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Contestação  modelos diversos

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Prática Forense
INTRODUÇÃO
Somente o estudo detalhado do caso, após se ouvir o cliente e fazer-se
percuciente análise dos autos do processo, habilita o advogado a apresentar as
opções de defesa ao seu cliente, por esta razão não é possível apresentar em um
manual como este todas as possibilidades de resposta num caso concreto;
contudo, com escopo de ajudar os colegas advogados apresento, com arrimo na
minha experiência pessoal, a seguir observações particulares sobre a defesa, em
especial sobre a contestação, das ações mais comuns do processo civil.
AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA
Na chamada defesa contra o processo, o réu deve atentar para as exigências
legais para que o autor possa de fato requerer a adjudicação compulsória,
como, por exemplo, ter quitado completamente suas obrigações em face do
vendedor e/ ou a falta de recusa quanto à outorga da escritura definitiva. Neste
caso, as questões preliminares podem se confundir com o mérito (carência de
ação por falta de legitimidade ou interesse), contudo, no mérito, o réu pode,
além de outras questões particulares do caso, informar sobre eventual
impossibilidade de cumprir com a sua obrigação, expondo detalhadamente
suas razões.
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O réu cuja defesa tenha como arrimo a inadimplência do autor (não quitou
todo o preço, por exemplo), pode ainda fazer pedido, em reconvenção, no
sentido de que o contrato seja rescindido e o vendedor reintegrado na posse do
bem.
AÇÃO DE ALIMENTOS
Além de eventuais preliminares (defesa contra o processo), o réu, no
mérito, pode argumentar sobre sua falta de capacidade, possibilidade, para
prestar os alimentos, explicitando, é claro, seus motivos, ou, ainda, a falta de
necessidade dos alimentos por parte do alimentando.
Desejando impugnar apenas o valor pedido pelo alimentando, o réu deve
demonstrar detalhadamente suas condições financeiras (balanço entre entradas
e saídas), fazendo constar ainda proposta de alimentos dentro de suas
possibilidades. Importante juntar documentos comprovando suas alegações,
mormente certidão de nascimento de outros filhos, comprovantes das alegadas
despesas (v. g., aluguel, transporte, remédios, prestações, etc.) e atestado
médico quanto a eventuais problemas de saúde.
A contestação deve ser oferecida em audiência, por petição ou verbalmente.
Neste caso, é preciso estar atento às novas regras do processo eletrônico, sendo
comum que o juízo determine o protocolo da contestação, via eletrônica, pelo
menos duas horas antes da audiência. Com escopo de evitar problemas, o
advogado deve estar atento às regras emitidas pelo Tribunal de Justiça
competente e a eventual advertência expressa no próprio mandado.
AÇÃO DE ALIMENTOS GRAVÍDICOS
A lei que instituiu os alimentos gravídicos colocou o homem em uma
situação de desvantagem, visto que possibilitou a sua condenação ao
pagamento de pensão alimentícia mediante simples indícios; ou seja, sem que
haja prova real de paternidade.
Citado, o homem que tenha reais dúvidas sobre sua paternidade, em razão,
por exemplo, de comprovada infidelidade da ex-namorada ou por já ter feito
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vasectomia, deve contestar a ação juntando documentos e pedindo a produção
de provas (v. g., oitiva de testemunhas, perícia técnica etc.). Com escopo de
evitar que fique condenado a pagar pensão para filho que não seja seu (os
alimentos gravídicos se convertem em alimentos para a criança), pode ainda o
homem requerer que o juiz suspenda o feito, após decidir sobre a liminar, até o
nascimento da criança, a fim de possibilitar a realização de exame de DNA nos
próprios autos (princípio da economia processual).
Na sua resposta, o homem deve ainda informar sobre as suas condições
financeiras, discutindo o valor da pensão, a fim de que esta, no caso de
procedência do pedido, seja fixada num valor justo. Não se deve deixar de
juntar documentos comprovatórios dos fatos alegados, em especial a existência
de mais prole (outros filhos).
AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO EM ALIENAÇÃO
FIDUCIÁRIA
O devedor que deixa de pagar financiamento garantido por alienação
fiduciária acaba numa situação muito difícil; além de perder o veículo, ele
normalmente fica ainda com um grande débito junto à instituição financeira
que lhe emprestou o dinheiro. No entanto, não se deve olvidar que a situação já
foi pior, visto que não faz muito tempo ele podia ainda acabar preso como
depositário infiel. Esta hipótese foi definitivamente afastada com a emissão da
Súmula Vinculante no 25 do STF, com a seguinte redação: “É ilícita a prisão
civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.”
Embora a defesa nestes casos seja difícil, há algumas alternativas.
Primeiro, o § 2o do art. 3o do Decreto-lei no 911/69, com a redação que lhe deu
a Lei no 10.931/04, assegura ao devedor o direito de recuperar a posse do bem
se, no prazo de 5 (cinco) dias após executada a liminar de busca e apreensão,
este pagar integralmente a dívida pendente, conforme cálculos apresentados
pelo credor na sua petição inicial. A redação da norma legal foi infeliz e tem
dado margem a abusos por parte dos credores, que via de regra apresentam na
exordial cálculos claramente exagerados (v. g., não fazem desconto
proporcional pelo vencimento antecipado das parcelas; cobram comissão de
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permanência etc.).
Reconhecendo o engano do legislador, recente jurisprudência vem
garantindo ao devedor o direito de recuperar o seu carro mediante simples
purgação da mora, qualquer que tenha sido o número de parcelas pagas. Veja-
se este exemplo:
“Nova redação do art. 3o, do Dec. Lei 911/69, modificações introduzidas
pelo art. 56, da Lei 10.931/04, concessões arbitrárias ao credor fiduciário,
modelo flagrantemente potestativo, inviabilidade do devedor fiduciante buscar a
consolidação do contrato, purgando a mora, senão com o depósito do preço
contratual, por inteiro e nos limites do apontamento ministrado pelo credor, tais
circunstâncias, absoluto descompasso com o sistema jurídico (Constituição
Federal, Código Civil e Código de Defesa do Consumidor), descabe recepcionar,
mecanismo flagrantemente ilegal e inconstitucional – Agravo de Instrumento, n.
878.051-0/4 – Piracicaba – 3a Câmara de Direito Privado – Relator: Carlos
Russo – 04.05.05, v.u.”
Pedindo ou não a purgação da mora (ou quitação do contrato, como diz de
forma infeliz a lei), o devedor pode oferecer contestação no prazo de 15 (quin-
ze) dias da execução da liminar. Além de eventuais questões preliminares,
como, por exemplo, a falta ou vício da constituição em mora do devedor, no
mérito o réu pode impugnar os cálculos apresentados pelo credor fiduciário,
requerendo, com fundamento no abuso de direito, sejam julgados os pedidos
improcedentes.
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO DE ALUGUEL
Além de eventuais preliminares, o locador tem, no mérito, sua defesa
restrita, consoante inciso V do já referido art. 67, ou seja, somente pode alegar
que: (I) não houve recusa ou mora em receber a quantia devida; (II) ter sido
justa a recusa; (III) não ter sido efetuado o depósito no prazo ou no lugar do
pagamento; (IV) não ter sido o depósito integral.
Não se deve olvidar que o ônus da prova é do autor.
Além de apresentar defesa, nos limites apontados, o réu pode ainda
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apresentar reconvenção pedindo o despejo por falta de pagamento.
AÇÃO DE DESPEJO POR DENÚNCIA VAZIA
Além de eventuais preliminares, o locatário pode requerer seja declarada a
carência de ação, por falta de uma das condições da ação, tal como: (I) falta
de notificação prévia; (II) o contrato de locação não ser por escrito; (III) o
contrato de locação não ter sido celebrado pelo prazo de 30 (trinta) meses ou
mais; (IV) o contrato de locação não se encontrar vencido.
No mérito não há o que se discutir, visto que o locador não precisa
justificar seu pedido. Cabe tão somente ao locatário requerer o prazo de seis
meses para a