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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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Código Civil, teleologicamente e em uma visão 
constitucional de unidade do sistema, quando o contrato de transporte constituir uma relação de consumo, 
aplicam-se as normas do Código de Defesa do Consumidor que forem mais benéficas a este.” 
 
Enunciado n. 559. “Observado o Enunciado n. 369 do CJF, no transporte aéreo, nacional e internacional, a 
responsabilidade do transportador em relação aos passageiros gratuitos, que viajarem por cortesia, é objetiva, 
devendo atender à integral reparação de danos patrimoniais e extrapatrimoniais.” 
 
 Cumpre mencionar que as Convenções de Varsóvia e de Montreal limitam a indenização em caso de 
perda/extravio de bagagem ou atraso de voo em viagens internacionais. Mas o CDC deve ser aplicado, não 
prevalecendo a tarifação limitada em respeito ao direito básico da reparação integral dos danos (art. 6º, VI, da 
Lei n. 8.078/1990). Todavia, importante mencionar que a questão sobre a antinomia entre os diplomas no que 
tange às regras de indenização em transporte aéreo internacional foi levada ao Supremo Tribunal Federal, que 
suspendeu o julgamento do Recurso Extraordinário 636.331 e Recurso Extraordinário com Agravo 766.618. 
Sobre o tema ver o Informativo n. 745, STF. 
 
O art. 733 trata do transporte cumulativo, estabelecendo que cada transportador se obriga a cumprir o contrato 
relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos nele causados a pessoas e coisas. O dano, 
resultante do atraso ou da interrupção da viagem, será determinado em razão da totalidade do percurso. No 
caso de substituição de algum dos transportadores no decorrer do percurso, a responsabilidade solidária será 
estendida ao substituto. 
 
11.4. Transporte de pessoas (arts. 734 a 742, CC) 
 
O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de 
força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade. É lícito ao transportador exigir a 
declaração do valor da bagagem a fim de fixar o limite da indenização. (art. 734, CC). Trata-se de obrigação de 
 
 
 
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resultado do transportador, acarretando a sua responsabilidade civil objetiva baseada na teoria do risco. O risco 
não é integral, pois conforme de acordo com a lei, poderá ser excluído pela força maior/fortuito. 
 
A exclusão de responsabilidade, se dará apenas em caso de ser considerado fortuito externo. O fortuito interno 
é aquele que está atrelado a uma causa conexa. 
 
Atenção: Súmula n. 161, STF. “Em contrato de transporte, é inoperante a cláusula de não indenizar”. 
 
A boa-fé é enfatizada no § 1º do artigo, pois garante a licitude do transportador exigir a declaração do valor da 
bagagem. 
 
O art. 735, CC estabelece que a responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro 
não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. 
 
Atenção: Sobre o tema veja a Súmula n. 187, do STF: “A responsabilidade contratual do transportador, pelo 
acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.” 
 
O art. 736 dispõe que não se subordina às normas do contrato de transporte aquele realizado gratuitamente, 
por amizade ou cortesia. No entanto, não é considerado como gratuito o transporte quando, mesmo sem 
remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas. 
 
Atenção: Súmula n. 145, STJ - “No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só será 
civilmente responsável por danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave.” 
 
O transportador sujeita-se aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder por perdas e danos, salvo 
motivo de força maior (art. 737). A obrigação de resultado e a incidência da responsabilidade civil objetiva 
fundada no risco. 
 
Passageiros considerados inconvenientes, que não estejam em condições de viajar, podem ser impedidos pelo 
transportador. Se o prejuízo sofrido pela pessoa transportada for atribuível à transgressão de normas e 
instruções regulamentares, o juiz reduzirá equitativamente a indenização, na medida em que a vítima houver 
concorrido para a ocorrência do dano. 
(art. 738). 
 
O art. 739 prevê que o transportador não recusará passageiros, salvo nas hipóteses previstas nos 
regulamentos, ou se as condições de higiene ou de saúde do interessado o justificarem. 
 
O art. 740 prevê a possibilidade de resilição contratual pelo passageiro, apesar de a lei mencionar “rescisão”. 
 
Atenção: O artigo citado não regula os casos de overbooking ou overseating, que diz respeito a prática abusiva 
de os transportadores venderem mais passagens do que assentos existentes. 
 
Quanto a viagem for interrompida por qualquer motivo alheio à vontade do transportador, ainda que em 
consequência de evento imprevisível, fica ele obrigado a concluir o transporte contratado em outro veículo da 
mesma categoria, ou, com a anuência do passageiro, por modalidade diferente, à sua custa, correndo também 
por sua conta as despesas de estada e alimentação do usuário, durante a espera de novo transporte. 
 
O diploma civilista traz uma norma de defesa tratando não de penhor legal, mas sim de direito pessoal de 
retenção sobre a bagagem do passageiro (art. 742, CC). 
 
11.5. Transporte de coisas (arts. 743 a 756, CC) 
 
Tudo aquilo que for transportado necessita ser identificado para que seja evitada a confusão com outras coisas. 
A identificação se dá por um documento denominado conhecimento, onde devem constar os dados do 
transportador, do remetente e do destinatário. 
 
A informação constitui elemento essencial ao contrato de transporte, assim, em caso desta ser inexata ou falsa 
quando descrita no documento, será o transportador indenizado pelo prejuízo que sofrer, devendo a ação 
respectiva ser ajuizada no prazo de cento e vinte dias, a contar daquele ato, sob pena de decadência. 
 
 
 
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Atenção: Entendemos que houve um equívoco na lei, pois se a ação busca uma condenação, esse prazo 
deveria ser prescricional. 
 
A embalagem deve estar em conformidade com o transporte. E sendo ilícito o objeto, o transporte também o 
será. Assim, tendo conhecimento da ilicitude do objeto transportado, o transportador terá o dever legal de 
recusar-se. 
 
No art. 748, CC verificar-se o denominado stoppage in transitu ou variação do destino de carga, dispondo 
que: “Até a entrega da coisa, pode o remetente desistir do transporte e pedi-la de volta, ou ordenar seja entregue 
a outro destinatário, pagando, em ambos os casos, os acréscimos de despesa decorrentes da contraordem, 
mais as perdas e danos que houver.” 
 
É dever do transportador conduzir a coisa ao seu destino, tomando todas as cautelas necessárias para mantê-
la em bom estado e entregá-la no prazo ajustado ou previsto. Trata-se de cláusula de incolumidade no 
transporte de coisas. 
 
Ao desembarcar as mercadorias, o transportador não é obrigado a dar aviso ao destinatário, se assim não foi 
convencionado, dependendo também de ajuste a entrega a domicílio, e devem constar do conhecimento de 
embarque as cláusulas de aviso ou de entrega a domicílio. 
 
O dever de boa-fé, especificamente com relação ao zelo está disposto no art. 753. 
 
Da leitura do art. 754, do CC, há um equívoco na lei ao realçar mais uma vez a decadência no parágrafo único 
do artigo 754, quando se trata em realidade de prescrição. No caput o prazo é para a reclamação e no parágrafo 
único para ação. 
 
Na dúvida sobre quem é o destinatário, o transportador deve depositar a mercadoria em juízo, se não lhe for 
possível obter instruções do remetente; se a demora puder ocasionar a deterioração da coisa, o transportador 
deverá vendê-la, depositando o saldo em juízo. 
 
O art. 756 trata da solidariedade

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