AULA 04 (3)
8 pág.

AULA 04 (3)


DisciplinaAvaliação da Aprendizagem2.875 materiais93.213 seguidores
Pré-visualização2 páginas
AULA 04 - Alfabetização em uma perspectiva construtivista
Para dar início ao estudo desta aula, pense no processo de construção da escrita de uma criança e reflita sobre as questões a seguir.
? Que olhar devemos lançar para a escrita das crianças?
? Qual é a lógica da criança no processo de construção da escrita?
? O erro pode contribuir para a aprendizagem?
Essas são algumas das questões que discutiremos nesta aula.
Piaget - Construtivismo
Emília Ferreiro desenvolveu a pesquisa denominada \u201cA Psicogênese da Escrita\u201d, que tem como pressuposto a Teoria Construtivista elaborada por Jean Piaget.
Confira os pressupostos da teoria construtivista do suíço Jean Piaget.
Um sujeito que cresce e se desenvolve na interação com o meio no qual está inserido. Um homem que é inteligente e construtor do seu conhecimento.
Desenvolvimento impulsionado pela aprendizagem. Os indivíduos crescem de forma semelhante, passando por estágios de desenvolvimento com características comuns aos diferentes homens.
O homem na perspectiva piagetiana é um \u201csujeito universal\u201d, é um sujeito inteligente que constrói o seu conhecimento na sua relação com o meio físico e social.
Agora, conheça a pesquisa feita por Emília Ferreiro.
Com base nos estudos de Piaget, Emília Ferreiro desenvolveu a pesquisa, em seu trabalho de doutorado, investigando como as crianças constroem o seu conhecimento sobre a língua escrita.
Com a orientação do professor Piaget, Emília Ferreiro observou em seu estudo diferentes crianças em situações de escrita. Era uma pesquisa experimental, mas não em situações de sala de aula com crianças sendo alfabetizadas.
Emília Ferreiro \u2013 A Psicogênese da Escrita
Como acabamos de ver, diferentes crianças foram colocadas em situações de leitura e escrita. Com base nas observações, Emília Ferreiro formulou a \u201cPsicogênese da Escrita\u201d.
Na recente pesquisa de Ferreiro & Teberosky (1979) sobre a psicogênese da linguagem escrita, as autoras apontam justamente que os métodos de alfabetização e os procedimentos de ensino baseados em concepções adultas não estão de acordo com os processos de aprendizagem e as progressões das noções infantis sobre a escrita. Partindo do pressuposto de que a criança é sujeito ativo e conhecedor, elas indicam a importância de se compreender a lógica interna das progressões das noções infantis sobre a escrita, mostrando que as crianças exigem de si mesmas uma coerência rigorosa no processo de construção do conhecimento.
Assumindo a perspectiva de epistemologia piagetiana e observando, desta ótica, o esforço das crianças para a compreensão da correspondência entre a dimensão sonora e a extensão gráfica na escrita alfabética, Ferreiro & Teberosky (1979) evidenciam o que elas chamam de conflito cognitivo no processo de construção do conhecimento sobre a escrita. Nesse processo, elas mostram a importância do erro como fundamentalmente construtivo na superação de contradições e conflitos conceituais, explicitando, numa progressão, etapas e hipóteses que as crianças levantam sobre a escrita.
Assim também, Ferreiro & Palácio (1982:131) argumentam que apesar dos esforços dos docentes para fazerem as crianças compreenderem de imediato as correspondências fonéticas que estão na base do sistema de escrita alfabética, isto não ocorre, o que não quer dizer que as crianças não aprendam. Elas aprendem e avançam. Recebem informação e a transformam. O processo de aprendizagem não é conduzido pelo professor, mas pela criança. 
Referência: SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. Discutindo pontos de vista. In: A criança na fase inicial da escrita. Ed. Cortez, 1991.
A seguir, você conhecerá os níveis da psicogênese da língua escrita estudados por Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
NÍVEL 1 \u2013 PRÉ -SILÁBICO
NÍVEL 2 \u2013 PRÉ-SILÁBICO
NÍVEL 3 \u2013 SILÁBICO
NÍVEL 4 \u2013 SILÁBICO-ALFABÉTICO (PERÍODO DE TRANSIÇÃO)
NÍVEL 5 \u2013 ALFABÉTICO
Contribuições de Emília Ferreiro para o Processo de Alfabetização
O estudo de Emília Ferreiro pode nos ajudar com as seguintes questões:
Com base nos estudos de Emília Ferreiro, como podemos olhar para a escrita das crianças?
Como pensar diferentes escolas e propostas de alfabetização que foram sendo organizadas tendo como base a pesquisa de Emília Ferreiro?
Reflita sobre essas questões, mas lembre-se que Emília Ferreiro não criou um método de alfabetização. Portanto, é um equívoco a indicação de que existe o método construtivista. Cabe ao professor organizar situações pedagógicas que considerem o ponto de vista construtivista.
Mudando o foco da alfabetização, Emília Ferreiro buscou identificar a lógica da criança no processo de construção da escrita.
Podemos identificar algumas contribuições do trabalho desenvolvido por Emília Ferreiro:
\u2022 olhar o processo de aprendizagem do ponto de vista da criança, mudando o foco do como se ensina para o como se aprende;
\u2022 o erro passa a ser visto como um momento construtivo do processo de aprendizagem;
\u2022 necessidade de organizar o trabalho pedagógico tendo como referência o conhecimento da criança.
Um outro ponto de vista (que se contrapõe ao primeiro) seria o da construção individual do conhecimento, que considera a escrita como um objeto de conhecimento, que analisa o "conflito cognitivo" no processo de aprendizagem e vê o erro como fundamentalmente construtivo no processo. Leva em conta as tentativas e as hipóteses infantis relativas à escrita como representação da fala (relação dimensão sonora/extensão gráfica), analisando a escrita  inicial em termos de níveis de desenvolvimento. 
As implicações pedagógicas desse ponto de vista começam, agora, a se esboçar, a partir do trabalho de Ferreiro, Teberosky & Palácio. Contudo, ao invés de se tomar o estudo de Ferreiro & Teberosky como contribuição para o entendimento dos processos de aquisição da escrita, tem-se reduzido o ensino da escrita à questão da correspondência gráfico-sonora, categorizando crianças e turmas de crianças em termos de níveis de hipóteses, quando o processo de leitura e escrita abrange outros aspectos e outras dimensões. 
O conflito cognitivo apontado por Ferreiro não pode, sem dúvida alguma, ser ignorado. Mas o que também deve ser levado em consideração é que, entremeados nessa questão, estão os aspectos das funções e configurações da escrita, da dimensão simbólica e do processo de conceitualização e elaboração das experiências, da metalinguagem, além do conflito social mencionado anteriormente.
Referência: SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. Discutindo pontos de vista. In: A criança na fase inicial da escrita. Ed. Cortez, 1991
		1.
		Existe uma frase que sintetiza um pouco da contribuição que Emília Ferreiro trouxe para a alfabetização: "A criança aprende a ler lendo, a criança aprende a escrever escrevendo". Das práticas abaixo, qual está em desacordo com a premissa citada? Marque a reposta correta.
	
	
	
	
	
	Pedro, aos 4 anos de idade, lê o seu nome e o nome dos amigos na chamadinha diária. Quando um colega falta, Pedro é o primeiro a pegar seu nome e colocar do outro lado na sala, numa parede cujo nome é SAUDADE.
	
	
	Pedro, aos 4 anos de idade participou da feira de literatura do colégio e escolheu para a leitura um livro cuja capa trazia escrita a palavra pipoca. Abriu o exemplar e tentou encontrar a palavra em cada uma das folhas.
	
	
	Pedro leva para casa toda a semana 2 livros, de sua livre escolha, e lê com a família. Após a leitura, escolhe uma forma de interpretá-lo: ou desenha ou narra a história para seus colegas na rodinha. Cada dia 2 crianças apresentam os resultados de sua leitura aos colegas e explicam o porque daquela representação.
	
	
	Pedro todos os dias escolhe um dos gibis que existem na gibiteca da sala para brincar de ler. Já conhece alguns dos personagens da Turma da Mônica e se identifica bastante com o Cebolinha.
	
	 
	Pedro leu todo o silabário da palavra PETECA, depois que a professora trabalhou os brinquedos que fazem parte da nossa cultura, ele repetiu 2 vezes cada