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AÇÃO POPULAR

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Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da _ Vara da Fazenda Pública Municipal da Comarca de Belo Horizonte/MG
CARLOS HONESTO, brasileiro, profissão..., inscrito no CPF..., portador do título de eleitor nº 999, zona 035, seção 024, certidão eleitoral negativa, residente e domiciliado na rua..., nº..., bairro..., Belo Horizonte/MG, CEP..., e-mail..., vem, respeitosamente perante vossa excelência, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração anexa, propor AÇÃO POPULAR COM PEDIDO DE LIMINAR, em face do MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE, pessoa jurídica de direito público interno, inscrito no CNPJ, localizado no endereço rua..., nº..., bairro..., Belo Horizonte/MG, CEP..., e-mail; contra o PREFEITO DE BELO HORIZONTE, Marcio de Lacerda, inscrito no CPF..., residente e domiciliado na rua..., nº..., bairro..., Belo Horizonte/MG, CEP..., e-mail...; e VIGILANCIA DIGITAL LTDA, sociedade empresária, inscrita no CNPJ..., com sede no endereço rua..., nº..., bairro..., Belo Horizonte/MG, CEP..., e-mail..., pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:
I – DOS FATOS
O autor verificou ter o Município de Belo Horizonte, celebrado contrato com a empresa Vigilância Digital LTDA, para instalação de câmeras de monitoramento nos bairros do município.
A contratação ocorreu sem prévio e necessário procedimento licitatório, não sendo caso de dispensa ou inexigibilidade da licitação, sendo contrato, portanto, ilegal. 
Também, evidencia-se a lesão ao patrimônio público, pelo fato do contrato estar superfaturado, pois, conforme orçamentos que seguem anexos, o mesmo equipamento pode ser adquirido no mercado pela metade do preço, restando demonstrado lesão ao patrimônio público e a moralidade administrativa, tutelados pela Ação Popular.
II – DO DIREITO
A constituição Federal prescreve a exigência de prévia licitação na contratação de obras, compras, serviços e alienações, ressalvados os casos de inexigibilidade ou dispensa, conforme artigo 37, XXI, o que também é exigido pela Lei 8.666/93 no seu artigo 2º.
 
 Art. 37 [...]
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
Lei 8666/93
Art. 2º - As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.
No caso, sub judice, o município de Belo Horizonte contratou com a empresa Vigilância Digital LTDA, a colocação de câmeras de monitoramento nos bairros, sem prévio procedimento licitatório, o que torna o contrato ilegal.
Além da ilegalidade acima apontada, o referido contrato foi celebrado em valores superiores aos praticados no mercado, conforme se pode verificar nos orçamentos anexos, que orçaram equipamento idêntico aos contratados, por valores muito inferiores.
Portanto, presentes o binômio ilegalidade/lesividade na malfadada contratação, viabilizando a presente Ação Popular para proteção do patrimônio público e moralidade administrativa.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em casos análogos, declarou ilegal o contrato firmado pelo poder público, sem a prévia e necessária licitação, vejamos:
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - TARIFA DE ESGOTO - MUNICÍPIO DE TRÊS CORAÇÕES - ATIVIDADES DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO - AÇÃO POPULAR - TRÂNSITO EM JULGADO - ANULAÇÃO DE TERMO ADITIVO - ANULAÇÃO DE COBRANÇA - RESTITUIÇÃO DE VALORES - PRESCRIÇÃO - SÚMULA 412 DO STJ - CABIMENTO 
- Na ação popular nº 1.0693.05.036885-3/001 foi decretada a ilegalidade do Termo Aditivo ao Contrato firmado entre o Município de Três Corações e a COPASA, pela ausência de prévia licitação para a realização de obras e serviços de esgotamento sanitário e porque implementada a cobrança de serviço ainda não disponibilizado de forma específica e facultativa aos munícipes. Por conseqüência, foram anuladas também as cobranças de tarifa de esgoto pertinentes ao referido contrato. 
- Na repetição de indébito não se pode perquirir apenas sobre a extensão das atividades de esgotamento sanitário prestadas aos moradores de Três Corações para justificar ou não a cobrança da tarifa de esgoto, tendo em vista a existência de ação popular com trânsito em julgado, na qual foi declarada a ilegalidade de Termo Aditivo que prorrogou contrato entre o Município requerido e a COPASA para implantação dos serviços de esgotos sanitários. (TJMG - Apelação Cível 1.0693.14.001223-0/001, Relator(a): Des.(a) Dárcio Lopardi Mendes , 4ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 19/03/2015, publicação da súmula em 25/03/2015)