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Trabalho sobre o Estado (Economia) UFMG

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
FACULDADE DE CIENCIAS ECONOMICAS 
ECONOMIA E SOCIEDADE 
 
 
 
Gustavo de Andrade Morais 
Nicolas Silva 
 
 
 
 
TRABALHO SOBRE ESTADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
Gustavo de Andrade Morais 
Nicolas Silva 
 
 
 
 
 
 
TRABALHO SOBRE ESTADO 
 
 
 
Trabalho sobre conceitos e 
questionamentos pertinentes ao estudo 
das ciências econômicas, apresentado na 
Universidade Federal de Minas Gerais, no 
curso Bacharel em Ciências Econômicas 
como parte dos requisitos para concluir a 
disciplina Economia e Sociedade, 
orientado pelo Prof. Mario Rodarte. 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
 
 
 
1 - Como coerção e capital determinaram a conformação dos Estados Nacionais 
modernos? 
A coerção e o capital andam de mãos dadas quando o assunto é a formação de 
Estados Nacionais. Porém eles possuem papeis distintos na criação de um estado. 
Como Charles Tilly mesmo diz: (1990, p. 67) "O capital define um domínio de 
exploração, a coerção define um campo de dominação". 
O capital, portanto, sendo o veículo da compra e venda de mercadorias e serviços, 
acumulação e produção, tem como o seu principal agente, o capitalista. A ação 
desses capitalistas são os fatores imprescindíveis para o crescimento das cidades. 
Isso pois a concentração do fluxo de capital em lugares específicos, propiciava 
aglomerações de famílias aos arredores em busca de sua própria sobrevivência. 
Porém, o crescimento dessas cidades não depende apenas da concentração do 
capital, mas também da acumulação do mesmo. Isso porque quando se tem uma 
concentração muito elevada em relação a quantidade de capital acumulada em uma 
região, ela acaba se tornando segundo Charles Tilly (1990, p. 66) "Cidades primárias", 
onde os índices populacionais são bastante inferiores aos grandes centros urbanos 
devido a ineficiência das atividades econômicas daquele lugar. 
O mesmo ocorre quando há uma grande acumulação de capital sem uma certa 
concentração, o que costuma gerar apenas algumas aglomerações dispersas e 
também com uma grande ineficácia econômica. 
A importância da equivalência desses dois pontos se dá primariamente pela taxa 
populacional de um centro urbano. Pois quanto maior o número de pessoas 
convivendo em um determinado lugar, maior é o incentivo desses indivíduos para que 
se tenha uma maior proficiência na produção e prestação de serviços devido a 
concorrência que se tem nas grandes cidades. 
Já a coerção é o fator que gera o crescimento de estados, e, conforme Charles Tilly 
cita: (1990, p.67) "... Compreende toda aplicação combinada - ameaçada ou real - de 
uma ação que comumente causa perda ou danos às pessoas ou às posses de 
indivíduos ou grupos...". 
Em outras palavras a coerção pode ser entendida como o controle ou repressão que 
determinados agentes conseguem impor na sociedade. E assim como o capital, a 
acumulação e a concentração devem ser equivalentes para que tudo ocorra da 
melhor maneira. 
Quando, em uma sociedade há uma grande dispersão da coerção, ou seja, não há 
um acumulo de coerção suficiente no estado, é gerado as soberanias fragmentadas. 
O problema dessas soberanias é que, com o poder de repressão fraco e mal 
distribuído, os inimigos do estado têm o estímulo para formar alianças contra o 
controle central. 
E quando há uma grande concentração da coerção em um estado, são gerados os 
chamados impérios. Nesses tipos de estados, o estimulo de oposição também são 
muito presentes. Isso porque quando o poder é concentrado na mão de um ou poucos 
agentes, a probabilidade de haver corrupções ou dissimulações é bem maior, o que 
aumenta também as chances de haver rebeliões contra o estado. 
A guerra também possui um papel importante no crescimento do estado. Conforme 
Tilly também cita (1990, p. 68) "A guerra induz a formação e transformação do 
estado". Isso porque, ao dominar novos territórios, o estado acumula ainda mais o 
poder de coerção, pois há novas regiões para se governar. 
E não só o pós-guerra que possui impacto, há também os momentos que antecedem 
a guerra. Pois para criar exércitos e marinhas, os governantes tinham de ter um 
sistema de arrecadação de impostos, abastecimento e extração. 
Portanto, é assim que coerção e capital colaboram na criação de Estados Nacionais, 
o capital incentivando o crescimento das cidades através do fluxo econômico entre as 
pessoas, e a coerção, sendo o veículo que tenta administrar e reprimir tudo aquilo 
que pode ferir o bom funcionamento do estado como um todo. 
 
2 - Conceitue cidadania e descreva o seu processo de aprimoramento na 
história. 
O conceito de cidadania nos dos maiores expoentes da sociedade Ocidental, Roma 
e Grécia, se davam a priori por naturalidade territorial. Ou seja, por ser nascido dentro 
dos limites geográficos do Estado-Nação. Mesmo que em Roma, exceções fossem 
abertas a ex-centuriões por honra ao tempo de serviço. O cidadão era o Homem com 
direito de participar da vida política do Estado, se defender judicialmente. Em 
sociedades feudais o conceito foi diluído e mantido entre a nobreza e posteriormente, 
em cidades italianas parcialmente resgatadas. Mas somente a Inglaterra, durante o 
período de transição para o capitalismo foi capaz de traze-lo à tona. 
A cautela inglesa em conter o avanço capitalista fez com que surgissem programas 
sociais, tais quais a Poor Law e a Speemhamland responsáveis por não transmutar a 
experiência inglesa em fracasso. 
Com a eventual sobreposição do capitalismo sobre o feudalismo, tais políticas se 
tornaram não obsoletas, mas a partir do surgimento de direitos civis como o voto, 
tornaram-se arbitrárias. E tais programas deram espaço para Liberdade e para os 
direitos naturais. 
O princípio de cidadania inglês se dá pela instituição dos Direitos Naturais de Locke. 
O direito à propriedade dava ao homem inglês, não só a posse de terra, mas o direito 
de protege-la e mantê-la ao seu controle. O debate sobre cidadania e o que seria uma 
sociedade civilizada aflorou também direitos trabalhistas e trouxe a tona a 
responsabilidade da Coroa Inglesa sobre seus súditos. 
O estabelecimento da educação pública fez com que a Inglaterra não mais formasse 
somente brutos, mas também trouxesse maior número de pessoas instruídas no país. 
O aumento do número de filhos de assalariados em instituições de Ensino Superior 
inglesas foram documento do sucesso de tal iniciativa. 
O sufrágio inglês demorou vir à tona, mas aos poucos foi sendo implantado. O direito 
a voto evidenciou diferenças de classe, já que estas ficavam veladas pela irrelevância 
da baixa classe inglesa. 
Após a Segunda Guerra Mundial a Declaração Internacional dos Direitos Humanos 
universalizou o conceito de cidadania. O sufrágio feminino, institucionalização da 
saúde e educação pública marcam a cidadania moderna.

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