Ética e Administração Pública
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Ética e Administração Pública


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Ética e Administração Pública - Turma 02 A
Módulo I \u2013 Ética
Ao final deste Módulo, você conhecerá um pouco do histórico da Ética e sua conceituação, e será capaz de diferenciar Ética e Moral.
Ética
Unidade 1 - Importância do estudo, histórico e conceituação 
	Nesta unidade, abordaremos os seguintes pontos:
Importância do estudo da Ética;
As raízes da Ética; e
Conceitos formais e informais.
Pág. 3 - As raízes da Ética
Por favor não estou sendo ético ao utilizar o papel A4 do órgão onde trabalho para imprimir as fotos da minha última festa de aniversário?
Por que fere a Ética dizer que é minha uma ideia nova que foi desenvolvida por outro servidor público que atua no meu setor?
E ainda: quando alguém liga e peço ao meu colega de trabalho para dizer que não estou: é uma atitude ética?
Como se pode perceber, as questões éticas estão até nas mais simples ações humanas e nas mais corriqueiras atividades profissionais. 
Ética: nas duas últimas décadas, no Brasil, temos cada vez mais nos familiarizado com essa palavra, até então quase uma ilustre desconhecida, estudada só nas universidades, e em apenas alguns cursos. Era, com frequência, acompanhada de termos filosóficos, porque entendia-se que a Ética vinha da Filosofia, e nela, principalmente nela, deveria ser estudada. 
Por isso, costumávamos ouvir, e ainda ouvimos, que a Ética surge com os gregos, notadamente com a trinca Sócrates, Platão e Aristóteles, a partir do Século IV a.C. 
Mas terá sido assim mesmo?
Pág. 4 - Importância do estudo, histórico e conceituação
Dizer que a Ética surgiu no período áureo da antiga filosofia grega é um pouco simplista. 
Na verdade, desde que o ser humano se reconheceu como racional e viu no outro um semelhante seu, a questão ética surgiu. A preocupação com o pensar e agir de modo coerente e de forma a preservar a vida está na própria humanidade. 
Evitando, porém, nos alongarmos nessa discussão, lembremos que, antes dos gregos, havia culturas milenares, do médio e extremo orientes, portadoras de grande sabedoria, que já consideravam as questões éticas em seu relacionamento social. 
Exemplos podemos encontrar, entre outras, nas civilizações egípcia, hindu, chinesa e judaica. 
No antigo Egito, civilização de mais de 6.000 anos, as atividades profissionais revestiam-se de caráter ético em todas as suas manifestações, mesmo porque eram intrinsecamente ligadas às crenças e ritos religiosos.
Os rituais da civilização egípcia, tais como a mumificação dos corpos e o colossal erguimento de pirâmides, demonstravam o reconhecimento da importância e do significado da vida como força 
Cósmica.
Os chineses, também há milênios, bem como os hindus, mantinham sua Ética baseada na cosmologia, na interação entre tudo o que existe e, por isso mesmo, na integração do indivíduo ao todo.
Essa visão de mundo conduz a profundas implicações éticas, tanto em relação à vida em sociedade quanto à simbiose homem-natureza.
No Ocidente, a tradição judaico-cristã, também de raiz oriental, foi a que mais influenciou nossa formação ética.
O Antigo Testamento apresenta extenso repertório de leis e mandamentos (inclusive o Livro das Leis e os Dez Mandamentos registrados por Moisés).
Os ensinamentos cristãos, estes baseados na vida de Jesus, moldaram eticamente, em especial, a Europa e as Américas.
Se o ser humano, muito antes do período clássico grego, já se preocupava com as questões éticas, cabe, então, repetir a pergunta e formular outra:
Por que se atribui a Sócrates, Platão e Aristóteles o surgimento da Ética? E o que isso interessa à Administração Pública?
A primeira será respondida a seguir. Quanto à segunda pergunta, será abordada um pouco mais adiante, mas já é interessante refletirmos sobre as implicações.
Pág. 5 - Fundadores da Ética
Considerá-los como legítimos \u201cpais fundadores\u201d da Ética é justificado, principalmente porque, pela abordagem das questões humanas sob uma forma radicalmente mais racional do que a de seus antecessores, eles foram determinantes para a separação entre Religião e Filosofia. 
Assim, abordada já sob o ponto de vista filosófico, a Ética descola-se das amarras religiosas, ditadas pelos deuses de então, e é vista como decorrente da racionalidade do ser humano. 
Sócrates é o primeiro dos três a aplicar a razão para chegar às questões éticas, tais como: existe algo que pode ser considerado Bem e o seu contrário, chamado de Mal? Podemos discernir no mundo e nas atitudes aquilo que é Justiça daquilo que é Injustiça? Podemos chamar de Belo aquilo cuja essência ética e equilíbrio nos encanta, comove e ilumina, e considerar Feio o inverso? 
E o principal: somos capazes de, efetivamente, agir dentro dos princípios de Verdade, Beleza e Justiça?
A aplicação da Ética na vida foi talvez a maior contribuição daquele filósofo. Tanto que, injustamente julgado e condenado à morte, os amigos e discípulos ofereceram-se para subornar os guardas e garantir-lhe a liberdade em outras terras, mas Sócrates, então, declara que não aceita, visto que contrariaria a Verdade. 
Pois bem, Sócrates foi mestre de Platão, e este, professor de Aristóteles. Daí por que as preocupações éticas foram sendo 
Progressivamente estudadas.
Observe a imagem à esquerda.
Ela reproduz parte do famoso quadro \u201cEscola de Atenas\u201d, de Rafael Sânzio. Na obra, vemos ao centro os filósofos Platão (com manto vermelho) e Aristóteles (manto azul). Como veremos a seguir, o quadro apresenta algumas importantes referências que nos levam ao tema deste curso: a Ética.
Agora, veja um detalhe da cena anterior.
Você consegue perceber que, com a mão esquerda, Platão segura um livro? 
O filósofo traz o Timeu, um dos seus famosos diálogos, cujo tema central é a Justiça. 
Com a mão direita, ele aponta para cima, indicando que essa justiça, e portanto a Ética, pode ser encontrada em estado puro somente no mundo das ideias.
Platão defendia que o homem alcançava a excelência, quando permanentemente buscava o belo, o nobre, o justo.
As implicações éticas são, portanto, bastante claras.
Em contrapartida, Aristóteles (à direita), com a mão esticada horizontalmente, representa a visão mais focada no mundo físico e no humano.
Daí por que ele - é possível ver no detalhe - segura um de seus escritos, a Ética. Ele é considerado o fundador da disciplina Ética como um dos ramos da Filosofia.
Verdade, justiça, bondade e honestidade foram temas recorrentes e aprofundados pelos gregos clássicos. 
Portanto, embora não sejam os primeiros a tratar de Ética, seguramente os três filósofos contribuíram para seu estudo, importância e aplicação à vida individual e em sociedade.
A seguir veremos como tais conceitos evoluíram. 
Pág. 6 - Conceitos formais e informais
Existem inúmeros conceitos para Ética, de acordo com abordagens mais ou menos acadêmicas. 
Vamos ver alguns? 
Existem os de tipo erudito:
"O todo da Ética é integrado pela Deontologia [deveres] e pela Diceologia [direitos]."
                                                                    (Paulo L. Netto lobo)
Outros, um tanto simples e bem humorados:
"Por que o indivíduo seria honesto no escuro?" 
(Niklas Luhmann)
Ainda há os que vão à raiz do termo:
  "Ética é termos a coragem de sermos o que realmente somos"
                                      (victor D. Sallis)
E, claro, os dicionarizados. Examinemos os verbetes dos dois mais difundidos dicionários brasileiros:
Conceito de ética, Dicionário Aurélio \u2013 Século XXI [Do lat. ethica < gr. ethiké.]
 
Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. 
Conceito de ética, Dicionário Houaiss
 
1 parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes