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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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strictu sensu (mera culpa): o agente pratica o ilícito com a ausência do dever de cuidado, gerando as 
seguintes espécies: 
 
– negligência – a conduta é caracterizada pelo desleixo; 
– imprudência – a conduta é omissiva; – imperícia – é a falta de habilidade técnica. 
 
Diante do tema abordado, constata-se a existência de uma classificação referente à graduação, em que a culpa 
poderá ser: grave em razão do erro grosseiro, leve diante de falta evitável e, ainda, levíssima ante a falta de 
atenção extraordinária. Sendo a indenização obrigatória em qualquer um desses graus (in lege Aquilia et 
levissima culpa venit). 
 
2.2.1. Espécies de culpa strictu sensu 
 
a) contratual – violação de um dever jurídico originariamente estabelecido; 
b) extracontratual ou aquiliana –aquela que ocorre sem qualquer estabelecimento de relação jurídica originária; 
c) in comitendo – em cometer, culpa por agir com imprudência; 
 
 
 
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d) in omitendo –culpa em omitir; 
e) in vigilando – culpa pela vigilância; 
f) in eligendo – culpa pela escolha; 
g) in custodiando – culpa pela custódia, por guardar; 
h) presumida – a culpa, nesse caso, é essencial para o dever de reparar, geralmente a lei já faz o juízo de 
presunção, não sendo a mesma adotada pelo CC/02, e, nas situações de previsão em leis esparsas, a doutrina 
entende que se considera caso de responsabilidade objetiva; 
i) concorrente –hipótese em que o agente e a vítima contribuem para a prática do evento danoso, sendo 
devida, segundo a doutrina, a divisão proporcional dos graus de culpa entre eles. 
 
2.3. Dano 
 
As espécies de dano existentes são: material, moral, estético, coletivo e social e a perda de uma chance. 
 
2.3.1. Espécies 
 
2.3.1.1. Dano material 
 
Trata-se de uma efetiva lesão patrimonial, podendo ser total ou parcial, suscetível de avaliação pecuniária. 
 
2.3.1.1.1. Danos emergentes e lucros cessantes 
 
a) danos emergentes – do latim damnum emergens, significa a perda efetivamente sofrida; 
b) lucros cessantes – atinge o patrimônio futuro (ganho esperável), impedindo seu crescimento. 
 
2.3.1.2. Dano incerto 
 
Segundo entendimento do STJ, não se pode indenizar um dano incerto, em razão da própria natureza da 
responsabilidade civil, que é a efetiva reparação de dano causado ao patrimônio. 
 
2.3.1.3. Dano material futuro 
 
Inexiste a possibilidade desta modalidade, uma vez que somente se pode exigir reparação por danos causados 
e não por danos a causar, isto é, que poderão acontecer futuramente, inexistindo lesão patrimonial. 
 
2.3.1.4. Dano moral 
 
É uma espécie de dano, extrapatrimonial, por violação aos direitos inerentes à pessoa, contidos nos direitos da 
personalidade. 
 
Atenção: V Jornada de Direito Civil: Enunciado n. 445 – “Art. 927. O dano moral indenizável não pressupõe 
necessariamente a verificação de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimen- 
to.” 
 
2.3.1.4.1. Formas de fixação 
 
2.3.1.4.1. Compensatório 
 
São analisados dois requisitos concomitantemente: extensão do dano + condições pessoais da vítima. 
 
Atenção: Sobre o tema, observe os Enunciados da VII Jornada de Direito Civil: 
 
Art. 927 – O patrimônio do ofendido não pode funcionar como parâmetro preponderante para o arbitramento 
de compensação por dano extrapatrimonial. (Enunciado n. 588) 
 
Art. 927 – A compensação pecuniária não é o único modo de reparar o dano extrapatrimonial, sendo admitida 
a reparação in natura, na forma de retratação pública ou outro meio. (Enunciado n. 589) 
 
 
 
 
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2.3.1.4.2. Punitiva 
 
Neste outro ponto, existem dois requisitos: condições econômicas + grau de culpa do ofensor. 
 
2.3.1.4.2.1. Punitive damages 
 
Traduzido para a língua portuguesa, danos punitivos, seria aquilo que a doutrina chama de “dano moral 
punitivo”. Defende-se o entendimento de que tal instituto seja possível se o juiz entender que diante da 
proporcionalidade entre a culpa e o dano é cabível indenização com o objetivo de punir o agente pela prática. 
 
Todavia, parte da doutrina possui posicionamento diverso, interpretando que se inexiste previsão no CC/02, 
logo, não é possível ser adotado, sob pena de configurar enriquecimento sem causa como disposto no artigo 
884 do CC. 
 
2.3.1.4.2. Dano moral direto e indireto ou ricochete 
 
Ocorre o dano moral direto quando o ofendido é diretamente atingido nos seus direitos da personalidade. O 
sofrimento, a dor e o trauma provocados pela morte de um ente querido podem gerar o dever de indenizar. 
Assim tem se posicionado o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao julgar os pedidos de reparação feitos por 
parentes ou pessoas que mantenham fortes vínculos afetivos com a vítima. Tratase de dano moral reflexo ou 
indireto, também denominado dano moral por ricochete. 
 
Atenção: Observe os Enunciados n. 552 e 560 da VI Jornada de Direito Civil: 
 
Constituem danos reflexos reparáveis as despesas suportadas pela operadora de plano de saúde decorrentes 
de complicações de procedimentos por ela não cobertos. 
 
No plano patrimonial, a manifestação do dano reflexo ou por ricochete não se restringe às hipóteses previstas 
no art. 948 do Código Civil. 
 
2.3.1.4.3. Dano moral à pessoa jurídica 
 
Não é pacífico o ponto de vista da matéria abordada, sendo majoritário o entendimento de que é possível que 
a pessoa jurídica possa sofrer dano moral, conforme dispõe a Súmula n. 227 do STJ: “A pessoa jurídica pode 
sofrer dano moral.” 
 
2.3.1.4.4. A não possibilidade de incidência de imposto de renda 
 
O dano moral é uma recomposição de lesão, ainda que extrapatrimonial, e por tal motivo a sua indenização 
não significa um acréscimo patrimonial, não incidindo desse modo no imposto de renda sobre as verbas 
recebidas a título de ressarcimento pelos danos causados. 
 
2.3.1.4.5. Dano moral coletivo e social. Diferenças. Posicionamento da jurisprudência do STJ 
 
O dano moral coletivo é a lesão extrapatrimonial aos direitos da personalidade de um determinado grupo, como, 
por exemplo, discriminação sexual, etnia, religião, dentre outras. Já o dano moral social envolve a sociedade, 
ou seja, um grupo indeterminado, não se podendo medir a quantidade de pessoas lesionadas. Um grande 
exemplo, a ação civil pública movida pelo MPF/SP, em face da Rede TV, por ter entrevistado ao vivo a vítima 
Eloá no cativeiro momento antes de seu assassinato. Nesta ocasião, foi impossível medir a quantidade de 
pessoas no país que estavam assistindo ao programa, sendo indiscutível, ainda, a exposição da vítima em rede 
nacional, argumentos estes objetos da discussão nos autos do processo n. 2008.61.00.029505-0, distribuído 
perante a 6ª Vara Federal Cível de São Paulo. 
 
2.3.1.4.6. Prova do dano moral 
 
Segundo entendimento pacífico do STJ, o dano moral é chamado de in re ipsa (presumido), ou dano na própria 
coisa, bastando demonstrar unicamente o fato. 
 
Atenção: Sobre o tema veja os Enunciados da V e VII Jornadas de Direito Civil: 
 
 
 
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Art. 944. Embora o reconhecimento dos danos morais se dê, em numerosos casos, independentemente de 
prova (in re ipsa), para a sua adequada quantificação, deve o juiz investigar, sempre que entender necessário, 
as circunstâncias do caso concreto, inclusive por intermédio da produção de depoimento pessoal e da prova 
testemunhal em audiência (Enunciado n. 455). 
 
Art. 927. O dano à imagem restará configurado quando presente a utilização indevida desse bem jurídico, 
independentemente da concomitante lesão a outro direito da personalidade, sendo dispensável a prova do 
prejuízo do lesado ou do lucro do ofensor para a caracterização do referido dano, por se tratar de modalidade 
de dano in re ipsa. (Enunciado

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