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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO
GRANDE DO SUL
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
COORDENADORIA DE DESENVOLVIMENTO
ACADÊMICO
Português Instrumental para o Direito – 1218B-04 T. 169 e 489
MANUAL
Professora: ANA MÁRCIA MARTINS DA SILVA
2015/2
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PLANO DE DISCIPLINA
2 EMENTA
Estudo da estrutura do texto, do parágrafo e da frase. Análise, produção e reescrita de textos, considerando os seguintes
tópicos: norma culta e variação linguística, correção e adequação linguística em diferentes situações de uso profissional,
regras de funcionamento da escrita.
3 OBJETIVOS
Propiciar situações que permitam ao aluno a caracterização de textos a partir de sua funcionalidade. Desenvolver
competências de leitura e produção de textos a partir do estudo de aspectos fundamentais que constituem os diferentes tipos
textuais. Oportunizar situações para que o aluno possa rever e criticar o seu próprio trabalho, exercitando atividades de
análise, crítica e reelaboração.
4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. Prática de leitura e de produção de textos de diversos tipos.
2. Noções fundamentais sobre estrutura e conteúdo.
3. Fatores de textualidade: coesão, coerência, clareza, informatividade, intertextualidade, conhecimento de mundo partilhado
e adequação.
3. Revisão e reescrita orientada dos textos produzidos.
4. Linguagem jurídica
5. Revisão gramatical
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Prática de leitura, produção, revisão e reescrita de textos, com ênfase no emprego adequado da língua portuguesa culta
padrão. Resolução de exercícios gramaticais ao estilo da prova de proficiência e das de concursos para a área jurídica.
6 RECURSOS
Textos teóricos. Textos de diferentes tipos e gêneros. Exercícios variados, inclusive utilizando os objetos de aprendizagem
do LAPREN.
7 PROCEDIMENTOS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
A nota do G1 será a soma das notas de duas provas e das produções textuais realizadas ao longo do semestre. (P1 + P2 +
Produções textuais/ 2)/3
8 CRONOGRAMA
04/8 Apresentação da disciplina, do cronograma e dos critérios de avaliação.
A acentuação gráfica a partir do Acordo Ortográfico de 1990
11/8 Noção de texto – Tipos de textos - Descrição, narração e dissertação / Produção Textual I
18/8 Polifonia e modalização na narrativa do texto jurídico / Atividade Prática I
25/8 Variações linguísticas: aspectos linguísticos e comunicativos; linguagem jurídica.
Releitura e 1ª Reescrita da Produção Textual I
01/9 Organização das informações de forma clara e coesa: princípios gerais de redação. Análise de peça jurídica /
Atividade Prática II
08/9 Textualidade, coesão e coerência / Atividade Prática III
15/9 PROVA 1
22/9 Narrativa simples e produção de relatório: características / Atividade Prática IV
29/9 Qualidade estilística da frase
2ª reescrita da PT I (a partir da correção da Profª.)
06/10 Estrutura do período simples e pontuação / Atividade Prática V
20/10 Estrutura do período composto e pontuação / Atividade Prática VI
27/10 Regência e crase / Atividade Prática VII
03/11 Problemas de construção
Produção Textual II – redação de uma peça jurídica
10/11 Correção de exercícios: problemas de construção.
Releitura e 1ª Reescrita da Produção Textual II
17/11 2ª reescrita da PT II (a partir da correção da Professora)
24/11 PROVA 2
01/12 Reserva técnica – Destinada à recuperação de Prova perdida por ausência justificada
Devolução da PROVA 2
08/12 G2
Observações: Este cronograma tem caráter provisório. Qualquer alteração que venha ocorrer será informada ao aluno com
antecedência.
O desenvolvimento do conteúdo em aula pressupõe a leitura antecipada dos textos teóricos indicados.
9 BIBLIOGRAFIA
9.1 BIBLIOGRAFIA BÁSICA
KÖCHE, V. S.; BOFF, O. M. B.; PAVANI, C. F. Prática textual. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2009.
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em textos. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2009.
XAVIER, Ronaldo Caldeira. Português no Direito. Rio de janeiro: Forense, 2000.
9.2 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
AMBRÓSIO, Márcia. O uso do portfólio no ensino superior. Petrópolis, RJ : Vozes, 2013.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de textos para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 1992.
GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.
KÖCHE, V. S.; BOFF, O. M. B.; MARINELLO, A. F. Leitura e produção textual. Petrópolis: Vozes, 2010.
3
SUMÁRIO
AULA 01
Apresentação da disciplina, do cronograma e dos critérios de avaliação.
A acentuação gráfica a partir do Acordo Ortográfico de 1990
04
AULA 02
Noção de texto – Tipos de textos - Descrição, narração e dissertação / Produção Textual I
04
AULA 03
Polifonia e modalização na narrativa do texto jurídico / Atividade Prática I
05
AULA 04
Variações linguísticas: aspectos linguísticos e comunicativos; linguagem jurídica. / Releitura e 1ª
Reescrita da Produção Textual I
07
AULA 05
Organização das informações de forma clara e coesa: princípios gerais de redação.
Análise de peça jurídica / Atividade Prática II
08
AULA 06
Textualidade, coesão e coerência / Atividade Prática III
12
AULA 07
Prova 1
14
AULA 08
Narrativa simples e produção de relatório: características / Atividade Prática IV
14
AULA 09
Qualidade estilística da frase / 2ª reescrita da PT I (a partir da correção da Prof.ª)
15
AULA 10
Estrutura do período simples e pontuação / Atividade Prática V
17
AULA 11
Estrutura do período composto e pontuação / Atividade Prática VI
18
AULA 12
Regência e crase / Atividade Prática VII
19
AULA 13
Problemas de construção / Produção Textual II – redação de peça jurídica
22
AULA 14
Correção de exercícios. / Releitura e 1ª Reescrita da Produção Textual II
23
AULA 15
2ª reescrita da PT II (a partir da correção da Prof.ª)
23
Referências 24
Anexo 25
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AULA 01
CONTRATO DIDÁTICO
Para o bom funcionamento de nossa disciplina, algumas combinações são necessárias.
1. Os alunos deverão manter-se sempre informados sobre o cronograma da disciplina e atualizados sobre os conteúdos
desenvolvidos em aula.
2. Não serão respondidos e-mails sobre avaliações. Todo e qualquer contato deverá ser pessoal com a professora.
3. As provas e as produções textuais só serão resolvidas em aula. A ausência nas datas previstas para sua realização
deverá ser justificada à secretaria do curso ou à professora por meio de atestado (médico ou de trabalho) ou
comprovante de participação em evento da faculdade do aluno.
4. A recuperação de prova OU de produção textual perdida será feita na aula denominada “Reserva Técnica”, no final do
semestre, antes da G2. O aluno somente poderá recuperar UMA das avaliações perdidas.
5. As datas finais de entrega de tarefas não serão prorrogadas, a menos que haja um impedimento institucional.
6. As atividades práticas a serem entregues fazem parte da aula dada e não são recuperáveis.
7. A nota das atividades práticas funcionará como nota de substituição de P1 ou de P2 desde que as questões
propostas sejam devidamente respondidas no período estipulado.
8. A nota de G1 levará em conta as provas e as produções textuais.
9. O aluno deverá fazer-se presente em, pelo menos, 75% dos períodos desta disciplina, pois não serão abonadas
faltas, a menos que haja autorização expressada secretaria do curso.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
1. Duas provas, valendo 10,0 cada uma.
2. Duas produções textuais, valendo 10,0 cada uma.
3. O cálculo de G1 terá, então, a seguinte fórmula: (P1 + P2 + Média das produções textuais)/3 = G1
AULA 02
NOÇÃO DE TEXTO – TIPOS DE TEXTO
Definição de tipo e gênero textual
É impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum gênero, assim como é impossível se comunicar
verbalmente a não ser por algum texto.
Esta visão segue a noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva; privilegia a natureza
funcional e interativa. A língua é tida como uma forma de ação social e histórica, que, ao dizer, também constitui a
realidade sem, contudo, cair num subjetivismo ou idealismo ingênuo. Neste contexto os gêneros textuais se constituem
como ações sociodiscursivas para agir sobre o mundo e dizer o mundo, constituindo-o de algum modo.
Texto é uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual.
Discurso é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância discursiva. O discurso se
realiza nos textos.
Domínio Discursivo
É uma esfera ou instância de produção discursiva ou de atividade humana. Não são textos nem discursos,
mas propiciam o surgimento de discursos bastante específicos: discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso
religioso, discurso político, etc.
TIPOS TEXTUAIS
São uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas).
1. Narração Verbo de mudança no passado, um circunstancial de tempo e lugar. Enunciado indicativo de ação.
Ex.: Os passageiros aterrissaram em Nova York no meio da noite.
2. Argumentação Uma forma verbal com o verbo ser no presente e um complemento. Enunciado de qualidade.
Ex.: A obsessão com a durabilidade nas Artes não é permanente.
3. Exposição (a) sintética pelo processo de composição: um sujeito e um predicado (no presente) e um
complemento com um grupo nominal. Enunciado de identificação de fenômenos. Ex.: Uma parte do cérebro é o córtex;
(b) analítica pelo processo de decomposição: um sujeito, um verbo da família do verbo ter (ou verbos como contém,
consiste, compreende) e um complemento que estabelece com o sujeito uma relação parte-todo. Enunciado de ligação
de fenômenos. Ex.: O cérebro tem dez milhões de neurônios.
4. Descrição Estrutura simples com um verbo estático no presente ou imperfeito, um complemento e uma indicação
circunstancial de lugar.
Ex.: Sobre a mesa havia milhares de vidros.
5. Injunção Um verbo no imperativo. Enunciados incitadores à ação. Podem assumir configuração mais longe, em
que o imperativo é substituído por “deve”.
Ex.: Pare! Seja razoável.
São constructos teóricos por propriedades linguísticas intrínsecas e constituem-se em sequências linguísticas ou
enunciados no interior dos gêneros; não são textos empíricos.
GÊNEROS TEXTUAIS
São realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sociocomunicativas, constituindo-se em textos
empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas. Abrangem um conjunto aberto e
praticamente ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função.
Exemplos de gêneros: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, aula expositiva,
reunião de condomínio, horóscopo, receita culinária, lista de compras, cardápio, instruções de uso, outdoor, resenha,
inquérito policial, conferência, bate-papo virtual, etc.
Os gêneros são, em última análise, o reflexo das estruturas sociais recorrentes e típicas de cada cultura.
Adaptado de: MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
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APLICAÇÃO NO DIREITO
O profissional do Direito precisa dominar os tipos textuais para poder reconhecê-los adequadamente e utilizá-los
nas mais variadas peças jurídicas com as quais deverá trabalhar. É comum que elas apresentem mais de uma estrutura
em sua organização, como se pode ver no esquema a seguir.
Extraído de: Interpretação e produção de textos aplicadas ao Direito. Curso de Direito — Coletânea de Exercícios. Curso de Direito da Universidade
Estácio de Sá.
Narrativa simples e narrativa valorada no discurso jurídico
Na narração de uma peça processual, constam os fatos importantes do caso concreto, já que, para o
reconhecimento de um direito, parte-se do fato gerador do conflito. Essa narração, no entanto, poderá ser parcial ou
imparcial: no primeiro caso, envolverá aspectos subjetivos, oriundos da percepção do profissional do Direito, o que a
caracterizará como narrativa valorada; no segundo, apenas aspectos objetivos, baseados nas evidências, o que a
caracterizará como narrativa simples.
A estruturação da narrativa simples é a que demanda mais esforços do produtor do texto, porque a tendência
nos discursos é a presença de adjetivação constante, o que, em tese, aumenta seu poder de persuasão.
EXERCÍCIO
ANALISE A PETIÇÃO A SEGUIR A PARTIR DOS ITENS ABAIXO.
1. Identifique os tipos de texto presentes (descrição, narração, exposição, argumentação, injunção) na
petição.
2. Transcreva três frases em que haja presença de valoração.
3. Corrija os trechos destacados em negrito e devidamente identificados com as letras do alfabeto.
a) ______________________________________________________________________
b) ______________________________________________________________________
c) ______________________________________________________________________
d) _____________________________________________________________________
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE
................................................. (qualificação), portador da Cédula de Identidade/RG nº ...., residente e domiciliado na Rua .... nº ....,
por meio de seus procuradores infra firmados, com escritório na Rua .... nº ...., vem mui respeitosamente à presença de Vossa
Excelência propor
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE
com fundamento no art. 282 do Código de Processo Civil cumulado com a Lei nº 8.560/92, contra .... (qualificação), com endereço
comercial na Rua .... nº ...., ou Rua .... nº ...., em ...., Estado do ...., pelas razões de fato e fundamentos de direito que passa a expor:
A mãe do requerente, moça simples, de poucas posses, trabalhou no Hospital .... desde o ano de .... até .... (carteira de trabalho em
anexo). Porém, em meados de .... de ...., internou-se, no referido hospital, o senhor ...., pai do investigado. A partir de tal fato, .... (o
investigado) e seu irmão ...., tornaram-se presenças constantes no local.
Desde então, (a) os encontros que se davam nos corredores do hospital, de (b) forma meramente casuais, tornaram-se
frequentes e propositais. O investigado e seu irmão começaram a abordar .... e sua amiga ...., respectivamente.
(c) As moças de origem humilde, deixaram-se envolver pelos rapazes ricos que as cortejavam. Então, os encontros começaram
a acontecer na casa de um amigo em comum, no Edifício ...., e até mesmo na residência do investigado, um apartamento localizado
em cima da loja ...., quando da ausência de sua mulher.
O namoro, que durou vários meses, tornou-se sério e consequentemente íntimo, sendo que à época deste coincide com a da
concepção do autor. Durante o romance a mãe do requerente teve uma conduta de total fidelidade para com seu companheiro.
Entretanto, quando soube da gravidez, o investigado terminou o relacionamento, abruptamente, sem dar qualquer satisfação.
Após o rompimento a mãe do Requerente se viu totalmente desamparada, com a responsabilidade de criar o filho sozinha.
Dedicando-se exclusivamente para tal, a mãe do Requerente não veio a secasar devido ao trauma causado pelo abandono.
Deve-se ressaltar que a paternidade do Autor nunca foi escondida do investigado. Porém, a mãe do Requerente apenas não procurou
os direitos de seu filho antes por ser (d) humilde e, porque teve medo de represálias, uma vez que fora ameaçada em todas as
oportunidades que reivindicou a paternidade do investigado.
PRODUÇÃO TEXTUAL I
- Tarefa a ser entregue em aula -
AULA 03
Polifonia e Modalização narrativa do texto jurídico.
O discurso jurídico é dotado de polifonia. Ou seja, além da voz narradora, outros elementos estão presentes
como vozes. É o caso das partes, testemunhas, autoridade. Para introduzi-los no discurso, pode-se usar a referência
direta ou indireta, por meio de citações e paráfrases.
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As paráfrases e citações constituem um recurso frequente nos textos jurídicos. Para introduzi-las, utilizam-se os
verbos dicendi: dizer, afirmar, declarar, etc. Dessa forma, garantimos neutralidade ao discurso, deixando a carga
interpretativa para a voz introduzida. Entretanto, se utilizarmos verbos como “destacar”, “garantir”, “asseverar”,
“ponderar”, introduzimos uma informação extraperceptível via interpretação. Assim se constrói a modalização/modulação
do discurso.
Vale destacar que o discurso direto atribui veracidade ao que foi enunciado, enquanto o indireto possibilita ao
narrador carregar o enunciado de marcas expressivas (modalizações) que melhor atendam às suas intenções.
Observe:
(1) João Pedro disse: “Não vou lhe avisar outra vez.”
João Pedro disse que não ia lhe avisar outra vez.
João Pedro advertiu que não ia lhe avisar outra
vez.
(2) Marcos garantiu que não tinha sido ele.
Marcos disse que não tinha sido ele.
Marcos alegou que não tinha sido ele.
(3) João Carlos da Silva escapou.
João Carlos se safou.
Janjão escafedeu-se.
(4) O candidato ganhou as eleições por uma diferença
de 45% dos votos.
O candidato arrasou nas eleições por uma
diferença de 45% dos votos.
O candidato deu um banho nas eleições por uma
diferença de 45% dos votos.
Modalidade do discurso
A polaridade e a modalidade são recursos interpessoais da linguagem. A polaridade ocorre em respostas a
perguntas do tipo sim/não. A modalidade, por sua vez, pode ocorrer como probabilidade, usualidade, obrigação e
prontidão.
A probabilidade e a usualidade servem a proposições (declarações e perguntas). É o caso propriamente
dito de modalização. A obrigação e a prontidão, por sua vez, servem a propostas (ofertas e comandos). É o caso
da modulação.
Valores da modalidade:
Sempre com base na polaridade, a modalidade pode trazer um grau alto, médio ou baixo de julgamento.
– Grau alto: “certamente”, “sempre”; – Grau médio: “provável”, “usualmente”; – Grau baixo: “possível”, “às
vezes”.
A função interpessoal também ocorre por meio do metadiscurso. O metadiscurso consiste em “comentários”
do locutor que permeiam seu discurso. O metadiscurso pode ser analisado por meio de seus índices (tarefa da
interpretação).
Índices do metadiscurso:
Marcadores ilocucionais:
– “afirmo”, “prometo”, “discuto”, “por
exemplo”...
Narradores:
– “O diretor informou que...”
Salientadores:
– “mais necessário”, “mais importante”...
Enfatizadores:
– “sem dúvida”, “é óbvio”, “é lógico”...
Marcadores de validade:
– “pode”, “deve”, “talvez”...
Marcadores de atitude:
– “infelizmente”, “é incrível que”,
“curiosamente”...
Comentadores:
– “talvez você queira...”, “meus amigos” e
todas as formas de vocativo, “vocês poderão”...
Adaptado de: TEIXEIRA, Leonardo. Português Jurídico. 3. ed. Fund. Getúlio
Vargas: Direito Rio, 2010. Disponível em: http://academico.direito-
rio.fgv.br/ccmw/images/a/ae/Portugu%C3%AAs_Jur%C3%ADdico.pdf.
Acesso em: 19 fev. 2014.
ATIVIDADE PRÁTICA I
Relato 23 ( Assédio Moral no Trabalho e CIPA)
Sou Márcio*, tenho pouco mais de 40 anos e estou aqui para contar a vocês a minha história.
(...)
Fui metalúrgico há alguns anos atrás, mas em 2009, devido à crise econômica de 2008, mudei para o setor
alimentício e iniciei minhas atividades no interior de Minas Gerais. Fui contratado como encarregado de fábrica, no 3º.
Turno, onde tinha cerca de 50 pessoas subordinadas a mim, com inteira responsabilidade em segurança, metas e
produtividade.
Sempre fui um líder tido como carismático dedicado à Empresa e a atender as necessidades da equipe. Em
outubro de 2010, com muita resistência da Empresa, fui eleito como o mais votado para representar os trabalhadores na
CIPA. Desde então minha vida se tornou um inferno.
Dias após a contagem dos votos fui afastado das minhas atividades de encarregado e passei a ser um “suporte”
para a produção. Minhas atribuições passaram a ser buscar vassouras e outros produtos no Almoxarifado.
A empresa fez de tudo para me obrigar a pedir demissão. Trocas de horário, negação do vale transporte,
cancelamento de férias – dias antes – sem qualquer motivo, impedimento de acesso às atas de reuniões da CIPA, e
outros.
Felizmente, pude contar com a solidariedade de um colega, antigo subordinado, que, indignado, gravou o que me
estava acontecendo. Guardei e-mails, documentos e fotos que, hoje, comprovam minhas denúncias.
Neste período, ao buscar produtos químicos para o operador da caldeira, por falta de treinamento, tive as duas
pernas queimadas por produto corrosivo.
A Empresa não me encaminhou ao médico do trabalho, fez de tudo para abafar o ocorrido e me afastar
definitivamente do contato com os trabalhadores.
Para dar continuidade ao meu isolamento colocaram-me em um quartinho fechado, com uma pequena janela para
exercer as atividades de entrega de material. Fui mantido nesse ambiente insalubre por quase um ano, sem água potável e
exposto a muitos produtos de risco, inclusive Peróxido, que é um explosivo.
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Diante de todo o isolamento e constrangimento sofridos, minha saúde mental foi muitíssimo afetada e passei a
desejar o suicídio - em duas ocasiões tive forte desejo de me jogar à frente de um carro.
No dia 01/11/2011, quase sem memória, fui levado a um psiquiatra que constatou o meu transtorno (F41.9) –
alguns dias após estava buscando ajuda de um psicólogo. Neste mesmo dia passei também por outro médico que
constatou as queimaduras químicas em minhas pernas. Estas, ocorridas há oito meses, quando a empresa me mantinha
trabalhando em ambiente fechado.
Na época das queimaduras, a empresa não abriu uma CAT, assim como também se recusava a abrir uma CAT
por ansiedade e depressão decorrentes do ambiente de trabalho. Mas os meus médicos abriram e o INSS reconheceu com
benefício B91 (Auxílio doença acidentário, que é um benefício dado em consequência de afastamento do trabalho por
motivo de acidente do trabalho, do qual resulte incapacidade temporária para o trabalhador em consequência das sequelas
causadas pelo evento infortunístico, sendo que o valor do benefício corresponde a 100% do salário e deve ser pago
enquanto o segurado se encontrar incapacitado para o trabalho).
Mesmo afastado e em tratamento, o RH da empresa me convocou e fui ameaçado tremendamente, com
intimidações e calúnias, o que causou grande piora ao meu estado de saúde, necessitando de duplicação das dosagens de
medicação, fazendo, inclusive, com que o período de afastamento fosse estendido. (Graças a Deus todo o diálogo foi
gravado, o que comprova a minha denúncia).
O INSS me deu alta após seis meses de licença por saúde mental iniciada em 01/11/2011. Após 16 dias de retorno
da licença pelo INSS a empresa me encaminhou ao médico do trabalho (da empresa) pela primeira vez. Este, por sua vez,
atestou que eu não tinha condições de voltar ao trabalho e me devolveu ao INSS com diagnósticos diferente do que havia
sido concedido pelo INSS quando do afastamentopor seis meses.
Então, fui encaminhado para casa pela empresa para aguardar até que eles agendassem esta nova perícia.
Depois de 22 dias em casa me ligaram informando a data da perícia. Em resumo, estou há meses sem salário, sem
qualquer ajuda por parte da Empresa, ainda sofrendo de depressão, e com as pernas sequeladas pelas queimaduras. Há,
inclusive, um pedido de aposentadoria por invalidez na Justiça Federal.
O único suporte que recebo hoje é do Sindicato da Alimentação de São José dos Campos, ao qual aproveito o
momento para agradecer, na pessoa do seu diretor, Sr. Júlio. E claro que não posso deixar de agradecer a Deus, e aos
meus irmãos da Igreja Batista, que têm me dado suporte espiritualmente e em vários momentos me suprindo em alimentos
e ajuda financeira.
Sou o testemunho vivo de quem foi assediado e perseguido por fazer parte da CIPA e por promover segurança no
trabalho. Hoje estou com um processo trabalhista na 2ª. Vara de Pouso Alegre, no aguardo por audiência.
Já enviei carta à Comissão de Direitos Humanos e formalizei denúncia aberta ao Ministério Público do Trabalho
para que TODOS possam ter acesso ao processo.
Não há um dia sequer em que tudo que vivi e sofri não passe como um filme em minha cabeça. Tudo ainda é
muito difícil, e não há em mim alegria alguma enquanto escrevo, já que continuo fazendo uso, contínuo, de calmantes e
antidepressivos.
Quero que este caso venha a público para que outros assediados não se calem, e para que outros colegas se
solidarizem, com seus colegas, quando presenciarem alguma situação de assédio, que gravem e documentem o ocorrido,
para que maus empregadores sejam punidos e para que pessoas como eu, não percam a alegria e a dignidade – que o
trabalho honrado é capaz de proporcionar. Porque esta prática nefasta pode matar ou invalidar o ser humano, para o resto
da vida.
Adaptado de: http://www.assediados.com/2012/09/relato-23-assedio-moral-no-trabalho-e.html. Acesso em: 01 jun. 2013.
*(Nome fictício)
FAÇA A NARRAÇÃO SIMPLES DOS FATOS, COM BASE NO RELATO ACIMA. LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ
DEVE EVITAR A MODALIZAÇÃO, POIS ELA TRARÁ VALORAÇÃO A SUA NARRATIVA.
AULA 04
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, MODALIDADES DE LINGUAGEM E PRODUÇÃO DO TEXTO ESCRITO.
a) As línguas não são unas.
b) O uso de uma dada variante linguística confere identidade ao falante porque o inclui num grupo social bem
específico.
c) Há um julgamento social sobre as variantes (certo/errado, feia/bonita).
d) Há maior evidência de variação na pronúncia e no vocabulário.
e) São quatro os tipos de variação:
1) as regionais, chamadas de diatópicas;
2) as identificadoras de grupos sociais, chamadas de diastráticas;
3) as marcadas pelas situações de comunicação, chamadas de diafásicas; e
4) as provocadas pelo tempo, chamadas de diacrônicas.
f) Fala e escrita são duas modalidades distintas.
FALA ESCRITA
a) Situação de interlocução a) Situação de não interlocução – referências necessárias.
b) Alternância de papéis de falante e de ouvinte. b) Sem alternância de papéis.
c) Planejamento e execução concomitantes c) Sem marcas de planejamento e de execução (texto pronto)
d) Períodos curtos e mais simples.
d) Períodos longos e complexos, especialmente orações
subordinadas.
e) Turnos (intervenção de cada falante) e tópicos (assuntos
de que se fala) – unidades de sentido.
e) Parágrafos, capítulos, etc. – unidades de sentido.
f) Envolvimento do interlocutor no texto do outro. f) Não envolvimento do interlocutor.
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g) É preciso compreender o fenômeno da variação e entender que escrita e fala são duas modalidades
diferentes da linguagem, para daí tirar duas conclusões a respeito da produção dos textos escritos: 1) a
menos que o texto escrito queira simular a fala, não deve aparecer nele nenhuma característica do texto
falado: frases truncadas, marcas da presença de um interlocutor, sinais do planejamento e da elaboração,
etc.; 2) os textos científicos, técnicos, jornalísticos só admitem a chamada norma culta; outros textos, para
marcar a identidade do narrador ou de personagens, permitem o uso de outras variantes, desde que elas
sejam adequadas à identidade que se quer construir (não se pode fazer um baiano falar como um gaúcho).
Adaptado de: SAVIOLI, Francisco e FIORIN, José Luiz. Manual do Candidato – Português. 2. ed. Brasília: FUNAG, 2001.
LINGUAGEM JURÍDICA
• É linguagem.
– Conjunto de signos e enunciados (frases e textos)
que o Direito emprega.
• É jurídica.
– Linguagem da norma, da decisão, da convenção, das
declarações, das negociações, das relações, do
ensino.
A existência da linguagem jurídica é atestada
por uma reação social e confirmada por observação
linguística:
1. Não é compreendida imediatamente por um não
jurista
2. Alguns termos têm pertinência jurídica exclusiva
(“obstáculo linguístico”)
• Linguagem de grupo
– Normalmente é falada por um grupo (legislador, juiz
e profissionais do direito)
– Linguagem da comunidade jurídica
• Linguagem popular
– Seu uso não é exclusivamente interno – destina-se a
todos os sujeitos ao Direito; é popular quanto à
destinação – Princípio da não ignorância: exige
clareza.
– É popular, em tese, quanto à criação.
• Todos têm direito de participar de sua criação
• Linguagem técnica
– Tem precisão terminológica.
– É instrumental.
– A tecnicidade exclui da linguagem jurídica a
comunicação natural.
• Linguagem tradicional
– É um legado da tradição, da história.
– Há menos perdas, pois menos termos caem em
desuso e, por isso, em relação à língua cotidiana,
alguns surgem como arcaísmos.
– Apesar do tradicionalismo, a linguagem jurídica não é
fixa, evolui (normalmente por força da lei).
• Linguagem plural
– Assume uma pluralidade de funções.
– É instrumento de elaboração das leis, dos
julgamentos, da ciência do Direito, dos contratos.
– Acompanha o direito em todos seus canais de
comunicação e realização.
Existem vários níveis da linguagem jurídica:
Legislativo, Judiciário, Administrativo, Doutrinário. Além
disso, é utilizada em processos de comunicação mais
abertos (juristas – leigos) e mais fechados (juristas -
juristas)
VOCABULÁRIO JURÍDICO (Veja Anexo, p. 26)
• É o conjunto de palavras utilizadas pela Linguagem Jurídica
– Palavras do nível culto + palavras próprias
RELEITURA E 1ª REESCRITA DA PRODUÇÃO TEXTUAL I
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE SEU TEXTO
VERIFIQUE
1. se suas frases são completas, ou seja, se elas têm SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTOS.
Ex. [(Nós)] [Tínhamos [um grande apreço pela professora]]
1 Suj. 2 Verbo 3 Complemento
2. se a grafia das palavras está correta.
Ex. engressar ou ingressar? / a dois anos ou há dois anos?
3. se os parágrafos apresentam apenas uma ideia desenvolvida, se o texto for dissertativo-argumentativo.
(Se apresentam mais de uma, você deve separá-los.), OU se os fatos estão adequadamente narrados –
encadeados e claros.
4. se o texto comunica o que você quer dizer.
(Tente reduzi-lo a uma frase ou duas; assim, saberá se comunicou, ou não, o que você queria.)
REESCREVA SEU TEXTO, FAZENDO OS AJUSTES NECESSÁRIOS, E ENTREGUE AS DUAS VERSÕES À
PROFESSORA.
AULA 05
ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DE FORMA CLARA E COESA
Princípios gerais de redação
1. Verdade
A boa redação deve necessariamente respeitar a verdade. Falar a verdade e, mais ainda, registrá-la por escrito é
um dever ético, um ato de cidadania e de respeito aos direitos humanos, indispensável na convivência social. Por isso, o
texto escrito deve expressar conceitos que julgamos verdadeiros. A mentira, o subterfúgio, o propósito de enganar não
podem fazer parte do nosso código de conduta. Quem escreve deve ater-se a fatos e realidades,não podendo perder-se
em fantasias, opiniões pessoais ou divagações.
[...]
Quando se trata de textos jurídicos, é imposição legal que os fatos devem ser expostos em juízo conforme a
verdade; não podem ser formuladas pretensões, nem alegada defesa, destituídas de fundamento (artigo 14 do Código de
Processo Civil); a lei pune o litigante de má-fé, ou seja, aquele que alterar a verdade dos fatos (art. 17, II do mesmo
9
Código). Então, o primeiro dever do bom redator é procurar alcançar a verdade naquilo que escreve, evitando todo desvio
de argumentação, sofismas ou imprecisões, que esvaziam o bom texto.
2. Clareza
O segundo princípio da boa redação é a clareza. Expressar o pensamento sem obscuridade é uma arte, que exige
muito exercício, até que o redator se acostume a escrever de forma simples, com frases curtas e objetivas, de fácil
compreensão para o leitor.
Certa vez um juiz escreveu na sentença: “Relativamente aos depoimentos das testemunhas arroladas pelo
requerido, são cheias de evasivas, exceção feita à ex-companheira, a qual afirma a existência de um imóvel que foi
vendido e o valor rateado entre ambos, o mesmo ocorrendo com um veículo entre ambos adquirido, anotando mais que
haviam adotado um filho durante a vida em comum, sendo que o requerido não pagava pensão para a criança porque o
pai, ao falecimento, deixou o mesmo como seu beneficiário, sendo que o réu vem pagando um plano de saúde”
É difícil entender todas essas informações, misturadas numa única frase, que trata ao mesmo tempo de
testemunhas, ex-companheira, imóvel, veículo, filho adotado, pensão, falecimento e (ufa!) um plano de saúde. Aí está um
bom exercício de redação: reescrever esse texto, tornando-o legível e compreensível. Ou, alternativamente, podem tentar
aclarar este conceito, expresso por um acadêmico: “Direito, a meu ver, é o fenômeno social e só existe, pois a sociedade
necessita do mesmo. Sem sociedade não se teria direito, pois o mesmo não vive sem a mesma”.
[...]
3. Coerência
Uma boa redação deve ser coerente. A palavra “coerência” (do latim “co-haerentia”, ligação, harmonia) indica a
conexão ou nexo entre os fatos, ou as ideias; lógica. Ou seja: é necessário ter um discurso lógico, se possível calcado no
modelo do silogismo, pelo qual, postas duas premissas, segue-se uma conclusão.
O importante é não se contradizer: uma vez adotada uma tese, ou escolhido um ponto de vista, cumpre
desenvolver o raciocínio pertinente até o fim, usando argumentos bem encadeados.
[...]
Vale lembrar que o Código de Processo Civil considera inepta a petição inicial, entre outras hipóteses, quando “da
narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão”, ou quando “contiver pedidos incompatíveis entre si” (incisos II e
IV do parágrafo único, do art. 295).
Daí a responsabilidade do advogado ao redigir a inicial, sem dúvida a peça mais importante do processo. E a
própria escolha do tipo de ação a ser ajuizada é tarefa das mais árduas, que exige o máximo de cuidados técnicos, bom
senso e diligência. O mesmo ocorre com o juiz, que deverá observar os requisitos essenciais da sentença (art. 458 do
CPC), o que às vezes envolve questões muito complexas, nas quais a lógica e a clareza da expressão disputam, ao lado
da verdade, a primazia da boa redação.
4. Concisão
A palavra CONCISÃO, do latim concisione, indica o ato de cortar, de partir em pedaços; conciso significa cortado,
curto, limitado.
[...]
Escrever de forma concisa, ou escrever com concisão, quer dizer ser objetivo, direto, não repetir ideias ou
palavras, não alongar o texto desnecessariamente. [...]
Nosso Código de Processo Civil é severo no policiamento da linguagem, reiterando preceitos tendentes a evitar os
abusos - art. 282 (requisitos da petição inicial) - art. 302 ("na contestação, cabe ao réu manifestar-se precisamente sobre
os fatos narrados na petição inicial") e assim por diante.
Não seria necessário que a lei fizesse tais observações, se todos - advogados, promotores, juízes - cuidassem de
escrever de forma concisa, apenas o necessário. A citação de autores, obras jurídicas, textos legais deve limitar-se ao
essencial; inútil transcrever matéria estranha, precedentes de jurisprudência repetidos, que nem sempre se aplicam com
pertinência ao caso.
[...]
Enfim, aqui fica uma sábia lição do jesuíta espanhol Baltasar Gracián, da obra "A arte da prudência", escrita em
1647: "A brevidade é agradável e lisonjeira, além de dar mais resultado. Ganha em cortesia o que perde pela concisão. As
coisas boas, se breves, são duplamente boas. Todos sabem que o homem prolixo raramente é inteligente. Diga
brevemente e terá bem dito".
5. Correção
A correção constitui o quinto princípio da boa redação. É preciso escrever em linguagem correta, que observe as
regras gramaticais básicas; caso contrário, o leitor, se tiver razoável conhecimento do idioma, logo perceberá a
insegurança do redator e não confiará no texto que está lendo. Se o leitor não confia em quem escreve, fica incompleta a
comunicação emissor-receptor e ambos perdem tempo.
A experiência indica que primeiro se deve escrever, compor um texto, em torno do qual se irá trabalhar. Não
importam eventuais erros, porventura cometidos na primeira redação. Importa sim é colocar as ideias no papel, para que se
possa visualizar o conjunto de palavras. Daí vem a segunda etapa: ler o que está escrito e começar a corrigir. A correção
quase sempre inclui uma série de cortes: riscam-se (deletam-se) palavras inúteis, “enxuga-se” o texto, suprimindo tudo o
que for dispensável. Se for o caso, é melhor reescrever – começar nova redação, se a primeira se apresenta imperfeita, a
tal ponto que parece estar inteiramente errada (“não era isso que eu pretendia dizer...”).
Feita essa primeira correção, não custa ir ao dicionário para esclarecer algumas dúvidas. Ao dicionário, ou à
gramática, ou ainda aos manuais de redação, que sempre devemos ter à mão. Assim, aos poucos, o texto vai se
aperfeiçoando e ficará “no ponto” que consideramos satisfatório.
Sempre que possível, vale a pena guardar a redação por um dia, deixar que descanse uma noite – no dia seguinte,
parece que as dúvidas se desfazem, as ideias estão mais claras. A leitura do texto nos indicará, então, o caminho
definitivo: eis a nossa redação concluída, sem pressa, sem afobação e, acima de tudo, correta, o que é motivo de
satisfação para nós e, queira Deus, para o nosso leitor...
Embora hoje em dia haja certa tolerância com o uso da linguagem incorreta, o bom redator não se permite usar
expressões inadequadas, tais como “sendo que”, “através” (em lugar de “por meio de”), “o mesmo” (usado como pronome
pessoal, em lugar de “ele”), “inclusive”, “com certeza” etc. [...]
10
6. Precisão
[...]
Em primeiro lugar, é necessário planejar o texto a ser escrito. Um breve resumo, um esquema, anotações, um
rascunho – qualquer coisa deve anteceder a redação, que há de seguir um roteiro, pelo qual se definirão as dimensões do
trabalho. [...]
Em segundo lugar, a precisão importa no uso de substantivos e verbos, em lugar de adjetivos, advérbios e outras
expressões vagas e vazias. Não se devem usar expressões como “um grave acidente aéreo, no qual morreram todos os
ocupantes do avião” (todo acidente aéreo é grave); “um incêndio pavoroso destruiu totalmente a favela” (o fato em si
dispensa o comentário “pavoroso”; o advérbio “totalmente” é dispensável, pois “destruiu a favela” já indica sua destruição
total); “a vítima foi despojada de todos os seus haveres” (o adjetivo “todos” é dispensável); “o recurso é completamente
intempestivo” (se o recurso está fora de prazo, é intempestivo; se está no prazo, é tempestivo – não existe “completamente
intempestivo”).
A precisão da linguagem jurídica também envolve o uso adequado das expressõespróprias da lei, que devem ser
adotadas na redação, de preferência a sinônimos ou palavras estranhas ao vocabulário técnico (p.ex. parâmetro, em lugar
de critério, princípio etc.; referencial, diferencial e outras palavras inadequadas à linguagem jurídica).
E não há mal em repetir palavras de uso específico (ex. hipoteca, penhora, usucapião), como aliás determina a lei:
“expressar a ideia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com
propósito meramente estilístico” (Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998) (ver “Redação de atos normativos”,
neste volume).
7. Simplicidade
A palavra “simples” (do latim simplice, simples, só, isolado, sem dobras, ao contrário do complicado, que significa
dobrado, enrugado, enrolado) indica exatamente o que é natural, não artificial, não composto.
Escrever com simplicidade é uma das coisas mais difíceis que existem, pois a tendência natural dos que se
consideram eruditos parece levá-los a complicar um pouco o texto, usar palavras difíceis, citações excessivas, como se
isso significasse valorizar o que escrevem. Puro engano: os melhores redatores sabem escrever bem simples. Acontece
que o ato de escrever envolve a própria personalidade humana, como disse Dale Carnegie: “Use a linguagem que quiseres
que nunca poderás dizer senão aquilo que és”. Daí a dificuldade da redação de um texto limpo, claro, simples e direto: a
vaidade e o desejo de mostrar-se culto levam à busca da redação sofisticada, assim como pessoas que se julgam feias se
vestem às vezes de roupas mais vistosas para disfarçar suas supostas imperfeições físicas...
[...]
8. Conhecimento
[...]
Na verdade, para escrever bem, é necessário conhecer o assunto, pesquisá-lo, elaborar um esquema a ser
desenvolvido e, só então, redigir o texto. A precipitação dos estudantes nas provas escolares é bem conhecida: diante de
questões que ignoram, passam a “chutar” as respostas, ou ficam divagando, enrolando, escrevendo com letra bem
miudinha ou difícil de ler, na tentativa de “enganar” o professor. Pode ser que esse “método” às vezes dê certo (a cola é a
mais tradicional forma da esperteza estudantil), mas sabemos que tais experiências, ou demonstrações de imaturidade,
não asseguram um futuro feliz: para saber escrever e ter o que escrever é preciso estudo, leitura, reflexão e prática de
redigir.
Outro ponto: o redator precisa de versatilidade para substituir aquilo que ele ignora. Por exemplo: quando há
dúvida sobre o emprego de uma palavra ou de uma expressão, o caminho mais curto e mais certo é mudar o texto,
substituindo a palavra ou a expressão por outra que o redator conheça melhor. Assim, se vou escrever “haja vista os
exemplos citados”, mas fico em dúvida se está certa a expressão (no caso, está!), é melhor mudar para “em vista dos
exemplos citados”. Não se perca tempo com a dúvida: é melhor substituir logo e seguir com a redação. Outro exemplo
(infinito pessoal): “Fazia os alunos copiar as perguntas” (será melhor “fazia os alunos copiarem as perguntas”?) – escreva-
se “fazia que os alunos copiassem as perguntas”. E assim por diante.
É claro que, quando há tempo disponível, não custa buscar a solução da dúvida, recorrendo à gramática, ao
dicionário etc. Mas, em geral, é mais fácil e mais prático substituir palavras e expressões em dúvida, do que usá-las
incorretamente, com prejuízo da boa redação.
9. Dignidade
A boa redação é elegante. Escrever com elegância significa escrever com escolha, com gosto, com distinção (em
latim, elegantia vem de eligere, eleger, escolher). A linguagem elegante é elevada, trata os temas com dignidade, usa
palavras selecionadas. Na redação jurídica, acadêmica ou formal, não se deve empregar gíria, gracejos, modismos,
lugares-comuns; nesses casos, é preciso que o texto obedeça aos rigores da linguagem culta, sem exagero de
preciosismos, mas sem o abuso da vulgaridade e do popular. Uma piada, uma “gracinha” mal colocada, às vezes uma
simples vulgaridade baixa o nível da redação e faz o leitor perder a concentração; a partir daí, é difícil retomar o discurso e
manter a atenção e o interesse pelo texto. Os modismos veiculados pela televisão (“super legal”, “hiper feliz”, “lindo de
morrer”, “com certeza”) devem ser banidos: não fazem parte do nosso vocabulário.
[...]
Por fim, é necessário evitar o óbvio. Uma vez, um aluno escreveu: “A sociedade se compõe de homens e mulheres
que lutam pela vida, nascem, crescem e morrem”. E outro: “Vigência significa que a lei deve estar em vigência”. Outro: “É
preciso o nosso povo votar nas pessoas que são capazes de mudar ou pelo menos tentar mudar o retrato da realidade do
Brasil, onde sobrevalece (?) miséria, fome, desemprego, educação, saúde etc”. Por fim, mais este: “Como podemos ver, o
problema da violência é bastante genérico e está longe de ser resolvido”. Banalidades, considerações óbvias e inúteis, sem
conteúdo, que nada dizem e nada significam.
10. Criatividade
Escrever com amor é o melhor meio de escrever bem. Quem gosta do que faz realiza seu trabalho com prazer e
realiza-o bem; os preguiçosos, os descontentes chocam-se contra as palavras, nelas não encontram nem doçura nem
dureza, sofrem quando precisam escrever e, quando escrevem, fazem os outros sofrerem na leitura de textos pesados,
vazios, que causam tédio.
[...]
11
O estudante de direito em geral se defronta com leituras áridas, de juristas às vezes excessivamente técnicos, que
não se permitem a liberdade de escrever com o sentimento, porque vivem algemados à lógica e à razão. Em
compensação, muitos autores escrevem com simplicidade e clareza, o que não impede que adotem as boas lições dos
clássicos e saibam redigir com elegância e fino lavor literário. Cabe ao estudioso escolher o autor que mais de perto lhe
fale à sensibilidade; uma vez feita a escolha certa, o estudo se torna muito mais proveitoso e interessante.
Escrever é criar: criar é um ato de amor. O bom estudante é sempre um estudioso; o bom profissional (advogado,
magistrado, professor), dedica-se à leitura, à pesquisa e ao esforço de renovação de ideias e conceitos, o que se reflete na
redação de textos, nos quais se descortinam novos pedaços de infinito.
Adaptado de: GERMANO, Alexandre Moreira. Técnica de redação forense. 2006. Disponível em:
http://www.tjsp.jus.br/Download/pdf/TecnicaRedacaoForense.pdf. Acesso em: 18 fev. 2014.
ATIVIDADE PRÁTICA II
1. Analise a linguagem utilizada nas duas peças jurídicas a seguir para verificar sua clareza e coesão. Para
isso, leve em consideração a cronologia dos fatos, a organização das informações e a linguagem técnica
empregada pelos autores.
2. Elabore um parágrafo (de 10 a 15 linhas) em que você estabeleça semelhanças e diferenças entre as duas
peças.
PEÇA I
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE CAMPINA GRANDE-PB
PAULO CAVALCANTE SILVA, brasileiro, viúvo, motorista, portador da Carteira de Identidade nº .................- PB e
inscrito no CPF sob o n°......................., residente e domiciliado na Rua ........., n. ...., bairro ...., nesta cidade, por sua advogada
que esta subscreve (mandato incluso), com escritório na Rua........................................., nº ......., centro, nesta cidade, onde
receberá intimações, vem, perante este Juízo, propor
AÇÃO DE INTERDIÇÃO
contra ANA PAULA SOUZA SILVA, brasileira, solteira, do lar, portadora da Carteira de Identidade nº ................ e do CPF
................, residente e domiciliada no endereço supracitado, pelos motivos que a seguir expõe.
A interditanda, que é filha do autor e tem atualmente 30 anos de idade (Certidão de Nascimento anexa), sofre de
retardamento mental, observado desde a infância (atestado médico anexo).
Apesar de ter feito tratamento médico, nunca apresentouqualquer melhora neste quadro de retardamento, de forma que
não é alfabetizada, não sabe andar sozinha pela cidade, não consegue efetuar compras, faz uso de medicamento para dormir,
enfim, vive em casa com sua família e não tem qualquer atividade social; em seu dia a dia, apenas consegue realizar pequenas
tarefas domésticas que não dependam de raciocínio.
Devido a esta enfermidade, a interditanda é absolutamente incapaz de exercer os atos da vida civil, razão por que vive
sob os cuidados do autor, ressaltando-se que a referida enfermidade se agravou desde a morte de sua mãe, ocorrida há três
anos.
Por oportuno, é necessário acrescentar que ela não possui rendas nem bens.
No entanto, tendo em vista sua maioridade civil da interditanda, o interditante necessita da declaração judicial de sua
incapacidade, a fim de poder continuar cuidando de seus interesses.
Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.767 e ss. do Código Civil, requer:
a) os benefícios da justiça gratuita, com fundamento na Lei 1.060/50, uma vez que o interditante não tem condições financeiras
de pagar as custas processuais sem prejuízo de seus alimentos e dos de sua família, conforme declaração anexa;
b) a intimação do representante do Ministério Público para que acompanhe o feito até seu final;
c) a citação da interditanda no endereço supracitado, para comparecer à audiência que será designada por este Juízo a fim de
ser interrogada e para, se quiser, oferecer resposta no prazo legal, sob pena de sujeitar-se aos efeitos da revelia.
d) que seja decretada a interdição de ANA PAULA SOUZA SILVA, nomeando-se como seu curador o autor, Sr. Paulo
Cavalcante Silva, e expedindo-se o edital e mandado referidos no art. 1.184, do Código de Processo Civil.
Provará o que for necessário por todos os meios de prova permitidos em direito, em especial pela juntada de
documentos, laudo médico, depoimento das partes e oitiva de testemunhas, que comparecerão à audiência independentemente
de intimação e cujo rol será apresentado no prazo legal.
Dá à causa o valor de R$ 510,00 (quinhentos e dez reais), para efeitos fiscais.
Termos em que
pede deferimento.
Campina Grande, .... de ............... de 2010
Disponível em:
https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:4ooaHkBdP24J:direito20112.files.wordpress.com/2012/03/a-narrac3a7c3a3o-dos-fatos.docx+&hl=pt-
BR&pid=bl&srcid=ADGEESiiPRrFelPHPbkXr8QaB3XY6BZ4iTfwLG54Rc7KEHZ7ULgTd91ewhRr57mwypd47Tn89wMV3arBkBo7sDC1SWUGW70hZkX7Hc7803F6TS6
qY4uVHRcujo6naIiT5B2NlCUuDG47&sig=AHIEtbR6elF6Hgd1SiUF_4uv4bD1THmicw. Acesso em: 18 mar. 2013.
PEÇA II
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO CONTRA VENDEDOR DE IMÓVEL QUE NÃO LHE PERTENCIA
O réu consubstanciou contrato de compromisso de compra e venda de um bem, cuja propriedade não lhe pertencia. Foi
previsto arras, cumpridas pelo promissário comprador.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA …. ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE ….
………………………………, pessoa jurídica de direito privado, com sede na comarca de …., na Rua …. nº …., inscrita
regularmente no CRECI sob nº …. e no CGC/MF sob nº …., por intermédio de seus procuradores judiciais infra-assinados (cfr.
procuração em anexo, doc. ….), inscritos na OAB/…., sob nº …., respectivamente, com escritório profissional na comarca de ….,
na Rua …. nº …., onde recebem intimações, vem respeitosamente perante V. Exa, propor a presente
AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO CUMULADA COM PERDAS E DANOS
com fundamento no art. 159 do Código Civil e art. 282 seguintes do Código de Processo Civil, dentre outras disposições legais
aplicáveis à espécie, contra
………………………………………. (qualificação), portador do CPF/MF sob nº …., residente e domiciliado na Rua …. nº …., o que
faz pelas seguintes razões de fato de direito a seguir expostas:
I -
O requerido compareceu, em …. de …. passado na sede da ora requerente, apresentando-se como proprietário do imóvel
representado por uma casa, sita a Rua …. nº ….
12
Na qualidade de proprietário do imóvel já mencionado, celebrou com a requerida um “Contrato de Intermediação com Opção de
Venda”, conforme prova o doc. …. em anexo.
Por força da cláusula 2º deste contrato, o requerido outorgou à autora opção exclusiva para a venda do imóvel, pelo prazo de 90
dias, que findou em …. de …. passado.
A intermediária, cumprindo fielmente as suas atribuições, selecionou dentre os pretendentes compradores que agenciou o Sr. ….
(qualificação), residente na comarca de ….
Em …. passado, a intermediária e o Sr. …., celebraram o contrato, formalizando no “Recibo de Sinal de Negócio e Princípio de
Pagamento”. Houve, então, aproximação das partes e obtenção da vontade, por escrito.
II-
Acontece que, foi dar início às atividades para providenciar a documentação, a ora intermediária verificou que o contratante não
era o proprietário do imóvel.
Com efeito, conforme faz prova o doc. …., em anexo, verificou que o imóvel estava registrado em nome do Sr. …. (qualificação).
E verificou também que o proprietário vendeu o imóvel, dentro do prazo de vigência do contrato com opção exclusiva de venda,
aos Srs. ….
Desta forma, a intermediária foi aludida pelo requerido, que se fez passar por proprietário do imóvel, sem o ser; além disso, o
imóvel foi vendido sem o conhecimento da intermediária, a outra pessoa, durante a vigência do contrato.
III -
É indiscutível que o requerido causou grandes danos à ora requerente, e está obrigado a indenizá-lo, por força do que dispõe o
art. 159 do Código Civil:
“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica
obrigado a reparar o dano”.
Ora, a autora, através de seus funcionários, despendeu de tempo e dinheiro para alienar o imóvel. Além disso, como teve êxito,
obteve um comprador, e com ele foi celebrado um contrato.
A indenização deve ser equivalente ao montante das arras a que tem direito a autora, e também às despesas gastas com os
funcionários, anúncios e material de expediente.
IV -
Estando esgotados todos os meios amigáveis e seus salários para o recebimento da importância que lhe é devida a autora vê-se
compelida a ingressar com a presente medida judicial.
Isto Posto, requer a V. Exa., que se digne mandar contar o requerido …., no endereço mencionado, para no prazo legal
contestara presente ação, sob pena de revelia, e afinal seja a ação julgada procedente, para condenar o réu ao pagamento da
indenização devida, cujo valor será apurado em liquidação de sentença, na forma do disposto no art. 606 do Código de Processo
Civil acrescido o quantum apurado de juros de mora, custas processuais, honorários advocatícios, estes fixados em ….% (….)
sobre o valor da condenação.
Indica-se como meio de produção de provas, o depoimento pessoal do réu, sob pena de confesso, inquirição de testemunhas,
cujo rol será apresentado oportunamente, e juntada de documentos novos.
Estima-se à causa o valor de R$ …. (….).
Nestes termos,
Pede deferimento.
Disponível em: http://peticao.wordpress.com/page/4/. Acesso em : 18 mar. 2013.
AULA 06
TEXTUALIDADE, COESÃO E COERÊNCIA
1. COESÃO
Para organizar o “tecido” do texto, é preciso estabelecer relações entre as suas frases. A essa relação
chamamos coesão textual e aos elementos que usamos para estabelecê-la, recursos de coesão textual.
Observe, no trecho a seguir, o problema causado pelo mau emprego de um recurso de coesão.
ERRADO Não pôde levar o julgamento até o fim posto que estava tendo um enfarte.
CORRETO Não pôde levar o julgamento até o fim porque (já que, uma vez que) estava tendo um enfarte.
MARCADORES DE COESÃO
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: (1) retomada ou antecipação de palavras, expressões ou
frases e (2) encadeamento de segmentos.
(1) COESÃO POR RETOMADA OU ANTECIPAÇÃO
a) Retomada ou antecipação por meio de uma palavra gramatical(pronomes, verbos, advérbios) Os termos
que servem para retomar são chamados anafóricos; os que servem para antecipar, anunciar outros são
chamados catafóricos.
b) Retomada por palavra lexical (substantivo, adjetivo, advérbio) Uma palavra pode ser retomada quer por
uma repetição
1
, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou antonomásia
(substituição de um nome próprio por um nome comum e vice-versa).
Adaptado de: SAVIOLI, Francisco e FIORIN, José Luiz. Manual do Candidato – Português. 2. ed. Brasília: FUNAG, 2001.
(2) COESÃO POR ENCADEAMENTO DE SEGMENTOS TEXTUAIS – AS RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO E DE
SUBORDINAÇÃO
Num período composto, normalmente estruturado, as orações se interligam mediante dois processos
sintáticos universais: a coordenação e a subordinação.
Na coordenação (também dita parataxe), que é um paralelismo de funções ou valores sintáticos idênticos, as
orações se dizem da mesma natureza (ou categoria) e função, devem ter a mesma estrutura sintático-gramatical
(estrutura interna) e se interligam por meio de conectivos chamados conjunções coordenativas. É, em essência, um
processo de encadeamento de ideias.
Adaptado de: GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.
1
É preciso evitar a repetição que não pretender um efeito de intensificação; pode-se usar, em lugar dela, a elipse.
13
A seguir, você encontrará uma lista das conjunções coordenativas mais comuns.
(a) aditivas - e, nem, mas também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
(b) adversativas - mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, senão, ao passo que, não obstante,
apesar disso, em todo caso.
(c) alternativas - ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer, etc.
(d) conclusivas- logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso.
(e) explicativas - que, porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo).
Na subordinação (também chamada hipotaxe), não há paralelismo mas desigualdade de funções e valores
sintáticos. É um processo de hierarquização, em que o enlace entre as orações é muito mais estreito do que na
coordenação. Nesta, as orações se dizem sintática, mas nem sempre semanticamente independentes; naquela, as
orações são sempre dependentes de outra, que quanto ao sentido quer quanto ao travamento sintático. Nenhuma
oração subordinada subsiste por si mesma, isto é, sem o apoio de sua principal (eu também pode ser outra
subordinada) ou da principal do período, da qual, por sua vez, todas as demais dependem.
Adaptado de: GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.
A seguir, você encontrará uma lista das conjunções subordinativas mais comuns.
(a) causais - porque, que, pois, como, porquanto, visto que, já que, uma vez que, etc.
(b) comparativas - como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais ou menos)
que ou do que, (tanto) quanto, que nem, feito, etc.
(c) concessivas - embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, por mais que, por muito que, se bem
que, em que(pese), etc.
(d) condicionais - se, caso, contanto que, desde que, salvo se, a não ser que, etc.
(e) conformativas - como, conforme, segundo, consoante.
(f) consecutivas - que (precedidos dos termos intensivos tal, tanto, tão, tamanho), de modo que, de forma que,
etc.
(g) finais - para que, a fim de que, que (=para que) -
(h) proporcionais - à proporção que, à medida que, quanto mais, quanto menos, etc.
(i) temporais - quando, enquanto, logo que, mal(=logo que), sempre que, assim que, desde que, depois de
que, até que, etc.
(j) integrantes - que, se
Na relação acima, as conjunções de (a) a (i) introduzem as orações subordinadas adverbiais, e a de (i), as
orações subordinadas substantivas. No entanto, não apenas elas têm função subordinativa, também os pronomes
relativos exercem-na, introduzindo as orações subordinadas adjetivas.
A adequada utilização dos pronomes relativos é essencial para a construção de uma frase coerente e
coesa. É o que você verá a seguir.
(a) QUE Substitui um termo da oração anterior. É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que se
associa a exigir.
Exemplos a. Contou a novidade que todos já conheciam. Termo substituído – a novidade
b. Comprou o carro de que gostara. Termo substituído – o carro
c. Chegaram os livros com que vou terminar o trabalho. Termo substituído – os livros
(b) O QUAL Usa-se, preferencialmente, depois de preposições com mais de uma sílaba. Substitui o que para
evitar ambigüidade. É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que se associa a exigir.
Exemplos a. A testemunha falou a verdade ao juiz perante o qual depôs. Termo substituído – o juiz
b. O guia da turma, o qual se atrasou, era novo na empresa. Termo substituído – o guia
c. A ponte através da qual passaríamos está interditada. Termo substituído – a ponte
(c) QUEM Usa-se como referência a pessoas. Substitui aquele que e, de preferência, concorda com o verbo
na terceira pessoa do singular. É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que se associa a exigir.
Exemplos a. João foi quem me defendeu. Termo substituído – aquele que = João
b. Foi embora Júlia, por quem todos se apaixonaram. Termo substituído – aquela que = Júlia
c. Não conheci o atleta a quem te referiste. Termo substituído – aquele que = o atleta
(d) ONDE Usa-se com referência a lugar. Substitui em que, no(a) qual, ou simplesmente “que” ou “qual”
quando já houver outra preposição que o anteceda.
Exemplos a. Está é a casa onde moro. Termo substituído – a casa
b. A loja por onde passo todos os dias hoje está fechada. Termo substituído – a loja
c. O país de onde ele veio é muito frio. Termo substituído – o país
(e) CUJO Indica posse. Substitui substantivo ou pronome precedido da preposição de. É antecedido por
preposição exigida pelo verbo ou nome que o segue.
Exemplos a. Recordava-se apenas dos escritores de cujos livros havia gostado.
Expressão substituída – (livros) dos escritores
b. Visitava sempre as primas em cuja casa passara a infância.
Expressão substituída – (casa) das primas
c. Encontrou a amiga com cujas ideias nunca concordava.
Expressão substituída – (ideias) da amiga
2. COERÊNCIA
Coerência, segundo KOCH e TRAVAGLIA (1997), “é algo que se estabelece na interação, na interlocução,
numa situação comunicativa entre dois usuários. Ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários,
devendo ser vista, pois, como um princípio de interpretabilidade do texto”.
14
De que precisa um texto para ser coerente?
Repetição
As palavras-chave devem ser retomadas, ao longo do texto, através do uso de recursos de coesão.
Progressão
A argumentação tem de ser dinâmica e progressiva, evitando, assim, a circularidade no texto.
Não-contradição
Deve-se evitar o emprego de palavras e/ou expressões que possam contradizer as ideias desenvolvidas. Para
isso, é preciso saber exatamente o que se quer dizer e quais as palavras adequadas para fazê-lo.
Relação
Tudo o que se escreve no texto precisa estar diretamente relacionado ao tema, sob pena de funcionar apenas
como preenchimento de linhas.
ATIVIDADE PRÁTICA III
AULA 07PROVA I
AS CÓPIAS SERÃO ENTREGUES EM AULA.
AULA 08
Narrativa simples e produção de relatório: características.
O relatório é um tipo de narrativa em que os fatos importantes de uma situação de conflito devem ser
cronologicamente organizados, sem interpretá-los (ausência de valoração); apenas informá-los na lide ou demanda
processual.
Segundo De Plácido (2006, p. 1192), relatório “designa a exposição ou a narração, escrita ou verbal, acerca
de um fato ou de vários fatos, com a discriminação de todos os seus aspectos ou elementos”.
Relatório jurídico
(narrativa imparcial)
Destaca-se que, exceto pela última característica, todas as narrativas jurídicas devem obedecer a essas
orientações, sejam elas valoradas ou não.
Adaptado de: Interpretação e produção de textos aplicadas ao Direito. Curso de Direito — Coletânea de Exercícios. Curso de Direito da
Universidade Estácio de Sá.
ATIVIDADE PRÁTICA IV
Leia atentamente o caso concreto em estudo e prepare seu plano de redação, visando à produção do relatório
jurídico, atendendo às características já apresentadas.
CASO CONCRETO – PRODUÇÃO DE RELATÓRIO
Texto I
Médica assassina só matava pacientes do SUS, pacientes de convênios ela fazia de tudo para salvar.
Médica acusada de praticar eutanásia é indiciada por homicídio qualificado.
A médica Virgínia Soares, que coordenava a UTI do Hospital Evangélico, em Curitiba (PR), foi indiciada, na quarta-feira (20), por
homicídio qualificado. Ela é suspeita de comandar um esquema de eutanásia na UTI do hospital, onde foi detida, na terça-feira
(19), por policiais do Núcleo de Repressão de Crimes Contra a Saúde (Nucrisa).
A médica Chefe da UTI do Hospital Evangélico, no Paraná, é suspeita de comandar um esquema de eutanásia em
pacientes do SUS. “Se era particular, ela tentava salvar”, diz funcionário.
A polícia investigava Virgínia havia um ano, mas admite que vai analisar as mortes na unidade dos últimos sete anos. A
médica atua no hospital desde 1988 e chefiava a UTI desde 2006. A delegada Paula Brisola afirmou que a médica
provavelmente não agiu sozinha. “Outros funcionários também estão sendo ouvidos e sob investigação”, disse.
A denúncia que culminou com a prisão de Virgínia teve início no ano passado, conforme a queixa de uma pessoa que
conhecia o trâmite na UTI. “A pessoa entrou em contato com a Ouvidoria, que nos repassou a denúncia e iniciamos a
investigação.”
15
Uma profissional que atuava com Virgínia na UTI, e preferiu não se identificar, disse que era hábito da médica tratar
com desdém alguns pacientes. “Quase todo dia havia uma parada cardíaca e ela gritava “Spp” (sigla utilizada em UTIs que
significa “se parar, parou!”), então, as enfermeiras saíam fora e deixavam o paciente. Isso quando era SUS; se era particular ou
convênio aí tentavam salvar”, disse.
Embora a investigação ocorra sob sigilo, a Rede Globo, divulgou trechos do depoimento da médica à polícia. Nele,
Virgínia afirma que foi mal interpretada por falas como “Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira”, ditas numa
gravação cuja origem não foi informada pela polícia. Já um enfermeiro que trabalhou com Virgínia entre 2004 e 2006 disse que
viu a médica desligar aparelhos.
O advogado da médica, Elias Mattar Assad, criticou a condução da investigação. “Pelo que está se delineando, agora,
de homicídio qualificado, não vai se ter um defunto ou um laudo por outra causa de morte que não seja a que não está no laudo.
Não há como provar outra coisa.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Disponível em: http://www.folharondoniense.com.br/crime/medica-assassina-so-matava-pacientes-do-sus-pacientes-de-
convenios-ela-fazia-de-tudo-para-salvar. Acesso em 22 abr. 2013.
Texto II
MP/PR denuncia Doutora Morte e mais sete funcionários do Evangélico; seis por homicídio
Seis funcionários do Hospital Evangélico de Curitiba foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR)
pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (uso de recurso que impede a defesa da vítima e motivo torpe) e formação de
quadrilha. Outros dois foram denunciados por formação de quadrilha, o que totaliza oito pessoas denunciadas. Os nomes dos
envolvidos foram divulgados pelo MP, em coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira (11).
Quatro médicos e duas enfermeiras são acusados de adotar procedimentos para antecipar mortes em uma das
Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. São eles: Virgínia Helena Soares de Souza, Maria Israela Cortez Boccato,
Edison Anselmo da Silva Júnior e Anderson de Freitas e as enfermeiras Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro e Lais da Rosa Groff.
As duas pessoas denunciadas por formação de quadrilha são a fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo e o
enfermeiro Claudinei Machado Nunes.
Em relação à denúncia por formação de quadrilha, a conclusão do MP é que o grupo atuou desta forma de janeiro de 2006 a 19
de fevereiro de 2013.
O próximo passo agora é na Justiça, onde será decidido se a denúncia feita pelo MP-PR será ou não acatada.
Inquérito da Polícia Civil
O inquérito da Polícia Civil sobre as mortes ocorridas na UTI do Hospital Evangélico entre 2011 e 2012 concluiu que
houve formação de quadrilha e homicídio qualificado, crimes que teriam sido cometidos por seis pessoas – além das cinco que
ainda estão presas, outra médica foi indiciada.
Disponível em: http://www.folharondoniense.com.br/noticias/mppr-denuncia-doutora-morte-e-mais-sete-funcionarios-do-
evangelico-seis-por-homicidio. Acesso em 22 abr. 2013.
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AULA 09
QUALIDADE ESTILÍSTICA DA FRASE – ITENS A SEREM CONSIDERADOS PARA A BOA QUALIDADE DAS
FRASES DO TEXTO.
Uma boa argumentação pode ser prejudicada por uma frase mal construída. Abaixo estão algumas
“impropriedades” que costumam aparecer em textos que escrevemos.
1. USO INADEQUADO DE
1.1 que
Referimo-nos à Mata Atlântica, que está sendo desmatada por aqueles que não querem que os advirtamos
de que a nossa floresta precisa ser preservada.
Evite a repetição, como na frase acima, deste nexo; você pode, por exemplo, usar orações reduzidas
para não cometer tal erro.
1.2 onde
Os argumentos onde você baseia sua tese são falhos.
“Onde” só deve ser utilizado como substituição de lugar. Use “em que” ou “na(o) (s) qual (is)” para
evitar a inadequação. Ah! Eles servem também para retomar “lugar”.
1.3 adjetivos
A terrível crise por que passamos deixa-nos desanimados.
Não use adjetivos desnecessários; eles só desqualificam sua frase.
1.4 etc.
Os professores de hoje em dia usam muito a informática, os elementos da natureza, os recursos da sala de
aula, etc.
Se os elementos da enumeração não pertencem à mesma categoria, o “etc.” não será compreendido
pelo leitor.
2. LUGARES-COMUNS E MODISMOS
A seguir, alguns exemplos que são muito
usados.
2.1 frases do tipo
a) agradar a gregos e troianos
b) arrebentar a boca do balão
c) botar pra quebrar
d) chover no molhado
e) deitar e rolar
f) deixar o barco correr solto
g) dizer cobras e lagartos
h) estar com a bola toda
i) ficar literalmente arrasado
j) passar em brancas nuvens
k) ser a tábua de salvação
l) segurar com unhas e dentes
m) ter um lugar ao sol
n) a festa foi show
o) virar uma bola de neve
p) a mulher é o sexo frágil
q) o homem é a força
2.2 palavras e/ou expressões do tipo
a) atualmente
b) nos dias de hoje
16
c) desde o início da civilização
d) desde os primórdios da humanidade
e) hoje em dia
f) desde que o mundo é mundo
g) a nível de (mesmo o correto “em nível de”)
h) a gente
2.3 modismos, invenções, como
a) curtir
b)galera
c) apoiamento
d) chocante
e) gratificante
f) tipo assim
g) tipo
h) de repente (significando “quem sabe”,
“talvez”)
i) acho que
3. REPETIÇÕES
O livro foi-me dado por meu pai, mas era um livro de que eu não gostava. Mas que fazer com o livro, se
era o preferido de meu pai? Não podia desagradar a meu pai e o livro estava lá a minha espera.
4. PLEONASMOS
A seguir estão colocados aqueles pleonasmos que você faz sem se dar conta de que está se repetindo.
a) a cada dia que passa = a cada dia
b) continua ainda = continua
c) elo de ligação = elo
d) encarar de frente = encarar
destemidamente
e) enfrentar de frente = enfrentar
f) há doze anos atrás = há doze anos
g) juntamente com = com
h) monopólio exclusivo – monopólio
i) subir para cima
j) sair para fora
k) descer para baixo
l) entrar para dentro
5. A IMPROPRIEDADE VOCABULAR
Na tentativa de fazer bonito, o autor acaba utilizando vocábulos inadequados ao contexto. Veja, a seguir, a
utilização correta de alguns deles.
5.1 dentre
Dentre os livros da mesa, escolheu o mais grosso. Significa “do meio de”.
5.2 todo
Todo o país é miserável. Significa “o país inteiro”.
Todo país tem pessoas pobres. Significa “qualquer país”.
Todos os que vivem sob as pontes são excluídos da sociedade. No plural, utiliza-se sempre com “os”
ou “as”.
5.3 junto a
Ele é nosso representante junto à Reitoria. Significa “adido a”/”ligado a”.
MAS “ Expliquei-me junto à Reitoria.” está incorreto.
5.4 à medida que / na medida em que
A mata vai morrendo à medida que a vão desmatando. Significa “à proporção que”.
Na medida em que todos temos condições, devemo-nos habilitar ao cargo. Significa “porque”.
5.5 possuir / ter
Eu possuo um automóvel Corsa. “Possuir” serve apenas para bens materiais.
tenho
Tenho sentimentos contraditórios em relação a ele. O verbo “ter” é utilizado com substantivos
concretos e/ou abstratos.
5.6 senão / se não
Guarda teu dinheiro, senão teu futuro será de pobreza. Significa “do contrário”.
A casa teria caído, se não a tivéssemos escorado com madeiras. É o nexo condicional mais o advérbio
de negação, por isso são separados.
Ele foi ríspido, se não (foi) mal-educado. Se o verbo estiver subentendido, também será usado o
nexo condicional mais o advérbio de negação.
5.7 sequer / se quer
Não fez sequer um gesto para impedi-lo de suicidar-se. Significa “qualquer”.
Se quer participar da corrida, você deve sair já. É o nexo condicional mais o verbo “querer” na
terceira pessoa do singular, por isso são separados.
5.8 ao invés de / em vez de
Ao invés de subir, desceu as escadas e perdeu-se dos amigos. Significa “o contrário de”.
Em vez de churrasco, comemos um saboroso carreteiro de charque. Significa “no lugar de”.
5.9 acerca de / a cerca de / há cerca de
Falávamos acerca da crise econômica. Significa “sobre”, “ a respeito de”.
A fazenda fica a cerca de uns doze quilômetros daqui. Significa “à distância de”.
Há cerca de dez anos, mudamo-nos para lá. Significa “tempo passado”; equivale a “faz”.
5.10 há / a
Há muito tempo desejo visitar Portugal. Indica “tempo passado”.
Faz
17
Daqui a alguns anos, talvez consiga viajar até lá. Indica “tempo futuro”.
5.11 mal / mau
Ela mal havia saído e começou a chover. É um nexo que indica tempo; equivale a “nem bem”.
O apresentador é mal pago. É um advérbio, contrário de “bem”.
Ela tinha um mau pressentimento. É um adjetivo, contrário de “bom”.
5.12 Por que / por que / por quê/ porquê
Demoramos porque estava chovendo muito. Equivale a “pois” e indica causa ou explicação.
O caminho por que viemos era lamacento. É preposição mais pronome relativo; equivale a “pelo (a)
qual”.
Por que vieram por ele? Equivale à expressão “a razão /o motivo pela(o) qual”
Não sabemos por quê. Equivale à expressão “a razão /o motivo pela(o) qual”
O porquê disso talvez esteja no fato de que era o mais curto. É substantivo e equivale a
“motivo/razão”.
__________________________________________________________________________________________
3ª REESCRITA DA PT I (A PARTIR DA CORREÇÃO DA PROFESSORA)
Para reescrever seu texto, utilize-se das convenções de correção a seguir.
LEGENDAS ADOTADAS NA CORREÇÃO DE REDAÇÕES
\\ Eliminar a palavra.
Corrigir a palavra.
√ Inserir palavra.
Elaborar parágrafo com mais de uma frase, ou juntar parágrafos.
Separar as frases com ponto final ou acrescentar nexo que estabeleça a correta relação entre elas.
Retirar o ponto e acrescentar vírgula, se for o caso.
Retirar a vírgula.
Acrescentar vírgula.
? Tornar o trecho e/ou a palavra claros.
Passar o pronome para depois do verbo.
Passar o pronome para antes do verbo.
║ Fazer novo parágrafo.
| Deixar margem de parágrafo.
▬▬ Eliminar repetição.
AULA 10
ESTRUTURA DO PERÍODO SIMPLES E PONTUAÇÃO
Para empregar a pontuação correta em uma frase, não adianta decorar regras, pois o que define o
emprego, ou não, de um determinado sinal de pontuação é a estrutura sintática da frase. Observe as estruturas
a seguir.
Ordem direta da frase [Sujeito] [Verbo + Complementos + Adj. Adverbial]
Veja como se desdobra essa estrutura a partir da regência de cada verbo.
De acordo com MORENO & GUEDES (1986), a frase simples tem seis padrões básicos, os quais
estarão sempre por trás de qualquer período que construamos, mesmo que seja composto.
PADRÃO I - (Sujeito) + Verbo Intransitivo + (Adjunto Adverbial)
O gato dormia profundamente sobre o sofá.
PADRÃO II - (Sujeito) + Verbo Transitivo Direto + OD + (Adjunto Adverbial)
O cão mordeu a orelha do gato sorrateiramente.
PADRÃO III - (Sujeito) + Verbo Transitivo Indireto + OI + (Adjunto Adverbial)
Vestibulando estressado fala em vestibular a cada minuto.
PADRÃO IV - (Sujeito) + Verbo Transitivo Direto e Indireto + OD + OI +
(Adjunto Adverbial)
Professor de cursinho oferece fórmulas milagrosas aos alunos todos os anos.
PADRÃO V - (Sujeito) + Verbo Intransitivo + Complemento Adverbial +
(Adjunto Adverbial)
Alguns estudantes do interior moram em Porto Alegre durante a realização do curso pré-vestibular.
PADRÃO VI - Sujeito + Verbo de Ligação + Predicativo + (Adjunto Adverbial)
Os alunos mais nervosos ficam doentes na hora da prova.
ATENÇÃO! Mesmo estando em ordem indireta, as frases manterão o padrão a que pertencem.
A ventania fez muitos estragos na plantação. - Ordem Direta - P II
Na plantação fez muitos estragos a ventania. - Ordem Indireta - PII
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Pois bem, é importante que você saiba que, nos padrões básicos, não haverá vírgula entre os
termos da oração, a menos que estejam deslocados (Apenas o adjunto adverbial poderá ser isolado por
vírgula quando deslocado.) ou que haja entre eles um elemento intercalado (Aposto, Vocativo, Expressão
explicativa ou retificativa, Adjunto Adverbial).
EXERCÍCIOS
A - IDENTIFIQUE OS PADRÕES DAS FRASES ABAIXO.
1. Aquela garota é um avião.
2. Os esquimós vivem no gelo.
3. O plano visa a reformas na economia.
4. A serpente engoliu o pequeno animal em instantes.
5. O chefe de secção gritou muito na reunião.
6. Todos partiram.
7. Faltam algumas peças do quebra-cabeças.
8. Incorreu no mesmo erro outra vez.
9. A concessionária vendeuo melhor carro ao cliente.
10. Eu procuro uma mina de ouro.
C - PONTUE CORRETAMENTE OS PERÍODOS ABAIXO QUANDO FOR NECESSÁRIO.
1. Os alunos compenetrados resolviam os exercícios. (estavam compenetrados)
2. Os alunos compenetrados resolviam os exercícios. (eram compenetrados).
3. A criança disse o médico tinha uma doença rara.
4. Após a chuva o campo de futebol por exemplo estava alagado.
5. Em casa ficaram todos naquela noite.
6. O presidente Fernando Henrique conversou com Bill Clinton presidente americano.
7. Os grandes problemas de miséria estão nas comunidades subdesenvolvidas como o Brasil o Equador a África
do Sul etc.
8. Maria é preciso que chames João teu marido.
9. Na caixa azul puseram os brinquedos vermelhos.
10. Dyonélio Machado autor de Os Ratos é escritor gaúcho
Atividade Prática V
Será entregue em aula.
AULA 11
ESTRUTURA DO PERÍODO COMPOSTO E PONTUAÇÃO
I. Na subordinação:
a. com as orações substantivas:
É necessário (Oração Principal) / que vocês estudem (Oração subordinada). P VI
↓vlig ↓ predicativo ↓ sujeito
Queremos (Oração Principal) / que vocês estudem (Oração subordinada). P II
↓ vtd ↓ objeto direto
Gostaríamos (Oração Principal) / de que vocês estudassem mais (Oração subordinada). P III
↓ vti ↓ objeto indireto
O melhor é (Oração Principal) / que vocês estudem mais (Oração subordinada). P VI
↓ sujeito ↓ vlig ↓ predicativo
Observe que, assim como os termos dos padrões básicos, as orações subordinadas substantivas
não são isoladas por vírgula, a menos que haja entre elas um elemento intercalado (Aposto, Vocativo,
Expressão explicativa ou retificativa, Adjunto Adverbial). Somente a substantiva apositiva será isolada por
dois-pontos (ou travessão). Exemplo: Só queremos uma coisa: que vocês estudem. P II
↓ vtd objeto direto aposto
b. com as orações adjetivas:
O braço /que dói (OS Adjetiva Restritiva)/ é o esquerdo. P VI
↓ vlig
(Oração Principal)
O braço esquerdo, /que ainda dói, (OS Adjetiva Explicativa)/ sofreu uma luxação. P II
↓ sujeito ↓ vtd ↓ objeto direto
(Oração Principal)
As orações subordinadas adjetivas restritivas não são isoladas por vírgula porque são essenciais
ao significado do período; já as explicativas são acessórias, devendo, portanto, vir isoladas por vírgula.
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c. com as orações adverbiais:
Quando começou a chover (Oração subordinada), / todos saíram da quadra (OP). P V
↓ adjunto adverbial de tempo ↓suj. ↓ vi ↓ compl. Adv.
Como não tenho dinheiro, (OS) / não assistirei ao show de minha banda favorita (OP). P III
adj. adv. de causa ↓ vti ↓ objeto indireto
As orações subordinadas adverbiais não exigem vírgula quando estiverem em sua posição
original, na ordem direta (mas aceitam-na); quando deslocadas, porém, a vírgula é obrigatória. Nenhuma
delas, no entanto, poderá ser separada por ponto e vírgula, a menos que esteja em uma enumeração que
já contém vírgulas.
II. Na coordenação:
a) nas coordenadas assindéticas:
O vento levanta a saia das moças, / arranca a roupa do varal, / arrasa tudo. = Três orações de P II.
↓suj. ↓ vtd ↓ obj. direto ↓vtd ↓ obj. direto ↓ vtd ↓obj. direto
b) nas coordenadas sindéticas:
Trabalha, / mas também estuda. = Duas orações de P I.
↓ vi ↓ vi
Com exceção das orações coordenadas com o mesmo sujeito ligadas por “e”, todas as demais
serão separadas por vírgula; aquelas cujo nexo estiver deslocado deverão ser isoladas por ponto e
vírgula. Exemplo: João trabalha muito; não estuda, porém.
Atividade Prática VI
Será entregue em aula.
AULA 12
REGÊNCIA E CRASE
Regência é a relação de dependência entre dois termos.
I - REGÊNCIA VERBAL
1. aspirar
Aspiro o perfume de minha amada todos os dias. VTD
Aspiro ao cargo de chefe da seção. VTI – prep. “a”
à chefia da seção
2. assistir
Assistimos ao desfile das escolas de samba do 1º Grupo. VTI – prep. “a”
à apresentação das escolas de samba do 1º Grupo.
Assisti o mestre durante a aula, alcançando-lhe todo o material de que precisava. VTD
Este direito assiste aos trabalhadores desempregados. VTI – prep. “a”
Nós assistimos em Porto Alegre. VI – complemento adverbial - prep. “em”.
3. esquecer / lembrar / recordar
Esqueceu-se da mala na praia.
Lembrou-se disso quando já estava em casa.
COM pronome, COM preposição. VTI – prep. “de”
Esqueceu a mala na praia.
Lembrou isso quando já estava em casa.
SEM pronome, SEM preposição. VTD
4. implicar
Estudar demais para o vestibular implica estresse. Significa “trazer como conseqüência” e é VTD.
5. informar (Seguem a mesma regra os verbos avisar, comunicar, noticiar, cientificar, notificar, certificar.)
Informamos os candidatos de que a prova atrasaria dez minutos.
Informamos aos candidatos que a prova atrasaria dez minutos.
às candidatas que a prova atrasaria dez minutos.
Serão sempre VTDI, com os dois complementos OBRIGATORIAMENTE aparecendo na frase.
6. obedecer / desobedecer
Os motoristas pouco obedecem às leis de trânsito.
Todos já desobedeceram a uma delas pelo menos.
Sempre VTI – prep. “a”
7. pagar / perdoar
A firma pagou os salários aos funcionários demitidos.
O cristão perdoou a falta ao pecador.
Exigem objeto direto e objeto indireto, não necessariamente simultâneos, mas o OD será sempre COISA
e o OI, sempre PESSOA.
8. preferir
20
Prefiro cinema a televisão.
Prefiro o cinema à televisão.
Sempre VTDI (preferir uma coisa à outra)
9. querer
Quero muito ao meu “doce vampiro”. VTI – prep. “a”
Quero o carinho delicado de meus felinos. VTD
10. simpatizar / antipatizar
Nunca simpatizei com foliões afoitos.
Geralmente antipatizamos com aquilo que desconhecemos.
Sempre VTI – prep. COM. Jamais serão pronominais.
11. visar
Viso ao cargo de chefe da seção. VTI – prep. “a”
O surfista visou a “garota de Imbé” e aproximou-se todo faceiro. VTD
O professor visou as redações, mas não as devolveu aos alunos . VTD
II. REGÊNCIA NOMINAL
NOMES (substantivo, adjetivo ou advérbio) PREPOSIÇÕES
ACOSTUMADO A / COM
ADAPTADO A
AFÁVEL A / COM/ PARA COM
AFLITO COM / POR
ALHEIO A
ALIENADO DE
ALUSÃO A
ANALOGIA COM / ENTRE
ANÁLOGO A
APTO A / PARA
ATENTO A / EM
AVESSO A
ÁVIDO DE / POR
CONSTITUÍDO DE / POR
CONTEMPORÂNEO A / DE
CONTÍGUO A
CURIOSO DE / POR
DEVOTO A / DE
FALHO DE / EM
IMBUÍDO DE / EM
IMUNE A
INCOMPATÍVEL COM
MEDO A / DE
PARALELO A
PASSÍVEL DE
PREFERÍVEL A
PROPENSO A / PARA
RESIDENTE EM
TRANSVERSAL A
VINCULADO A
VIZINHO A / DE
III. CRASE
Crase é a fusão de a (prep.) + a (artigo, pronome demonstrativo, inicial dos pronomes demonstrativos
aquele, aquela, aquilo), marcada pelo acento grave.
Casos Especiais
Use acento indicativo da crase nas locuções femininas.
Às vezes, fico a ouvir estrelas. Locução adverbial Roberto Carlos ficou “sentado à beira do caminho”. Locução prepositiva
Perdíamos nossas economias à medida que o dólar subia. Locução conjuntiva
Crase facultativa
Dirigi-me à Carolina, minha irmã, para pedir-lhe um favor. Diante de nome próprio feminino
a Carolina
Obedeceu à sua intuição e não saiu naquela noite. Diante de pronome possessivo feminino
a sua intuição
Foi até à adega e pegou o melhor vinho. Com a expressão “até a”
a adega
21
IV. GLOSSÁRIO DE VERBOS JURÍDICOS E SUA REGÊNCIA
Ab-rogar. T.d. – revogar
Acarear. T.d. – confrontar testemunhos
Acionar. T.d. – intentar ação judicial
Acoimar. T.d. punir
Acordar. Intransitivo. – fazer acordo
Adimplir. T.d. defectivo - cumprir acordo ou contrato
Adjucar. T.d..- declarar que alguma coisa pertence a
alguém/// e T.d. e I. - transferir bens de pessoa a
pessoa.
Ad-rogar. T.d. Adotar pessoa.
Agravar. T.d. - onerar,sobrecarregar /// e T.i. –
interpor pessoa.
Apenar. T.d. – punir, condenar.
Arrestar. T.d. – apreensão judicial.
Arrogar. T.d. – apropriar-se de bens /// t.i. – atribuir-
se direitos.
Arrolar. T.d. – fazer lista de bens.
Autuar. T.d. – lavrar um auto (administrativo ou
judicial).
Avençar. T.i. Pronominal. - fazer contrato, avença,
convênio.
Averbar. T.d. – escrever, apostilar, registrar.
Avocar. T.d. e I. – atribuir-se.
Caluniar. T.d. – imputar falsamente crime ou
contravenção.
Caucionar. T.d. – dar em garantia.
Circundutar. T.d.- julgar nula uma citação.
Citar. t.d. – chamar pessoa a juízo.
Colacionar. T.d.- juntar bens obtidos antes do
testamento.
Cominar. T.d. e I. – ameaçar, prescrever pena.
Comutar. T.d. -- trocar a pena.
Convolar. T.i. -- ( prep. a, para) mudar de estado...
Coonestar. T.d. – dar aparência de honestidade.
Correger. Intransitivo. - ação de corregedor /// T.d. –
pagar dano ou indenização.
Decair. T.i. – (prep. de) – entrar em decadência. ///
int. Cair.
Delinquir. Intransitivo. (verbo defectivo) 1ª pessoa –
pres. Ind. e derivados – cometer crime.
Demandar. Intransitivo. – disputar em juízo /// T.d. –
intentar ação judicial contra.
Denunciar. T.d. - acusar algo ou alguém
Deprecar. T.i. – (prep. a) requisitar ajuda a outra
jurisdição.
Derrogar. T.d. - revogar parcialmente.
Desaforar. T.d. – isentar de pagamento de um foro;
transferir processo de um foro para outro./// T.i. -
Pronominal. – renunciar aos privilégios de um foro.
Desagravar. T.d.- reparar ofensa ou insulto; dar
provimento a agravo.
Desapropriar. T.d. (ver expropriar)
Descriminar. T.d. – absolver do crime.
Difamar. T.d. - manchar a reputação.
Distratar. T.d. – anular contrato.
Embargar. T.d. Pôr embargos judiciais apropriados.
Ementar. T.d. – fazer ementa, resumo.
Empalar. T.d. – supliciar. Torturar.
Esbulhar. T.d. – espoliar, despojar /// T.d. e I. (prep.
a) mesmo sentido.
Escoimar. T.d. – livrar de coima, censura ou pena.
Expropriar. T.d. – desapossar.
Estuprar. T.d. – conjunção carnal com violência.
Evencer . T.d. – desapossar judicialmente.
Exarar. T.d. – lavrar por escrito.
Excutir. T.d. – executar judicialmente os bens.
Exerdar. T.d. – excluir da herança (deserdar)
Extorquir. T.d. – obter indevida vantagem
econômica/// T.d. e I. Defectivo – (Não há Pres. Ind.
e derivados) (prep. a).
Extraditar. T.d. – entregar criminoso.
Fraudar. T.d. – enganar.
Gravar. T.d. – hipotecar, onerar.
Homologar. T.d. – ratificar ato.
Ilidir. T.d. -- contestar.
Imitir. T.i.- investir em, fazer entrar ( na posse)/// T.d.
e I. – (alguém em algo)
Impetrar. T.d. – interpor recurso.
Impronunciar. T.d. – julgar improcedente.
Inadimplir. T.d. – descumprir obrigação contratual.
Indiciar. T.d.- proceder imputação judicial.
Indultar. T.d. – conceder indulto.
Injuriar. T.d. – ofender alguém.
Inquirir. T.d.- indagar.
Insimular. T.d. – atribuir crime, denunciar /// T.d. e I
- acusar injustamente.
Intentar. T.d. – propor em juízo.
Interditar. T.d. – declarar interdito.
Inventariar. T.d. – arrolar bens.
Irrogar. T.d. E i. – imputar, atribuir.
Lavrar. T.d. – dar por escrito.
Legiferar. Intransitivo. – elaborar leis.
Licitar. Intransitivo. – oferecer lance em leilão.
Litigar. Intransitivo. – disputar por contestação.///
T.d. – pleitear em juízo.
Locar. T.d. – alugar, arrendar.
Malversar. T.d. – administrar mal, dilapidar.
Manumitir. T.d. – libertar ( das mãos), alforriar.
Manutenir. T.d – conceder mandado de manutenção
(direito de). Defectivo. (formas com ni)
Novar. T.d. – substituir uma dívida por outra.
Ob-rogar. Intransitivo. – contrapor uma lei a outra.
Pactuar. T.d. – ajustar, combinar.
Pensionar. T.d. Pagar ou dar pensão.
Perimir. T.d. Dar por extinta ou prescrita ação ou
instância. (só 3ª pessoa – defectivo)
Peticionar. Intransitivo. – formular, por escrito, uma
petição.
Precluir. Int. – perder a capacidade de agir num
processo. (só 3ª pessoa - defectivo)
Prescrever. Int. – extinguir uma ação ajuizável. ///
T.d. – ordenar de maneira previamente explícita.
Prevaricar. Intransitivo – corromper, perverter,
cometer adultério.
Prolatar. T.d. Proferir ou lavrar sentença judicial.
Promulgar lei.
Pronunciar. T.d. Despachar, declarar; proclamar
autoria.
Purgar. T.d. – liberar ou extinguir obrigação por
pagamento.
Querelar. T.i. – promover queixa-crime, denunciar.
Rabular. Intransitivo. – advogar sem direito.
Raptar. T.d. – arrebatar mulher para fins libidinosos,
com violência.
Receptar. Td. Receber, adquirir ou ocultar coisas
sabidas de procedência ilícita ou criminosa.
Recluir. T.d.- pôr em cárcere.
Reconvir. T.i. (prep. a) – (o réu) propor reconvenção
contra o autor da demanda.
Redibir . T.d. – anular contrato de compra e venda
(defeito do objeto)
Redimir. T.d. – t.d. e I. – pronominal. (ver remir).
22
Reincidir. T. I. Perpetrar novo delito.
Remir. T.d. – resgatar, pagar, expiar, tirar do
cativeiro. /// T.d. e I. – livrar, libertar, resgatar. (prep.
de) /// Pronominal: resgatar-se.
Remitir. T.d. – perdoar, dispensar, renunciar.
Repristinar. T.d.- tornar sem efeito lei, revogar.
Rerratificar. T.d.- tornar a ratificar.
Rescindir. T.d. – anular efeitos jurídicos (contrato,
acordo, casamento, vínculo, obrigação ).
Resilir. T.d. – dissolver acordo por anuência de
ambas as partes, ou por vontade de uma delas.
(distratar, rescindir).
Resolver. T.d. - desfazer, dissolver, anular (contrato)
Ressarcir. T.d. – pagar prejuízo, reparar dano,
indenizar.
Retrovender. T.d. – vender, podendo readquirir a
coisa vendida. /// T.d. e I. (prep. a)
Revogar. T.d. – anular ou retirar, licitamente, eficácia
de ato.
Sancionar. T.d. – aprovar, impor pena.
Sanear. T.d. – purificar, aperfeiçoar, expurgar falhas.
Seduzir. T.d. – constranger mulher virgem ou menor
a praticar relações sexuais.
Sequestrar. T.d. – apreensão de bens (direito
processual); privar alguém de liberdade de
locomoção.
Simular. T.d. - fingir legalidade.
Sonegar. T.d. – ocultar deixar de declarar (impostos
bens, dinheiro...)
Sub-rogar. T.d. – substituir coisa ou pessoa por
outra. /// T.d. e I. /// Pronominal. - transferir direitos
ou encargos para outrem.
Subscrever. T.d. - autenticar documento ; assunção
de ações para constituir capital.
Substabelecer. T.d. – transferir a outrem os poderes
conferidos em mandato.
Sumariar. T.d. – promover formação de culpa, para
apuração da acusação.
Tergiversar. Intransitivo. – defender na mesma
causa as duas partes, simultânea ou
sucessivamente.
Testar. Intransitivo. Fazer testamento. /// T.d. ou
I. (testar os bens; testou de seus bens). /// T.d. e
I. (Testou à mulher todos os bens.)
Tombar. T.d. – cadastrar, registrar, inventariar
prédios ou imóveis.
Turbar. T.d. – ferir ou perturbar direito alheio.Tutelar. T.d. – proteger como tutor.
Usucapir. T.d.- adquirir domínio por prescrição.
Viciar. T.d. – tornar defeituoso, falho ou irregular ato
jurídico, levando-o à nulidade ou à anulação.
Viger. Intransitivo - vigorar, estar em uso, em
execução.
Vilipendiar. T.d. – falar ou escrever com vileza,
ultraje ou desprezo, sobre ato ou objeto de culto
religioso.
ATIVIDADE PRÁTICA VII
- SERÁ ENTREGUE EM AULA -
_____________________________________________________________________________________________
AULA 13
PROBLEMAS DE CONSTRUÇÃO
1. FRASE FRAGMENTADA Isola-se uma parte da oração, através de ponto final, como se fosse uma frase
completa.
ERRADO - “... é preciso ter serenidade na hora de decidirmos em quem vamos votar. Pois os nossos novos
líderes governamentais parecem não ser os melhores.”
CORRETO –... é preciso ter serenidade na hora de decidirmos em quem vamos votar, pois os nossos novos líderes
governamentais parecem não ser os melhores.
Como identificá-la?
a. Se começar com uma conjunção ou com uma das formas nominais do verbo (gerúndio, particípio ou infinitivo) e
não estiver ligada a outra oração, certamente estará fragmentada.
b. Se não tiver sujeito e predicado (ou pelo menos predicado), não será uma frase completa.
Havíamos escrito a redação. Com afinco e dedicação.
2. FRASE SIAMESA É o oposto da fragmentada, pois juntam-se orações completas sem que haja um nexo
estabelecendo a relação adequada entre elas.
ERRADO – Os alunos não quiseram escrever a dissertação, eles disseram que não havia tempo para isso.
CORRETO - Os alunos não quiseram escrever a dissertação, pois disseram que não havia tempo para isso.
3. Erros de paralelismo
Cometemos esse tipo de erro quando utilizamos elementos coordenados formados por estruturas diferentes.
ERRADO - Somos obrigados a um trabalho humilhante e a receber salários baixos.
CORRETO - Somos obrigados a um trabalho humilhante e a salários baixos. OU Somos obrigados a trabalhar de
forma humilhante e a receber salários baixos.
Na primeira correção, os dois núcleos do complemento de “obrigados” vêm expressos por locuções
nominais; na segunda, por orações reduzidas. Isso permite que ocorra paralelismo entre os elementos.
ERRADO - O candidato é um ignorante e que insiste em concorrer.
CORRETO - O candidato é um ignorante e insiste em concorrer. OU O candidato é um ignorante, que insiste em
concorrer.
Só usaremos “e que” se houver um “que” anterior na mesma função sintática.
ERRADO - Ele não só come todos os doces, como também os salgados.
CORRETO - Ele come não só todos os doces, como também os salgados.
As correlativas (não só... como também, ou... ou, ora... ora, etc.) devem estar apenas entre os elementos
que relacionam.
Falso paralelismo
ERRADO - A garota gosta muito de chocolate, de sorvete e do namorado.
CORRETO - A garota gosta muito de chocolate, de sorvete e ama o namorado.
As palavras coordenadas devem pertencer ao mesmo campo semântico.
23
Ausência de paralelismo de regência Utiliza-se o mesmo complemento para verbos ou nomes de regências
diferentes..
Errada – Eu vi e gostei do filme. (Ver O quê? / Gostar De quê?)
Correta – Eu vi o filme e gostei dele.
OU
– Eu gostei do filme que vi.
4. Ambiguidade – Construção frasal que permite dupla interpretação. Acontece geralmente com as orações
subordinadas adjetivas, com a posição do adjunto adverbial e com o antecedente do pronome.
Exemplos – O líder da turma, que não quis participar da gincana, deixou o ginásio rapidamente.
“Hoje é muito difícil preservar o idioma de um país intacto devido à contínua expansão cultural.”
EXERCÍCIOS
A - Nas frases abaixo, você encontrará dois tipos de erro: (1) elementos paralelos apresentados de forma não
paralela e (2) elementos não paralelos apresentados de forma paralela. Reescreva-os corretamente.
1. No mês passado, tivemos incomodações com o encanamento, o gás e curtos-circuitos na rede elétrica.
2. Ela admirava muito os espanhóis, franceses, ingleses e porcelana chinesa.
3. Uma moça aprende muito sobre crianças quando cuida dos seus irmãos ou como babá nos sábados e domingos.
4. Não deveríamos julgar um candidato pelo fato de ele ser advogado, fazendeiro ou qualquer outra ocupação.
5 Meu pai achava que as mocinhas não deviam ir a bailes, sair com rapazes sem um acompanhante, e muitos outros
preconceitos antiquados.
6. Vamos tratar da origem da imprensa e como ela progrediu nos últimos quatrocentos anos.
7. As frases são difíceis de entender, não por serem longas, mas são obscuras.
8. Eu admiro Castro Alves pelos ideais de sua poesia, mas não seu estilo.
9. Espero que as provas permitam a vocês distinguirem entre morte intencional e matar totalmente por acidente.
10. As pessoas naturalmente se dividem em dois grandes grupos: as trabalhadoras e as que preferem explorar as
outras.
B - Nas frases abaixo, corrija os erros de paralelismo provenientes do deslocamento das correlativas.
1. Ou ele devia fazê-lo ou pedir-me que fizesse.
2. Não só ela era inteligente e bonita, mas rica também.
3. Não só sua teoria é de difícil compreensão, mas também errada.
4. Ou ele esqueceu a festa, ou não quer mesmo vir.
5. Eu não só desconheço o modo de consertar este motor, como também o modo de desmontá-lo.
C - Escolha um significado para cada frase e reescreva-a de modo a não haver ambiguidade.
1. Sendo um garoto terrível, meu pai bateu-me muitas vezes.
2. Caminhando pelo corredor, a marcha nupcial começou a tocar.
3. Sendo um simples calouro do 1º ano, Machado de Assis pouco significava para mim.
4. Cansado depois da longa viagem, o feijão com arroz parecia um banquete.
5. Preso e jogado na prisão, o coração de sua mãe não aguentou.
D – Idem ao anterior.
1. Ele saudou-me pelo primeiro nome e entregou-me um cheque, mas isso não me surpreendeu.
2. Os visitantes não podem falar com os prisioneiros até que eles tenham sido cuidadosamente revistados.
3. Quando tentei tirar o cachorrinho do bebê, ele mordeu-me.
4. Com um sanduíche na mão, o menino empoleirou-se no galho e mastigou-o com apetite.
5. João disse a José que ele seria admitido como sócio.
Exercícios adaptados de: GUEDES, Paulo Coimbra; MORENO, Cláudio. Curso básico de redação. São Paulo: Ática, 1986.
E- Os trechos a seguir são retirados de redações de alunos. Encontre neles os erros de paralelismo e corrija-
os.
1. “...por pertencerem a classes sociais inferiores ou por falta de interesse.”
2. “Precisamos ter consciência do que nos falta ou de como solucionar tais conflitos.”
3. “Tem fome de amor, de esperança, de segurança e de recuperar as virtudes esquecidas.”
4. “O ciúme é como uma proteção como também na forma de um sentimento doentio.”
5. “Temos fome de igualdade de oportunidades em empregos e mesmo para conseguir estudar.”
6. “...abrindo espaço para que eles nos cativem, para estabelecer um laço de amizade.”
7. “É preciso conhecer o potencial brasileiro e principalmente que se leva ao poder.”
8. “Somos movidos pelo dinheiro, sucesso, fama, os principais causadores das rivalidades entre as pessoas e por
consequência gerando a falta de segurança.”
PRODUÇÃO TEXTUAL II
REDAÇÃO DE UMA PEÇA JURÍDICA
AULA 14
I. CORREÇÃO DOS EXERCÍCIOS DA AULA 13 – PROBLEMAS DE CONSTRUÇÃO
II. RELEITURA E 1ª REESCRITA DA PRODUÇÃO TEXTUAL II
REESCREVA SEU TEXTO, FAZENDO OS AJUSTES NECESSÁRIOS, E ENTREGUE AS DUAS VERSÕES À
PROFESSORA.
AULA 15
2ª REESCRITA DA PT II (A PARTIR DA CORREÇÃO DA PROFESSORA)
24
REFERÊNCIAS
CURSO DE DIREITO. Interpretação e produção de textos aplicadas ao Direito. Coletânea de Exercícios.Universidade
Estácio de Sá.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de textos para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 1992.
FERRARI, Lucrecia. Leitura sem palavras. São Paulo: Ática.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006.
GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.
GERMANO, Alexandre Moreira. Técnica de redação forense. 2006. Disponível em:
http://www.tjsp.jus.br/Download/pdf/TecnicaRedacaoForense.pdf.
KOCH, Ingedore. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2005.
KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
MORENO, Cláudio; GUEDES, Paulo Coimbra. Curso básico de redação. 12 ed. São Paulo : Ática, 2004.
TEIXEIRA, Leonardo. Português Jurídico. 3. ed. Fund. Getúlio Vargas: Direito Rio, 2010. Disponível em:
http://academico.direito-rio.fgv.br/ccmw/images/a/ae/Portugu%C3%AAs_Jur%C3%ADdico.pdf. Acesso em: 19 fev.
2014.
VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Martins, 1991.
LINKS ÚTEIS
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
http://www.abril.com.br/arquivo/acordo_ortografico.pdf
http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/logos/Capa/LAPREN
http://www.unisinos.br/direitoeliteratura/
25
ANEXO
VOCABULÁRIO JURÍDICO
• Influenciado pelas características da Linguagem Jurídica, é marcado pela presença de arcaísmos, estrangeirismos e
latinismos.
Arcaísmos
ARCAÍSMO: vocábulo, construção que
não mais se usa, como: coita (dor), asinha
(adv.) (depressa) etc.; vício que consiste
em empregar expressões antiquadas.
• Dá-se o nome de arcaísmo às palavras,
expressões e tipos de construção sintática
que caem em desuso, saem de circulação,
depois de terem sido usadas em uma fase
da história, desaparecendo na escuridão
dos tempos.
• Tipos de arcaísmo
– Arcaísmos léxicos são as palavras
caídas em desuso por desnecessárias ou
por força de substituição.
– Arcaísmos semânticos: palavras que
sobrevivem com sentido alterado no uso
atual.
• Arcaísmos Semânticos
Palavra Significado
arcaico
Significado
atual
Tratante Que trata.
Cuida
Embusteiro,
malandro
Saúde Salvação Bem-estar
Vianda Alimento Carne
(viande, no
francês)
Censor Magistrado
que
avaliava os
bens dos
cidadãos
Vigilante da
conduta
dos
cidadãos
Formidável Terrível Excelente
Parvo Pequeno
de estatura
Pequeno de
cabeça
• Palavras com arcaização do primitivo
e permanência do derivado
• mundo (limpo) – imundo
• dita (sorte) – desdita
• victo - invicto, evicto
• dene (prejuízo, dano) – indene
• voluto (ocupado) – devoluto
• astre (boa sorte) – desastre
• solente (comum) - insolente
A linguagem jurídica, de
acentuado caráter conservador, agasalha
vários elementos arcaicos. Algumas
amostras:
• Teúda e manteúda - No português
arcaico, os verbos da segunda conjugação
tinham o particípio passado em udo
(conhoçudo, vençudo, manteúdo,
conteúdo). Teúda e manteúda continuam
no Direito para indicar a concubina tida e
mantida a expensas do parceiro.
• Lídimo - Legítimo, em se tratando do
filho procedente do legítimo casamento.
Hoje, ninguém mais diria "filho lídimo,
prole lídima, sucessão lídima".
• Pertenças - Substantivo usado no plural
cujo sentido é benfeitorias.
• Peitar - O significado é subornar; o
substantivo é peita, suborno oferecido,
não exigido.
• Avença - Acordo, contrato, ajuste.
• Usança - Equivale a Uso; termo
frequente no Direito Comercial.
Estrangeirismos
• Influência de uma língua em
outra.
• drawback (ingl.) Restituição de
impostos aduaneiros pagos sobre
a importação de matérias-primas
no momento da exportação dos
produtos que elas serviram para
fabricar.
• apartheid (ingl.) - Sistema oficial
de segregação racial praticada na
África do Sul para proteger a
minoria branca.
• best-seller (ingl.) - o livro que se
vende melhor; obra que é grande
êxito de livraria
• commodity (ingl.) - produto (pl.:
commodities)
• expert (ingl.) - experto, perito
• franchising (ingl.) – franquia
• freelancer (ingl.) - pessoa que
executa serviços profissionais
sem vínculo empregatício
• free-shop (ingl.) - Local de venda
de produtos sem taxa de
importação.
• holding (ingl.) – sociedade
financeira que possui ações de
outras sociedades
• impeachment (ingl.) –
impedimento
• leasing (ingl.) - contrato de uso
de coisa mediante pagamento
mensal; ao final do prazo, pode
tornar-se proprietário;
arrendamento mercantil
• lobby (ingl.) - Pessoa ou grupo
que, nas antessalas de órgãos
decisórios, procura influenciar os
representantes do povo no
sentido de fazê-los votar segundo
os próprios interesses ou dos
grupos que representam.
• marketing (ingl.) – conjunto de
estudos e medidas que proveem
estrategicamente o lançamento e
a sustentação de um produto ou
serviço no mercado consumidor
• mise en scène (fr.) - organização
material de evento; encenação
• overdose (ingl.) – superdose
• performance (ingl.) –
desempenho
• shopping center (ingl.) - centro
comercial
• spray (ingl.) – aerossol
• spread (ingl.) - diferença entre o
preço de compra e de venda de
um título ou moeda, na linguagem
financeira
• staff (ingl.) - Grupo de trabalho
de assessoramento ou vinculado
ao executivo principal.
Latinismos
• O emprego de expressões latinas na
linguagem forense não é mero diletantismo. Por
ser uma língua sintética, o Latim traz ao texto
brevidade e também clareza.
• Há várias palavras e expressões latinas
ligadas ao direito.
Latinismos – expressões latinas
• Ab absurdo. A partir do absurdo, pelo absurdo.
Fala-se em argumento ab absurdo e não ab
absurdum como se vê em livros de autores
renomados.
• Aberratio delicti. Desvio do delito; erro na
execução de um crime com resultado diferente
do pretendido. Corresponde ao que diz o povo:
"Atirou no que viu e acertou o que não viu."
• Ab initio. Desde o início, a partir do início, de
início.
• Ab irato. Num impulso de cólera.
• A contrario sensu. Pela razão contrária.
• Ad arbitrium. Arbitrariamente.
• Ad cautelam. Para efeito de cautela, de
prevenção.
• Ad corpus. Para o corpo; usa-se na venda de
um imóvel sem especificação de área.
• Ad hoc. Para isso, para algo específico.
• Ad judicia. Para o juízo; procuração válida
apenas para o juízo.
• Ad libitum. Segundo a deliberação, vontade,
arbítrio.
• Ad litem. Para a lide.
• Ad literam. Literalmente.
• Ad locum. Sem demora, de imediato.
• Ad nauseam. Exaustivo; diz-se de algo muito
pormenorizado.
• Ad nutum. Sem justificativa.
• Ad probatíonem. Para prova, determinada
formalidade legal exigida só para prova do ato.
• Ad quem. Para quem, para o qual.
• Ad referendum. Sujeito à aprovação, à
apreciação. É comum o uso do substantivo
referendo.
• A fortíori. Com maior razão.
• Animus. Intenção, vontade, propósito.
• A quo. Procedência (de quem, do qual). A quo
designa a primeira instância judicial, de onde
parte um processo ou um pleito, para seguir os
seus trâmites; e ad quem designa uma instância
superior, a que sobe o processo.
• Bis in idem. Duas vezes sobre a mesma coisa;
incidência de um mesmo imposto sobre o
mesmo contribuinte ou sobre a matéria já
tributada.
• Bonafide. Boa-fé.
• Capito deminutío. Perda totalou parcial dos
direitos.
• Concessa venia. Concedida, suposta a vênia,
a permissão, a licença; o mesmo que data
vênia.
• Currente calamo. Ao correr da pena, elaborado
às pressas.
• Data venia. Com a devida permissão.
• De cujus. O falecido, o testador falecido; a
expressão completa é de cujus successione
agitar.
• De facto. De fato, segundo o fato.
• Dies ad quem. Último dia de um prazo.
• Dies a quo. O primeiro dia de um prazo.
• Erga omnes. Para com todos, em relação a
todos, de caráter geral. O contrário é erga
singulum.
• Ex cathedra. Diz-se de manifestação de
26
alguém em função do próprio cargo.
• Ex causa. Em relação à causa; pela causa.
• Ex nunc. Ato, condição ou contrato cujos
efeitos se fazem sentir com a celebração do ato,
sem retroatividade.
• Ex officio. Diz-se do ato judicial praticado em
decorrência do ofício, do cargo.
• Extra petitum. Além do pedido, fora do pedido,
extrapolando o pedido.
• Ex tunc. Desde então, com retroatividade. Por
exemplo, a lei penal opera ex tunc para
beneficiar o réu.
• Ex vi. Por efeito, por força, em decorrência da
força.
• Inania verba. Palavras vazias.
• In articulo mortis. Na hora da morte.
• In limine litis. No início da lide.
• In loco. No lugar, no próprio local.
• Inter vivos. Entre vivos, durante a vida, em
vida.
• Ipsis verbis. Com as mesmas palavras.
• Iter criminis. Atos praticados pelo criminoso,
necessários à realização do delito.
• Juris tantum. Apenas de direito.
• Lato sensu. Em sentido amplo, geral.
• Manu militari. Agir com violência para obter
algo.
• Modus faciendi. Modo de fazer algo.
• Modus vivendi. Modo de viver.
• More uxorio. Conforme o estado de casados,
viver como se casado fosse.
• Motu proprio. Espontaneamente, de livre e
espontânea vontade.
• Munus publicum. Função pública, de interesse
público.
• Mutatis mutandis. Mudado o que deve ser
mudado (mudadas as coisas que devem ser
mudadas). É expressão corrente nos livros de
Direito.
• Non liquet. Não é claro, não há certeza.
• Pact sunt servanda. Os pactos devem ser
cumpridos.
• Passim. Aqui e ali; com frequência;
frequentemente.
• Prima fade. À primeira vista.
• Pro forma. Por mera formalidade.
• Pro rata. Em proporção, proporcionalmente.
• Sine cura. Despreocupado, descuidado.
• Sine die. Adiamento para o futuro, sem data
certa.
• Sine qua non. Indispensável, obrigatória,
necessária.
• Status quo. Na situação em que, no estado em
que se acha uma questão.
• Stricto sensu. Em sentido estrito, determinado,
especificado.
• Suo judice. Em juízo, em julgamento, à espera
do julgamento.
• Sui generis. Especial, próprio, particular.
• Ultra petitum. Além do pedido, ultrapassando o
pedido.
• Verbi gratia. Por exemplo; abrevia-se v.g.
Adaptado de: PETRI, M. J. C. Manual de Linguagem Jurídica. São Paulo: Saraiva, 2008. FERRAZ Jr. Direito, Comunicação e Retórica. São Paulo:
Saraiva. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/53114898/011-linguagem-juridica. Acesso em: 18 ago. 2011.