A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
126 pág.
Ginastica Geral

Pré-visualização | Página 5 de 29

principal preocupação foi com a criação de uma ginástica “pedagógica” 
que pudesse ser amplamente desenvolvida nas instituições de ensino e que ajudasse a formar homens e 
mulheres saudáveis e fortes e com um alto teor nacionalista. Portanto, a defesa do país estaria garantida 
e o respeito a seus valores e seus símbolos também. É de sua autoria o primeiro livro publicado sobre 
a sistematização da ginástica. Para Guts Muths o aprimoramento do corpo deveria vir acompanhado 
do aperfeiçoamento da mente. Nesse sentido, o melhor lugar para que essas atividades físicas fossem 
introduzidas seria o ambiente escolar, pois assim estariam reunidas as duas principais propostas 
(formação corporal/formação intelectual) em um único ambiente. Para ele, a ginástica era uma arte e 
como tal deveria ser tratada.
O principal objetivo de Guts Muths era criar possibilidades e propostas para que a ginástica primitiva 
fosse substituída por uma metodologia mais estruturada, elaborada cientificamente e voltada para o 
desenvolvimento corporal, social e patriótico dos participantes. 
No entanto, Joahnn Friedrich Ludwig Christoph Jahn é considerado o pai da ginástica alemã. Jahn criou 
um método de ginástica que incorporou o pensamento nacionalista e alterou vários termos utilizados 
originalmente trazidos do grego para palavras de origem alemã, fazendo com isso uma valorização da 
cultura e uma adequação de seus ideais nacionalistas. Suas propostas incluíram a adaptação e a criação 
de aparelhos, já utilizados pelos treinamentos militares, que foram aplicadas às práticas cotidianas de 
seus alunos. A disciplina e a exigência técnica para a execução dos exercícios eram marcas características 
dessa proposta. Jahn acreditava que a postura e a correção corporal se refletiriam da mesma forma no 
caráter de seus alunos.
O método proposto teve grande aceitação pelos jovens alemães, que gostavam de sua proposta mais 
livre, uma vez que era possível improvisar e descobrir novos movimentos e também ensinar esses “novos” 
movimentos para os demais. O termo Turkunst corresponde à expressão que caracteriza o método criado 
por Jahn e que deu início ao que atualmente denominamos ginástica artística.
Segundo Stanquevisch (2004, p. 129) o método constituía‑se basicamente de:
[...] caminhadas pelo campo; corridas em linha reta, de resistência, de fundo 
e marcha; saltar e pular (corda, altura, profundidade, distância, com vara); 
balançar como pêndulo (deste movimento nasceram os diversos exercícios 
de salto sobre cavalo, de balanço de pernas, apoios); exercícios na barra fixa 
(balanço e sustentação); exercícios nas barras paralelas (flexão e extensão); 
escalada; arremesso; puxar e empurrar (cabo de guerra); levantar cargas 
pesadas; carregar objetos pesados; alongamento; lutas e exercícios com 
arco e com cordas longas e curtas, para pular.
19
Re
vi
sã
o:
 K
le
be
r 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: M
ár
ci
o 
- 
06
/0
7/
20
16
GINÁSTICA GERAL
 Lembrete
Guts Muths foi o criador da ginástica pedagógica na Alemanha, tendo 
elaborado a proposta da ginástica educativa e introduzido seu método no 
sistema escolar, o que fez sua prática ser ampliada significativamente.
Mas Jahn foi o grande responsável pela criação e massificação de um método de ginástica com 
aparelhos que se difundiu mundialmente de maneira inimaginável! O método é considerado completo 
por estimular todos os segmentos corporais, além das capacidades força, flexibilidade, equilíbrio e 
coordenação. Seu método originalmente propõe “obstáculos artificiais” que devem ser ultrapassados 
pelos atletas a partir de técnicas de movimentos específicas. Com o passar do tempo e o desenvolvimento 
do método, tais obstáculos passaram a ser chamados de aparelhos de ginástica (por exemplo: cavalo 
com alças, barras paralelas, argolas, barras assimétricas etc.).
Temos ainda outro grande representante da escola alemã, Adolph Spiess, que também propunha 
um método de ginástica escolar que fosse praticado diariamente a fim de contribuir na melhoria 
das condições físicas e da saúde dos alunos. Além dos exercícios propostos por Guts Muths, Spiess 
incluiria a ordem unida, as marchas e a ginástica praticada coletivamente em formações e sequências 
determinadas, como parte integrante de sua proposta. O método proposto por Spiess foi amplamente 
utilizado pelo sistema educacional alemão.
3 A GINÁSTICA
A ginástica geral surge primeiro como uma manifestação popular que visa à participação de um 
grande número de adeptos, sem que antes tenha havido alguma organização ou sistematização de 
metodologia para a sua prática. Assim, surgem primeiramente os encontros e os festivais para as 
demonstrações de seus adeptos. Somente após esses eventos é que a FIG (Federação Internacional de 
Ginástica) inicia a organização formal dessa prática.
Segundo Stanquevisch:
uma das principais características que diferem a ginástica geral das demais 
modalidades gímnicas de competição, é a amplitude de possibilidades 
que ela tem e que não limita a participação, seja por idade, sexo ou 
condição física do praticante. A metodologia de trabalho é adequada ao 
grupo, de acordo com suas individualidades, possibilitando uma forma 
adaptada dos movimentos gímnicos, favorecendo, assim, uma maior 
participação. Além disso, outros elementos podem ser privilegiados na 
composição coreográfica, tais como a utilização de material alternativo 
e adaptado (2004, p. 51).
20
Re
vi
sã
o:
 K
le
be
r 
- 
Di
ag
ra
m
aç
ão
: M
ár
ci
o 
- 
06
/0
7/
20
16
Unidade I
3.1 Conceitos e definições
O conceito de ginástica geral ou da ginástica para todos, assim como a sua denominação, também 
não tem concordância unânime. Seguem alguns exemplos:
Segundo Ayoub (2003, p. 46‑7)
a Federação Internacional de Ginástica define a GG como a atividade que 
[...] compreende a esfera da ginástica orientada para o lazer e engloba 
programas de atividades no campo da ginástica (com ou sem aparelhos), 
dança e jogos, conforme as preferências nacionais e culturais [...] Ela é em 
primeiro lugar uma atividade dentro de um contexto de entusiasmo e de 
jogo, e a participação é, sobretudo, determinada pelo prazer de praticar [...].
Para Santos (2001, p. 23)
a ginástica geral [...] é um campo bastante abrangente da ginástica, 
valendo‑se de vários tipos de manifestações, tais como danças, expressões 
folclóricas e jogos, apresentados através de atividades livres e criativas, 
sempre fundamentadas em atividades ginásticas. Objetiva promover o lazer 
saudável, proporcionando bem‑estar físico, psíquico e social aos praticantes, 
favorecendo a construção coletiva, respeitando as individualidades, em 
busca da autossuperação pessoal, sem qualquer tipo de limitação para 
sua prática, seja quanto às possibilidades de execução, sexo ou idade, ou 
ainda quanto à utilização de elementos materiais, musicais e coreográficos, 
havendo a preocupação de apresentar neste contexto aspectos da cultura 
nacional, sempre sem fins competitivos [...].
A primeira Gymnaestrada, que é o festival mundial no qual os grupos de ginástica geral se apresentam 
sem fins competitivos, somente com o intuito de demonstração e de congraçamento entre os adeptos 
dessa prática, organizada pela FIG, surge apenas em 1953 na cidade de Roterdã, na Holanda. Tal encontro, 
a princípio, contava apenas com representantes de países europeus e aos poucos passa a ser divulgado 
mundialmente e entra para o calendário oficial da federação. Falaremos mais especificamente sobre ela 
futuramente, na Unidade III.
Vale ressaltar que, ainda hoje, o desenvolvimento da ginástica geral no Brasil é bastante modesto, 
principalmente se comparado ao da Europa, que conta com uma grande participação popular nesses 
eventos. Os fatores que colaboram para esse fato são abordados