A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
43 pág.
RESPONSABILIDADE CIVIL 2

Pré-visualização | Página 2 de 18

mora, poderá o vendedor propor ação de cobrança ou 
busca e apreensão para recuperar a posse do bem. 
 
 
 
www.cers.com.br 4 
 
d) Venda sobre documentos ou trustreceipt – por intermédio dos arartigo 529 ao 532, verifica-se a venda em 
que a tradição da coisa é substituída pela entrega de um título que a representa. 
 
2. TROCA OU PERMUTA (art. 533 do CC) 
 
2.1. Conceito 
 
Nessa modalidade contratual prevista no artigo 533 da lei civil, as partes pactuam suas obrigações, 
remunerando-se, através da compensação dos ofícios estabelecidos por cada uma delas. Difere do contrato 
de compra e venda, pois na permuta a contraprestação é feita pelo pagamento de um preço em dinheiro. 
 
2.2. Natureza jurídica 
 
a) Contrato bilateral ou sinalagmático – apresenta, reciprocamente, deveres para ambas as partes, que se 
obrigam a dar uma coisa recebendo outra diferente de dinheiro. 
b) Contrato comutativo – as partes se cientificam de suas obrigações no ato da elaboração, por serem certas 
e determinadas no ato da celebração. 
c) Contrato consensual – ocorre com a manifestação das partes. 
d) Contrato formal ou informal, solene ou não solene – a lei não impõe maiores formalidades para a sua 
celebração; 
e) Contrato translativo – a transmissão da coisa ocorrerá com a tradição, trazendo consigo no contrato. 
f) Contrato oneroso – apresenta repercussão econômica. 
 
3. CONTRATO ESTIMATÓRIO (arts. 534 a 537 do CC) 
 
3.1. Conceito 
 
Esse contrato pode ser chamado também de venda em consignação, tem por finalidade vender, em nome 
próprio, bens móveis de propriedade de terceiros. O proprietário/consignante dará somente a posse do bem ao 
vendedor/consignatário, não sendo entregue o domínio da coisa. Sua previsão está nos artigos 534 a 537 do 
Código Civil. 
 
3.2. Natureza jurídica 
 
a) Contrato bilateral ou sinalagmático – caracterizado pela reciprocidade nas obrigações entre os contratantes. 
b) Contrato oneroso – proporciona repercussão econômica. 
c) Contrato real –concretizado com a efetiva entrega do bem. 
d) Contrato comutativo – as partes são cientificadas de suas obrigações no ato da elaboração. 
e) Contrato informal ou não solene –a lei não impõe maiores formalidades para a sua celebração. 
f) Contrato instantâneo e temporário – o primeiro se consuma com a prática do ato, já o segundo se efetua 
por meio do termo final para a venda da coisa consignada. 
 
3.3. Efeitos e regras 
 
– É análogo a uma obrigação alternativa, pois o vendedor/consignatário poderá devolver o valor inicialmente 
estimado ou a própria coisa. 
– A coisa deve ser móvel e livre para alienação, não podendo estar gravada com cláusula de inalienabilidade. 
 
Atenção! Nesta relação contratual, o consignante possui o domínio, transferindo ao consignatário somente a 
posse do bem móvel. 
 
4. DOAÇÃO (arts. 538 a 554 do CC) 
 
4.1. Conceito 
 
A sua definição encontra-se melhor conceituada no artigo 538 do Código Civil: 
 
Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou 
vantagens para o de outra. 
 
 
 
www.cers.com.br 5 
 
 
Atenção: Sobre a promessa de doação vejamos o teor do Enunciado n. 549 da VI Jornada de Direito Civil: “A 
promessa de doação no âmbito da transação constitui obrigação positiva e perde o caráter de liberalidade 
previsto no art. 538 do Código Civil.” 
 
4.2. Natureza jurídica 
 
a) Contrato unilateral/bilateral – apresenta obrigação somente para uma das partes; porém, no caso de doação 
modal, ocorre uma imposição para aquele que recebe bens ou vantagens de um ônus. 
b) Contrato gratuito – a doação será, em regra, gratuita (excepcionalmente haverá a doação modal, conferindo 
vantagens a ambas as partes). 
c) Contrato consensual –é formado pela manifestação de vontade das partes. 
d) Contrato real – ocorre sempre que a doação envolver bem de pequeno valor seguido de sua tradição 
(doação oral/manual); 
e) Contrato comutativo – acontece quando as partes são cientificadas de suas obrigações no ato da 
elaboração; 
f) Formal e solene – desde que a doação de bem imóvel seja superior a 30 salários mínimos. 
g) Formal e não solene – todas as vezes que o bem imóvel for superior a 30 salários mínimos, porém não há 
necessidade de escritura pública. 
 
4.3. Espécies de doação 
 
a) Pura e simples (art. 543 do CC) – o ato possui liberdade plena, não se submetendo a condição, termo ou 
encargo; 
b) Contemplativa (art. 540, 1ª parte, do CC) – o doador efetua a mesma por mera liberalidade, expressando o 
motivo; 
c) Remuneratória (art. 540, 2ª parte, do CC) – se origina da realização de serviços prestados, cujo pagamento 
o donatário não pode ou não deseja cobrar; 
d) Ao nascituro (art. 542 do CC) – é válida desde que aceita pelo seu representante legal. Trata-se de 
modalidade que depende, necessariamente, de condição suspensiva para vigorar, pois condiciona a validade 
do contrato de doação ao nascimento do feto com vida; 
e) Ao absolutamente incapaz (art. 543 do CC) – trata-se de doação pura, não há necessidade da aceitação do 
donatário, pois se presume que o incapaz aceitou, inexistindo prova em contrário (iure et iure); 
f) De ascendente a descendente ou de um cônjuge ao outro (art. 544 do CC) – está relacionado ao 
adiantamento da legítima, visto que confere às doações o valor, que dele em vida receberam, sob pena de 
sonegação. Não confundir esse tipo de doação com a inoficiosa prevista no artigo 549 da lei civil; 
g) Em forma de subvenção periódica (art. 545 do CC) – trata-se de pagamentos mensais (trato sucessivo) 
realizados pelo doador ao donatário, extinguindo-se com o falecimento de uma das partes, exceto no caso de 
falecimento do doador, que poderá estabelecer aos seus herdeiros a continuação dos pagamentos ao 
favorecido; 
h) Propter nuptias (art. 546 do CC) – é aquele direcionado para as núpcias, ou seja, aplicado para casamento 
futuro, não vigendo o contrato em caso de não consumação do mesmo; 
i) Com cláusula de reversão ou retorno (art. 547 do CC) – trata-se de contrato de doação intuitu personae, 
desde que a mesma esteja direcionada somente ao donatário, pois caso ele venha a falecer antes do doador, 
o bem retornará ao patrimônio deste, ainda que tenha alienado o imóvel antes da morte; 
j) Universal (art. 548 do CC) – é nula tal modalidade, pois a lei veda a doação pelo doador se ele não possuir 
bens suficientes para a sua subsistência. Tal medida visa tutelar a qualidade de vida do doador (regra em 
sintonia com o princípio da dignidade da pessoa humana); 
l) Inoficiosa (art. 549 do CC) – significa que a doação efetuada ultrapassou o quinhão disponível para testar. 
Note: O doador tem R$ 200 mil reais e faz uma doação de R$ 120 mil reais, o ato será válido até os R$ 100 mil 
reais e nulo com relação aos R$ 20 mil. Atenção! A Ação de redução é a que tem como objetivo a declaração 
de nulidade da parte inoficiosa. 
m) Do cônjuge adúltero ao seu cúmplice (art. 550 do CC) – é a doação feita entre amantes, geralmente por 
pessoas casadas com impedimento de contrair união estável, sendo anulável no prazo decadencial de dois 
anos. A anulabilidade do contrato poderá ser proposta pelo cônjuge traído ou também pelos herdeiros 
necessários. Todavia, a mesma poderá ser convalidada no caso dos cônjuges estarem separados de fato; 
n) Conjuntiva (art. 551 do CC) – trata-se da doação de um determinado bem a dois ou mais donatários, os 
quais se tornarão cotitulares do bem; 
 
 
 
www.cers.com.br 6 
 
o) Modal ou onerosa (art. 553 do CC) – é aquela em que o doador atribui ao donatário um encargo, o qual se 
torna elemento modal do negócio jurídico; 
p) À entidade futura (art. 554 do CC) – a entidade deverá se constituir regularmente com a inscrição dos atos 
constitutivos no respectivo registro

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.