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Ginastica Geral

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conhecemos atualmente. Também são desenvolvidos os conceitos, as definições e os benefícios que as 
ginásticas podem oferecer aos praticantes.
Na Unidade II são apresentados os fundamentos gerais da ginástica em relação à terminologia 
utilizada para a descrição e execução dos movimentos, os elementos corporais da ginástica e as 
capacidades físicas exigidas para a sua prática. São também abordadas as diferentes modalidades de 
ginástica reconhecidas pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) e as habilidades de locomoção, 
estabilização e manipulação como fundamentos básicos das ginásticas. 
A Unidade III é dedicada à compreensão da ginástica geral e aos aspectos que levaram à proposta 
da ginástica para todos. São definidos e comentados os objetivos e fundamentos desta modalidade, 
e também se aborda a Gymnaestrada, que é o encontro mundial dos grupos de ginástica para todos 
que ocorre a cada quatro anos. Por fim, revelam‑se um quadro e uma discussão que visa analisar a 
participação do Brasil na Gymnaestrada, desde a sua criação até os dias atuais.
Espera‑se que, além de informar e discutir essa importante área da formação profissional em 
Educação Física, os alunos sintam‑se preparados e motivados para a utilização desta modalidade 
em suas intervenções.
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GINÁSTICA GERAL
Unidade I
1 O UNIVERSO GINÁSTICO
A prática de atividades físicas acompanha a história da humanidade desde os seus primórdios. Já 
no período dos primeiros homens sobre a terra, nota‑se a importância do movimento e das atividades 
corporais para a manutenção de suas necessidades básicas, uma vez que, ao homem daquele período, 
era fundamental a utilização de todos os seus recursos corporais para a sobrevivência. Caçar, pescar e 
manter sua tribo em segurança faziam parte de seus afazeres cotidianos.
Ao longo da história tais recursos foram, aos poucos, perdendo sua função, e o desenvolvimento 
tecnológico a que temos acompanhado na atualidade fez que, cada vez mais, essas necessidades fossem 
sendo substituídas pela automatização, ao ponto de, nos dias atuais, não sermos capazes de imaginar 
uma sociedade sem a presença de carros, escadas rolantes, elevadores, controles remotos e todos os 
outros recursos que, a cada dia, exigem menos de nossas destrezas motoras.
 Observação
O nome ginástica vem do grego gymnastiké, que quer dizer o ato ou a 
ação de exercitar‑se para fortalecer o corpo e torná‑lo ágil e harmonioso. 
Na sociedade grega a ginástica correspondia a uma série de exercícios, 
dentre os quais a corrida, os saltos, as lutas, os lançamentos etc.
Figura 1
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Unidade I
A atividade física, para os gregos, era parte de sua cultura; principalmente para os homens gregos, 
exercitar‑se fazia parte de sua formação. Além da concepção de corpo belo e harmônico, os gregos 
associavam a prática da atividade física e do treinamento à preservação da saúde. Também necessitavam 
de um bom treinamento para tornarem‑se soldados fortes e capazes de resistir às frequentes guerras, 
que eles enfrentavam para manutenção e ampliação de seus territórios.
Figura 2
 Saiba mais
Em seu início a ginástica se caracterizava por uma série de atividades, 
que envolviam desde os jogos populares até os exercícios de treinamento 
para a guerra e também as danças e o canto. 
SOARES, C. (Org.). Imagens da educação no corpo: estudo a partir da 
ginástica francesa. Campinas: Autores Associados, 1998.
2 HISTÓRIA DO SURGIMENTO DA GINÁSTICA NA EUROPA
A ginástica, conforme a entendemos na atualidade, surge na Europa, em meados do século XIX em 
um momento em que se torna extremamente necessário que o avanço demonstrado nas demais áreas 
da sociedade atingisse as práticas de atividades físicas, visando contribuir com a crescente disseminação 
do pensamento higienista, que visa colaborar na construção de um novo homem, para os novos tempos. 
Um homem que seja viril e atlético, que seja cívico e saudável, a fim de colaborar com a formação de 
uma nova sociedade.
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GINÁSTICA GERAL
Figura 3
Torna‑se importante, neste período, que as práticas corporais se distanciem, o máximo 
possível, das manifestações populares, das festas e dos divertimentos populares. Mas, mais do 
que isso, é importante estabelecer que essas “novas” atividades, criadas e sistematizadas a partir 
de elementos científicos, percam o caráter lúdico e descompromissado, que os caracterizava 
anteriormente, para assumirem uma forma séria, rígida e de absoluta demonstração de controle 
corporal, sem abrir mão, no entanto, do conceito de beleza do gesto que tanto era importante 
para os gregos.
Nesse sentido, surgem em diferentes partes da Europa sistematizações de atividades físicas 
que correspondem às necessidades de cada um de seus contextos. A tais sistematizações 
denomina‑se método. O método é uma proposição, pautada por elementos de caráter científico, 
que visa orientar a prática da atividade de modo mais controlado e efetivo, visando otimizar 
os resultados obtidos. Os métodos das diferentes escolas europeias caracterizam‑se como 
prescrições de atividades, com caráter de singularidade, uma vez que foram elaborados com 
objetivos específicos e direcionados a determinado público, por exemplo: mulheres, alunos, 
forças militares, trabalhadores etc.
Consequentemente, o pensamento higiênico se fundamenta na medicina, na fisiologia e nas 
taxonomias dos exercícios, e na utilidade destes para a aquisição e conservação da saúde física e mental 
dos cidadãos, uma vez que, para esses pensamentos, a prática de atividades físicas relaciona claramente 
as duas práticas (“corpo são, mente sã”).
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Unidade I
Surgem então alguns métodos de ginástica que passarão a orientar as práticas dessas 
atividades naquelas sociedades. Aqui, falaremos de três dos métodos, pela colaboração que eles 
proporcionaram nos primeiros momentos da ginástica do Brasil, bem como na formação do 
pensamento ginástico brasileiro.
Conforme relata Soares (2001) a ginástica desenvolveu‑se principalmente entre os séculos XIX e 
XX no interior de clubes, associações, federações e ligas de diferentes países europeus; isso explica o 
grande desenvolvimento desta modalidade no cotidiano destas sociedades, inclusive na atualidade. Em 
diversos países da Europa, tais como França, Alemanha, Dinamarca e Suécia, a ginástica fez parte da 
educação como um importante fator de desenvolvimento e de estudos sobre o movimento humano, 
dando origem a uma imensa diversidade de elementos corporais, combinações de exercícios, uso de 
aparelhos e composições de sequências de movimentos que eram apresentados ao público em festas 
cívicas e eventos populares. Este tipo de manifestação colaborou significativamente para a divulgação e 
a massificação da prática da modalidade nestas sociedades, bem como a disseminação da ideologia da 
relação entre corpo disciplinado e mente saudável. 
Veremos a seguir um pouco sobre a história da construção e do desenvolvimento dos principais 
métodos ginásticos que impulsionaram a prática desta modalidade na Europa e que também, de certa 
forma, foram os responsáveis pela introdução da ginástica no Brasil.
2.1 As escolas europeias
2.1.1 A escola francesa
O método francês foi criado com o objetivo de moldar a moral e a resistência física dos alunos. A 
ideia é tornar a ginástica uma prática séria e rigorosa que estimule a responsabilidade e