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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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está disposta no artigo 6º desta lei; 
g) Pode ser proposta ação de despejo por falta de pagamento ou por infração contratual; pedido para uso 
próprio; ausência de conservação ou deterioração do imóvel locado ou, ainda, realizar obras sem o 
consentimento do locador. 
h) A sentença tem caráter mandamental por dispen-sar a sua fase final de liquidação. 
 
5.12.1.3.2. Ação consignatória de aluguéis e acessórios na locação (art. 67 da Lei n. 8.245/91) 
 
a) Esta ação tem por característica evitar a inadim-plência do locatário através do depósito efetuado em juízo 
quando proposta a exordial. 
b) Transcorre pelo rito especial. 
c) Caracteriza-se como uma ação que visa ao pagamento indireto da obrigação e tem como parte autora o 
locatário. 
d) Diversamente da ação consignatória prevista no CPC, esta modalidade não tem caráter dúplice, pois a lei 
preceitua o cabimento de reconvenção nos termos do inciso VI do artigo 67 da lei do inquilinato. 
 
5.12.1.3.3. Ação revisional de aluguel (arts. 68 a 70 da Lei n. 8.245/91) 
 
a) Pode ser ofertada tanto pelo locador, buscando o aumento do valor dos alugueres, como poderá ser 
proposta pelo locatário com o objetivo de reduzi-los. 
b) Este benefício poderá ser utilizado somente pelo prazo de três anos, ainda que a ação tenha sido proposta 
pela parte contrária. 
c) Segue o rito sumário, conforme artigo 68 da lei do inquilinato. 
d) O juiz fixará o aluguel provisório por meio dos elementos fornecidos pelo autor da ação, que será devido 
desde a citação. 
 
 
 
 
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e) Na audiência de conciliação, consoante recente alteração pela Lei n. 12.112/09, deverá ser apresentada a 
contestação, contendo a contraproposta; caso exista discordância quanto ao valor pretendido, tentará o juiz a 
conciliação; em caso de impossibilidade, determinará a realização de perícia, se necessária, designando, desde 
logo, audiência de instrução e julgamento. 
f) O aluguel fixado em sentença retroage à citação e as diferenças devidas durante a ação de revisão 
abrangerá os alugueres vincendos, bem como os vencidos e não pagos; as mensalidades locatícias serão 
pagas com correção monetária exigível a partir do trânsito em julgado da decisão que fixar o novo aluguel; 
como também serão descontados os alugueres provisórios já satisfeitos. 
g) No final da ação locatícia serão cobradas as dife-renças locatícias entre o aluguel provisório e o definitivo. 
h) A ação de despejo poderá ser fundamentada pelo inadimplemento dos alugueres provisórios. 
 
5.12.1.3.4. Ação renovatória de contrato (arts. 71 a 75 da Lei n. 8.245/91) 
 
a) Esta ação visa à renovação compulsória do con-trato de locação escrito, e não residencial, por prazo 
determinado, vigendo no mínimo de forma ininterrupta pelo prazo de 5 anos, com exploração da mesma 
atividade pelo prazo mínimo de três anos, devendo esta demanda correr no rito ordinário. 
b) Ela deverá ser proposta no prazo máximo de 1 ano e 6 meses após o término do contrato. 
c) A legitimidade ativa é do locatário. 
d) Nesta demanda será fixado o aluguel provisório a ser devido após o término da vigência do contrato de 
locação. 
e) O aluguel fixado na sentença poderá ser cobrado imediatamente, independentemente da propositura do 
recurso. 
f) Não sendo renovada a locação, o juiz determinará a expedição de mandado de despejo, dentro do prazo 
de 30 (trinta) dias para a desocupação voluntária, se houver pedido na contestação. 
 
6. EMPRÉSTIMO 
 
6.1. Aspectos gerais 
 
Esse tipo de contrato abrange tanto o comodato como o mútuo. Ambos os institutos se assemelham por terem 
como objeto a entrega da coisa para ser usada e restituída ao dono originário ao final do negócio estabelecido. 
Diferenciam-se em razão da natureza da coisa emprestada, pois se o bem for fungível o contrato será de mútuo 
e, se o mesmo for infungível, comodato. 
 
6.2. DO COMODATO (EMPRÉSTIMO DE USO) (arts. 579 a 585 do CC) 
 
6.2.1. Conceito 
 
A melhor definição está expressa no artigo 579 do CC: 
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto. 
 
6.2.2. Natureza jurídica 
 
a) Real – se perfaz com a tradição do bem infungível. 
b) Gratuito – como disposto acima, ainda que o comodatário efetue o pagamento dos encargos de comodato 
(p. ex., condomínio, IPTU, dentre outros), este contrato é considerado gratuito. 
c) Informal e não solene – não possui formalidade prevista em lei. 
d) Unilateral – confere obrigações somente ao comodatário. 
e) Personalíssimo – extingue-se com a morte do comodatário. 
f) Fiduciário – como o próprio nome diz, é baseado na confiança entre o comodante e comodatário. 
 
6.2.3. Legitimação para celebrar o contrato 
 
Em regra, todos os bens imóveis/móveis são passíveis de ser objeto de contrato de comodato, no entanto, 
excepcionalmente a lei dispõe que não poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens confiados 
à guarda dos tutores, curadores e todos os administradores de bens alheios, em geral. 
 
 
 
 
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6.2.4. Prazo determinado e indeterminado 
 
Nos casos pactuados por prazo determinado, não poderá o comodante suspender o uso e gozo da coisa 
emprestada antes de findo o prazo convencional, salvo se houver uma urgente necessidade reconhecida pelo 
juiz. 
 
O comodato poderá não ter prazo convencionado, e nesse caso se presumirá o prazo através da necessidade 
da utilização da coisa. 
 
6.2.5. Obrigações do comodatário e o chamado aluguel-pena 
 
O comodatário tem como obrigação conservar o imóvel como se seu fosse, não podendo usá-lo em desacordo 
com o contrato ou a sua natureza, sob pena de responder por perdas e danos. 
 
Este será notificado para que dessa forma seja constituído em mora, respondendo tanto pelo atraso quanto 
também pelos alugueres da coisa que forem arbitrados pelo comodante até a efetiva entrega das chaves, 
caracterizando, nesse caso, uma espécie de cláusula penal típica do contrato de comodato. 
 
6.2.6. Responsabilidade do comodatário 
 
Em situação de eminente risco da perda dos bens do comodante e do comodatário, e, este último, tendo 
somente como salvaguardar os seus pertences abandonando os do comodante, deverá ser responsabilizado 
pelo dano ocorrido, ainda que se trate de caso fortuito ou força maior. Vale enfatizar, que mesmo nestes casos, 
não será suprimida a culpa do comodatário que pretere a coisa alheia emprestada em prol de seus pertences. 
 
6.2.7. Despesas do contrato 
 
Não é possível o comodatário recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa 
emprestada. 
 
6.2.8. A solidariedade no contrato 
 
Só é possível a existência da solidariedade no contrato de comodato no caso de duas ou mais pessoas serem, 
simultaneamente, comodatárias da mesma coisa, ficando solidariamente responsáveis para com o comodante. 
 
6.3. DO MÚTUO (EMPRÉSTIMO DE CONSUMO) (arts. 586 a 592 do CC) 
 
6.3.1. Conceito 
 
O conceito do contrato de mútuo está previsto no artigo 586 do Código Civil: 
 
Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele 
recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 
 
6.3.2. Natureza jurídica 
 
a) Unilateral – gera obrigações somente para uma das partes, neste caso, o mutuário. 
b) Gratuito – só traz ônus para o mutuante; o mutuário irá devolver sem ônus. Excepcionalmente esta 
modalidade contratual será onerosa, nas situações de mútuo feneratício ou, como é popularmente conhecido, 
empréstimo em dinheiro. 
c) Informal e não solene – por inexistir previsão legal sobre a forma de celebração, podendo ser feito por 
instrumento particular. 
d) Real – se concretiza com a entrega do bem fungível. 
 
6.3.3. A transferência da coisa 
 
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