Apostila Climatologia Completa Carolina Dias
175 pág.

Apostila Climatologia Completa Carolina Dias


DisciplinaClimatologia2.087 materiais37.052 seguidores
Pré-visualização42 páginas
Climatologia \u2013 Carolina Dias de Oliveira \u2013 Aula 1 
 
AULA 1: Introdução à Climatologia 
 
Curso: Meio Ambiente 
Disciplina: Climatologia 
Conteudista: Carolina Dias de Oliveira 
Tutora: Camila Emídio Ribeiro 
 
 
 
 
 
 
1. Introdução à climatologia 
 
 
 
Figura 1.1. \u201cPara dar ordens à natureza é preciso saber obedecer-lhe\u201d - Francis Bacon. Fonte: 
http://greenpeace.blogtv.uol.com.br/img/Image/Greenpeace/2008/Marco/greenpeace.jpg 
 
 
 
 
Climatologia \u2013 Carolina Dias de Oliveira \u2013 Aula 1 
 
 
2 
O estudo do tempo e do clima é fundamental para a 
compreensão e manutenção do meio ambiente. Isso 
porque existe uma forte interação entre as quatro 
esferas do planeta - também chamadas de \u201cdomínios 
globais\u201d ou geoesferas \u2013 e que são responsáveis pelo 
equilíbrio do nosso sistema natural, formando um 
imenso geossistema planetário. Deste modo, 
podemos dividir estes domínios em: litosfera, 
hidrosfera, atmosfera e biosfera. (ver figura 1.2 
abaixo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.2. O tempo e o clima no contexto das ciências naturais. Fonte: AYOADE, 1996, p.1 
 
 
A litosfera corresponde à camada rochosa do nosso planeta, incluindo o solo, 
as rochas e todo o material tectônico existente da crosta ao núcleo. A 
hidrosfera abrange toda a porção líquida da Terra, incluindo lagos, rios e 
oceanos. Já a atmosfera \u2013 da qual trataremos com maior profundidade para o 
estudo do clima \u2013 corresponde à porção gasosa deste sistema, incluindo as 
nuvens, o ar que respiramos e todos os mecanismos associados ao clima, tais 
como chuvas, geadas, tornados, etc. Por fim, da junção destes três domínios 
globais anteriores temos a formação da biosfera, que como o próprio nome diz, 
se relaciona à formação da vida na Terra, isto é, abrange a formação das 
Geossistema: corresponde aos dados 
ecológicos relativamente estáveis. 
Ele resulta da combinação de fatores 
geomorfológicos (natureza das 
rochas e dos mantos superficiais, 
valor de declive, dinâmica das 
vertentes[...]), climáticos 
(precipitações, temperaturas [...]), 
hidrológicos (niveis freáticos, 
nascentes, pH da água, tempos de 
ressecamento dos solos [...]), 
portanto, é o potencial ecologico do 
geossistema. Fonte: BERTRAND, 
1971, citado por ROSS, Jurandyr, 
2006, p.31 
 
 
Climatologia \u2013 Carolina Dias de Oliveira \u2013 Aula 1 
 
 
3 
plantas e dos animais, incluindo o próprio homem. Nas 
palavras de CONTI & FURLAN (In: ROSS, 2003, p.72), 
\u201ca biosfera pode ser vista como a área da crosta 
terrestre na qual as radiações cósmicas são 
transformadas em energia elétrica, química, mecânica, 
térmica, etc, todas elas consideradas eficazes para a 
vida\u201d. 
 
Deste modo, se ocorrer algum desequilíbrio em uma 
destas esferas, a outra certamente poderá ser afetada e 
vice-versa, formando um ciclo de interações que podem 
ser desastrosas para a natureza e até para o próprio 
homem. Veja um exemplo: em janeiro deste ano, uma 
quantidade excessiva de chuvas atingiu toda a porção 
sudeste do país e que proporcionou um deslizamento 
de terra sobre a região da Serra do Mar, em especial 
nas áreas mais íngremes do litoral carioca como Angra 
dos Reis e Ilha Grande. Como conseqüência houve um 
grave soterramento de pessoas em meio a escombros e 
casas destruídas, gerando mortes e grandes perdas 
materiais e econômicas para as pessoas e famílias atingidas. 
 
Agora se observarmos o ocorrido sob uma visão geossistêmica, primeiro houve 
um desequilíbrio na litosfera, a partir da ocupação desordenada de morros e 
encostas, que por sua vez associou-se à um desequilíbrio na atmosfera e na 
hidrosfera, a partir da ocorrência de chuvas mais intensas e fortes do que o 
esperado sobre a região sudeste. E, na medida em que essa grande 
quantidade de chuvas precipitou sobre áreas muito íngremes favoreceu o 
escoamento pluvial e a formação do deslizamento de terra. Logo, para estudar 
o clima, faz-se necessário compreender que vivemos em um ambiente 
integrado e sistêmico, em que qualquer alteração na natureza pode acarretar 
mudanças em outras esferas do planeta. 
 
Deslizamento de terra: é um 
fenômeno geomorfológico que 
provoca fortes movimentos de massa, 
tais como quedas de rochas, falência 
de encostas em profundidade e fluxos 
superficiais de detritos e solos. A 
massa só se deslocará se tiver 
fragmentada e muito instável, sendo 
que a água atua como agente 
facilitador do processo. Os 
movimentos de massa podem ser 
classificados conforme a velocidade 
com que ocorrem, conforme o plano 
de deslizamento, deformação 
resultante do processo e tipos de 
materiais envolvidos. 
http://www.saiunojornal.com.br/wp-
content/uploads/2010/01/Fotos-
Imagens-frontal-Pousada-Sankay-
deslizamento-Praia-do-Bananal-em-
Ilha-Grande-Angra-dos-Reis-RJ.jpg 
 
Climatologia \u2013 Carolina Dias de Oliveira \u2013 Aula 1 
 
 
4 
1.1. Tempo e clima 
 
Os termos tempo e clima não são sinônimos como o senso comum e o uso 
cotidiano erroneamente associam. Segundo AYOADE (1996, p.2), por TEMPO 
entende-se \u201co estado médio da atmosfera numa dada porção de tempo e em 
determinado lugar\u201d. Já o CLIMA, \u201cé a síntese do tempo num dado lugar durante 
um período de aproximadamente 30-35 anos\u201d, e que, portanto, exige um maior 
número de dados para ser classificado. Ou seja, o clima é algo dinâmico e 
generalizado e seu estudo está fundamentado na observação prolongada dos 
tipos de tempo, ao passo que o tempo refere-se à um estado mais 
momentâneo destas condições da atmosfera, lidando com eventos mais 
específicos e que variam com maior freqüência. 
 
Para ilustrar melhor estes conceitos podemos fazer uma analogia a um álbum 
de fotografias. As fotografias (figura 1.3) representam diferentes momentos 
das condições atmosféricas, representando, portanto, as diferentes fases do 
TEMPO, que pode ser alterado por diversas vezes dentro de um mesmo dia 
(de manhã está com neblina, faz sol à tarde e chove à noite, por exemplo). Da 
coleção destas \u201cfotos\u201d temos diversos registros das condições atmosféricas 
durante um determinado período, formando um álbum (Figura 1.4.) que deve 
ser de no mínimo 30 anos, e que conjuntamente indica e estabelece qual é o 
tipo climático predominante para a região analisada, configurando assim o 
CLIMA. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.3. Fotografias. Fonte: 
http://cybellef.tripod.com/Engler/al
bum/images/album.jpg acessado 
em 07/01/2010. 
Figura 1.4. Álbum de fotos 
Fonte: 
http://digasim.files.wordpress.
com/2007/10/9.jpg 
 
 
Climatologia \u2013 Carolina Dias de Oliveira \u2013 Aula 1 
 
 
5 
De modo aplicado, ao afirmar que um determinado país ou região é quente e 
úmido, estamos nos referindo ao CLIMA, e quando mencionamos se está 
chovendo ou nevando, se está frio ou quente naquele momento específico do 
dia, fazemos referência ao TEMPO. 
 
1.2. Climatologia X Meteorologia 
 
Outro erro que ocorre no senso comum é a abordagem dos termos climatologia 
e meteorologia como sinônimos. Apesar de terem o mesmo objeto de estudo, 
as finalidades, metodologias e aplicações de cada uma são significativamente 
distintas. Também segundo AYOADE (1996, p.2), a METEOROLOGIA define-
se como \u201ca ciência da atmosfera e se relaciona ao estado físico, dinâmico e 
químico da atmosfera e às interações entre eles e a superfície terrestre 
subjacente\u201d. Já a CLIMATOLOGIA geralmente