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493397_O USO DE ORGANIZADORES TEXTUAIS NA COMPOSIÇÃO DO TEXTO ESCRITO

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O USO DE ORGANIZADORES TEXTUAIS NA COMPOSIÇÃO DO TEXTO ESCRITO
	Um texto não é uma unidade construída por uma soma de sentenças, mas pelo encadeamento semântico delas, criando, assim, um tecido que possa fazer sentido numa determinada situação de interlocução.
	Quando escrevemos um texto, procuramos sinalizar para o leitor as relações que estabelecemos entre as idéias. Para isso, usamos vários recursos linguísticos que organizam o que está sendo dito. São os chamados organizadores textuais. Boa parte desses recursos são apresentados, na gramática normativa, como conectivos. É importante destacar, no entanto, que a gramática normativa limita-se a discutir o emprego desses conectivos no interior das frases. No entanto há expressões que cumprem funções de organizar porções maiores do texto, tais como:
a) aquelas que anunciam a posição do autor diante do que está sendo enunciado: “na minha opinião”, “penso que”, “acho que”, “pessoalmente”, “no meu ponto de vista” , “indubitavelmente”, ”realmente”, “com certeza”, “parece-me que”, “provavelmente”, “infelizmente”; 
b) aquelas que apresentam o fechamento, a conclusão do texto: “consequentemente”, “por conseguinte”, “assim”, “então”, “desse modo”;
c) aquelas que articulam o texto como um todo (grupos de períodos, parágrafos, partes maiores do texto): “em primeiro lugar (...) em segundo lugar (...) finalmente”, “por um lado (...) por outro lado”
Nossa proposta, aqui, é mostrar, portanto, que a função dos organizadores textuais é mais ampla, uma vez que podem estabelecer relações não só no interior das frases, mas também entre parágrafos. Vejamos o emprego de alguns organizadores em um texto opinativo. 
Depois da água, por que não o ar?
O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade e à qualidade de suas águas, mas, se não fizermos boas campanhas educativas para a população, logo perderemos esse privilégio.
Em nossa opinião, já manifestada em artigos anteriores, as campanhas são necessárias porque muitas pessoas desperdiçam água lavando calçadas diariamente, não consertando torneiras que vazam e passando muito tempo nos chuveiros.
Nem todos são favoráveis às campanhas educativas. Para alguns economistas, a solução é aumentar o preço da água. Pensamos que isso seria um verdadeiro absurdo, pois o preço da água brasileira é um dos mais altos do mundo! Por outro lado, mesmo pagando caro, os brasileiros continuam desperdiçando água.
Todos sabemos que seria impossível viver sem água. Então, a solução melhor é fazer campanhas educativas que ajudem a conscientizar a população, mostrando a todos que a água é um recurso que pode se esgotar com o mau uso.
(Adaptado de Antônio Ermínio de Moraes: Folha de S. Paulo: Opinião – 24/03/02)
1) Qual é a posição do autor em relação ao tema?
2) Quais os argumentos apresentados para sustentar sua posição?
3) No desenvolvimento de sua argumentação, o autor antecipa e contesta outros argumentos. Explique.
4) Que estratégias são usadas na construção da conclusão? 
Observe que o autor escreve seu texto na primeira pessoa do plural. Que efeitos discursivos busca alcançar com essa estratégia?
O uso da primeira pessoa do plural constitui uma tentativa de envolvimento do leitor, buscando adesão à argumentação em curso. 
O uso desse expediente pode criar também o efeito de pertencimento ao grupo de pessoas que partilham a mesma posição em relação ao problema abordado. Em outras palavras, cria-se a ideia de que há muitas outras pessoas que compartilham dessa mesma opinião (“Em nossa opinião”..., “Pensamos que”..., “Todos sabemos”...). Podemos dizer, portanto, que esse procedimento aumenta a força de persuasão de seus argumentos.
ARTICULAÇÃO DO TEXTO
O autor abre o segundo parágrafo do texto com a expressão “Em nossa opinião”, a qual sinaliza um vínculo com o primeiro e lhe permite anunciar com clareza a sua posição diante do que será dito em seguida.
Os conectivos mas, porque, pois, então , empregados no primeiro, segundo, quarto e quinto parágrafos respectivamente, articulam os argumentos que introduzem e estabelecem uma relação lógica entre os enunciados:
MAS (relação de oposição) – “O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade e à qualidade de suas águas, MAS (...) logo perderemos esse privilégio”.
PORQUE, POIS (relação de causalidade) – ...”as campanhas são necessárias PORQUE muitas pessoas desperdiçam água”... “Pensamos que isso seria um verdadeiro absurdo, POIS o preço da água brasileira é um dos mais altos do mundo!”
ENTÃO (relação de conclusão) – “Todos sabemos que seria impossível viver sem água. ENTÃO, a solução melhor é fazer campanhas educativas”...
O articulador ENTÃO, ao mesmo tempo em que cumpre a função de articular dois períodos, apresenta a conclusão do texto, ou seja, anuncia o fechamento do raciocínio do autor através da retomada de sua tese inicial, reafirmando-a: ...se não fizermos boas campanhas educativas para a população (primeiro parágrafo); ENTÃO, a solução melhor é fazer campanhas educativas que ajudem a conscientizar a população... (último parágrafo).
Observe o emprego da expressão “por outro lado” no quarto parágrafo do texto. Essa expressão atua na organização dos argumentos, ligando partes maiores do texto. Esse organizador textual nos faz perceber a relação entre a antecipação do argumento dos economistas (a solução é aumentar o preço da água.), no terceiro parágrafo, e a contestação desse possível argumento pelo autor do texto no quarto parágrafo: “Por outro lado, mesmo pagando caro, os brasileiros continuam desperdiçando água”. 
Análise adaptada de: 
DUTRA, Vânia L. O texto de opinião no ensino fundamental. Disponível em: http: //www.filologia.org.br/ixcnlf/10/13.htm. Acesso em 20/05/2009.
	Como podemos observar, na análise do texto de Antonio Ermírio de Moraes, os organizadores textuais contribuem para marcar as articulações entre diferentes níveis da organização do texto. Platão & Fiorin (1999) apresentam alguns organizadores e suas respectivas funções:
	ORGANIZADORES TEXTUAIS
	FUNÇÕES
	E, também, ainda, nem, não só ... mas também, tanto ... como, além de, além disso, a par de
	ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão.
	Ou, ou então, quer ... quer, seja ... seja, caso contrário
	introduzem argumentos que levam a conclusões opostas.
	Portanto, logo, por conseguinte, pois (posposto ao verbo)
	marcam uma relação de conclusão.
	Tanto ... quanto, tão ... quanto, mais ... (do) que, menos ... (do) que
	estabelecem uma comparação de superioridade, de inferioridade ou de igualdade entre dois elementos, sempre com vistas a uma conclusão a favor ou contra.
	Porque, já que, pois, uma vez que
	introduzem uma explicação ou justificativa ao que foi dito no enunciado anterior.
	Mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, embora, ainda que, mesmo que, apesar de que
	contrapõem enunciados de orientação argumentativa contrária.
	Aliás, além de tudo, além disso, ademais
	introduzem um argumento decisivo, apresentado como um acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário.
	Por exemplo, como
	especificam ou exemplificam o que foi dito anteriormente.
	Ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras, em outros termos
	introduzem uma correção, um esclarecimento, um desenvolvimento ou uma redefinição do conteúdo do primeiro enunciado, atenuam ou reforçam seu conteúdo de verdade.
	Assim, desse modo, dessa maneira
	servem para introduzir uma explicitação, uma confirmação ou uma ilustração do que foi dito antes.
	Depois, meses depois, uma semana antes, um pouco mais cedo, etc.
	marcam a sequência temporal.
	À esquerda, atrás, na frente
	marcam a ordenação espacial.
	Primeiramente, em seguida, a seguir, finalmente
	servem para especificar a ordem dos assuntos no texto.
	A propósito,

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