O QUE É NEUROSE
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O QUE É NEUROSE


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eram a histeria e a neurose obsessiva. Esta linha divisória, sabemos agora, era mais do que uma definição nosológica. Marcava a existência de um fosso que separa os processos simbólicos de uma outra forma de pensar, para qual não há um nome definido no campo da psicanálise.
Os pacientes histéricos e os obsessivos absorveram a intenção de Freud, que lhes dedicou o melhor de seus potenciais de investigação. Graças ao esforço de entender esses pacientes e de decifrar seus enigmas, Freud descobriu os fenômenos da repressão, da transferência e da conversão, e de seu correlato inevitável: o caminho que leva de volta o psíquico ao somático,qualificou, então, como característica básica dos processos histéricos e definiu o destino de uma produção simbólica submetida ao processo da repressão.
O tratamento devia seguir a pista das fantasias reprimidas e devia traze-las de volta ao campo da consciência, de onde tinham sido expulsas. A noção básica e, daí por diante, fundamental introduzida em As Neuropsicoses de Defesa era a de que as neuroses representam uma defesa contra idéias insuportáveis. Importa reconhecer que, neste conceito, o fenômeno central, as idéias insuportáveis são a de ordem do simbólico. Com graus de maior ou menor sofisticação, a psicanálise jamais se afastou da órbita dos fenômenos simbólicos e de suas vicissitudes. A histeria constituiu-se em pedra angular do paradigma freudiano.
Ela se tornou a matriz de seu arcabouço teórico e cumpriu a mesma função que outras entidades nosológicas desempenharam, como fenômeno matricial, gerando teorias sistematizadas que se constituíram em \u201cEscolas de Psicanálise\u201d. Sabemos que o pensamento de Melanie Klein, Bion, Kohut ou Winnicott, deriva de matrizes clínicas diversas das de Freud e diferentes entre si.
Neurose de abandono - Denominação introduzida por psicanalistas suíços (Charles Odier, Germanie Guex) para designar um quadro único em que predominam a angustia do abandono e a necessidade de segurança. Trata-se de uma neurose cuja a etiologia seria pré-edipiana. Não corresponderia necessariamente a um abandono sofrido na infância. Os sujeitos que apresentam esta neurose chamam-se \u201cabandonicos\u201d
Neurose de Destino \u2013 Designa uma forma de existência caracterizada pelo retorno periódico de encadeamento a que o sujeito parece estar submetido como a uma fatalidade exterior, ao passo que segundo a psicanálise convêm procurar as suas causas no inconsciente e especificamente na compulsão à repetição.
Neurose (ou síndrome) do fracasso \u2013 Denominação introduzida por René La Forgue e cuja a acepção é muito ampla. Designa a estrutura psicológica de toda uma gama de sujeitos desde àqueles que, de um modo geral, parecem ser os artífices da sua própria infelicidade ate os que não podem suportar obter precisamente aquilo que mais ardentemente parecem desejar. Quando os psicanalistas falam de neurose de fracasso, tem em vista o fracasso enquanto conseqüência do desequilibro neurótico, e não enquanto condição desencadeante ( perturbação reativa do fracasso real)
Neurose Familiar \u2013 Expressão utilizada para designar o fato de que, em uma determinada família, as neuroses individuais se completam, se condicionam reciprocamente, e para evidenciar a influência patogênica que a estrutura familiar, principalmente a do casal parental, pode exercer sobre as crianças.* a expressão \u201cneurose familiar\u201d já não é utilizada em psicanálise.
Neurose Narcísica - * Expressão que tende hoje a desaparecer do uso psiquiátrico e psicanalítico, mas que encontramos nos escritos de Freud para designar uma doença mental caracterizado pela retirada da libido sobre o ego.Opõe-se assim às neuroses de transferência.
Neurose Traumática \u2013 Tipo de neurose em que o aparecimento dos sintomas e consecutivo a um choque emotivo, geralmente ligado a uma situação em que o sujeito sentiu sua vida ameaçada. Manifesta-se no momento do choque, por uma crise ansiosa paroxística, que pode provocar estados de agitação, de entorpecimento ou de confusão mental. Sua evolução ulterior, que sobrevivem a maior parte das vezes após um intervalo livre, permitiria que se distinguissem esquematicamente dois casos:o traumatismo age como elemento desencadeante, revelador de uma estrutura neurótica preexistente.O traumatismo toma parte determinante no próprio contudo do sintoma(ruminação do acontecimento traumatizante, pesadelo repetitivo, perturbações de sono...) que parece como uma tentativa repetida de \u201cligar\u201d e ab- reagir o trauma. Tal \u201cfixação no trauma\u201d é acompanhada de uma inibição mais ou menos generalizada da atividade do sujeito. É a esse ultimo quadro, que Freud e os psicanalistas reservam habitualmente a denominação de neurose traumática.
Neurose Mista \u2013 Forma de neurose caracterizada pela coexistência de sintomas provenientes, segundo Freud, de neuroses etimologicamente diferente diferentes.
Neurose de Caráter - Conceito psicanalítico que descreve traços de caráter ora como derivações de fase do desenvolvimento ora como análogos de sistemas particulares. Aquelas poderiam incluir o caráter oral ou anal; estes poderiam incluir o caráter histérico ou obsessivo. As manifestações de neurose de caráter são consideradas como intermediárias entre traços normais de caráter e sintomas neuróticos. O termo é inconveniente, já que pode incluir qualquer transtorno da personalidade e do comportamento.
Neurose de Compensação \u2013 Sintomas psiquiátricos induzidos, exacerbados ou prolongados como resultado de políticas sociais ou socioculturais. Deve ser diferenciado de compensação enquanto processo psicológico. Esta condição pode ocorrer entre vítimas de acidentes em litígio por compensação legal, veteranos de guerra que solicitam pensões ligadas ao serviço, e pacientes psiquiátricos que buscam benefícios por incapacidade junto ao seguro social. É especialmente freqüente em sociedades que tem seguros por acidentes e ou por incapacidade e invalidez, pensões especiais para veteranos e indenizações para trabalhadores. Pode acompanhar quase todos os transtornos psiquiátricos.
Neurose Depressiva \u2013 Termo impreciso originado da teoria psicanalítica (depressão caracterológica), mas que subseqüentemente adquiriu vários significados, muitos dos quais contraditórios ou não relacionados a considerações psicodinâmicas. A neurose depressiva tem sido definida pela ausência de sintomas ou sinais de depressão endógena, por sua relação causal com uma situação ou evento estressante e por sua ligação a um padrão de personalidade mal-adaptativo.
Neurose Histérica Dissociativa \u2013 reação histérica em que o paciente se defende dos conflitos através de episódios de dissociação: amnésia, confusão, personalidade múltipla, etc.
Neurose Histérica de Conversão - neurose cujos sintomas mais aparentes são manifestações somáticas funcionais, embora a cronicidade das mesmas provoque por vezes modificações anatômicas irreversíveis; difere da neurose de angustia por, ser, neste caso, a angústia \u201cconvertida\u201d em disfunção, que simbolicamente representa o conflito ( membro paralisado, como defesa e ação hostil, por exemplo).
Neurose de Angústia \u2013 tipo mais simples de psiconeurose, onde a angustia é o sintoma capital; evolui em crises mais ou menos próximas (sempre diante de perigo simbólico ou real) e com maior freqüência em portadores de constituição ansiosa.
Neurose Obsessiva Compulsiva - Neurose caracterizada por pensamentos obsessivos, que mantém o paciente em conflito permanente, estabelecendo com um mundo exterior uma forma especial de relação, que se manifesta pelos ritos conjuratórios, segundo Freud, seria produto de fixação na fase anal de desenvolvimento, traduzido em ação, o pensamento obsessivo passa a ser chamado de compulsão.
Neurose Fóbica \u2013 neurose exteriorizada através de fobias, resultando estas da fixação da angústia sobre situação ou objeto, aparentemente inofensivos; o neurótico fóbico aproxima-se do angustiado, só que evita o objeto de temor como meio de escapar a angustia. Mesma coisa que Histeria de angústia, termo introduzido por