Direito ADM II   1 a 16 CASOS CONCRETOS
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Direito ADM II 1 a 16 CASOS CONCRETOS


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SEMANA 01 - CASO CONCRETO
Maria, jovem integrante da alta sociedade paulistana, apesar de não trabalhar, reside há dois anos em um dos bairros nobres da capital paulista, visto que recebe do Estado de São Paulo pensionamento mensal decorrente da morte de se u pai, ex-servidor público. Ocorre que, após voltar de viagem ao exterior, foi surpreendida com a suspensão do pagamento da referida pensão, em razão de determinação judicial. Em razão disso, deixou de pagar a conta de luz de sua c asa por dois meses consecutivos o que acarretou, após a prévia notificação pela concessionária prestadora do serviço público, o corte do fornecimento de luz em sua residência. Considerando a narrativa fática acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
A) À luz dos princípios da continuidade e do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de serviço público, é lícito o corte de luz realizado pela concessionária? 
 
 	O princípio da continuidade do serviço público consiste na exigência de que o serviço seja prestado de forma permanente, sem qualquer interrupção, visando assegurar estabilidade para os usuários por meio de sua manutenção de forma ininterrupta. Com tudo, a interrupção do serviço, após prévio aviso, quando houver inadimplemento do usuário, não caracteriza descontinuidade do serviço. Isto porque, a continuidade da prestação do serviço facultativo pressupõe o cumprimento de deveres por parte do usuário, notadamente o pagamento da tarifa. 
Por outro lado a falta de remuneração adequada, ante a aceitação do inadimplemento pelo usuário, poderia levar ao próprio colapso do serviço, o que afetaria a própria sociedade como um todo. Do mesmo modo, o equilíbrio econômico-financeiro do contrato restaria abalado caso a concessionária fosse obrigada a prestar o serviço ao consumidor inadimplente. 
 
B) O Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado irrestritamente à relação entre usuários e prestadores de serviços públicos? 
 	Neste caso, estamos diante de um conflito. Contudo, tal conflito já se encontra pacificado na doutrina e jurisprudência, pela aplicação do critério da especialidade, haja vista que a lei busca disciplinar relação especial de consumo (usuário de serviço público). Sendo assim, o CDC não se aplica irrestritamente aos serviços públicos, mas apenas de forma subsidiária.
SEMANA 02 - CASO CONCRETO
O Estado W resolve criar um hospital de refere\u302ncia no tratamento de doenc\u327as de pele. Sem dispor dos recursos necessa\u301rios para a construc\u327a\u303o e a manutenc\u327a\u303o do \u201cHospital da Pele\u201d, pretende adotar o modelo de parceria pu\u301blico-privada. O edital de licitac\u327a\u303o prevê\u302 que haverá\u301 a seleção dos particulares mediante licitação na modalidade de pregão presencial, em que será\u301 vencedor aquele que oferecer o menor valor da contraprestação a ser paga pela Administração estadual. Esta\u301 previsto também, no instrumento convocatório, que a Administração devera\u301, obrigatoriamente, deter 51% das ações ordinárias da sociedade de propo\u301sito especi\u301fico a ser criada para implantar e gerir o objeto da parceria. 
Esta cla\u301usula do edital foi impugnada pela sociedade empresa\u301ria XYZ, que pretende participar do certame. Diante disso, responda, justificadamente, aos itens a seguir. 
A) A modalidade e o tipo de licitac\u327a\u303o escolhidos pelo Estado W sa\u303o juridicamente adequados? 
A modalidade de licitação não é adequada, uma vez que a Lei prevê, obrigatoriamente, que a licitação ocorra na modalidade de concorrência. Já o tipo (critério de julga mento) está correto, uma vez que a Lei faculta a adoção desse critério de julgamento.
B) A impugnação ao edital feita pela sociedade empresa\u301ria XYZ procede? 
Sim, considerando que a Lei n º 11.079/2004 veda expressamente à Administração Pública ser titular da maioria do capital votante das sociedades de propósito específico criadas para implantar e gerir o objeto da parceria. 
SEMANA 03 - CASO CONCRETO
Recentemente, 3 (tre\u302s) entidades privadas sem fins lucrativos do Munici\u301pio ABCD, que atuam na defesa, preservac\u327a\u303o e conservac\u327a\u303o do meio-ambiente foram qualificadas pelo Ministe\u301rio da Justic\u327a como Organizac\u327a\u303o da Sociedade Civil de Interesse Pu\u301blico. Buscando obter ajuda financeira do Poder Pu\u301blico para financiar parte de seus projetos, as 3 (tre\u302s) entidades apresentaram requerimento a\u300 autoridade competente, expressando seu desejo de firmar um termo de parceria. 
Com base na narrativa fa\u301tica, responda a\u300s indagac\u327o\u303es abaixo, empregando os argumentos juri\u301dicos apropriados e a fundamentac\u327a\u303o legal pertinente ao caso. 
A) O poder pu\u301blico devera\u301 realizar procedimento licitato\u301rio (Lei n. 8666/93) para definir com qual entidade privada ira\u301 formalizar termo de parceria? 
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público é a qualificação jurídica conferida pelo Poder Público, por ato administrativo, às pessoas privadas sem fins lucrativos e que desempenham determinadas atividades de caráter social, atividades estas que, por serem de relevante interesse social, são fomentadas pelo Estado. A partir de tal qualificação, tais entidades ficam aptas a formalizar \u201ctermos de parceria\u201d com o Poder Público, que permitirá o repasse de recursos orçamentários para auxiliá-las na consecução de suas atividades sociais. 
B) Apo\u301s a celebrac\u327a\u303o do termo de parceria, caso a entidade privada necessite contratar pessoal para a execuc\u327a\u303o de seus projetos, faz-se necessa\u301ria a realizac\u327a\u303o de concurso pu\u301blico? 
Não. Por não integrarem a Administração Pública, as OSCIP\u2019s não se submetem às regras de concurso público, nos termos do art. 37, II, da CRFB.
SEMANA 04 - CASO CONCRETO
Uma determinada microempresa de ge\u302neros alimenti\u301cios explora seu estabelecimento comercial, por meio de contrato de locac\u327a\u303o na\u303o residencial, fixado pelo prazo de 10 (dez) anos, com te\u301rmino em abril de 2011. Entretanto, em maio do ano de 2009, a referida empresa recebe uma notificac\u327a\u303o do Poder Pu\u301blico municipal com a ordem de que deveria desocupar o imo\u301vel no prazo de 3 (tre\u302s) meses a partir do recebimento da citada notificac\u327a\u303o, sob pena de imissa\u303o na posse a ser realizada pelo Poder Pu\u301blico do munici\u301pio. Apo\u301s o te\u301rmino do prazo concedido, agentes pu\u301blicos municipais compareceram ao imo\u301vel e avisaram que a imissa\u303o na posse pelo Poder Pu\u301blico iria ocorrer em uma semana. Desesperado com a situac\u327a\u303o, o presidente da sociedade empresa\u301ria resolve entrar em contato imediato com o proprieta\u301rio do imo\u301vel, um fazendeiro da regia\u303o, que lhe informa que ja\u301 recebeu o valor da indenizac\u327a\u303o por parte do Munici\u301pio, por meio de acordo administrativo celebrado um me\u302s apo\u301s o decreto expropriato\u301rio editado pelo Senhor Prefeito. Indignado, o presidente da sociedade resolve ajuizar uma ac\u327a\u303o judicial em face do Munici\u301pio, com o objetivo de manter a vige\u302ncia do contrato ate\u301 o prazo de seu te\u301rmino, estipulado no respectivo contrato de locac\u327a\u303o comercial, ou seja, abril de 2011; e, de forma subsidia\u301ria, uma indenizac\u327a\u303o pelos danos que lhe foram causados. 
A partir da narrativa fa\u301tica descrita acima, responda aos itens a seguir, utilizando os argumentos juri\u301dicos apropriados e a fundamentac\u327a\u303o legal pertinente ao caso. 
A) E\u301 juridicamente correta a pretensa\u303o do locata\u301rio (microempresa) de impor ao Poder Pu\u301blico a manutenc\u327a\u303o da vige\u302ncia do contrato de locac\u327a\u303o ate\u301 o seu termo final? 
Não, a desapropriação libera o bem público de qualquer ônus real que incida sobre a propriedade anteriormente, visto