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ARTIGO bariátrica

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baixa 
autoestima (3,3%); e, manter relações sexuais (3,3%). Entretanto, 80% da amostra não se 
sente prejudicada por estes fatores. 
Segundo Castro (2009), o preconceito e a discriminação são considerados um dos 
maiores problemas sociais encontrados em obesos. Á esse respeito, Silva e Lange (2010) 
afirmam que, o olhar de desaprovação ou distanciamento do outro interferem diretamente para 
a insatisfação da própria imagem. Contudo, esta realidade não foi encontrada neste estudo. 
Segundo Barros et al (2015), a CB melhora a qualidade de vida e a percepção sobre o 
estado de saúde, sendo essas mudanças observadas no primeiro ano de pós-operatório, 
podendo durar até 10 anos. Está associada com redução da depressão e agressividade, melhora 
do autoconceito, da autoestima, dos sentimentos, da satisfação e da capacidade de realizar 
atividades. Promove melhoras também no conforto, mobilidade, envolvimento social, 
funcionamento sexual e na produtividade. 
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Diante do exposto, no que se refere ao acompanhamento psicológico, supõe-se que, a 
satisfação com o peso conquistado por elas e, consequentemente, a melhor percepção de sua 
imagem corporal e autoestima influenciam na tomada de decisão das mesmas. Pois, na 
maioria das vezes, as pessoas buscam auxílio profissional apenas quando se sentem 
prejudicadas ou insatisfeitas, o que parece não ocorrer no momento. 
Na Tabela 04 são apresentados os dados referentes a pratica de atividades físicas antes 
e após o procedimento cirúrgico. Antes da cirurgia, 66,7% das mulheres não realizavam 
exercícios físicos. Dentre os principais motivos estão a dor (20%), o não gostar (16,7%), 
sentir vergonha por não estar no “padrão” estabelecido pela sociedade (10%), não ter tempo 
(6,7%), sentir preguiça (6,7%) e não obter resultados positivos (3,3%). Em contrapartida, após 
a cirurgia, 63,3% passou a realizar os exercícios, sendo que os principais motivos apontados 
por quem manteve-se sedentário foram a indisponibilidade de horários para a prática (16,7%), 
o não gostar (13,3%) e a preguiça (6,7%). 
 
Tabela 04 – A prática de Atividade física no período pré e pós cirúrgico. 
 Frequência Porcentagem 
Realizava exercícios físicos antes da cirurgia 
Não 20 66,7 
Sim 10 33,3 
Realiza exercícios físicos após a cirurgia 
Sim 19 63,3 
Não 11 36,7 
 
A mudança de comportamento no que se refere à prática de atividades físicas 
apresenta-se positiva entre as entrevistadas. De acordo com Barros et al (2015), a prática de 
atividade física é, muitas vezes, difícil para os pacientes com obesidade devido à presença de 
comorbidades, tais como osteoartrite, fato este que corrobora com este estudo. 
Para Vincent et al (2012), as rápidas mudanças físicas após a cirurgia tendem a 
motivar o indivíduo a se comprometer com o seu novo estilo de vida a fim de manter o 
sucesso do tratamento cirúrgico a longo prazo. Logo nos três primeiros meses após a cirurgia, 
observa-se melhorias na marcha, na velocidade das caminhadas, no condicionamento físico e 
nas dores nas articulações e na região lombar, o que contribui para uma melhor auto 
percepção. Essas mudanças facilitam a participação em atividades físicas regulares, 
possibilitando uma maior perda de peso. 
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 Com relação à Tabela 05, 73,3% das mulheres seguiram todas as etapas do 
acompanhamento nutricional, 80% afirma ter seguido as recomendações da especialista antes 
da cirurgia, no entanto, 53,3% não segue atualmente as orientações. 
 
Tabela 05 – Acompanhamento nutricional no período pré e pós cirúrgico. 
 Frequência Porcentagem 
O acompanhamento com nutricionista 
Seguiu todas as etapas 22 73,3 
Receber laudo 8 26,7 
Seguiu recomendações nutricionais antes da cirurgia 
Sim 24 80,0 
Não 6 20,0 
Atualmente segue as recomendações 
nutricionais 
 
Não 16 53,3 
Sim 14 46,7 
 
Para prevenir as carências nutricionais decorrentes do procedimento cirúrgico, tais 
como a desnutrição proteica, as deficiências de ferro, zinco e de vitaminas, o 
acompanhamento pós-cirúrgico é necessário. Pois, conforme destaca Costa (2013), assim é 
possível investigar os sinais e sintomas relacionados com a técnica cirúrgica adotada e da 
conduta nutricional adequada. Diante desta perspectiva, o acompanhamento nutricional pós-
cirúrgico é importante para auxiliar não apenas na condição clínica do paciente, mas também 
na manutenção do peso corporal, tendo em vista as orientações dietéticas do profissional. 
De acordo com a Tabela 06, o apoio familiar esteve presente para 83,3% das mulheres, 
assim como o apoio de seus respectivos parceiros com a prevalência de 76,7%. Nota-se que, 
para 73,3% das mulheres houve melhora no relacionamento amoroso. 
 
Tabela 06 – Apoio familiar. 
 Frequência Porcentagem 
Teve apoio familiar para a cirurgia 
Sim 25 83,3 
Não 5 16,7 
Teve apoio do(a) parceiro(a) para a cirurgia 
Sim 23 76,7 
Não 4 13,3 
Relacionamento com parceiro (a) teve melhora* 
Sim 22 73,3 
Não 6 20,0 
 *Válido 28 
 
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 O apoio familiar tem importante relação para a tomada de decisão, recuperação e 
tratamento do paciente. Segundo Braga e Lopes (2009), os familiares exercem sobre os 
pacientes diferentes funções e reações, podendo colaborar ou dificultar o processo. 
Levando em consideração que, após a cirurgia a paciente passa a ter melhor qualidade 
de vida, consequentemente, sua autoconfiança e autoestima passam a facilitar suas relações 
interpessoais. Para Marchesini (2010), a sexualidade recebe pontuação positiva na maioria das 
investigações após o procedimento, pois há consenso quanto a maior facilidade para execução 
do ato sexual e maior capacidade de fornecer e receber prazer, fato este que colabora para as 
relações amorosas das pacientes submetidas à CB. 
Apesar de a maioria realizar acompanhamento médico após a cirurgia, um número 
ainda significativo de 30% não realiza tais cuidados, podendo estar mais vulnerável a algum 
tipo de complicação e/ou doença. Além do acompanhamento psicológico e nutricional após o 
procedimento cirúrgico, é necessário também que o paciente faça regularmente o 
acompanhamento com o médico cirurgião e/ou com outros especialistas, para que assim, 
mantenha os cuidados sobre sua saúde. 
Observa-se, ainda que, após o procedimento, a maioria passou a ter hábitos fora do 
que consideravam comum antes da cirurgia, como: mudanças alimentares (20%), que incluem 
tanto a compulsão alimentar como a obsessão por alimentos saudáveis; a ingestão de bebida 
alcóolica (16,7%); compulsão por compras (10%); a prática de exercício físico intenso (10%); 
uso de drogas (3,3%); distorção de imagem (3,3%); tensão frequente (3,3%); e, maior 
dedicação aos filhos (3,3%). 
Nota-se que, os hábitos adquiridos após a cirurgia são de diferentes características e 
exigem atenção. De acordo com Nunes (2013) e Rezende (2011), ainda neste período, a 
determinação e a construção eficiente das novas crenças do paciente são importantes. Quando 
a perda de peso começa a se estabilizar, o indivíduo deixa de receber elogios, devendo ser 
motivado a continuar perdendo peso, podendo ocorrer novo ganho de peso. Logo, os autores 
enfatizam que o paciente deve manter uma orientação profissional como forma de auxiliá-lo a 
não transferir sua compulsão alimentar para outra área, tais como ingestão de bebida alcóolica 
e drogas, compulsão por compras, sexo, atividade física e outros, bem como não desenvolver 
outro transtorno alimentar pelo receio de engordar, como anorexia nervosa ou bulimia 
nervosa. Tais complicações podem ser observadas nos relatos das entrevistadas. 
 Há ainda que se refletir sobre casos de distorção de imagem, onde pacientes