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157184012816 CDZ PROCTRABLHO AULA01 RESUMO

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COMEÇANDO DO ZERO 
Direito Processual do Trabalho - Aula 01 - Resumo 
Aryanna Manfredini 
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1 - São órgãos da Justiça do Trabalho (art. 111, CF): Juiz, TRT e TST. Nas comarcas onde não houver juiz do 
trabalho, o juiz de direito será investido da jurisdição trabalhista, cabendo da sentença que proferir recurso ordiná-
rio para o TRT (art. 112, CF e 668, CLT). 
 
2 - Não esqueçam que o STF, na ADI 3395 concedeu liminar com efeito ex tunc suspendendo ad referendum toda 
a qualquer interpretação data ao inciso I, do art. 114 da CF, que inclua na competência da Justiça do Trabalho as 
causas que sejam instauradas entre o poder público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de or-
dem estatutária ou jurídico-administrativo. Assim, compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações ori-
undas das relações de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e os servidores celetistas da admi-
nistração direta e indireta da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
 
3 - Também compete a Justiça do Trabalho: 
• As ações de indenização por dano moral e patrimonial, decorrentes das relações de trabalho (art. 114, VI); 
Cuidado com a súmula vinculante nº 22: “A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de 
indenização por danos morais a patrimoniais decorrentes de acidente do trabalho proposta por empregado contra 
empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promul-
gação da EC 45/2004.” 
A Justiça do trabalho é competente para julgar as ações indenizatórias propostas pelos sucessores contra o em-
pregador decorrentes das relações de trabalho (súmula 366 do STJ). 
• Julgar as ações que envolvam exercício do direito de greve (art. 114, II e súmula vinculante nº 23) 
• Ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e 
empregadores (art. 114, III). 
• Os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria 
sujeita a sua jurisdição (art. 114, IV). 
Lembre-se: A Justiça do Trabalho não possui competência para processar e julgar ações penais (STF, na ADI 
3684-0 – DJU 03.08.2007 – deferiu a medida cautelar, com eficácia ex tunc, para dar a interpretação conforme, 
decidindo que o disposto no art. 114, incs. I, IV e IX, da CF, acrescidos pela EC 45/2004, não atribui a Justiça do 
Trabalho competência para processar e julgar ações penais). 
Lembre–se também da súmula vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel qualquer que seja a 
modalidade de depósito.” 
• Conflitos de competência entre os órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o 
(art. 114, V); 
• Ações relativas as penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das 
relações de trabalho (art. art. 114, VII). Ressalte-se que é inconstitucional a exigencia do depósito prévio do valor 
da multa como condição de admissibilidade do recurso administrativo (súmula vinculante 21 do STF e súmula 424 
• do TST) 
• As execuções, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I a e II, e seus acréscimos legais, 
decorrentes das sentenças que proferir (art. 114, VIII) 
• Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei (art. 114, XI); 
• Julgar as ações em que se postule indenização substitutiva pelo não fornecimento das guias do seguro-
desemprego (súmula 389, TST). 
• Ações de empregados contra empregadores, decorrentes do não cadastramento do empregado pelo emprega-
dor no programa de integração social – PIS (súmula 300) 
 
4 - Conflito de Competência 
Nos termos do artigo 66 do CPC, o conflito de competência pode ser positivo ou negativo. No primeiro caso, dois 
ou mais juízes se declaram competentes para julgar a causa. Já na segunda hipótese, dois ou mais juízes se 
declaram incompetentes para julgar o processo. Por fim, pode ocorrer conflito de competência quando houver 
divergência entre dois ou mais juízes acerca da reunião ou separação de processos. 
O conflito de competência originado entre os órgãos da Justiça do Trabalho será solucionado pelas normas conti-
das na própria CLT (arts. 803 e seguintes, que observam o critério de hierarquia) e pelos artigos 102, I, “o” e 105, 
I, “d”, da Constituição Federal. 
Seguem abaixo os artigos mencionados: 
Art. 102, CF. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
I – processar e julgar, originariamente: 
(...) 
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superior-
es, ou entre estes e qualquer outro tribunal; 
 
 
 
 
 
 
 
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( ) 
Art. 105, CF. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
I – processar e julgar, originariamente: 
(...) 
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, “o”, bem como entre 
tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; 
( ) 
Art. 803, CLT. Os conflitos de jurisdição podem ocorrer entre: 
a) Juntas de Conciliação e Julgamento e Juízos de Direito investidos na administração da Justiça do Trabalho; 
b) Tribunais Regionais do Trabalho; 
c) Juízos e Tribunais do Trabalho e órgãos da Justiça Ordinária; 
d) Revogada pelo Decreto-Lei nº 8.737, de 19.01.1946. 
Art. 808, CLT. Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: 
a) pelos Tribunais Regionais, os suscitados entre Juntas e entre Juízos de Direito, ou entre uma e outras, nas 
respectivas regiões; 
b) pelo Tribunal Superior do Trabalho, os suscitados entre Tribunais Regionais, ou entre Juntas e Juízos de Direito 
sujeitos à jurisdição de Tribunais Regionais diferentes; 
c) Revogada pelo Decreto-Lei nº 9.797, de 09.09.1946; 
d) pelo Supremo Tribunal Federal, os suscitados entre as autoridades da Justiça do Trabalho e as da Justiça 
Ordinária (esta alínea deve ser confrontada com o art. 105, I, “d”, da Constituição, conforme a seguir demonstra-
do). 
Assim, os conflitos serão resolvidos pelos TRT’s e TST. Também, pelo STJ, quando o conflito de competência 
ocorrer entre órgãos de justiças diferentes (entre quaisquer tribunais; entre tribunais e juízes a ele não vinculados 
e entre juízes vinculados a tribunais diversos, ressalvada a competência do STF prevista no art. 102, I, alínea “o” 
da CF). A competência será do STF quando o conflito envolver tribunal superior (entre o STJ e qualquer outro 
tribunal; entre tribunais superiores e entre tribunais superiores e qualquer outro tribunal). 
Veja quadro com resumo dos conflitos de competência: 
 
Conflito Observações Órgão Julgador 
• Conflito entre duas 
Varas do Trabalho 
• Conflito entre juiz do 
trabalho e juiz de direito inves-
tido da jurisdição trabalhista 
Ambos subordinados ao 
mesmo TRT 
TRT 
(art. 808, “a”, CLT) 
• Conflito entre duas 
Varas do Trabalho 
• Conflito entre juiz do 
trabalho e juiz de direito inves-
tido da jurisdição trabalhista 
Subordinados 
a TRT’s diversos 
TST 
(art 808, “b”, CLT) 
• Conflito entre dois 
TRT’s 
 
TST 
(art. 808, “b”, CLT) 
• Conflito entre órgãos 
de justiças diferentes como, 
por exemplo: 
• Conflito entre juiz do 
trabalho e juiz de direito 
• Conflito entre juiz do 
trabalho e juiz federal 
• Conflito entre TRT e 
juiz federal 
• Conflito entre TRT e 
juiz de direito 
 
STJ 
(art. 105, I, “d”, CF) 
• Conflito envolvendo 
Tribunal Superior, como por 
exemplo: 
• Conflito entre TST e TJ 
• Conflito entre TST e 
TRF 
 STF 
(art. 102, 
I, “o”, CLT) 
 
 
 
 
 
 
 
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Em razão do princípio hierárquico, não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e 
Vara do trabalho a ele vinculada, sendo nesse caso aplicada a Súmula nº 420 do TST: 
Súmula nº 420. Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho 
a ele vinculada. 
É vedado à parte interessada suscitar conflitos de jurisdição quando já houver oposto na causa exceção de in-
competência (art. 806, CLT). 
E, por fim, no ato de suscitar o conflito deverá a parte interessada produzir a prova de existência dele (art. 807, 
CLT). 
 
5 - Nulidades 
A nulidade do ato ocorre quando lhe falta algum requisito que a lei prescreve como necessário para a sua vali-
dade. 
A nulidade do ato pode ocorrer de forma absoluta ou relativa. A nulidade será absoluta quando a norma inob-
servada disser respeito ao interesse público, como, por exemplo, a incompetência absoluta, casos em que po-
derá ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. 
Já a nulidade será relativa quando violar norma de interesse das partes, como, por exemplo, a incompetência 
relativa. Para que seja reconhecida, a nulidade relativa depende de alegação da parte na primeira oportunidade 
que tiver de falar em audiência ou nos autos (art. 795, CLT). 
Relacionado com o princípio da instrumentalidade das formas, o princípio da transcendência impõe como con-
dição para a declaração de nulidade de determinado ato a existência de prejuízo (art. 794, CLT). 
Pelo princípio da instrumentalidade das formas ou da finalidade caso a lei prescreva determinada forma, sem 
cominação de nulidade, se o ato praticado de forma diversa alcançar a sua finalidade, será considerado válido. 
Esse princípio está implícito nos artigos 188 e 277 do CPC/73: 
 
Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente 
a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial. 
 
Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, 
lhe alcançar a finalidade. 
Consoante o princípio da convalidação ou da preclusão, se a nulidade relativa não for arguida no momento 
oportuno, os atos inválidos se tornarão válidos (serão convalidados), de modo que a parte prejudicada não 
poderá mais argui-la em outra oportunidade (art. 795, CLT). 
Esse princípio consagrou o usual “protesto judicial”, utilizado em audiência pelas partes e procuradores para 
arguição de nulidade relativa, evitando-se assim a preclusão ou a convalidação. 
O artigo 795, § 2º, da CLT, determina que o juiz poderá declarar ex officio a incompetência de foro. Ressalte-se 
que por “incompetência de foro” deve-se entender incompetência do foro trabalhista, ou seja, incompetência da 
Justiça do Trabalho (em razão da matéria e das pessoas), portanto, incompetência absoluta, a qual de fato pode 
ser reconhecida de ofício pelo Juiz ou Tribunal. 
 
Art. 795, § 2º O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma ocasião, que se faça remessa 
do processo, com urgência, à autoridade competente, fundamentando sua decisão. 
Pelo princípio do interesse, como a ninguém é permitido valer-se de sua própria torpeza, consagra-se a impossi-
bilidade de declaração da nulidade quando arguida por quem lhe tiver dado causa (arts. 796, “b”, da CLT e 276, 
CPC). 
A nulidade também não será pronunciada: a) quando for possível suprir a falta ou repetir ato (art. 796, “a”, CLT) ou 
b) quando a causa for julgada a favor de quem a alegação de nulidade aproveitaria (art. 282, § 2º, CPC). 
Ao declarar um ato nulo, o juiz dirá a que outros atos esta nulidade se estende. Nos termos do artigo 798 da CLT, 
o juiz proclamará nulo somente os atos posteriores que deste dependam ou sejam consequência.

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