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WA - UNIDADE 01 - HOMEM, CULTURA E SOCIEDADE

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propinarem veneno, ferirem gravemente ou fizerem qualquer outra grave ofensa física, a seu senhor, a sua mulher, a descendentes ou ascendentes que em sua companhia morar, a administrador, feitor, e as suas mulheres que com eles viverem. Se o ferimento ou ofensa física forem leves, a pena será de açoites, a proporção das circunstâncias, mais ou menos agravantes (BRASIL, 1835).
As manifestações culturais dos negros eram também uma forma de resistência. A religião, a música, a luta e a língua foram expressões da cultura negra que se consolidaram na formação da cultura do povo brasileiro.
Observe, no vídeo, o modelo de escravidão no Brasil a partir o séc. XVIII com a escravidão negra.
<https://www.youtube.com/watch?v=QXiXFsPpf-o&feature=related>
 
É doloroso ver tanta injustiça, não é? Sermos arrancados de nossa terra e levados para outra desconhecida para perdermos inteiramente a liberdade.
Você sabia que mesmo diante desta realidade, entre 1900 e 1950, o Brasil vendeu a imagem de primeira "democracia racial'' do mundo, paraíso onde a convivência entre brancos e negros era anunciada como igualitária e pacífica?
De acordo com Ribeiro (1996), a estrutura social que temos hoje no Brasil, decorrente do processo de miscigenação racial, traz implicações diversas, tanto na dimensão moral quanto na política e cultural. Instaura-se a divisão de classes sociais, e o estabelecimento das relações de poder. Em virtude do País ser visto por séculos como um bom negócio a ser explorado, o povo também é visto apenas como força de trabalho a ser explorada.
E quanto ao negro? Em que medida o fim da escravidão significou a emancipação do negro? Que influência trouxe à organização social?
É certamente utópica a tentativa em demonstrar a igualdade entre brancos e escravos forros, porque até hoje os afrodescendentes não possuem as mesmas oportunidades em nossa sociedade.
Com a abolição, os senhores deixam de ter despesas com os escravos que perambulam desempregados pelas ruas das cidades buscando alguma forma de ganhar a vida. Como não havia muito para fazer, o desespero levou muitas pessoas a buscar consolo na bebida e outros desenvolveram atitudes de violência.
A miséria em que vivia grande contingente de pessoas, afrodescendentes ou não, era explicada a partir da preguiça, da falta de vontade de prosperar na vida, desconsiderando os condicionantes econômicos e sociais.
Será que isso é coisa do passado ou ouvimos comentários que ainda reproduzem esse discurso?
6. Mito da democracia racial e implantação de políticas afirmativas relacionadas às relações inter-étnicas
Frente à notória desigualdade social no Brasil, revelada pelos dados apresentados pelo IBGE e IPEA, a “democracia Racial” é facilmente percebida como fantasia, pois os dados expõem com clareza a situação grave em que vive grande parte da população negra no País.
Em todos os aspectos há desvantagens: a partir da infraestrutura urbana e moradia, passando pela justiça e educação, chegando às péssimas condições de trabalho e salários.
Assista ao vídeo
<https://www.youtube.com/watch?v=375sS13XAT0>
 
Toda pessoa que utiliza o termo raça é racista? Os (as) ativistas antirracistas que usam este termo também são racistas?
Na década de 1930 nasce, dentro da comunidade intelectual brasileira, a expressão “democracia racial”. De acordo com o levantamento histórico que fez o professor Munanga (2004), o conceito de raça veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie. Inicialmente, foi utilizado para classificar espécies animais e vegetais, na história das ciências naturais. Somente depois é que, “[...] passou a designar descendência, linhagem, ou seja, um grupo de pessoas que têm um ancestral comum e que possuem algumas características físicas em comum” (MUNANGA, 1998, p. 17).
A cor da pele como elemento de identificação de raça se dá no século XVIII, havendo então a classificação em raça branca, negra e amarela. Posteriormente, outros aspectos são agregados como o formato do nariz, dos lábios, do queixo, as dimensões e formato do crânio, o ângulo facial, dentre outros.
Com o progresso da genética humana, foram introduzidos critérios químicos, baseados em análise do sangue, com a intenção de dar uma última palavra na respeitada divisão da humanidade em “raças” distintas.
Percebeu-se, nas pesquisas, que os patrimônios genéticos de duas pessoas da mesma “raça” podem apresentar diferenças maiores do que de pessoas de “raças” diferentes. Dessa forma Munanga constata: raças biológicas não existem.
A raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito, aliás, cientificamente inoperante para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças estancas. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem. (MUNANGA, 1998, p. 19).
O conceito de raça, carregado de ideologia esconde as relações de poder e a discriminação sob o véu da igualdade. A discriminação tornou-se oficializada, certamente de maneira sutil para evitar estimular os ânimos contra o Estado. Os negros passam a morar nos piores espaços, sem assistência, nos arredores das cidades, afastados o máximo possível da população branca.
Eram inferiorizados, ridicularizados pela aparência física por suas crenças e costumes. Passaram a ocupar os piores lugares no mercado de trabalho, as mais baixas remunerações e ainda receberam a marca de malandragem e erotismo.
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