ATO, ATO JURÍDICO E ATO ADMINISTRATIVO
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ATO, ATO JURÍDICO E ATO ADMINISTRATIVO


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Direito Administrativo
Presidente Dilma nomeia Lula para a chefia da Casa Civil e juiz Sérgio Moro divulga em 16/03/2016 gravações telefônicas.
Ato, Ato Jurídico e Ato Administrativo
Antes de qualquer comentário há de se falar em priori de ato, ato jurídico e ato administrativo, entre outros tópicos, para poder versar sobre o tema proposto.
Ato é toda conduta humana decorrente de vontade, ato jurídico não difere muito de tal conceito, trata-se de conduta humana decorrente de vontade que surte efeito jurídico por estar vinculado a acontecimentos (fatos), os quais são juridicamente importantes. Quando tais atos jurídicos são importantes para o Direito Administrativo, passam a ser caracterizados como atos administrativos, no entanto, quando ato administrativo, tem algumas qualificações específicas e está sob o princípio da presunção de legitimidade.
Sob um critério objetivo, ato administrativo é aquele praticado no exercício concreto da função administrativa, seja pelo órgão executivo, legislativo ou judiciário.
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro é a \u201cdeclaração do Estado ou de quem o representa que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime de direito público e sujeita a controle do Poder Judiciário\u201d.
Já para Celso Antonio Bandeira de Melo, é a \u201cdeclaração do Estado, ou de quem lhe faz às vezes, no exercício de prerrogativas públicas (objeto maior é o interesse público sob o regime público, aplicando o direito privado em caráter supletivo), manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgãos jurisdicional\u201d.
No entanto, é necessário observar a existência (exteriorização da vontade), validade (cumprimento de exigências definidas em lei, as formalidades específicas do ato, que caso não se cumpra gera vício de legalidade e consequêntemente invalidação) e eficácia de tais atos.
Quando se fala em administração pública e ato administrativo, verifica-se dois aspectos fundamentais a serem observados, as prerrogativas (força jurídica Estatal), que são privilégios concedidos à administração a fim de assegurar o exercício de suas atividades objetivando a supremacia do interesse público e a realização do bem comum de forma proporcional ao cargo, e as sujeições, ou restrições, que é um contraposto ao qual se submete a administração e seus atos, são limites impostos em benefício dos direitos do cidadão.
Nomeação, Posse e Investidura
A Lei dos Servidores Públicos, 8112/90, regulamenta em âmbito federal o ato de nomeação, posse e investidura, entre outros.
Nomeação é a única forma de provimento originário previsto e é da alçada do chefe do Executivo, trata-se da disponibilização de um cargo a um servidor independente de relação jurídica anterior com a administração. A formalidade para estabelecer vínculo é a posse, que é a aceitação, formando-se o estatutário, o vínculo e o compromisso de servir denomina-se de investidura.
Art. 7o  A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
 Art. 8o  São formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
 Art. 13.  A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos em lei.
§ 3o  A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
Princípios 
Constituem o fundamento, o alicerce de um sistema, condicionando as estruturas subseqüentes e garantindo-lhes validade.
LEGALIDADE: com base no art. 5°, II, CF/88 \u2013 \u201cninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei\u201d. Ou seja, só pode fazer qualquer coisa se houver lei (documento) autorizando, a obrigatoriedade existe quando a lei impõe, caso não haja é proibido, diferente dos cidadãos que têm arbitrariedade, (é permitido fazer tudo o que a lei não proíbe).
A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NÃO POSSUI ARBITRARIEDADE \u2013 É ILEGAL.
IMPESSOALIDADE: qualquer pessoa que esteja trabalhando na administração pública não pode agir em benefício próprio ou de um grupo de pessoas determinadas.
Implícito neste princípio está a finalidade, que é buscar o interesse público e o da isonomia (os iguais como iguais e os desiguais nas suas desigualdades), não pode o administrador público, no desempenho de suas funções, buscar interesse privado \u2013 sempre quem atua é o Poder Público e não a pessoa que o representa.
MORALIDADE: deve o administrador, além de seguir o que a lei determina, pautar sua conduta na moral, fazendo o que for melhor e mais útil ao interesse público.
\u201cNem tudo que é legal é moral\u201d.
Não basta o cumprimento dos princípios da legalidade e da impessoalidade (finalidade e isonomia), o administrador deve agir dentro de uma conduta digna e ética.
Por ser de caráter subjetivo, quem determina se um ato é moral ou imoral é o Poder Judiciário. Caso um particular questione a moralidade, cabe ao judiciário, através de Ação Popular, determinar a imoralidade ou não do ato administrativo.
A forma mais contundente de violar a moralidade administrativa significa praticar um ato de improbidade administrativa.
Art. 37, § 4°, CF/88 - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
Atos de Improbidade Administrativa, de acordo com a Lei 8429/92:
I - que importam enriquecimento ilícito;
II - que causa prejuízo ao patrimônio público;
III \u2013 que atenta contra os princípios da administração;
PUBLICIDADE (transparência): o administrador público possui a obrigação de dar publicidade, levar ao conhecimento de todos os seus atos, contratos ou instrumentos jurídicos como um todo, desde que atinja o interesse público, essa é a regra, com o objetivo de questionar e fiscalizar para posterior petição de invalidação do ato administrativo.
Art. 5°, XXXIII, CF/88 \u2013 \u201ctodos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo em geral, que serão prestados no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado\u201d;
EFICIÊNCIA: também inserido pela EC 19/98, é relacionado à atuação do agente público e à organização, disciplina e estrutura da administração pública.
Este princípio contém a idéia de administração burocrática, uma necessidade de controles formais para manter o rumo correto da administração, através de controle de resultados e avaliações periódicas de desempenho do servidor. Atualmente, adotou-se uma idéia de administração gerencial, pois a preocupação é otimizar os resultados e reduzir custos, buscando melhor satisfação possível dos interesses públicos.
Tais princípios são regidos pelo art. 37, caput, CF/88 - são princípios constitucionais sem valor hierárquico.
\u201cArt. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (EC 19/98).\u201d
No entanto, existem outros princípios que regem a administração pública, dentre eles dois são considerados estruturais:
Supremacia do interesse público sobre o interesse privado: Fundamental para qualquer Estado existir, seja Estado Democrático ou Totalitário. Porém não se trata de uma cláusula geral que sempre dever ser aplicada, precisa ser levado em conta o interesse do particular, que quando violado necessita de um tipo de reparação.
Indisponibilidade dos interesses públicos pela administração:
A única finalidade da administração pública é cuidar dos interesses da coletividade numa espécie de gerenciamento, não podendo se dispor dos recursos da administração sem justificativa razoável.