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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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n. 587) 
 
2.3.1.4.7. A quantificação dos danos morais 
 
No momento de fixar o quantum debeatur, o magistrado deverá estabelecer uma reparação equitativa, baseada 
na culpa do agente, na extensão e na gravidade do prejuízo causado, bem como na capacidade econômica 
das partes. A indenização deve apresentar um critério de razoabilidade, proporcionalidade e ao mesmo tempo 
necessária à condenação do agente. 
 
Atenção: Sobre o tema: 
 
Art. 944. A redução equitativa da indenização tem caráter excepcional e somente será realizada quando a 
amplitude do dano extrapolar os efeitos razoavelmente imputáveis à conduta do agente (Enunciado n. 457 da 
V Jornada de Direito Civil). 
 
Art. 944. O grau de culpa do ofensor, ou a sua eventual conduta intencional, deve ser levado em conta pelo juiz 
para a quantificação do dano moral (Enunciado n. 458 da V Jornada de Direito Civil). 
 
A quantificação da reparação por danos extrapatrimoniais não deve estar sujeita a tabelamento ou a valores 
fixos (Enunciado n. 550 da VI Jornada de Direito Civil). 
 
2.3.1.5. Dano estético 
 
É a efetiva lesão à integridade corporal da vítima e, podendo ser indenizável, o dano deve ser duradouro ou 
permanente ou, em alguns casos, impedir as capacidades laborativas. 
 
O STJ sumulou o seu entendimento no verbete n. 387, em que: “É lícita a cumulação das indenizações de dano 
estético e dano moral.” 
 
2.3.1.6. Perda de uma chance 
 
Ocorre quando a vítima possui uma chance séria e real, englobando tanto o dano moral quanto o material. 
Exemplificando: nas Olimpíadas de Atenas em 2004, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima estava 
liderando a prova, até que por volta do 36º km de prova, um padre irlandês o empurrou desconcentrando-o e 
retirando o ritmo da prova, fazendo com que o atleta conquistasse apenas o bronze. 
 
Outro grande exemplo de perda de uma chance foi caso no programa “Show do Milhão” (REsp. n. 788.459/BA), 
em que foi questionada ao participante uma pergunta que não possuía resposta correta. Nesse sentido, o STJ 
entendeu por reduzir a indenização para o valor de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais) de acordo 
com a probabilidade matemática de o participante acertar, o que, data vênia, saiu de graça para quem teria o 
dever de pagar um milhão de reais. 
 
2.4. Nexo causal 
 
É o vínculo ou relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado, existindo diversas teorias, sendo adotada 
pela jurisprudência a Teoria do Dano Direto e Imediato. No entanto, é essencial listar as principais teorias 
existentes: 
 
 
 
 
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– Teoria da equivalência das condições/conditio sinequa non – nesta teoria não há diferença entre os 
antecedentes do resultado danoso, de forma que tudo irá concorrer para o evento considerado causador. Ela 
não é adotada em nosso ordenamento. 
– Teoria da causalidade adequada – adotada pelo CC/02 nos artigos 944 e 945, para esta teoria, considera-
se como causa todo e qualquer evento que haja contribuído para a efetiva ocorrência do resultado. Portanto, 
para que ela possa ser adotada, deve-se estar diante de uma causa adequada e apta à efetivação do resultado. 
– Teoria do dano direto e imediato – segundo essa teoria, será indenizável todo o dano que se filia a uma 
causa, ainda que remota, desde que necessária, encontrando respaldo no artigo 403 do atual Código Civil. 
 
2.4.1. Concorrência de causas 
 
a) Subsequentes – é causado pela prática de conduta oriunda de um ato fundamentando por prática posterior. 
b) Complementares – é gerado pela a prática da conduta de dois ou mais agentes que, sem a ajuda do outro, 
não seria atingido o fim pretendido. 
c) Cumulativas – não haveria necessidade da conduta dos agentes somarem-se, em razão de que ambas 
atingiriam o objetivo-fim da mesma maneira. 
d) Alternativas – não há como definir o agente causador do dano. 
e) Preexistentes – a conduta do agente por si só não atingiria o resultado-fim se já existisse outra causa. 
f) Concomitantes – são causas geradoras do dano que são produzidas ao mesmo tempo. 
g) Supervenientes – surgem após o evento danoso. 
 
3. O risco 
 
Há diversas espécies de risco dispostas no ordenamento jurídico, devendo ser mencionadas as principais: 
 
– risco proveito – todo ônus deve ser suportado por quem recebe o bônus; 
– risco profissional – deriva das relações de trabalho; 
– risco excepcional – origina-se de atividades que exigem elevado grau de perigo; 
– risco integral – modalidade mais elevada de responsabilidade objetiva por não admitir exclusão de 
culpabilidade, em razão de o agente ser o responsável universal, adotado excepcionalmente no ordenamento 
jurídico nas seguintes formas: 
– dano ambiental: art. 225, § 3º, CF/88 c/c o art. 14, § 1º, da Lei n. 6.931/81, defende que o dano ambiental 
deverá ser reparado independentemente de culpa; 
– seguro obrigatório – DPVAT: Lei n. 6.194/74 com posterior alteração pela Lei n. 8.441/92 estabelece 
indenização às vítimas de acidente de veículos automotores independente de culpa ou de identificação do 
veículo automotor; 
 
Atenção: 
 
Súmula n. 405, STJ: “A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) prescreve em três anos.” 
 
Súmula n. 426, STJ: “Os juros de mora na indenização do seguro DPVAT fluem a partir da citação”. 
 
Súmula n. 474, STJ: “A indenização do seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário, será paga 
de forma proporcional ao grau da invalidez”. 
 
Súmula n. 540: “Na ação de cobrança do seguro DPVAT, constitui faculdade do autor escolher entre os foros 
do seu domicílio, do local do acidente ou ainda do domicílio do réu.” 
 
Súmula n. 544: “É válida a utilização de tabela do Conselho Nacional de Seguros Privados para estabelecer a 
proporcionalidade da indenização do seguro DPVAT ao grau de invalidez também na hipótese de sinistro 
anterior a 16/12/2008, data da entrada em vigor da Medida Provisória n. 451/2008”. 
 
– danos nucleares – art. 21, inciso XXIII, “d”, CF, responsabilidade civil por danos nucleares, na qual também 
foi adotada a teoria do risco integral. 
 
4. Responsabilidade por ato próprio 
 
Transcorre por ato do próprio agente, ora causador do dano. Está disposta nos artigos 939 e 940 do CC. 
 
 
 
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Conforme o primeiro dispositivo, quem demandar judicialmente contra devedor antes de vencida a dívida, fora 
dos casos em que a lei o permita, ficará obrigado a aguardar o vencimento, bem como pagar as custas em 
dobro, sendo obrigado ainda a descontar os juros, por serem, até o momento, indevidos. 
 
Já o segundo dispositivo, quem demandar judicialmente por dívida já paga, ainda que somente parte desta, 
ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado. E, ainda, se litigar sem 
ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor o 
equivalente do que dele exigir. Em ambos os casos, fica ressalvado se já tiver ocorrido a prescrição. 
 
A diferença entre o artigo 940 do Código Civil e o parágrafo único do artigo 42 da Lei n. 8.078/90, é que o 
primeiro somente é aplicável a cobranças judiciais e o segundo, a todas as judiciais e extrajudiciais. 
 
5. Responsabilidade por ato de outrem ou responsabilidade indireta 
 
De acordo com os ditames do artigo 932 da norma civilista, é o caso que terceiros praticam o ilícito e o 
responsável legal responde pelo fato, isto é, responde (Haftung) mesmo sem ter contraído o débito (Schuld). O 
CC/02 adotou para esses casos a responsabilidade objetiva, conforme redação do artigo 933. 
 
A responsabilidade solidária prevista no artigo 942 da lei civil é aplicável nos casos dos incisos III, IV e V do 
artigo 932. 
 
 Os pais irão responder pelos atos dos filhos que estiverem sob sua guarda

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