O HOMEM DOS RATOS
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O HOMEM DOS RATOS


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Amanda Munique Reichert
Kaway Morgana
Maiara da Rosa
Paulo Gustavo Maria
Viviane Ritter
\u201cO homem dos Ratos\u201d
Psicoterapia Psicanalítica
Professora Laíza Bortolini
Dezembro, 2016.
Introdução
Freud tratou um jovem cujo trabalho foi publicado com o título o \u201cHomem dos Ratos\u201d (1909, Volume X da Coleção das Obras Completas de Freud da Editora Imago). Com este estudo, Freud procurou formular uma explicação sobre a neurose obsessivo-compulsiva. Segundo a sua teoria, a neurose obsessiva tem origem nos conflitos inconsciente não resolvidos situados na fase anal-sádica do desenvolvimento psicossexual. 
É preciso admitir que a neurose obsessiva não é fácil de compreender. A linguagem de uma neurose obsessiva, ou seja, os meios pelos quais ela expressa seus pensamentos secretos, presume-se ser apenas um dialeto da linguagem da histeria.
O caso é considerado relativamente sério. O tratamento durou cerca de um ano e reestabeleceu completamente a personalidade do sujeito, bem como, extinguiu-se as inibições do paciente.
História Clínica: \u201cO Homem dos Ratos\u201d
Um jovem de formação universitária apresentou-se a Freud com a asserção de que sempre havia sofrido de obsessões desde a infância, mas com intensidade especial nos últimos quatro anos. Os aspectos principais de seus distúrbios eram medos de que algo pudesse acontecer a duas pessoas de quem ele gostava muito: seu pai e uma dama a quem admirava. Além disso, ele estava consciente de impulsos compulsivos, tais como, por exemplo: um impulso de cortar a garganta com uma lâmina; posteriormente criou proibições, às vezes em conexão com coisas um tanto sem importância. Contou que gastou anos lutando contra essas ideias, e desse modo, acabou perdendo muito tempo durante sua vida. Experimentou vários tratamentos, mas nenhum o ajudou, exceto o tratamento por hidroterapia em um sanatório próximo, pois, para ele, provavelmente fora possível apenas porque lá travara conhecimentos com alguém, o que o levara a manter relações sexuais regulares. Sentia repulsa por prostitutas. Ao mesmo tempo, segundo ele, sua vida tinha sido obstruída; a masturbação desempenhara apenas um pequenos papel nela, quando tinha dezesseis ou dezessete anos de idade. Sua potência era normal; a primeira vez que teve relações sexuais tinha vinte e seis anos. O jovem senhor passou a impressão de ser uma pessoa de mente clara e sagaz.
O início do Tratamento
No dia seguinte, Freud o fez comprometer-se a submeter-se à única condição do tratamento: dizer tudo que lhe viesse à cabeça, ainda que fosse desagradável ou que lhe parecesse sem importância, irrelevante ou sem sentido. O assunto foi iniciado.
Contou que tinha um amigo sobre o qual possuía uma opinião extraordinariamente elevada. Costumava procurá-lo sempre que estava atormentado por algum impulso criminoso, e perguntar-lhe se ele o desprezava, como se despreza um criminoso. Seu amigo, costumava, então, dar-lhe apoio moral, assegurando-lhe que ele era um homem de conduta irrepreensível e que provavelmente tinha tido o hábito, a partir de sua juventude, de encarar obscuramente sua própria vida. Prosseguindo sua fala, contou que em uma época anterior, outra pessoa havia exercido uma influência semelhante sobre ele: era um estudante de 19 anos que passara a ter amizade por ele, e que levara sua autoestima a um grau extraordinário, de tal forma que ele, para si mesmo, pareceu ser um gênio. Este estudante tornou-se seu professor, e de repente modificou seu comportamento e começou a tratá-lo como se fosse um idiota. Só assim, notou que o estudante estava interessado em uma de suas irmãs e compreendeu que ele apenas o aceitou para conseguir adentrar sua casa. Este foi o primeiro golpe de sua vida.
Sexualidade Infantil
\u201cMinha vida sexual começou muito cedo. Posso lembrar-me de uma cena durante meu quarto ou quinto ano de idade. Essa cena veio-me à cabeça um pouco distintamente, anos depois. Tínhamos uma governanta, muito jovem e bonita, chamada Fräulein Peter. Certa noite, ela estava deitada no sofá, ligeiramente vestida, lendo. Eu estava deitado ao seu lado e pedi-lhe para arrastar-me para debaixo de sua saia. Ela me disse que podia, desde que eu nada dissesse sobre isso a ninguém. Ela tinha muito pouca roupa por cima, e manipulei com os dedos seus genitais e a parte inferior do seu corpo, o que me chocou como algo muito extravagante. Depois disso, fiquei com um curiosidade ardente e atormentadora de ver o corpo feminino. Ainda posso lembrar a intensa excitação com que eu, nos banhos (aos quais ainda me permitiam ir com a governanta e com minhas irmãs), esperava a governanta despir-se e entrar na água. Posso lembrar-me de mais coisas a partir dos seis anos de idade. Àquela época tínhamos outra governanta, também jovem e de boa aparência. Ela tinha abcessos nas nádegas, os quais tinha hábito de espremer à noite. Eu costumava esperar avidamente por aquele momento, para apaziguar a minha curiosidade. Ela a mesma coisa, como nos banhos.\u201d
Exemplificou outra cena que ocorrera entre os seus nove anos de idade: estavam sentados - a governanta, a cozinheira, a criada, ele e seu irmão. As jovens conversaram, quando de repente ele prestou atenção na fala de Fräulein Lina: \u201cPoder-se-ia fazê-lo com o pequeno; mas Paul é muito desajeitado, seguramente ia falhar\u201d. Não entendendo sobre o assunto, começou a chorar.
\u201cQuando eu tinha seis anos, já sofria de ereções, e sei que, certa vez, fui até minha mãe queixar-me delas. Também sei que, assim fazendo, eu tinha alguns receios para superar, pois tinha um pressentimento de que havia alguma conexão entre esse assunto e minhas idéias e minhas indagações e naquela época eu costumava ter uma ideia mórbida de que meus pais conheciam meus pensamentos; dei-me a explicação disso supondo que os havia revelado em voz alta, sem haver-me escutado fazê-lo. Encaro esse fato como o começo da doença. Havia determinadas pessoas, moças, que muito me agradavam, e eu tinha um estranho sentimento, como se algo devesse acontecer se eu pensasse em tais coisas, e como se devesse fazer todo tipo de coisas para evita-lo.\u201d
\u201cOs pensamentos a respeito da morte de meu pai ocuparam minha mente desde uma idade muito precoce e por um longo período, deprimindo-me enormemente.\u201d Neste ponto, Freud soube que o pai do paciente, com quem afinal seus temores obsessivos estavam agora ocupados, falecera muitos anos antes.
O Grande Medo Obsessivo
\u201cAcho que hoje começarei com a experiência que constituiu motivo imediato para eu vir visitá-lo. Foi em agosto, durante as manobras em ...... Eu antes estivera padecendo e me atormentando com todas as espécies de pensamentos obsessivos, mas eles passaram rapidamente durante as manobras. Eu estava a fim de mostrar aos oficiais regulares que pessoas como eu não só haviam aprendido bastante, mas também podiam aguentar bastante. Um dia, partimos de ....... em marcha lenta. Durante uma parada, perde meu pince-nez e, embora pudesse encontra-lo facilmente, não queria atrasar nossa partida, de modo que o deixei para lá. Todavia, telegrafei aos meus oculistas em Viena para que me enviassem um par, pelo próximo correio. Durante aquela mesma parada senti-me entre dois oficiais, um dos quais, um capitão de nome tcheco, não iria ter pequena importância para mim. Eu tinha certo terror dele, pois ele obviamente gostava de crueldade. Não digo que era um homem mau, mas no grupo de oficiais ele sempre havia defendido a introdução de castigo corporal, de modo que eu fora obrigado a discordar dele com veemência. Pois bem, durante a parada passamos a conversar, e o capitão contou-me que havia lido sobre um castigo particularmente horrível aplicado no Leste...\u201d
Neste momento o paciente interrompeu a fala e pediu a Freud que este não lhe perguntasse mais detalhes. Freud, explicou-lhe sobre a resistência e disse que não tinha gosto nenhum pela crueldade. Freud perguntou: \u201cSerá que ele estava pensando em cerca de estacas?\u201d O paciente