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Entrevistas com Vasconcelos, Hadji, Zabala, Hoffmann, Luckesi (Resumo)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
ANA CÉLIA MONTEIRO LAURINDO
RESUMO
Compilação de entrevistas com pesquisadores da área de “Avaliação da Aprendizagem”
Maceió
2017 
ANA CÉLIA MONTEIRO LAURINDO
RESUMO
Compilação de entrevistas com pesquisadores da área de “Avaliação da Aprendizagem”
Trabalho elaborado para a disciplina Avaliação ministrada pelo Prof.ª. Silvana Paulina de Souza, como requisito parcial para obtenção de nota. 
 
 
Maceió
2017 
JUSSARA HOFFMANN
Para Hoffmann, o avaliador influencia o avaliado. Ela diz que a avaliação, como teoria ou pesquisa, surgiu com uma preocupação na qualidade da educação nos anos 1950-1960, com os americanos e, no Brasil, sofreu influencia de teóricos como Ralph Tyler, por exemplo, com uma visão comportamentalista onde o desenvolvimento das habilidades é determinado por suas relações com o meio em que se encontram.
De acordo com Lee Cronbach, um dos teóricos utilizados em seu mestrado, o avaliador influencia a transformação do objeto avaliado e James W. Popham vai além ao afirmar que “cabe ao pesquisador descobrir o mundo, mas cabe ao avaliador torná-lo melhor”. Essas ideias deram a base para que fosse discutida a influência do professor como mediador.
Dentro dessa discussão surge a “avaliação mediadora” onde o aluno coloca em prática toda a sua vivência e seu conhecimento é mediado. O professor cria situações desafiadoras para uma aprendizagem mais significativa trabalhando a reflexão e a ação, provocando e fazendo mudanças.
Em sua entrevista, Hoffmann diz que a avalição na prática encontra muita resistência. Os regimentos escolares com um sistema tradicional constroem barreiras para àqueles professores que tentam adequar seus processos inovadores com uma análise qualitativa de testes e tarefas.
Os critérios de qualidade para uma avaliação não devem ser confundidos com as condições para a realização de uma tarefa. O aluno deve ter liberdade de expressão e, o professor, em sua formação, deve ter uma postura mediadora a fim de incentivar uma melhor aprendizagem.
A avaliação emancipadora, de acordo com Jussara Hoffmann, encontra obstáculos para a sua atuação. A falta de dialogo, as diversas normas, a padronização, dentre outros, impedem que os alunos tenham experiências singulares dentro de um âmbito, de uma sociedade com uma diversidade sociocultural e politica.
Para ela, ainda há esperanças na escola e na educação. Numa sociedade onde o ritmo de trabalho é intenso e, por vezes, os pais trem pouco tempo de convivência com seus filhos, a escola torna-se o lugar onde crianças e jovens constroem sua confiança, tornando-se sujeitos autônomos, critico e criativos. O professor nesse contexto deve promover uma avaliação para que a escola realize uma aprendizagem de qualidade.
CELSO VASCONCELOS
Para Vasconcelos, uma avaliação ideal deve observar os avanços, as dificuldades e as potencialidades dos alunos para que a escola realize uma aprendizagem efetiva com um desenvolvimento humano pleno possibilitando uma alegria crítica. 
Sua desaprovação com a cultura social de adultização infantil é clara: pobreza, exploração, abuso sexual, sutiã para meninas de 6 anos, dentre outros. Alguns visando o consumismo precoce desrespeitando a infância, sua subjetividade e dignidade.
Já na escola, essa problemática acontece quando há certo sufocamento da escola em padronizar as salas de aula. “Um aluno atrás do outro, o professor falando, falando, falando, o aluno ouvindo, ouvindo, ouvindo (ou fingindo que ouve). E tudo isso mais uma vez, em nome do ‘bem da criança’”.
Critica também a cultura da reprovação onde o aluno é responsabilizado por sua não-aprendizagem na escola e aos pais que adotam a Progressão Continuada ou Ciclos que pedem judicialmente a reprovação de seus filhos. Vasconcelos defende a ensinação: aprendizagem, desenvolvimento e alegria crítica.
Para que a avaliação cumpra esse papel, o professor deve compreendê-la para além de selecionar os “aptos”, preparar, disciplinar. A consciência superficial (avaliação como emancipação) e a consciência enraizada (classificação e exclusão) devem ser superadas. A avaliação deve ser entendida como um instrumento que contribui para a construção do conhecimento e sua implementação ocorrer a partir dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
O professor educador precisa ter o domínio do processo básico de aprendizagem. Celso Vasconcelos define seis exigências essenciais para que o aluno aprenda: Capacidade Sensorial e Motora + Capacidade de Operar Mentalmente do Sujeito, Conhecimento Prévio do Sujeito, Acesso ao Objeto/Conteúdo (Informação Nova), Querer Aprender aquele Objeto, Agir sobre o Objeto de Conhecimento e Expressar-se sobre o Objeto. Este último permite ao professor “acompanhar o processo de construção do conhecimento por parte do aluno” o que é fundamental para a aprendizagem.
CHARLES HADJI
Hadji defende a tese de que, para que se tenha uma avaliação formativa eficiente, há três etapas: o estudo da tarefa a ser avaliada e sua explicação, a prática das habilidades e a intervenção. Para ele a avaliação está presente em nosso cotidiano como orientação e seleção. Na escola ela é social e individual; constrói a imagem de bom ou mau aluno; fragmenta e marca aprendizagens.
O professor deve tomar cuidado com os pré-julgamentos para com o aluno. As pressões sociais não devem ser um influenciador ao avaliar o aluno e somente uma boa formação não é suficiente para se avaliar o desempenho do aluno. Ele tem que compreender o conceito de avaliação: “dizer em que medida as expectativas sociais são atendidas ou não” (p.11).
O aluno é um coparticipante e deve ser informado sobre as expectativas esperadas e o professor fornecer as possibilidades para atingir o objetivo. “A avaliação precisa estar a serviço da aprendizagem” (idem). Para isso, os planos, programas, etapas e estratégias são importantes para o progresso.
De acordo com Hadji, o professor deve estar sensível para que a aprendizagem seja significativa e, se for preciso, modificar o modo de ensinar para alcançar o objetivo. Ele encontra barreiras quando quer definir as etapas da tarefa, pois envolve o estudo do objeto do conhecimento e um saber em didática para que a tarefa seja bem executada.
Para adquirir tal conhecimento, ao professor é dada a responsabilidade de analisar o desempenho do estudante para verificar possíveis falhas em sua didática. A esse parecer chamamos de avaliação formativa que é formada pela análise, prática e intervenção.
Hadji acredita que a avaliação não é uma utopia, pois os instrumentos para sua realização dependem da forma como o educador as utiliza. Para ele “o mestre deve ser didata, pedagogo e capaz de dar ao aluno a chance de avaliar sua performance”. Sem pressão social e nenhum prejulgamento.
CARLOS LUCKESI
Para Luckesi, a avaliação em grande parte das escolas regulares é muito confundida com exame. Este último tem caráter classificatório, seletivo, antidemocrático e autoritário. Enquanto a avaliação é diagnostica, inclusiva, democrática e dialógica.
O exame que é praticado em escolas do ensino médio não tem caráter de verificação nem tampouco de avaliação. O estudante é aprovado ou reprovado e não tem participação em seu aprendizado. As notas ou conceitos que lhes são atribuídos registram os resultados de sua aprendizagem em uma determinada disciplina; se seu desempenho for satisfatório será conduzido a uma aprovação.
A ideologia do castigo ou a sua ameaça para que o aluno se dedique mais aos estudos, ainda é bastante comum em nossa sociedade. O exame gera medo da reprovação.
As notas utilizadas para avalias o desempenho do aluno não é considerada avaliação. Avaliar é diagnosticar com o objetivo de construir resultados satisfatórios, encontrar soluções, identificar a falha no processo.
Para que se possam estabelecer critérios avaliativos, é importante o planejamento
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