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Técnicas de Necropsia em pequenos animais

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INTRODUÇÃO
Necropsia ou exame post mortem é o exame externo e interno de um cadáver, com a finalidade de determinar a causa mortis (do grego nekrós = cadáver e ópsis = visão). O exame post mortem de um animal é também designado tanatopsia (do grego thanatos = morte), mortópsia e, erroneamente, autópsia, que significa "visão de si mesmo" (Silva, 1994). 
Entende-se por causa mortis do ponto de vista veterinário, as doenças, os estados mórbidos e as lesões que produziram a morte ou contribuíram para sua ocorrência. Portanto, necropsia é o capítulo da Medicina Veterinária que estuda a morte e todas as alterações com ela relacionadas: tendo como centro o cadáver e, como objetivo, descobrir a causa da morte. A necropsia consiste em apenas uma das várias etapas do chamado "exame tanatológico", que é um conjunto de exames realizados separadamente, mas intimamente coordenados, que têm por finalidade responder à uma multiplicidade de indagações que constituem verdadeiro processo diagnóstico. O exame tanatológico consiste de uma primeira etapa chamada de perinecropsia, onde se enquadram o histórico clínico e histológico do rebanho, da necrospia completa, que consiste na segunda etapa, e de exames complementares como histológico, microbiológico, parasitológico, toxicológico e outros, que constituem a terceira e última parte do exame (Moura, 2012).
Através de um exame tanatológico detalhado e um processo diagnóstico bem conduzido, o médico veterinário poderá obter êxito e a conclusão final almejada. No entanto, nem sempre é possível alcançar o diagnóstico da causa mortis: há os exames denominados "brancos", das chamadas "mortes sem rastro". Entende-se por "necropsias brancas" aqueles casos que não fornecem elementos suficientes para o diagnóstico. Nestes casos, o patologista deve declarar no relatório que não foi possível determinar a causa da morte, que é a única atitude coerente e defensável do ponto de vista científico. Com uma certa freqüência, não se consegue determinar o diagnóstico anátomo-patológico (macroscópico) porque:
a) Não há lesão macroscópica em razão-de exclusiva ação protoplasmática, enzimática ou sobre mediadores químicos do agente;
b) As lesões são inespecíficas e comuns a muitos agentes químicos, físicos, biológicos e até mesmo mecânicos.
Para a realização de um exame necroscópico em condições adequadas, é necessário que certos requisitos sejam preenchidos:
1) O tempo decorrido entre a morte do animai e a necropsia deve ser o "menor possível, para as alterações que ocorrem no cadáver após a morte não se desenvolvam a ponto de dificultar ou mascarar a interpretação das lesões que ocorreram no animal ainda vivo;
2) O ideal é que as necropsias sejam realizadas (de preferência em mesas com escoamento de líquidos e munidas de pias com torneiras de água corrente), embora possam ser realizadas em qualquer local que for possível, dadas as circunstâncias;
3) É imprescindível que as necropsias sejam realizadas em condições de boa iluminação (luz natural ou luz artificial adequada);
4) O veterinário (técnico) e seu auxiliar devem ser adequadamente protegidos;
5) O local e o material empregado devem ser rigorosamente higienizados durante e após a necropsia;
6) A necropsia deve ser sempre realizada em sua plenitude (evitar a realização de "necropsias induzidas") (Silva, 1994).
MATERIAL PARA NECROPSlA
O material a se utilizar em uma necropsia é variável de caso para caso, considerando-se as características das diferentes espécies animais e a própria disponibilidade do material. No entanto, deve-se contar com uma lista mínima de materiais para se realizar uma necropsia adequada, que são:
a) luvas de látex e botas de borracha
b) aventais de plástico ou de pano;
c) facas e tesouras bem amoladas;
d) pinças;
e) enterótomo;
f) costótomo;
g) machadinha;
h) serra manual ou elétrica;
i) fios;
j) réguas métricas;
k) vidros de boca larga com líquidos fixadores (normalmente formol) (Moura, 2012).
PREPARO DO MÉDICO VETERINÁRIO E DO SEU ASSISTENTE
O veterinário e seu assistente devem-se preparar para a realização de uma necropsia de maneira conveniente, para evitar seu possível contágio com algum agente infeccioso e evitar acidentes. Para isso devem, em primeiro lugar, verificar se possuem alguma solução de continuidade na pele que poderá entrar em contato com humores do cadáver em questão (feridas, escoriações, etc.). Se houver, deve-se ter o máximo de cuidado em se proteger ou então, se possível, deixar que outra pessoa pratique a necropsia. Os profissionais envolvidos deverão usar luvas, botas de borracha, macacões, aventais longos e até mesmo máscara, se julgarem necessário, para se proteger. As luvas utilizadas devem ser preferencialmente de látex, justas e finas, para que interfira o mínimo possível no tato de quem as usar. O final da necropsia, o veterinário e seu auxiliar devem realizar uma rigorosa higiene das mãos e, se possível, tomar um banho de chuveiro. As roupas e aventais utilizados devem ser lavados separadamente e de preferência, em soluções anti-sépticas (por exemplo em água sanitária). Por esse motivo, o ideal é que as roupas utilizadas sejam preferencialmente brancas e de uso exclusivo para esse fim.
IMPORTÂNCIA DA NECROPSIA NA MEDICINA VETERINÁRIA
 Auto-avaliação
A necropsia pode ser utilizada pelo médico-veterinário como meio de avaliação do seu desempenho clínico, esclarecendo dúvidas quando o paciente vem aóbito (mortui vivos docent = os mortos ensinam os vivos). Os achados post mortem juntamente com os sintomas clínicos podem confirmar um diagnóstico duvidoso ou fechar o diagnóstico em casos onde o paciente apresentou sintomas inespecíficos, comuns a várias doenças. Nesses casos, a análise histopatológica de material coletado durante a necropsia, muitas vezes é imprescindível para chegar-se ao diagnóstico. Como forma de auto-avaliação, a necropsia constitui uma das maiores e mais despercebidas fontes de aprendizado (UFMG, 2013).
Conduta profilática
A necropsia toma-se imperiosa é uma ferramenta através da qual se obtêm informações anatomo-patológicas e epidemiológicas importantes, que permite ao médico-veterinário traçar medidas sanitárias para evitar a propagação de doenças (UFMG, 2013).
Elevação do conceito profissional
Um profissional capaz de conduzir adequadamente uma necropsia e interpretar corretamente seus achados, tem seu conceito elevado perante o proprietário do animal e perante seus colegas de profissão, por demonstrar interesse, técnica e conhecimento (UFMG, 2013).
 Medicina veterinária legal
O médico-veterinário multas vezes é solicitado para dar seu parecer em situações litigiosas, especialmente quando há suspeita de intoxicações criminosas. Nesses casos, a necropsia é uma ferramenta de grande auxílio, e durante sua execução, deve ser colhido material para exame toxicológico, devendo-se ter cuidado para não tirar conclusões precipitadas (UFMG, 2013).
TÉCNICA DE NECROPSlA
Procedimentos Preliminares
Antes do inicio da necropsia, deve-se fazer a descrição completa do animal de maneira que não haja risco de contestação sobre sua identidade. Essa etapa deve ser realizada antes que a dissecação modifique o aspecto externo característico do animal, e consiste de identificação completa constando espécie, raça, sexo, idade, aspecto de pêlos ou penas quando houver, nome e/ou número de registro, proprietário, procedência, endereço, telefone, data e hora da morte e do início da necropsia. Igualmente, antes de iniciar a dissecação, deve-se recolher com a maior precisão possível, dados referentes ao histórico clínico do animal (início dos sintomas, tipos de sintomas, evolução, número de animais afetados, número de animais ainda sadios, características dos animais doentes, tratamentos utilizados etc.) (Silva, 1994).
 Exame externo
Toda necropsia deve iniciar pelo exame externo, que possui o mais alto valor, independentemente do objetivo final da necropsia. Multas vezes o exame externo fornece orientações,