Modulo 4
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Modulo 4


DisciplinaProteção Penal ao Patrimônio17 materiais71 seguidores
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30/11/2016 UNIP ­ Universidade Paulista : DisciplinaOnline ­ Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Artigo 160, CP
\u201cExigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena ­ reclusão, de um a três anos, e multa\u201d.
 
 
 
                                   Nomen Iuris: Extorsão indireta
 
                                   Dá­se a extorsão indireta quando o agente se utiliza de um meio ilícito para garantir uma dívida. Na extorsão indireta, a vítima, para obter o crédito, simula
um \u201ccorpo de delito\u201dde uma infração penal e entrega o documento ao agente, que, na posse desse tem maior garantia em torno do crédito \u2013 ex/ falsificação de assinatura\u37e
preenchimento de cheque sem fundos, assinatura de duplicata simulada etc).
 
                                   Elementos do tipo:
­ exigiu ou receber: trata­se de crime de ação multípla, pois os núcleos do tipo (elementos objetivos) são os verbos citados\u37e respondendo o agente tanto pelo
cometimento de um ou de ambos os verbos ­ no primeiro caso o sujeito ativo é que obriga à prestação da garantia ­ no segundo, o sujeito passivo é quem se
manifesta em prestá­la\u37e
­          documento: trata­se do objeto material, que pode ser um cheque sem suficiente provisão de fundos, uma cambial com assinatura falsa etc\u37e  \u2013 qualquer
escrito, público ou particular
 
­ como garantia de dívida: trata­se do elemento subjetivo do tipo. Assim, há necessidade de que a exigência tenha por escopo a garantia de dívida, caso
contrário estaremos diante da extorsão simples, constrangimento ilegal etc).
 
                                   Objetividade jurídica: patrimônio e liberdade individual (expressa pela obrigação de fazer ou deixar de fazer)
 
                                   Sujeito ativo: qualquer pessoa
 
                                   Sujeito passivo: quem cede à exigência
                                   Regra geral, é o devedor, mas pode também ocorrer a situação em que é exigido documento que pode dar causa a um procedimento criminal contra
terceiros e não contra o devedor.
 
                                   Tipo subjetivo: dolo
                                   Este crime só admite a modalidade dolosa. Inadmissível a culposa.
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                                   Deverá haver a vontade livre e consciente de exigir ou receber documento.
                                   Constitui elemento subjetivo do tipo a expressão: \u201ccomo garantia de dívida\u201d.
 
                                   Consumação e tentativa:
                                   ­ Exigir: neste caso, trata­se de crime formal, consumando­se o delito com a mera conduta, ou seja, com a exigência, não sendo necessária a produção do
resultado para que o crime se consume\u37e
                                   ­ Receber: neste caso, trata­se de crime material em que a ocorrência do resultado é necessária para que haja consumação.
                                   A conatus no primeiro caso é admitida quando o crime é praticado na forma escrita, pois nesta hipótese será plurissubsistente\u37e já no segundo, a conatus
ocorre quando o delito não se consuma por circunstâncias alheias à vontade da vítima.
 
                                   Pena: reclusão, de 01 a 03 anos, e multa
 
                                   Ação penal: pública incondicionada
 
 
DA USURPAÇÃO
Art. 161 ­ Suprimir ou deslocar tapume, março, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar­se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena ­ detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º ­ Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I ­ desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias\u37e
Esbulho possessório
II ­ invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º ­ Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º ­ Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
 
Art. 162 ­ Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade:
Pena ­ detenção, de seis meses a três anos, e multa.
 
 
 
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No artigo 161 do Código Penal encontramos três tipos delitos: alteração de limites (caput)\u37e usurpação de águas (§ 1°, I)\u37e e, esbulho possessório (§ 1°, II). O bem jurídico
protegido nestes delitos é a posse e a propriedade. A alteração de limites é o conduta de suprimir (eliminar, destruir, retirar ou fazer desaparecer) ou deslocar (afastar ou mudar de
lugar) tapume, marco ou qualquer sinal indicativo de linha divisória \u2013 (são os sinais identificadores do limite da propriedade imóvel, valendo­se o legislador de mero rol
exemplificativo ao enumerar tapume ou marco) para apropriar­se, no todo ou em parte (deve existir a intenção do agente tomar algo que não lhe pertença, integralmente ou não,
aumentando­lhe a propriedade ou posse) de coisa imóvel alheia (trata­se da propriedade imóvel, compreendendo tanto a pública quanto a privada). Trata­se de tipo doloso com o
fim especifico de apropriar­se dela. O sujeito ativo será apenas o proprietário ou possuidor que altera o limite de propriedade com o fim de apropriar­se dela. Questão controvertida
refere­se à possibilidade de condômino figurar no pólo ativo. Magalhães Noronha entende que é possível desde que se trate de condomínio pro diviso, onde existe composse de
direito e divisão de fato, no que é acompanhado por Paulo José da Costa Jr. Em sentido contrário Luis Regis Prado, citando Nelson Hungria. O sujeito passivo, evidentemente, será
também apenas oroprietário ou possuidor. Importante destacar que o crime se consuma com a mudança do marco ou sinal identificador do limite da propriedade imóvel, não se
exigindo a efetiva apropriação da posse, mas somente a intenção de tê­la. A usurpação de águas é o delito de quem desvia (muda o curso ou altera o destino) ou represa (impede
a passagem ou interrompe) em proveito próprio ou de outrem (a ação se dá com a finalidade de proveito pelo próprio agente ou em proveito de terceiro, portanto, dolo específico)
águas alheias (curso de rio, riacho, córrego, lagoa, represa de que não seja proprietário ou possuidor, podendo ser pública ou privada). Já o crime de esbulho possessório consiste
na ação de invadir (entrar à força, conquistar, dominar ou ocupar) com violência a pessoa ou grave ameaça (exige o tipo a prática de agressão ou intimidação moral contra o
possuidor ou proprietário) ou mediante concurso de mais de duas pessoas (trata­se de elemento alternativo que exige para sua configuração a atuação de quatro pessoas, em
concurso necessário ­ JUTACRIM70/213\u37e JUTACRIM 73/185) terreno ou edifício alheio (pertencer a outra pessoa que não o invasor) para o fim de esbulho possessório (o agente
deve ter a intenção de retirar da posse o sujeito passivo). Trata­se de tipo doloso que consiste em invadir terreno ou edifício alheio, mediante violência contra a pessoa ou grave
ameaça, ou em concurso com mais três pessoas, com o fim especifico de excluir o sujeito passivo da posse. Se o fim for apenas o de turbar a posse não haverá crime. \u201cO delito de
que cogita o art. 161, § 1.º, II, do CP não é a turbação possessória do Direito Civil, conquanto, em seu aspecto formal, a lei com ela se satisfaça. É exato que quem invade terreno
ou edifício alheio,