A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
48 pág.
10S - SE - Seminario P. R. Conflit.

Pré-visualização | Página 1 de 13

Seminário P. R. Conflitos
Prof. Paulo de Tarso Neri
1. Aplicabilidade e eficácia das normas constitucionais:
	1.1. Aplicabilidade:
	Uma lei entra em vigor ao final de sua vacatio legis. A regra é a existência de v. l. (art 1º, art. 1º, LINDB) “salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. (...) Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada”. Entretanto, como o mesmo artigo alude, a lei pode estabelecer v.l. superior, inferior ou mesmo que ele não exista.
	Já, no que tange à norma constitucional, a regra é não ter vacatio constitucionais, passando a valer na data de sua publicação. Entretanto, a Constituição Federal poderá prever v.c (nunca ele é presumido), desde que este seja expresso. No caso da CF/88, o art. 34 do ADCT, previu v. c. para uma parte da Constituição, que é o Capítulo do Sistema Tributário Nacional – as demais normas valeram a partir da publicação da CF. Isso se deu, em função de que a Constituição não cria tributos, mas, sim, define de quem é a competência para criá-los.
	1.2 Eficácia:
	É capacidade, aptidão. Divide-se em dois grupos: social e jurídica.
		a) Social: trata-se da efetividade ou grau de obediência à norma. Só são 	importantes para o Direito os casos em que não há nenhuma eficácia social, pois ela 	passa a ser uma não-norma.
		b) Jurídica: é a aptidão para a produção de efeitos no mundo jurídico. A 	norma jurídica é diferente de uma norma moral pela presença de sanção estatal. 	Todas as normas constitucionais apresentam graus de sanção, tendo, portanto, 	aptidão para realizar a vontade do Constituinte.
		Obs.: a norma jurídica pode ser originária dos costumes, desde que estes não 	sejam contra legem.
			1.2.1 Classificação das Normas Constitucionais:
1.1 Normas de eficácia plena: não necessita de qualquer complementação (self-executing) é auto-executável. São normas completas, ou seja, seu texto já traz o que é necessário para sua imediata eficácia, sem qualquer alusão a lei complementadora. São as que têm aptidão para produzir todos os efeitos pretendidos pelo Constituinte.
				Exemplo: art. 1º - pacto federativo.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos
1.2 Normas de eficácia contida: também é auto-executável, só que ela sugere uma complementação infraconstitucional que melhor especifique algumas particularidades de sua incidência. 
			Em outras palavras, segundo o Prof. Paulo de Tarso, “são aquelas que nascem com eficácia total, com aptidão para a realização de todos os efeitos previstos pelo Constituinte, mas permitem que uma lei posterior restrinja esses benefícios”. Sua designação correta seria contível ou restringível, não contida.
				Exemplo:
Art. 5º XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
		Enquanto não houver essas leis delimitadoras, por ser auto-executável, vale 		a norma aberta, assegurando plena liberdade de trabalho a todos.
1.3 Normas de eficácia limitada: engloba todas que não têm eficácia plena. Não executáveis. São aquelas que dependem obrigatoriamente de complementação infraconstitucional para serem consideradas eficazes. Necessitam de complementação. Enquanto não forem complementadas sua eficácia será praticamente nula, não sendo, portanto, auto-executável.
			Exemplo: 
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.
Enquanto não houver a lei, esse artigo e nada é praticamente a mesma coisa. Esta norma seria meramente programática, ou seja, de caráter abstrato (“algum dia haverá tal coisa por lei...”). 
A norma de eficácia limitada é gênero do qual a norma programática e a institutiva são espécies:
1º) Normas constitucionais de eficácia limitada de princípio institutivo:
			São aquelas que pretendem a instituição, criação, estruturação 	ou organização de órgãos ou entidades. Não criam, apenas estabelecem seu 	desenho. Exemplo:
Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei. 
2º) Normas constitucionais de eficácia limitada de princípio programático:
São aquelas que não pretendem a criação de órgãos, mas o estabelecimento de metas, programas e diretrizes para a atuação futura dos órgãos estatais.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
2. Interpretação das normas constitucionais
	É extrair o significado da norma. Utilizar todos os métodos hermenêuticos tradicionais.
	2.1 Interpretação literal – gramatical: analisar a língua portuguesa, a coerência, coesão.
	Exemplo: art. 5º, caput, da CF: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
	Aqui, a palavra “residentes” refere-se aos brasileiros ou aos estrangeiros? Deve-se ter uma interpretação literal-gramatical. O Termo “residentes” abrange ambos os grupos, tanto os brasileiros, quanto os estrangeiros.
	2.2 Interpretação histórica: buscar a mens legis ou mens legislatoris, ou seja, a vontade da lei ou a vontade daquele que fez a legislação.
	Países da common law, principalmente os EUA, buscam a mens legis. Dão importância a vontade do Constituinte.
	Já no sistema romano-germânico, tem-se a desconfiança das vontades dos governantes. Busca-se a mens legislatoris.
	Deve-se evitar o historicismo, que é a utilização somente da interpretação histórica. Por exemplo, na época do atentado às torres nos EUA. Na Constituição Americana está prevista a proteção a privacidade e intimidade das ligações telefônicas. O então Presidente Bush consultou o Ministro da Justiça questionando a possibilidade de quebrar o sigilo. Em uma interpretação utilizando o historicismo foi possível, pois essa privacidade quanto às ligações telefônicas não se aplica, pois quando criada essa proteção não existia telefone.
	2.3 Interpretação teleológica: buscar a finalidade, a razão de ser da norma.
	Importante na Constituição Federal, que por ser analítica, utiliza conceitos indeterminados. Deve-se buscar a finalidade nos dias de hoje. Por exemplo, o conceito de família na época da CF não é a mesma de hoje.
	2.4 Interpretação lógico-sistemática: não se preocupa só com uma norma. Interpreta toda a norma do sistema e não a norma isolada. É a interpretação de normas constitucionais com infraconstitucionais.
	Por exemplo, na relação de consumo, o arquivista toma conhecimento de uma informação errada e não o altera imediatamente no sistema. O “imediatamente” não é agora, nem daqui a pouco. O próprio CDC entende que o imediatamente é 5 dias e não especificamente na mesma hora (art. 43, § 3º, do CDC).
	a) Intepretação de acordo com a unidade da Constituição: não se interpreta a norma da CF isoladamente, mas com as demais normas constitucionais. 
	Por exemplo, o art. 37, VIII da CF reserva vagas em concursos públicos para deficientes físicos. Mas essa reserva não é absoluta. Interpreta-se essa norma com o caput, obedecendo ao princípio da eficiência da Administração Pública. A inclusão de deficiente físico não pode deixar insuficiente a Administração Pública.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.