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Anatomia

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NOÇÕES DE ANATOMIA DA MADEIRA 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A madeira é um organismo heterogêneo for- 
mado por um conjunto de células com propriedades 
especificas para desempenhar as seguintes fun- 
ções: 
⋅ condução da água; 
⋅ armazenamento e transformação de substâncias 
 nutritivas; 
⋅ crescimento; 
⋅ suporte da árvore. 
 
A anatomia da madeira é o estudo dos diver 
sos tipos de células que compõem o lenho (xilema 
secundário), suas funções, organização e peculiari- 
dades estruturais com o objetivo de: 
⋅ conhecer a madeira visando um emprego correto; 
⋅ identificar espécies; 
⋅ predizer utilizações adequadas de acordo com as 
 características da madeira; 
⋅ prever e compreender o comportamento da madei- 
 ra no que diz respeito a sua utilização. 
 
Principais características da madeira: 
⋅ faz parte diariamente de nossas vidas seja sólida, 
 compensados, mdf, painéis, fósforos, etc; 
⋅ é uma estrutura celular, possuindo condutores ± ci- 
 líndricos a base de celulose e adesivo natural (lig- 
 nina); 
⋅ é ortotrópica: apresenta 3 direções com proprieda- 
 des distintas entre si; 
⋅ é higroscópica: adquire e perde umidade em fun- 
 ção das variações de temperatura e umidade rela- 
 tiva do ar; 
⋅ é heterogênea e variável, por ser biológica, apre- 
 sentar condições de crescimento variáveis, possuir 
 nós, apresentar alburno e cerne; 
⋅ é biodegradável; 
⋅ é combustível; 
⋅ é durável na ausência de xilófagos; 
⋅ é um bom isolante térmico, mal condutora de calor. 
 O tijolo conduz 6 vezes mais, o concreto 15, o aço 
 390, o alumínio 1700 vezes; 
⋅ é um excepcional material de construção: fácil de 
 trabalhar com ferramentas simples, para massa 
 igual é mais resistente que o aço na flexão (2,6:1), 
 mais resistente ao impacto, absorve 9 vezes mais 
 vibrações. Preferível ao aço e concreto nas cons- 
 truções à prova de terremotos. 
 
2. GRUPOS VEGETAIS QUE PRODUZEM MADEIRA 
 
Duas grandes divisões são de interesse da 
anatomia da madeira por produzirem xilema secun- 
dário. Apresentando marcantes diferenças estrutu- 
rais, as gimnospermas e as angiospermas estão bo- 
tanicamente separadas em grupos distintos. 
 
2.1. Divisão Gimnospermae 
 Vulgarmente as gimnospermas são conheci- 
das como coníferas (softwood), porém constituem 
apenas um grupo dentro dessa divisão. Apresentam 
folhas geralmente com formato de escamas ou agu- 
lhas, geralmente perenes e resistentes aos invernos 
rigorosos. Possuem estróbilos unissexuais (cones). 
As sementes nuas, não são incluídas em ovários. 
 
Classe Ordem Família 
 
Cycadopsida Cycadales Cycadaceae 
 Ginkgoales Ginkgoaceae 
 
Taxopsida Taxales Taxaceae 
 
Chlamydospermae Gnetales Welwitschiaceae
 Ephedraceae 
 Gnetaceae 
 
Coniferopsida Coniferae Pinaceae 
 Taxodiaceae 
 Cupressaceae 
 Podorcapaceae 
 Araucariaceae 
 
 São de clima frio de zonas temperadas e fri- 
as, porém existem espécies tropicais. Exemplos: 
 Pinho - Pinus spp 
 Cipreste - Cupressus spp 
 Sequoia - Sequoia washingtoriana 
 Pinheiro do Paraná - Araucaria angustifolia 
 Pinheiro bravo - Podocarpus lambertii 
 Pinheiro bravo - Podocarpus sellowii 
 
2.2. Divisão Angiospermae 
 Classe Dicotyledoneae 
 São conhecidas como folhosas (hardwood). 
Apresentam flores comuns e sementes dentro de 
frutos, além de folhas comuns, largas, geralmente 
caducas. De sementes protegidas por carpelos, ao 
germinarem apresentam duas folhas ou cotilédones. 
Das milhares de espécies existentes, temos como 
exemplo a aroeira, pau d’arco, sucupira, cedro, 
mogno, pau Brasil, casuarina, brauna, freijó, etc. 
 Além das diferenças botânicas assinaladas, 
a estrutura anatômica de suas madeiras é comple- 
tamente distinta. 
 
3. ESTRUTURA MACROSCÓPICA DO TRONCO 
 
Com exceção do câmbio e a maioria dos 
raios, em um corte transversal de um tronco as 
seguintes estruturas se destacam (Figura 01): 
 
3.1. Córtex (L: cortex = casca) 
 Porção mais externa do caule ou da raiz. É 
composta por uma camada exterior morta ou inativa 
(ritidoma) cuja espessura varia com a espécie e a 
idade, e, por uma camada interior viva (floema). 
Têm importância na identificação de espécies vivas 
e protege o tronco contra agentes do meio (varia- 
ções climáticas, ataque de fungos, fogo, resseca- 
mento e injúrias mecânicas). As cascas de algumas 
espécies são exploradas comercialmente, tais como 
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 Figura 01. Seção transversal típica de um tronco. 
 
a do carvalho na fabricação de cortiça (Fig. 02), 
acácia negra, barbatimão, angico vermelho, angico 
preto, angico branco, etc., na produção de taninos. 
Enfim, em inúmeras outras utilizações, como alimen 
to para gado, extensores para colas, fármacos, 
perfumaria, etc. 
 
3.2. Raios 
 Originários das iniciais radiais do câmbio, 
tendo número e aspecto constante num mesmo 
gênero de árvores. Varia de uma a quinze células 
de largura e de algumas células a vários centíme- 
tros de altura. Porção de parênquima que percorre 
as linhas radiais cuja função é armazenar e transpor 
tar horizontalmente substâncias nutritivas. Suas célu 
las como as demais células parenquimáticas, pos- 
suem uma longevidade maior que a dos outros 
elementos anatômicos. Apresentam uma grande 
riqueza de detalhes quando observados nos cortes 
radial e tangencial, constituindo elementos importan 
tes na identificação de espécies. 
 
 
 
 Figura 02. Árvore de Carvalho, produtora de cortiça. 
 
3.3. Alburno (Latin alburnu = branco) 
 Porção externa, funcional do xilema, geral- 
mente clara (Fig. 03). Possui células vivas e mortas. 
Tem como função principal a condução ascendente 
de água ou seiva bruta nas camadas externas próxi- 
mas ao câmbio; também armazena água e substân 
cias de reserva tais como amido, açucares, óleos e 
proteínas, e produz tecidos ou compostos defensi- 
vos em resposta as injúrias. Sua permeabilidade é 
facilitada pela presença de pontuações funcionais 
não incrustadas. Sua largura varia entre espécies e 
dentro da espécie devido a idade e fatores genéti- 
cos e ambientais. Há uma forte relação positiva en- 
tre a quantidade de alburno e a quantidade de fo- 
lhas na árvore. Possui mecanismos de defesa ativo 
e passivo contra os xilófagos: o ativo é induzido por 
ataque ou ferimento e o passivo é produzido antes 
da infecção. Contêm poucos extrativos tóxicos e 
geralmente é susceptível ao apodrecimento. Aceita 
bem tratamentos com preservativos e para melho 
rar suas características tecnológicas. 
 A “zona de transição” entre alburno e cerne 
– não aparente em todas as espécies – é uma cama 
da estreita de coloração pálida, circundando regiões 
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de cerne e injuriadas. Frequentemente possui célu- 
las vivas, é destituída de amido, é impermeável a 
líquidos, com umidade mais baixa que o alburno e 
algumas vezes também a do cerne. 
 
 
 
 Figura 03. Diferentes tipos e proporções de alburno 
 e cerne na madeira. 
 
3.4. Cerne 
 É a camada interna e mais antiga do lenho, 
desprovida de células vivas e materiais de reserva. 
Em algumas espécies difere do alburno pela cor 
mais escura, baixa permeabilidade e aumento da 
durabilidade natural. Há apenas mecanismo de defe 
sa passiva contra os xilófagos, proveniente do arma 
zenamento de extrativos. Fornece suporte estrutu- 
ral, otimiza o volume do alburno e mantém o ambien 
te. O volume do cerne é cumulativo, o de alburno 
não. Ou seja, a proporção de cerne aumenta com a 
idade. 
As células de suporte e condução morrem 
após alguns dias de formadas. As camadas internas 
perdem gradativamente sua atividade fisiológica e a 
atividade parenquimática gradualmente declina ao 
afastar-se do câmbio.

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