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Resenha Crítica Linguística 4

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
 CENTRO DE LETRAS E ARTES
FACULDADE DE LETRAS
DEPARTAMENTO DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA
LINGUÍSTICA IV
 
 
Resenha crítica da interface: linguística e ensino.
Por:
 
Ana Beatriz Liberto Pereira (DRE 109066575)
Nicole Lencina Marques (DRE 109066656)
 									
 Entregue às professoras:
								Júlia Langer e Priscila Mouta
 
 
 
Rio de Janeiro, 2015
Introdução.
Ainda hoje temos muita discussão sobre o que é de fato o bom ensino da Língua Portuguesa nas escolas do Brasil. No texto de Teixeira e Santos (2005) vemos que há muitas maneiras de se abordar o ensino da nossa língua materna em sala de aula. Apesar de termos uma larga gama de abordagens, muitos especialistas e professores concordam num ponto comum: ao saírem da escola, os alunos deverão ser capazes de compreender e produzir diferentes gêneros textuais nos mais variados cenários sociocomunicativos. Com isso, atividades de leitura e produção textual estão ganhando mais espaço nas salas de aula de Língua Portuguesa.
No que concerne o ensino de gramática, ainda temos diferentes opiniões. Muitos professores ainda abordam o ensino da gramática de forma sistemática, muitos outros apoiam o esquecimento deste. O que é muito comum em abordagens do ensino de gramática é o uso do texto como base para o ensino de um determinado ponto gramatical. Porém, muitas vezes o texto usado fica somente de fachada e acaba servindo apenas para dar exemplos de classificações e nomenclaturas. 
Por outro lado, segundo Teixeira e Santos (2005), vemos um crescimento no número de professores que têm tentado abordar o ensino de gramática de forma mais produtiva. No texto, é citado três abordagens de ensino de língua portuguesa, segundo Travaglia (2009):
 Prescritiva: nesta abordagem os alunos são encorajados a substituir expressões linguísticas consideradas como erradas por outras tidas como corretas. É importante ressaltar que este tipo de abordagem se concentra no ensino da variedade culta da língua, ou seja, no ensino da gramática normativa. Claramente é um dever da escola ensina o padrão de norma culta da Língua Portuguesa, mas também é relevante que outras variações linguísticas sejam expostas.
 Descritiva: esta abordagem visa mostrar como a língua funciona, utilizando-se do ensino de gramática descritiva que traz um conhecimento teórico sobre a língua. Temos que considerar que uma vez que se domina determinada língua, o conhecimento da linguagem técnica pode ficar excluso. Apesar disso, o ensino descritivo tem seu espaço na sala de aula, mas também não pode ser a prioridade dela, uma vez que os PCN de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental (Brasil, 1998a) estabelecem que não devemos sobrecarregar os alunos com nomenclaturas, mas sim ensinar aquelas que sejam úteis em atividades de reflexão. Sendo assim, fica claro que o ensino descritivo não deve ser abandonado, ele apenas não pode ocupar um grande espaço na aula de Português, pois esta abordagem ainda tem sua importância já que facilita a referência a elementos da língua e pode ser um instrumento para ensinar os alunos a pensar, por exemplo.
 Produtiva: esta é uma abordagem que ajuda o aprendiz a aumentar seu conhecimento sobre os recursos da língua, desenvolvendo atividades linguísticas. Também nesta abordagem a língua é vista como instrumento da interação sociocomunicativa, e é levado em consideração também os mais variados tipos de discursos e variedades linguísticas existentes. Segundo Teixeira e Santos (2005), essa abordagem é muito eficiente, pois não deixa de lado o pré-conhecimento que o aluno já traz para sala de aula, e assim se faz capaz de desenvolver as capacidades linguísticas que o aprendiz tem.
		Após essa descrição vimos que a abordagem a ser priorizada deve ser a abordagem produtiva. Contudo, o que ainda vemos em sala de aula é o uso das abordagens prescritiva e descritiva. 
Abordagens no ensino de gramática
		Segundo Travaglia (2009) o professor tem quatro opções para ensinar gramática. É importante ressaltar que essas formas não necessitam ocorrer separadamente.
 Gramática teórica.
	Este tipo de ensino de gramática é tido como o que menos pode ocupar tempo na sala de aula, já que nele é focado a nomenclatura usada na gramática descritiva. É muito comum serem passados em sala conteúdos de classificação morfológica e funções sintáticas. Esta abordagem ainda tenta utilizar algum texto como base, mas o texto vira “pretexto” para extrair vocábulos e elementos linguísticos para serem analisados, para assim serem ensinadas as classificações e regras de funcionamento da língua. 
 Gramática normativa.
		O que é valorizado neste tipo de gramática é a normal culta escrita da Língua Portuguesa, ignorando as mais diversas variações que encontramos em nossa língua. Qualquer produção incomum a este tipo de gramática é considerada um erro e deve ser evitada e corrigida pelo aprendiz. Quando o professor usa esta abordagem, geralmente são usadas atividades de concordância e de regência verbal e nominal, por exemplo. 
 Gramática de uso.
	Neste tipo de gramática, é feito um trabalho de conhecimento prático da língua, com isso, as diferentes formas linguísticas, inclusive a culta, são levadas em consideração em atividades que os alunos têm que utilizar recursos e regras da língua. O professor pode criar exercícios de produção e compreensão textual e de vocabulário, por exemplo. Neste tipo de gramática, os exercícios podem ajudar os alunos a perceber que texto oral e escrito têm peculiaridades diferentes e específicas, o que seria feito num exercício de retextualização, por exemplo. 
 Gramática reflexiva. 
	Este tipo de gramática é focada nos efeitos de sentido que os elementos linguísticos escolhidos pelo interlocutor podem vir a ter em uma interação. Aqui os alunos são desafiados a tentar entender as escolhas do interlocutor. Como exemplo de exercícios, temos o uso de textos juntamente com perguntas sobre como a diferença na ordem das palavras, pode sim influenciar um certo entendimento. 
Análise linguística.
Nesta parte do texto, Teixeira e Santos (2005), introduzem considerações feitas pelos PCN de Língua Portuguesa. Nos PCNs do ensino médio, por exemplo, é afirmado que toda análise gramatical, deve considerar o texto como base. Os PCNs do ensino fundamental, favorecem um ensino de gramática pautado no uso e na reflexão sobre a língua e a linguagem. 
De acordo com os PCNs, é com a prática da análise linguística que se espera que os alunos sejam capazes de construir conhecimentos sobre o sistema linguístico para práticas de escuta, leitura e produção de textos, assim como se apropriem das ferramentas necessárias para fazerem análises e reflexões linguísticas e reconheçam as mais diversas variantes da Língua Portuguesa. 
A análise linguística nada mais é que uma nova perspectiva de reflexão sobre a língua e seus usos, com vistas ao tratamento escolar de fenômenos gramaticais, textuais e discursivas, como afirma Mendonça (2006: 205). Para Travaglia (2009) a análise linguística que se identifica com a proposta de gramática reflexiva, tem como objetivo ampliar a consciência dos alunos sobre fenômenos gramaticais e textual-discursivos. Tal reflexão pode ser feita com textos retirados da mídia social cotidiana, por exemplo. 
Tavares e Santos (2005), alguma características da análise linguística valem ser destacadas, tais como: integração da análise linguística com a leitura e a produção de texto, a ênfase nos efeitos dos sentidos associados aos gêneros textuais, entre outras... Uma vez que a análise linguística está diretamente ligada à leitura e produção de textos, é apropriado também que o estudo sobre gêneros textuais se amplie. 
Propostas de atividades.
A partir deste momento do texto, Teixeira e Santos (2005) sugerem duas maneiras de trabalhar a análise linguística: (a) atividades de linguística classificatória e/ou explicativa em que se pode usar uma metalinguagem técnica; (b) atividades de análise