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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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contrato se caracteriza pela transferência do domínio da coisa emprestada ao mutuário, que assume todos 
os riscos do bem fungível desde a tradição. 
 
 
 
 
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6.3.4. Mútuo feito à pessoa menor 
 
O mútuo realizado por menor de idade, quando não autorizado por seus responsáveis legais, isto é, aqueles 
que possuem a sua guarda, não poderá ser reivindicado, nem pelo menor nem tampouco por quem possui a 
sua guarda. Todavia, essa regra possui 5 exceções: 
 
a) se o representante legal do menor posteriormente ratificar a necessidade do mútuo; 
b) se o menor se viu obrigado a contrair o emprés-timo para os seus alimentos habituais em razão da ausência 
de seu representante legal; 
c) se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, observando-se que a execução do credor não lhes poderá 
ultrapassar as forças; 
d) se o empréstimo reverteu em benefício do menor; 
e) se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. 
 
6.3.5. A garantia no mútuo e a exceptio non adimplenti contractus 
 
Verificando o mutuante que o mutuário poderá inadimplir com o mesmo o contrato firmado, poderá este exigir 
a garantia legal, podendo ser ela real ou fidejussória, com o objetivo de buscar maior segurança jurídica. 
Contudo, mesmo adimplindo o contrato, se o mutuário não cumprir com seu mister, a dívida vencerá 
antecipadamente ante a exceptio non rite adimpleti contractus, como disposto no artigo 477 do Código Civil. 
 
6.3.6. O mútuo feneratício ou mercantil e a limitação de juros 
 
Versa sobre o mútuo destinado a fins econômicos, cujos juros cobrados presumir-se-ão devidos, podendo até 
chegar ao limite previsto no artigo 406 do Código Civil, sob pena de redução. 
 
Segundo entendimento do STJ, os contratos bancários, que não foram regulamentados pela legislação 
específica, poderão possuir juros moratórios no limite de 1% para se convencionar. Além disso, a simples 
estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano não traz indícios de abusividade. 
 
O STF ainda entende que a Lei de Usura (DL n. 22.626/33) não é aplicável às instituições bancárias (Súmula 
n. 596 do STF). 
 
Atenção: Veja as seguinte Súmulas do STJ: 
 
Súmula n. 379 do STJ: “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios 
poderão ser convencionados até o limite de 
1% ao mês.” 
 
Súmula n. 382 do STJ: “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica 
abusividade.” 
 
Sumúla n. 539 do STJ: “É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a anual em contratos 
celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-
17/2000, reeditada como MP n. 2.17036/2001), desde que expressamente pactuada.” 
 
Súmula n. 541, do STJ: “A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da 
mensal e suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada.” 
 
6.3.7. Prazo para a realização do pagamento do mútuo 
 
Inexistindo convenção entre as partes, o mútuo será devido: 
 
a) se for de produtos agrícolas, até a próxima co-lheita quando já estiverem prontos para o consumo ou para 
a semeadura; 
b) pelo prazo de 30 dias, se ele for de dinheiro; 
c) se for de qualquer outra coisa fungível sempre que declarar o mutuante. 
 
 
 
 
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7. DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO (arts. 593 a 609 do CC) 
 
7.1. Conceito 
 
São aquelas reguladas pelo Código Civil, como toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial 
que pode ser contratada mediante retribuição, e que não esteja sujeita às leis trabalhistas ou à lei especial. 
 
7.2. Natureza jurídica 
 
a) Bilateral – gera deveres a ambas as partes. 
b) Comutativo – as partes possuem o prévio conhecimento das obrigações contratuais. 
c) Personalíssimo/intuitu personae – deve ser prestado somente pelas partes que pactuaram os termos do 
contrato. 
d) Oneroso – possui repercussão econômica. 
e) Informal/não solene – não tem previsão legal quanto à sua forma, podendo ser verbal, escrito, ou por 
instrumento particular. 
f) Consensual – deriva da vontade comum das partes. 
 
7.3. Objeto do contrato 
 
Como informado anteriormente, é toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial que pode ser 
contratada mediante retribuição. 
 
Atenção: Enunciado n. 541 da VI Jornada de Direito Civil: “O contrato de prestação de serviço pode ser 
gratuito.” 
 
7.4. A remuneração (a não presunção de gratuidade) 
 
A remuneração será, em regra, paga após a prestação do serviço, podendo ser convencionada de forma 
diversa, ou seja, o pagamento poderá se concretizar no início dos trabalhos ou, também, ser dividido em três 
parcelas, efetuando o pagamento de 1/3 no início, outros 1/3 durante a execução dos serviços e o restante ao 
final. 
 
No que tange aos valores devidos, se inexistir estipulação prévia e muito menos a possibilidade de acordo entre 
as partes, deverá ser proposta ação para que o juiz arbitre a remuneração de acordo com o costume do lugar, 
o tempo de serviço e sua qualidade. 
 
7.5. Prazo máximo do contrato 
 
Prevê a lei civil no caput de seu artigo 598: 
 
Art. 598. A prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de quatro anos, embora o contrato tenha 
por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à execução de certa e determinada obra. 
Neste caso, decorridos quatro anos, dar-se-á por findo o contrato, ainda que não concluída a obra. 
 
7.6. Resilição do contrato 
 
O prazo para estabelecer a resilição contratual ficará ao arbítrio de ambas as partes, mediante prévio aviso. 
Entretanto, a lei estipula prazos gerais, caso as partes não pactuem previamente tais limites: 
 
a) oito dias de antecedência, nas hipóteses de re-muneração fixada por tempo de um mês, ou mais; 
b) quatro dias de antecedência, se a remuneração for ajustada por semana ou quinzena; 
c) quando a contratação tenha sido por prazo inferi-or a sete dias, poderá ser avisado na véspera. 
 
7.7. Inexecução do contrato 
 
A lei civil dispõe que não será contado o tempo em que o prestador de serviço não tenha efetuado a sua tarefa. 
 
 
 
 
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7.8. Amplitude do contrato 
 
Quando nesta modalidade de contrato não se estabelecer a tarefa que o prestador de serviço deverá executar, 
entende-se que o mesmo se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições. 
 
7.9. Responsabilidade pela ruptura culposa do contrato 
 
Não poderá o prestador de serviço contratado por tempo certo ou por obra determinada se ausentar sem justa 
causa antes de preenchido o tempo ou concluída a obra. 
 
Dessa forma, terá o contratante direito à retribuição vencida, através das perdas e danos. Essa punição também 
se aplicará para o caso do prestador ser despedido por justa causa. 
 
7.10. Perdas e danos 
 
Nas hipóteses em que o prestador de serviço for despedido sem justa causa, o contratante será obrigado a lhe 
pagar a integral retribuição vencida acrescida da metade da remuneração a que caberia a ele, caso pudesse 
cumprir com o termo legal do contrato. 
 
7.11. A declaração formal da dissolução do contrato 
 
Ao final do contrato, o prestador de serviço tem o direito de exigir da outra parte uma declaração, afirmando 
que as obrigações contraídas foram finalizadas, bem como se for despedido sem ou com justa causa. 
 
7.12. Exigência de capacitação 
 
Nas hipóteses de prestação de serviço por pessoa que não possua título de habilitação ou não satisfaça 
requisitos estabelecidos em lei, não poderá ser cobrada retribuição correspondente ao trabalho executado por 
quem o prestou. 
 
Se o serviço for prestado de boa-fé, o juiz arbitrará

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