para o desenvolvimento da modalidade, com a criação 
da Confederação Brasileira de Ginástica e o consequente apoio da entidade à ginástica rítmica. Nessa 
mesma época, ocorreu a inclusão em alguns cursos de graduação, e a prática em alguns clubes.
A maior incidência da GR está na Região Sul, especialmente no Paraná (centro de treinamento – Londrina).
Nos últimos anos a ginástica rítmica brasileira se desenvolveu bastante, e o País detém a hegemonia 
nas Américas nas provas de conjunto, com quatro ouros nos últimos quatro Pan‑americanos, que 
valeram à equipe brasileira a classificação para as últimas três edições das Olimpíadas.
4.1.16 Provas da ginástica rítmica
O espaço oficial é de 13 m x 13 m, mas qualquer quadra, sala com um espaço livre, pode ser utilizada 
para prática, desde que preserve a segurança dos praticantes.
Na GR existem dois tipos de competições:
• individuais: quando a ginasta apresenta uma série com um aparelho que tem a duração de 1’15” 
a 1’30”;
• conjunto: quando as ginastas se apresentam em equipe, as séries compõem‑se de uma série com 
cinco aparelhos iguais (por exemplo, cinco fitas) e uma série com dois aparelhos diferentes na 
proporção de três para dois (por exemplo, três bolas e dois arcos) selecionados previamente pela 
competição. As séries são compostas de cinco ginastas oficiais e uma reserva por categoria. As 
séries têm a duração de 2’15” a 2’30”.
4.1.17 Aparelhos da ginástica rítmica feminina
Os aparelhos da ginástica rítmica feminina incluem:
• Bola
Feita de borracha ou algum material sintético, ela deve ter entre 18 e 20 cm de diâmetro e um 
peso mínimo de 400 g. A bola admite movimentos de lançamento e recuperação, ondas, círculos 
e batidas rítmicas.
• Arco
O diâmetro interno de um arco varia de 80 a 90 cm. Composto de madeira ou plástico, ele pesa 
no mínimo 300 g. É o aparelho mais completo, que reúne mais elementos corporais. Possui 
características básicas de todos os outros e, por isso, valoriza a ginasta mais completa.
49